Durante o trajeto todo à editora, as palavras daquele bastardo do Bryan ficaram martelando na minha cabeça e estilhaçando meu coração mais ainda do que ele já se encontrava.

"A essa altura sua prima está lá na Alemanha com o Gil e, provavelmente, eles voltaram as boas, sabia? Inclusive estão dormindo no mesmo quarto e na mesma cama."

O simples fato de saber que o MEU Sr.Gostoso estava dividindo sua cama com outra e essa outra, ainda por cima, era a minha prima, estava sendo muito mais doído ainda. Maryane certamente, estava aproveitando ao máximo isso, graças a mim.

Quem manda ser tola e acreditar em quem não devia, Sara Sidle!, Minha mente zombou de mim.

Mais isso não ia ficar assim. Maryane que aproveite enquanto pode, pois o que é dela está guardado.

Cheguei na editora no mesmo tempo que levei para ir dali até o escritório daquele bastardo. Guardei o carro na vaga de Brooke no estacionamento do subsolo do prédio da editora. Depois fui pegar o elevador e em pouco tempo saía em meu andar. Larguei minha bolsa na mesa e fui direto na sala do meu chefe lhe entregar as chaves do carro.

— Brooke! — chamei, entrando em sua sala após bater de leve na porta.

— Já?? Achei que ia demorar mais. Entregou ao Simons?

— Sim! Aqui suas chaves.

— Ele mandou dizer alguma coisa pra mim?

— Não. Ele estava apressado. Só entreguei os papéis e vim embora. — mentir e resolvi ocultar do meu chefe que conhecia o advogado, que ele me mandou levar aqueles documentos.

— Ah, sim. Mais tarde ligo pra ele então.

Assenti e ouvi meu chefe me agradecer pelo favor que lhe fiz. Só espero que ele não me peça esse favor de novo, porque vou me ver obrigada a recusar-me em fazê-lo e ainda terei que contar ao Brooke a razão disso mesmo não querendo. Nem em pesadelo eu quero topar com a cara daquele intragável do Bryan. Quero só ver o que Grissom vai fazer com ele quando souber que seu "amigo" é um tremendo filho da puta.

— Vou pra minha mesa cuidar de ler o manuscrito que me pediu pra ler.

— Não esquece de anotar suas impressões sobre o que leu.

— Ok!

Saí da sala do meu chefe e fui me acomodar à minha mesa. Apanhei o grosso manuscrito o qual eu estava na metade e me pus a lê-lo com a devida atenção.

Meu chefe confiava nas minhas indicações. Alguns manuscritos que chegavam, Brooke me dava para que eu os lesse e depois cabia a mim lhe dar as devidas impressões, e dependendo do que eu dissesse, meu chefe lia ou não o livro. Eu meio que era o "filtro" dos manuscritos que chegavam as mãos de Brooke. Era muita responsabilidade a minha. Tinha que saber avaliar muito bem para não cometer injustiças.

Há dois anos Brooke me imputou essa tarefa. Quando não faço isso sozinha, faço com ele junto. Lemos e debatemos, e cada qual dar sua opinião. Na grande maioria meu chefe leva em consideração as minhas opiniões e até mesmo, as aprova.

E assim passei o resto da minha tarde inteira de trabalho, lendo o manuscrito de romance medieval e vez ou outra lembrando de Grissom com Maryane lá na Alemanha, e do que aquele bastardo do Bryan disse a respeito dos dois.

Eu torço tanto para isso ser mentira daquele babaca, mas caso não seja, eu vou ficar péssima. Na verdade, eu já estava!

***

A caminho de um restaurante legal que Dayse e eu costumamos jantar quando não pedimos comida em casa, minha amiga quis saber sobre meu almoço com Lewis. Eu lhe contei tudo o que falamos e sobre o meu breve "papo" com Gil.

— Nossa, ele foi bem hostil com você, amiga.

— Demais! Nem pareceu o Grissom que eu estou acostumada a falar.

— Mas também convenhamos, amiga, ele está na razão dele de não te tratar como antes.

— Eu sei. — e como sei! Não tiro a razão dele. Em seu lugar estaria agindo igual. — E nem te conto que quando eu estava falando com ele escutei a voz da Maryane.

— Sua prima está lá com ele na Alemanha?

— Está! E segundo eu soube, eles estão as boas e até dormindo juntos.

— Quem te disse isso? O Lewis?

Neguei e então falei para ela sobre meu encontro com o amigo do Gil a quem fui entregar um documento à pedido de Brooke, e que foi justamente, Bryan quem me disse isso.

— Sara, você já caiu no erro de acreditar em terceiros que diziam coisas sobre o Grissom. Vai cair de novo nesse erro? E se esse tal Bryan estiver mentindo?

Ela tinha razão. Bryan podia muito bem estar mentindo e caso fosse isso, eu estaria caindo novamente em outra mentira como aconteceu com Heather e a história de que ela tinha transado com Grissom.

— Você está certa. Não vou acreditar e nem tirar conclusões precipitadas.

— É isso aí. Tanto você quanto eu erramos da outra vez, então sem conclusões precipitadas agora.

Assenti à Dayse e nada mais foi dito a esse respeito entre a gente. Seguimos o restante do curto trajeto até o restaurante caladas e embaladas pela música I Don't Want to Talk About It do Rod Stewart, que tocava numa rádio em que Dayse sintonizou no aparelho de som do carro.

Algum tempo depois estávamos apreciando nossos pedidos. O meu tratava-se de berinjela com arroz vermelho, lentilhas, tâmaras, couve-flor grelhada e noz-pecã — tudo misturado com farofa. Já o pedido da Dayse foi um steak com molho de mostarda e fritas. Péssimo pedido!

— Você sabe que isso não é uma alimentação saudável, não é?

— Sei, mamãezinha. Mas as vezes é bom enfiar o pezinho na jaca e comer algo assim. Servida?

— Deus me livre!

Dayse caiu na risada.

Terminamos nosso jantar e pedimos duas sobremesas. Meia hora depois já estávamos no carro a caminho de casa.

— Dayse!

— Sim!

— E se o Bryan não tiver mentido? — olhei para minha amiga. Aquela dúvida estava me matando. Mesmo dizendo que não tiraria conclusões precipitadas disso, eu não podia negar que o contrário me rondava e angustiava. — Se o Grissom estiver dormindo agora com a Maryane.

— Amiga não pensa nisso.

— Impossível! — resmunguei, voltando minha atenção para fora da janela do carro, pensando se aquela hora Grissom estaria dormindo sozinho ou com minha prima.

***

Munique, Alemanha...

Fitando o teto de seu quarto, Grissom se viu involuntariamente recordando de Sara. Péssimo momento para fazer isso, ainda mais, depois de ter transado com Maryane. Se recriminou por isso, pois não tinha nada que ficar pensando ou lembrando da prima de sua noiva. Todavia era impossível para sua mente não trazer lembranças daquela garota.

Você podia ter acreditado em mim um pouco que fosse, Sara!

Só que infelizmente não foi assim. E Grissom tinha que admitir que a inteira falta de confiança dela nele, era algo que havia lhe decepcionado profundamente, e pesava bastante quanto ao fato dele não conseguir desculpá-la. E não era só isso que pesava, mas também o fato de Sara ter lhe dito que tinha arranjado tão rapidamente outro e dormido com ele.

Merda!

Por que ele foi se apaixonar e pior, tão rápido assim? Estava tão bem sem saber o que era essa porcaria de estar apaixonado. Vai ver que aquilo aconteceu para que ele pagasse por tanto dizer que se apaixonar não era coisa para ele. Pagou pela boca grande!

— Adoraria saber no que está pensando.

O olhar de Grissom se desviou do teto para fitar Maryane deitada ao seu lado com apenas um lençol que cobria tanto a sua nudez quanto a dele.

Um tempo depois do jantar, quando Maryane e Grissom ficaram a sós na sala, já que o pai de Gil se recolheu para o quarto de hóspedes. Maryane se insinuou para o empresário e foi com tudo para cima dele, que Grissom acabou cedendo a investida dela e eles transaram.

Foi um meio ineficiente dele tirar de si o que Sara deixou nele, mas a verdade é que isso foi a pior coisa que podia ter feito. E, agora, olhando para Maryane ao seu lado, ele só se arrependia de tê-la ali e deles terem transado.

— Você não ia gostar de saber.

— Por que não? — Maryane se encostou em Grissom, repousou suas mãos sobre o peito nú dele e o queixo sobre as costas das mãos.

— Trabalho, Maryane. É nisso que penso. — inventou.

Maryane podia sentir que não era trabalho a razão dele estar assim. De certo havia outra razão para ele estar daquele jeito. E nem de longe podia ser trabalho. Num desagradável pensamento, ela se viu intuindo que talvez tivesse a ver com sua prima o estado de Grissom.

Será que ele está pensando nela depois de ter transado comigo?

Só havia uma maneira de saber: perguntando. Mas não podia fazer isso e mostrar à ele que sabia sobre seu caso com Sara, pois Grissom, com certeza, ia querer saber como ela descobriu isso e não podia em hipótese alguma dar o nome de seu "informante". Seria arriscado demais, sem contar que para Grissom, ela fingia que não suportava Bryan assim como o advogado fazia o mesmo para não levantarem suspeitas sobre a relação que mantinham as escondidas.

— Algum problema no trabalho?

— Sempre há algum, mas nada tão grave no momento.

— Menos mau! Sabe que... — ela se moveu para ficar com o rosto mais próximo do de Grissom, que apenas lhe encarava impassível de reação. — ... Eu sentia falta da gente assim, juntos de novo? Já fazia mais de um mês que nós não tínhamos nada. Confesso que sentia falta de você já.

Ela tocou o rosto dele e esperou por um "Eu também!" da parte de Grissom, mas se decepcionou porque tais palavras não vieram.

— Aposto que soube se divertir sem mim nesse mais de um mês.

— Na verdade não fiquei com ninguém esse tempo. Você ficou? — ela sabia que sim. Só que queria ver se ele ia admitir.

— Sim. Acho que preciso de um banho. Se importa de... — Grissom gesticulou para que ela saísse de cima dele.

— Claro! — ela lhe deu um beijo rápido na boca e saiu não muito contente de cima dele. — Quer companhia no banho?

— Eu não vou demorar. Vai ser um banho rápido, então é melhor não.

Ele atirou para o lado o lençol que lhe cobria da cintura para baixo e saiu da cama em direção ao banheiro que havia em anexo ao seu quarto.

Sozinha na cama Maryane não gostou nada daquela situação toda. Grissom estava diferente, bem diferente do que ele costumava ser. Até mesmo na cama ele pareceu outro. E ela sabia o motivo daquilo.

"Bem que o Bryan disse que o Grissom havia se apaixonado mesmo pela minha priminha. Ele está tão caidinho por ela que nem consegue ser como antes.", Pensou Maryane com desgosto.

Sua prima fisgou Grissom, mas ela, Maryane ia se encarregar de pensar em algo bem eficiente para acabar com qualquer chance de sua prima se acertar com Grissom.

***

Brooklyn, EUA...

Acordei naquela manhã empolgada com uma coisa que me passou à cabeça durante a madrugada enquanto não conseguia dormir por ficar pensando no Grissom lá com Maryane. Se eu confirmasse aquilo então teria a oportunidade perfeita para falar com Grissom e quem sabe, me acertar com ele. Torcia para conseguir isso.

Pulei da cama e fui cuidar de tomar meu banho para ir trabalhar. Coisa de vinte minutos já adentrava na cozinha e encontrava Dayse pronta, tomando seu café.

— Bom dia, amiga!

— Bom dia! Alguém acordou alegrinha. Posso saber a razão disso?

— Não só pode como vai saber.

— Fala então.

Enquanto me servia de uma generosa caneca de café, comecei a contar a Dayse que durante a madrugada lembrei que Grissom me mencionou logo que nos conhecemos, que sua família era muito amiga da família de Camille.

— E você acha que ele vai vir ao casamento da Camille?

— Com certeza. Pelo modo como ele disse que sua família e a dela são amigas, presumo que ele virá para o casamento. Só preciso confirmar que dia ele chega. Decerto, deve ser um dia antes. Se for, eu vou procurá-lo lá na casa dele para nós conversarmos.

— Me parece uma ótima idéia. E como vai descobrir se ele vem? Você vai perguntar ao Lewis?

— Não. Pra ele não. Lewis pode acabar sem querer ou por querer mesmo contando ao Grissom minhas intenções, aí não vai dar certo. Vou perguntar à outra pessoa que creio que deva saber isso.

— Quem?

— Hellen, a empregada que cuida da casa dele.

Abri um enorme sorriso psra minha amiga antes de bebericar meu café. Hellen ia me dizer o que eu queria saber.

Notas finais
Sara tem que se apressar pra se acertar com o Grissom porque Maryane está agindo. Ela já conseguiu que Grissom marcasse o casamento e o levou pra cama. Tem que correr, Sara! Descobrir se o Sr. Gostoso vem pra esse casamento. Até o próximo capítulo.