Notas iniciais
Pra quem sentia falta dessa fic aqui está um novo capítulo. Olha como vocês perceberam o Gil aqui não tem nada haver com o que a gente conhece. Ele é safado, um cretino como a Sara o chama. E nesse capítulo, ele vai tentar bancar o cretino "engraçadinho" e vai se dar mau com Sara.

Como a praia ficava localizada há duas quadras do conjunto residencial que meus pais moravam, eu e os demais resolvemos ir a pé mesmo à praia.

Calada e na minha enquanto seguíamos pela rua, eu vire-mexe olhava de relance para Lewis de papo com meu irmão, Greg, Gil e Dayse, e não conseguia acreditar que aquele homem bonito, com pinta até de galã de filme romântico, era gay e tinha um namorado. Ele não dava pinta alguma, gente. Nenhuma sequer.

Me perguntava se Grissom ciente da orientação sexual do irmão, por que ainda sim, demonstrava ciúmes de mim com Lewis?

Isso não parecia fazer muito sentido.

— Sara lembra quando éramos garotos e fugíamos algumas vezes da aula para ir à praia?

A pergunta do meu primo me trouxe à realidade do papo que rolava ali entre o pessoal, que me acompanhava.

— É, claro que sim. Como não vou lembrar, Greg?!

Inúmeras foram as vezes em que escapávamos de alguma aula chata, e íamos aproveitar o dia na praia com nosso grupinho de amigos da escola. Era diversão pura.

— Vocês fugiam da aula pra vir à praia?

Fitei Lewis que sorria em divertimento após ter feita a pergunta.

Esse homem não pode ser gay. É desperdício demais!

— Sim! — confirmei. — Até que uma vez Maryane nos dedurou para os meus pais e aí, levei um sermão enorme. Desde aí, não fugi mais.

— E passou a ser mais de estudar. — meu primo adicionou.

— Um pouco apenas, vai. Me foquei no estudo de verdade quando entrei na universidade.

— Na verdade entre uma festa e outra que rolava na universidade, ela se focava um pouco nos estudos, quando não acordava de ressaca.

— Dayse! — recriminei minha amiga por me contradizer daquela maneira.

— Querendo passar por estudiosa, Sara?

Meu primo me provocou, como quando fazia na época em que éramos mais novos.

— Eu era focada na universidade. A Dayse aqui que está implicando. — bati com meu ombro no dela.

— Falando sério, agora, a Sara logo que conheci na universidade era uma nerd focada. Mas que sabia se divertir também quando a ocasião mandava, não era amiga?

Assenti e notei Gil me olhar exibindo um sorriso estonteante e safado. Inevitavelmente me recordei do nosso momento no meu quarto. Só de recorda daquilo já sinto um calor me subir pelas entranhas. Que homem bom da porra era aquele?!

Uma simples rapidinha não era assim tão simples com ele. Tinha sido algo intenso. Me senti no paraíso pressionada contra a parede e pressa nos braços daquele indivíduo cretino, mais altamente gostoso enquanto ele entrava e saía de mim intenso e rápido.

— Meu irmão aqui sempre foi focado nos estudos desde que me entendo por gente, não é Gil?

O comentário de Lewis me fez desviar o olhar de Grissom. Eu podia sentir minhas bochechas arderem devido a lembrança do tórrido e quente momento compartilhado com o Sr.Gostoso no banheiro do meu quarto.

— Sim. Ao contrário, de você que não era. — sua voz grave se fez presente quando ele respondeu.

Um arrepio me subiu a espinha ao escutar sua voz. Ah, essa voz que sussurrou no meu ouvido sacanagens dez dias atrás e deixou gemidos escaparem momentos atrás enquanto ele me possuía com vigor e força.

— Você é formado em quê, Grissom?

Diante da pergunta do meu primo retornei meu olhar à Gil. Agradeci mentalmente por Greg ter feito aquela pergunta. De repente eu me sentia curiosa para saber a formação desse homem e no quê ele trabalhava, mas não tinha coragem de perguntar diretamente a ele, mesmo que estejamos diante de algumas pessoas e pior, ainda se estivéssemos sozinhos. O que no mínimo é curioso, já que levando em conta as vezes que já transamos, eu posso dizer que tínhamos no mínimo um pouco de intimidade. Contudo, fazer-lhe questionamentos pessoais me retraia.

— Sou formado em administração de empresas, com mestrado e doutorado em gestão empresarial.

Céus! Um homem de negócios!

E ele bem que tinha pinta de empresário. E que pinta, senhor Jesus!

Esse homem zanzando de terno e gravata para cima e para baixo, no local de trabalho dele deve deixar as mulheres empolvorosas.

Que inveja bateu em relação a essas mulheres, que têm a chance de ver todo dia esse homão gostoso em um terno diferente.

— Meu irmão aqui tá seguindo os passos do nosso pai. Logo assumirá os negócios da família. Se bem que tem uma condição pra isso, né Gil?

E eu bem sabia qual era essa condição mencionada por Lewis.

Percebi que Gil não gostou e sequer aprovou o comentário do irmão, pois lhe lançou um olhar torto e imediatamente tratou de mudar de assunto.

— Chega de falar de mim, Lewis. Por que não conta aos demais sobre sua profissão?

Ao término de sua fala Gil me olhou discretamente e balançou a cabeça em negação. Mais certeza ainda tive de que ele desaprovou a fala anterior do irmão.

— No quê você trabalha Lewis? — Sean se interessou em saber.

— Designer de jóias masculinas. Tenho uma linha que uma grande marca pretende lançar no mercado em breve.

Fiquei surpresa em ouvir sobre sua profissão. Ao meu lado Dayse não escondeu a sua empolgação.

— Que legal! — minha amiga tocou seu ombro.

— Meu pai não compartilha muito dessa opinião. Na verdade ele detesta o meu trabalho. Por ele, eu seria um economista, que junto com Gil tocaria os negócios.

— E sem ser enxerida, mas já sendo... Qual é o negócio da família de vocês?

Quase dê um beijo em Dayse por sua pergunta, porque parece que ela adivinhou que minha curiosidade se aguçou àquele respeito. E eu desejava mais que tudo saber qual era o negócio da família Grissom.

— Remédios. — foi o Sr.Gostoso quem respondeu se antecipando ao irmão. — Nossa família é dona das indústrias farmacêuticas mais importantes do mundo a Care Inc.

Caramba! Eu já tinha ouvido falar dessa empresa. Então Grissom era podre de rico. Um chamariz e tanto para Maryane ter interessado-se por ele.

— Há mais de cinquenta anos nossa marca é líder no mercado farmacêutico nacional e internacional. Temos cinco fábricas gigantes, distribuídas uma em cada continente. Cada fábrica nossa abastece os países e estados correspondentes ao continente o qual elas estão situadas. Nossos remédios estão praticamente em cada canto do mundo. — explicou Gil e senti um orgulho explícito em sua voz enquanto ele falava do negócio de sua família.

— Nosso bisavô quem começou com todo esse império, como nosso pai costuma chamar nosso patrimônio. — em um tom divertido Lewis complementou a fala do irmão.

— E realmente é um império, Lewis. Nós dois sabemos bem disso.

— Sim. Mas tocar esse império não é pra mim. Ficar trabalhando com as finanças de uma empresa, como meu pai queria que fosse, não é a minha.

— Cara então quer dizer que estamos diante de magnatas bilionários? — me primo como sempre não perdeu a oportunidade de fazer suas piadinhas, enquanto descansava um de seus braços em meus ombros.

O gesto dele foi acompanhado por um par de olhos azuis, que depois me fitaram. Neles vi o incômodo que a gracinha do meu primo causou. Sem querer me desvencilhei de Greg e percebi a aprovação de Gil. Só então ele respondeu a pergunta do meu primo com um seco "sim".

— Mas voltando a falar do seu trabalho, Lewis. O que você cria, como designer?

Mais uma vez senti vontade de beijar Dayse por fazer o foco do papo ser Lewis.

— Desde de anéis, pulseiras à colares e relógios, Dayse. Inclusive, esse relógio que o Gil tá usando. Mostra a eles, mano. — o Sr.Gostoso esticou o pulso esquerdo para que todos nós víssemos seu relógio. — Esta foi criação minha, que dei de presente ao meu irmão no último Natal.

O relógio era de muito bom gosto. Grande e segundo a descrição dada por Lewis possuía pulseira em aço maciço e inoxidável, os números que denominavam os minutos eram em algarismos romanos, feitos em ouro assim como os seus ponteiros. Era uma peça bonita.

— Lewis acho que vou encomendar um desses pro meu velho, mas você vai ter que fazer um preço camarada, já que seremos da mesma família.

Meu irmão não se imenda mesmo. Barganhar preço do relógio do sujeito que ele conheceu ontem.

— Pode deixar que faço um desconto sim, Sean.

— Acha que o papai vai gostar de um desses, Sara?

— Papai adora relógios, Sean. Tenho certeza que vai gostar de ganhar um assim.

****

A água estava uma delícia, o sol já escaldante e a Dayse pirando com o que eu acabava de lhe contar.

— Sua safada! Eu não acredito que transou com ele de novo.

— Não quer falar mais alto pra toda praia ouvir? Porque acho que eles não escutaram bem, sua doida. — bati de leve no braço de Dayse, que ria. — E não foi uma transa... transa... foi só uma rapidinha. — esclareci.

Aproveitei que os rapazes ficaram lá na areia, conversando numa barraca, enquanto Dayse e eu viemos dar um mergulho, para contar a minha amiga ali mesmo, sobre o que rolou entre Gil e eu. Não aguentaria esperar para fazer isso só lá em casa. Então aproveitei aquela primeira oportunidade que estávamos tendo de ficar sozinha, para abrir o jogo com ela.

— Rapidinha também é transa do mesmo jeito, Sara. Só que ela costuma acontecer num tempo reduzido. Mas me dizer em quê horas isso rolou entre vocês?

Já preparei meus ouvidos para outro surto dela quando ouvisse a resposta.

— Sabe quando você entrou no quarto e bateu na porta do banheiro? — minha amiga assentiu. — Pois então... Estava rolando!

A cara de incrédula de Dayse foi impagável.

— Duplamente safada você!... Misericórdia! — Dayse levou uma das mãos a boca tentando abafar sua risada. — E eu atrapalhei a rapidinha de vocês? Que mancada! É a segunda vez que faço isso. O Grissom já deve estar com trauma de mim.

Ela ria e eu acabei rindo junto por conta de seu comentário final.

— Você não tinha como saber o que estava rolando.

— Vocês dois gostam de perigo hein?

— Ele gosta, Dayse.

— Você também, não vem com essa. E como foi ficar com ele de novo?

Suspirei e não consegui conter um sorriso bobo, que surgiu ao relembrar como foi ser de Grissom outra vez.

— Ai, amiga. Foi muito, muito, muito bom e gostoso. Foi a rapidinha mais deliciosa de se fazer.

— Depois só eu que sou a louca depravada e pervertida, né?

Nós caímos na risada juntas. Ambas tínhamos um quê de louca depravada, pervertida e safada. Mas somente nós podíamos chamar a outra por esses termos, mais ninguém.

Instantes depois, já sem rir, eu confessei para minha amiga enquanto olhava na direção de Gil, que estava lindo em seus óculos escuros, bermuda e camiseta regado, acomodado em uma cadeira sob a sombra de um guarda-sol ao lado do irmão dele e conversando com Sean.

— Esse homem me tira dos eixos, Dayse. A simples presença dele me afeta, amiga. Eu não consigo resistir à ele. E acho uma puta sacanagem tá fazendo isso com a Maryane, mesmo não gostando dela tanto assim.

— Mas você sempre me disse que ela era não era flor que se cheirasse e que costumava ser uma sacana com você.

— Sim, isso é verdade, mas... Sei lá. — independente de minha prima não ter sido uma boa prima comigo, ela não merecia uma traição daquelas. — Me sinto uma piranha nessa situação, Dayse. Ele é comprometido.

— Mas não gosta dela. Ele mesmo não te disse isso?

— Disse, só que... — pausei e encarei Gil que ria de alguma coisa dita lá na rodinha dele com os outros. Até seu sorriso me dava um comichão entre as pernas. Peste adorável de homem! — ...Mesmo assim, Dayse. Ele vai casar com ela em dois meses. Esse ordinário de uma figa.

Me batia uma raiva sempre me lembrava do compromisso dele com minha prima.

— Acho que você tá com ciúmes dele, não tá?

Na mesma hora virei meu pescoço para encarar minha amiga ao meu lado.

— Não!... Quer dizer... Não sei. Acho que não.

— Pois olha que eu acho que sim.

— Sabe o que ele me disse antes de sair do quarto depois da gente ter transado? — resolvi não entrar em conflito com ela por aquilo. E tratei de ignorar a pilha que Dayse tentava pôr em mim.

— O quê?

— Que era pra eu parar de ficar me insinuando para o irmão dele porque o Lewis é gay e tem namorado.

A boca da Dayse se abriu em um gigantesco O.

— Não! Pára tudo!... Lewis é gay e tem namorado?

— Segundo o Gil disse, sim. Mas Dayse isso é segredo. — tratei de dizer. Sei que minha amiga não seria indiscreta de comentar aquilo com Lewis, mas eu tinha que deixá-la avisada. — Ninguém além de mim, Gil e agora, você sabem disso. O Lewis não quer se assumir por medo de ser rejeitado pelo pai.

— Até parece que eu vou sair falando aos quatro cantos isso, Sara.

— Eu sei que não. Mas fica o aviso.

— Aviso dado e recebido. Agora, deve ser horrível não se assumir, né? Fingir ser algo que não é.

— Deve ser como viver preso dentro de uma cela.

— Nesses casos é armário, amiga.

— Dayse!

Ela riu.

— Desculpa, não resisti ao comentário. Foi mais forte que eu. Mas escuta, se o irmão dele é gay e tem namorado, então por que o Sr.Gostoso se mordeu de ciúmes de vocês?

— Vai saber! Esse ordinário é louco!

— Começo a achar que ele esteja louco por você!

— Pára!

Não quero criar ilusões para depois quebrar a cara feio.

— Ai, mas é muito desperdício, Sara. Um bofe lindo como Lewis ser gay, amiga.

— Pensei o mesmo enquanto vínhamos para a praia. — nós duas fitávamos Lewis com os outros.

Era muito desperdício mesmo!

— Tô passada e arrasada. Estava até pensando em flertar com ele. Mas depois disso, não dá mais.

— Não mesmo. Mas achei que você tivesse de olho no meu primo. Até apoio você com ele.

— Sara Sidle, você está me empurrando para o seu primo na cara dura?

— Tô! Ele é gatinho e gosta de curtição que nem você.

— Podia até rolar, mas ele já vai embora mais tarde, aí não dá. Quem sabe numa próxima. Você podia convidá-lo para passar um fim de semana lá no apê.

— Pode ser. Só não quero saber dos detalhes entre vocês, caso role algo hein?

— Pode deixar que vou te poupar dos detalhes sórdidos, caso eles venham a acontecer.

— Sua doida! Vem... Vamos sair da água que já tá me dando frio.

Saímos e seguíamos em passos lentos rumo à barraca onde estavam os rapazes.

— Eu adorei essa praia.

— Sou suspeita para falar, porque cresci aqui e frequentando essa praia e algumas outras próximas.

— Ih, olha ali, Sara.

Olhei para frente e avistei uma mulher parada lá com os rapazes e Sean parecia estar apresentando-a aos demais. Observei com incômodo, a mulher se demorar no abraço quando o cumprimento foi em Gil.

— Quem deve ser aquela?

— Não faço ideia.

Mas já a detestava.

Em algumas passadas mais chegamos na barraca. Percebi que a mulher desconhecida parecia enfeitiçada pelo MEU Sr.Gostoso. E o pior foi notar que o descarado ainda estava dando conversa para ela. Cretino!

— Sara essa é a Blair uma colega do trabalho. Blair essa é minha irmã Sara e a amiga dela Dayse.

— Oi!

Acenei, forçando um sorriso àquela fulana que estava de olho cumprido para cima do Gil e aquele infeliz, ainda dava brecha à ela.

Troquei um olhar com Dayse antes de nos acomodarmos em nossas cadeiras e apanharmos nossas toalhas.

A amiga do Sean ficou por ali de conversa com meu irmão e os demais por quase meia hora. E durante sua estadia ali, ela vire-mexe lançava olhares a Gil. Eu não sabia se ele retribuía, porque aquele cretino estava de óculos escuros. Mas se ele estivesse era muito descaramento dele.

Quando ela enfim anunciou que já ia eu pensei comigo mesma: Já vai tarde!

A mulher se despediu de todos e demorou-se mais em Gil de novo. Ainda notei a tal Blair murmura algo no ouvido dele e o degenerado assentiu com um sorriso cafajeste. A vontade que deu foi de enfiar a mão na cara dele e puxar aquela mulher pelos cabelos.

Após se despedir dele, a tal de Blair se despediu de Dayse e de mim acenando para gente enquanto dizia "tchau".

Dayse respondeu a mulher pronunciando também "tchau", enquanto eu me reservei o direito de apenas acenar para àquela fulana.

Assim que ela se foi meu irmão, Greg e Lewis decidiram dar um mergulho. Eles chamaram Gil, mas este rejeitou a oferta alegando que ficaria fazendo companhia à mim e minha amiga para evitar que os "gaviões" caíssem matando em cima da gente.

— A gente sabe se cuidar, sabia? — rebati quando o trio de rapazes já tinha saído dali em direção a água. — Devia ter ido com eles.

Eu não lhe dirigia o olhar enquanto falava.

— Prefiro ficar aqui em companhias mais bonitas do que a daqueles três marmanjos lá.

De repente, um grupinho de garotas passou em frente a nossa barraca e acenaram todas sorridentes para Gil, que retribuiu o aceno todo alegrinho. É canalha e descarado mesmo.

O cara transa comigo momentos atrás e agora ficava dando trela para outras tantas, bem diante mim?

Fechei mais ainda a cara e bateu a enorme vontade de ir embora dali. Aquela praia já tinha dado o que tinha que dar para mim.

— Essa praia tem muita gente bonita.

Eu já lhe mandar ir a merda, mas o toque do celular de Dayse me impediu.

Minha amiga atendeu a chamada, mas ao que parece a ligação estava cortando e ela não estava conseguindo entender nada. Pedindo licença para mim e Gil, a louca saiu dali, me deixando sozinha na companhia daquela peste de homem.

— Enfim sós!

Ao meu lado escuto Gil resmungar com certa empolgação em sua voz. Depois de canto de olhou notei-o arredar sua cadeira branca de plástico para bem perto de mim.

No mesmo instante fastei a minha também.

— Que foi? Por que isso?

Me reservei o direito de cruzar os braços e ficar calada observando meu irmão, Greg e Lewis que pareciam três crianças brincando de afogar um ao outro na água.

— Estou falando com você, querida.

O descarado deu um jeito de pousar sua mão atrevida na minha coxa direita.

Arregalei os olhos diante de tamanha ousadia sua. Em seguida tratei de tirar aquela mão boba e atrevida da minha perna.

Gil bufou e retirou seus óculos de sol, depositando-o ao lado de sua lata de cerveja.

— Qual é problema com você? — senti uma pontada de irritabilidade em sua voz.

— Você é um descarado! — disse entre os dentes.

— Mais o que foi que eu fiz dessa vez?

Antes que eu lhe respondesse um garçom chegou em nossa mesa.

— Com licença, senhor.

Tanto Grissom quanto eu olhamos para o sujeito.

— Sim.

— Aquela moça ali no bar mandou isso ao senhor.

Vi o funcionário do bar/restaurante estender um guardanapo de papel à Gil. Não sei o que tinha no papel, mas o que quer que fosse, fez o Sr.Gostoso rir e pedir a caneta do garçom.

Disfarçadamente espiei na direção do bar e vi uma ruiva muito bonita encarando Gil descaradamente. Se eu já estava irritada antes, mais irritada ainda eu fiquei com aquele traste sentado ao meu lado. E minha raiva triplicou quando notei Gil rabiscar algo no papel e devolvê-lo junto com a caneta ao garçom, pedindo a ele que entregasse de volta aquilo a tal mulher.

É o cúmulo! Ele mandar bilhetinho de resposta àquela fulana e na minha frente, sendo que momentos atrás nos transamos.

— Tinha esquecido como as mulheres daqui da América são mais atiradas que as da Alemanha. Gosto disso.

Encarei Gil com seriedade. Ele ria, balançando a cabeça em diversão. Enquanto eu não via qualquer diversão naquilo e sim, descaramento puro dele.

— Que foi? Por que esse olhar pra mim, querida?

Ele bancou o inocente desentendido.

— Você não vale um tostão furado, seu cretino.

Ele abriu um largo e irritante sorriso.

— Posso saber a razão de tecer esse elogio à mim?

O garçom retornou outra vez com um novo papel à Gil.

O cretino ao meu lado pegou o papel leu, pediu a caneta outra vez do garçom e escreveu algo, que dessa vez consegui ler, e que me deixou mais irada e puta com ele. Na resposta, ele escreveu a mulher: Me liga depois! E logo em baixo estava um número de celular, que suponho ser o seu.

Ca-na-lha!

— Aqui, amigo. Devolve pra ela. Valeu!

O sujeito assentiu nada contente. O serviço dele era atender mesas e não bancar o pombo-correio de um cliente folgado, que ainda por cima, é um tremendo ordinário.

Dei graças a Deus quando Dayse apareceu de volta naquele segundo.

— Vamos embora, Dayse. Eu não quero mais ficar aqui. — anunciei já me pondo de pé e pendurando num dos ombros a bolsa de praia que trouxe com algumas coisa.

— Por quê o que houve? — minha amiga me encarava confusa.

— De repente me deu náuseas ficar aqui. — lancei um olhar para Grissom e saí dali esperando que minha amiga me acompanhasse.

A princípio ela não o fez. Ficou para trás.

Ao fundo ouvi Gil chamar meu nome, mas nem dei trela e segui meu caminho sem Dayse mesmo.

Fiz questão de no caminho passar perto da ruiva no bar. Lancei um olhar nada contente à ela, que me sorriu e acenou de um jeito bem provocante.

Segui caminho e mais adiante fui alcançada por Dayse.

Notas finais
Viu só Sr. Gostoso?! Foi pagar de gostosão e garanhão, tá aí o que deu! Sara fico P da vida com Gil e quem não ficaria né? E toda ação gera uma reação. No próximo capítulo a ação feita por Gil vai gerar uma reação de Sara que o Sr. Gostoso não vai gostar. Aguardem. Beijos e até breve.