One Night - Livro 1

63 Capítulo LXIII


Notas iniciais
Boa noite, queridas leitoras! Aqui está o novo capítulo. Demorou um pouquinho, mas saiu. Quero oferecê-lo à Bruh, pois hoje é aniversário dela. Felicidades Bruh! Tudo de bom pra você não só nessa data de hoje como em todos os dias. Espero que você e todas as demais leitoras gostem do que lerão.

“Eu percebi, eu pertenço a você...”

(Nothing Without YouThe Weeknd)

****

De todas as possibilidades de lugares onde poderíamos jantar, um veleiro foi a única a qual eu não cogitei. Imaginei “N” locais, mas um barco não!

Ao sairmos do carro, Gil foi apanhar minha valise no porta-malas do veículo. Logo já intuí que seria ali também o lugar onde íamos dormir. Ai, meu Deus! Nunca andei em um barco quanto mais dormi num antes. Será que balança muito? E se eu enjoar? Merda!

Uma pequena rajada de vento soprou me arrepiando. Devia ter pego um casaquinho. Ao ver-me alisando os braços para me aquecer, Gil que aquela altura já havia pego minha valise e acionado o alarme do veículo; depositou na calçada a bolsa com os meus pertences, tirou sua jaqueta de couro cor de café, revelando a camisa escura de mangas compridas que usava por baixo da peça, e me estendeu a jaqueta.

— Eu devia ter avisado à você que colocasse um casaco. Perdão! — ele me ajudou a pôr sua jaqueta.

— Tudo bem! Eu também devia ter lembrado de ter posto um. Mas você não vai ficar com frio sem a jaqueta?

— Não! Vamos. O pessoal já está a nossa espera.

Me abraçando pelos ombros enquanto eu passei um dos braços pela cintura de Gil, nós seguimos adiante pela calçada.

— Que pessoal é esse?

Eu achava que seríamos apenas nós dois nesse jantar. Será que ele convidou mais pessoas?

Mas não foi isso. Gil contou que o "pessoal" tratava-se dos tripulantes: Jamie e o filho dele Joel, que iam "tocar" o veleiro para Gil, e a esposa do Jamie, Clarice que estava fazendo o jantar para nós hoje e também faria as outras refeições amanhã.

Diante dessa última informação, ficou ainda mais claro para mim que os planos do Sr.Gostoso era dormirmos ali no barco mesmo. Ai, Senhor!

Seguíamos agora por um deck de madeira da Marina. Pelo caminho vi vários barcos de pequenos à grandes modelos, aportados por ali. Foi só lá no final da Marina que se encontrava o de Gil. Um lindo e grande veleiro com a lateral escura onde se lia o nome Elisabeth pintado de branco.

— Nossa! É lindo o seu veleiro. — lancei um olhar a Gil, que estava bem ao meu lado.

Ele apenas me sorriu todo bobo e orgulhoso.

— Pintou o nome da sua mãe nele?

— Sim.

Enquanto ainda observávamos o veleiro, Gil deu-me informações sobre o barco. Segundo ele aquele modelo de veleiro chamava-se Jeanneau 57. Tinha pouco mais de 17m de comprimento, algo em torno de 58pés e largura de 5m. Acomodava até 10 pessoas e 2 tripulantes.

— Aí cabe tudo isso de gente mesmo? — apontei para o barco espantada com aquela informação.

Gil sorriu do meu espanto.

Aquele veleiro para mim não parecia comportar esse número de gente. Mas Gil afirmou que cabia sim aquele tanto de pessoas no barco. Inclusive, ele até já viajou por cinco dias com um grupo de amigos naquele barco. Fiquei impressionada com aquilo.

— Vamos embarcar. Vem!

Dentro da embarcação, na proa mais exatamente, um rapaz meio franzino que amarrava umas cordas há uns passos de distância da gente, ao nos ver veio prontamente em nossa direção.

— Senhor Grissom! — o rapaz estendeu a mão à Gil e ambos se cumprimentaram. Na sequência o Sr.Gostoso me apresentou a rapaz de nome Joel, como sua namorada. Nessa hora fui ao céu sem sequer desgrudar os pés do chão. Soava tão bem aos meus ouvidos ser apresentada assim por ele ou quando ele se apresentava como meu namorado como aconteceu com o meu chefe. — E, aí, tudo pronto pra partimos?

— Com certeza. Estava dando uma checada nas cordas das velas.

— Tudo certo com elas?

— Sim!

— Ótimo! E o seu pai?

— Na popa vendo se está tudo certo com os equipamentos de navegação.

— Então avise à ele que se tudo já tiver okay, pode "tocar" o veleiro.

— Sim, senhor! Com licença.

O rapaz se retirou e seguiu em direção à parte de trás do veleiro, deixando Gil e eu sozinhos. Aproveitei a ocasião para comentar:

— Gosto quando me apresenta com sua namorada mesmo eu não sendo ainda oficialmente isso, já que você é noivo da minha prima.

Não via a hora dele amanhã desfazer esse compromisso com a sonsa da Maryane.

— Noivo só até amanhã à noite. Depois disso serei SEU namorado e você MINHA namorada oficialmente. — ele me abraçou a cintura com apenas um dos braços e me puxou para junto de seu corpo.

— Prevejo problemas futuros pra nós quanto a isso, sabia? — enlacei seu pescoço.

Meus pais, Maryane, o pai de Gil e até mesmo o tal Bryan poderiam, de alguma forma, vir a serem enormes empecilhos na minha relação com o Sr.Gostoso. Mas quero crer que no final de tudo, nós dois conseguiremos superar os "percalços" que nos forem impostos.

— Que tal deixarmos o futuro para o futuro e apenas aproveitar o presente, o hoje, essa noite? — ele piscou para mim e sorriu-me tombando a cabeça para esquerda.

Ele tinha razão. Vamos deixar para se preocupar com o futuro depois e viver o agora.

— Proposta aceita! — anunciei antes de lhe dar um beijo.

Já ia aprofundar o nosso beijo, quando o barco começou a se mover me espantando e fazendo com que eu interrompesse na hora o beijo com Gil.

— Ei! Calma. Não precisa se assustar.

Sorri sem jeito para ele.

— Sabia que essa será a primeira vez que ando de barco?

— É mesmo? — assenti em confirmação. — Então que seja a primeira de muitas que fará comigo. Só comigo!

— Ei! Roubando minha fala é? Eu te disse quase isso aí mais cedo lá em casa por causa da bandeja de café da manhã que te fiz, cretino! — acertei um leve soco no peito dele que apenas riu e me roubou dois rápidos beijos.

— Vem! Vou te mostrar o interior do barco e deixar essa sua bolsa no quarto em que ficaremos.

Segurando uma das minhas mãos, Gil foi me levando devagar em direção a parte de trás do veleiro, a tal popa. Chegando naquele espaço, Gil me explicou que ao fundo ficava o canto de navegação, que contava com todos os instrumentos náuticos necessários, além de duas rodas de metal enormes — uma em cada extremidade do barco — que o Sr.Gostoso contou, trata-se dos lemes que guiavam o barco. E diante de uma dessas rodas se encontrava Jamie, o pai de Joel a quem fui apresentada por Gil.

Bem de frente para aquele canto de navegação, descendo um degrau havia uma bela mesa de jantar posta psra dois, onde seria realizado nosso jantar. E Gil explicou que ali também se tratava de um local para ler, relaxar ou apenas sentir a brisa do mar. Gostei dali parecia aconchegante e bem convidativo a se acomodar.

Descendo uns cinco degraus que haviam numa entrada situada de frente para o local que jantaríamos, nós já estávamos dentro do veleiro. E... Nossa! A minha primeira impressão do que vi, foi a melhor possível. Um ambiente espaçoso, bastante iluminado, elegante, sofisticado e em tons claros; mobiliado com requinte e luxo; contava com amplas janelas que segundo Gil permitem a iluminação natural no interior do veleiro durante o dia.

O local onde estávamos era uma espécie de sala de estar que contava com sofá, TV LCD presa à suporte, um pequeno barzinho e uma mesa de desejum para um grupo de seis pessoas, caso não quisessem comer lá fora.

— Uau! É enorme aqui dentro.

— Sim! E ainda tem mais. Vem comigo!

Fui então conduzida por Grissom ao restante do veleiro. Admito que não imaginava que o barco por dentro fosse tão grande quanto se mostrava. Era praticamente uma casa. Nele além da sala ainda comportava: 1 cabine para a tripulação; 5 cabines para os passageiros que comportam duas pessoas em cada uma delas. Sendo que essas cabines possuem cama de casal, armários embutidos, ventilador de teto e uma boa iluminação. E todas elas possuem banheiros privativos com toilette, pia, chuveiro, pequenos armários e nichos na parede.

Depois de conhecer os quartos e de deixar minha valise em seu quarto, Gil foi me mostrar por fim a cozinha, que é muito bem equipada com fogão a gás, forno convencional, pia, refrigerador, armários embutidos com todas as louças necessárias e um balcão para preparar as refeições. E, ali, naquele "cômodo" ainda conheci a esposa de Jamie, Clarice. Ela estava preparando nosso jantar. Gil nos apresentou e a mulher foi de uma simpatia ímpar comigo.

Após conhecer tudo e todos, Grissom me levou de volta para fora do barco, mais precisamente para o local do nosso jantar. Acomodados lado a lado sobre macias almofadas de um móvel que lembravam um sofá de três lugares, nós admirávamos a bela vista da iluminada cidade de NY. O barco aquela altura havia parado bem de frente para a cidade.

— Eu não imaginava que Nova York fosse tão linda e espetacular vista assim a noite.

Estava fascinada com o que via. Inúmeros prédios iluminados e atrás da gente, há uma distância razoável ainda se podia contemplar a imponente Estátua da Liberdade. E para completar a linda paisagem um céu bonito e estrelado.

— Essa cidade é linda a noite. Tem que ver a Times Square com seus letreiros luminosos. É uma coisa incrível, Sara.

— Posso imaginar. Eu adoraria morar nessa cidade, sabia?

— Bom... Num futuro não tão distante assim, nós podemos mudar pra cá depois que casarmos. O que acha?

Virei meu rosto rapidamente para encarar Gil. Casar? Morar pra cá? É isso mesmo que ouvi?

Antes que eu pudesse expressar verbalmente alguma resposta, Clarice apareceu trazendo as entradas: bolinhos de iogurte e pesto, que por sinal assim que provei me apaixonei porque estavam uma delícia.

— Você não respondeu a minha pergunta.

Gil resmungou após ter se passado alguns segundos da saída de Clarice dali.

— Eu tenho que pensar nisso que disse. — balbuciei em resposta.

— Pensar no quê exatamente? — ele me olhou confuso.

— Eu tenho um trabalho no Brooklyn e gosto dele, Gil. — lembrei.

— Mas o Brooklyn não fica tão longe assim de Nova York. São uns trinta à quarenta minutos mais ou menos via ponte do Brooklyn e Avenida Atlântica. Rápido!

— É, eu sei.

— Além do mais aqui em Nova York também têm ótimas editoras onde você poderá trabalhar se quiser. Tenho bons contatos e posso te arranjar...

— Nem complete a sua frase. — o interrompi. — Eu agradeço a sua gentileza, mas gosto de conseguir as coisas por mim mesma.

— Não conhecia esse seu lado orgulhosos.

— Mas ele existe, quando se trata de trabalho. Prefiro que não me arranje nada com esses seus contatos.

— Tá bom então. Só quis te ajudar, mas se não quer, tranquilo.

Pelo seu tom de voz, eu senti que acabou se chateando com o jeito meio rude com o qual eu havia me dirigido a ele.

Parabéns, Sara! O cara te trás num jantar romântico em alto mar, praticamente te faz um pedido de casamento e você acaba sendo rude com ele. Bela retribuição, hein?!

Ao me dar conta disso tratei de pedir imediatamente desculpas a Gil. Ele não merecia aquela grosseria toda da minha parte, apenas queria me ajudar e eu fui rude com ele.

— Tudo bem. Vamos deixar isso pra lá. — ele disse após meu pedido de desculpas e logo depois me deu um beijo para "selar" a paz entre nós.

Eu quis tocar no assunto "casamento", mas não tive chance já que Gil mudou o assunto de nossa conversa e se pôs a falar sobre algumas de suas viagens no veleiro. O homem era viajado. Ele já velejado com aquele barco para vários lugares: Costa Croata, Mar Mediterrâneo, Mar Adriático e mais tantos outros locais. Alguma dessas viagens foram na companhia de Lewis, ou alguns amigos e outras sozinho mesmo. Foi agradável ouvi-lo contar sobre as viagens e ele disse-me que as próximas que pretendia fazer dali em diante, me levaria junto.

***

— Há quanto tempo têm esse barco? — me dê conta de que ele ainda não havia mencionado nada a esse respeito então lhe questionei.

— Vai fazer catorze anos. — ele contou antes de levar uma colherada da sobremesa à boca.

— Faz tempo, hein?

Ele assentiu e após mastigar e engolir o doce de chocolate que Clarice nos serviu há pouco completou, dizendo:

— Eu o comprei quando fiz trinta anos. Na verdade me dei de presente de aniversário esse veleiro. Sempre quis ter um e aí comprei esse em um estaleiro em Marseille.

Ainda ficamos papeando mais um pouco sobre o barco e após terminamos a sobremesa, Gil pediu para Jamie conduzir o veleiro a um passeio por baixo da Ponte do Brooklyn. E assim o outro homem fez. Foi incrível e lindo ver de pertinho a ponte toda iluminada, assim como, foi lindo ver anteriormente a Estátua da Liberdade.

Na verdade o passeio todo e a noite até aquele momento estavam sendo incríveis e linda. E felizmente, eu sequer tinha enjoado com o balanço do barco. Estava sendo tudo perfeito. Gil sabia proporcionar momentos maravilhosos. E isso só fazia com que eu o amasse ainda mais e mais.

Nosso passeio se seguiu com belas paisagens e vistas incríveis da cidade.

— Espero que esteja apreciando tanto o passeio quanto a nossa noite. — Gil sussurrou ao ouvido antes de beijar minha cabeça.

— Pode ter certeza que estou adorando tudo. — virei o rosto para lhe dizer isso e aproveitei a proximidade de nossos rostos para lhe dar um demorado e caloroso beijo.

Prosseguimos no passeio por mais um tempo. O desfecho da nossa noite não podia ter sido outro senão na cama da cabine de Gil, tendo uma tórrida sessão de amor daquelas intensas, que nós dois sabemos proporcionar muito bem um ao outro.

— Gil! — minha voz chamando por seu nome rasgou o breve silêncio que já durava após termos nos amados.

— Diga!

Me virando de lado na cama macia, eu fitei Gil que estava deitado de peito para cima encarando o teto da cabine com um sorriso escapando do canto de seus lábios.

Depositando uma de minhas mãos sobre seu peito ainda suado pela recente "atividade" que tivemos na cama, eu quis tirar uma pequena dúvida acerca de algo que mais cedo Gil disse e que na ocasião não pude tirar.

— Aquele papo de casarmos que você comentou durante o jantar, era sério mesmo, não é?

Ele virou o rosto em minha direção e sorriu.

— Muito. Pensei que já tivesse deixado isso claro a você. — eu ia me pronunciar alg, mas Gil não deixou. E após se virar na cama, adotando a mesma posição de lado que eu, ele emendou em sua fala, dizendo-me: — Eu te amo. Estou completamente louco por você, Sara. E tudo o que mais quero é me casar com você para passar os meus dias e as minhas noites do seu lado pra sempre, garota! — ele piscou para mim.

Após ouvir uma declaração de amor dessas, eu estava com os olhos cheios de lágrimas. Uma declaração como aquela era para emocionar qualquer mulher.

Juro que se me perguntassem lá atrás, se eu acreditava que um sujeito que se auto denominava como sendo um mulherengo, o qual nunca se apaixonou e viveu até então de relacionamentos superficiais, fosse capaz de se apaixonar verdadeiramente e fazer declarações rasgadas de amor como as que Gil já tinha me dito nesse meio tempo que estávamos juntos, a minha resposta, sem sombra de dúvidas, seria um sonoro NÃO. Mas que bom que Gil me mostrou que podia ser o contrário disso.

— Eu espero que essas lágrimas que vejo acumuladas nos seus lindos olhos sejam algo positivo.

— E são! — afirmei com um sorriso emocionado e escondendo o rosto no peito de Gil.

— Que bom então! — senti seus lábios depositarem um delicado beijo em minha testa.

— Eu também quero me casar com você para passar os meus dias e as minhas noites do seu lado e pra sempre, Gil. — afirmei antes de depositar um beijo no lado esquerdo de seu peito, bem sobre o local onde seu coração batia.

— Fico bastante feliz em ouvir isso, querida!

Notas finais
E ficamos por aqui. Quero aproveitar e desejar a todas vocês um ótimo Natal. Um beijo e até o próximo capítulo.