One Night - Livro 1
1 Capítulo I
Notas iniciais
— Eu ainda não acredito que ela teve a cara de pau de nos convidar.
Às vezes o cinismo desacerbado de alguns seres humanos me surpreendia, sabia?
Como podia existir gente tão cínica e cara de pau assim? Mas enfim!
— Ai, amiga até parece que você não conhece aquela vaca.
Eu ri com escárnio.
— O pior é que eu conheço até demais. — Ô, como eu conhecia!— E também ainda não posso acreditar que você me convenceu à ir na festa dela.
Há uma semana recebemos o convite para este evento e desde então, minha melhor amiga ficou batendo tanto na tecla de que nós devíamos ir a esta festa por isso e por aquilo, que até me rendi as suas "justificativas". E cá, estamos nós duas terminando de nos arrumar para ir ao raio da festa.
— Ora, eu já te falei que nós vamos para mostrar àquela vaca, que você superou o que ela te fez. E de quebra, você ainda mostra para o infeliz e cachorro do agora noivo dela, que você nem está mais aí para ele.
— Mas eu não estou mais nem aí mesmo para aquele merda do Elliot.
— Muito bom!
Dayse comemorou enquanto ajustava melhor ao corpo seu vestido verde esmeralda. A peça bonita e cara parecia ter sido feita exclusivamente para minha amiga, pois se moldava com perfeição ao seu corpo esbelto.
Eu não sei por que fui cair na ideia de deixar essa doida da minha amiga louca me convencer à ir na festa da nossa ex-melhor amiga Camille.
Talvez, porque no fundo até fosse bom mesmo eu enfrentá-la outra vez depois da canalhice que ela e seu atual noivinho de bosta me aprontaram. Ou talvez nem fosse assim uma boa ideia ir, e eu acabaria descobrindo isso lá e da pior forma. Mas agora que fosse!
Eu não ia dar para trás agora. Nem a pau! Camille ir me engolir na sua festa.
Ainda me dá tremenda náusea e ficou com ódio de mim mesma, ao lembrar que fui melhor amiga ddaquela biscate. Loba em pele de cordeiro!
Eu descobri algum tempo atrás, que essa infeliz que antes era considerada por mim, como uma segunda melhor amiga, tinha um caso com meu namorado da época e se não bastasse isso, a nojenta engravidou dele e eles agora estão noivos. O casamento será em poucos meses.
— Sara sabe o que seria muito bom?
— O quê? — olhei para a Dayse, minha amiga louca enquanto terminava de retocar a maquiagem.
Pois bem, se eu iria na festa daquela vaca da Camille, e certamente, ia topar com ela por lá, então iria linda e poderosa, com uma make arrasadora. Tão arrasadora quanto o meu vestido roxo com um decote generoso na frente e uma fenda lateral na perna esquerda.
— Você arranjar um boy magia nessa festa e ficar com ele bem na frente do Elliot.
Pois Dayse que tirasse agora essa ideia da cabeça.
— Não vou me prestar a isto. Aí, aquele cretino vai achar que quero fazer ciúmes pra ele, Dayse. Nem pensar!
Era arte dele ainda achar que continuo afim dele e que só estava ficando com outro em sua frente para lhe provocar ciúmes.
Coitado! Ele já era até página virada para mim desde que descobri quão infiel ele era.
— Sara deixa esse babaca pensar o que ele quiser. Mas faz só ele ver o que perdeu ao te trocar pela vaca. Se diverte com um gostosão na festa na frente dele.
— Ah, não, Dayse!
Sem chance de eu me prestar à isto. Não sou assim.
— Ah, não é? Sabia que você ainda gostava daquele bastardo.
Como é?
— Pois está completamente louca, porque não gosto dele.
E eu estava sendo mais que verdadeira quando afirmava isto. Foi-se o tempo que ainda gostava do Elliot, três meses para ser mais exata. O mesmo período em que terminamos! E tudo de bom que um dia cheguei a sentir por ele, passou a não existir mais desde que nosso relacionamento acabou. Nenhum resquício sequer daqueles sentimentos. Agora, o que havia por ele, era somente raiva e repulsa. MUITA repulsa!
— Será que não? — Dayse me provocou.
— Óbvio que não! — afirmei convicta do que dizia.
— Então fica com alguém na festa. E se não conseguir é porque ainda gosta do Elliot.
Ela só pode estar tirando com a minha cara!
— E se por acaso eu ficar com alguém?
— Você me prova que não gosta mais dele e ainda te pago mil dólares por isso.
Ela sabia que eu não gostava dele mesmo e que apostar aquilo era derrota garantida para ela. Só não consigo entender a razão dela fazer daquilo. Mas se Dayse quer seguir com isso, então tá.
Dois podem jogar este jogo!
— Mil dólares é?
— Isso mesmo!
— Feito!
Eu não ia recusar aquela posta, porque a grana já estava no papo mesmo! E Dayse sabia bem disto. Ela ia perder e acredito que pouco estava se importando com isso. Se duvidar, ela estava mesmo torcendo para perder somente para que ele ficasse com alguém e melhor ainda, ficando na frente do meu ex, aquele safado.
****
O salão de festas estava lotado de gente em sua grande maioria enosbes e arrogantes, como Camille.
Um bando de gente rica que adora se divertir dando festinhas sem motivo e razão. Só pelo puro prazer de gastar e festejar. É muito não ter o que fazer mesmo!
— Uau! Aqui está cheio de gato e melhor, gato rico.
— Ai, Dayse! Você é louca! — comentei, revirando os olhos e rindo da minha amiga.
Mas a verdade é que Dayse estava certíssima. Aquela festa estava repleta de muitos caras gatos. Era cada colírio, que meu Deus! Até mesmo os coroas que tinham por ali eram gatos.
De onde brotou tantos homens tão bonitos assim?
— Hoje eu tiro a sorte grande e me atraco com um bofe lindo, gostoso e rico.
— Meus Deus, Dayse! Você não presta. — ri da minha amiga louca e esta me acompanhou nisso.
Dayse e eu, somos amigas desde à época da faculdade. Camille também era nossa amiga desde desta época apesar de seu curso na faculdade ser diferente do nosso. Ela fazia medicina.
Nós três costumávamos dividir não somente o dormitório na faculdade, como também, confidências e uma amizade que parecia ser verdadeira da parte dela. Mas que depois descobri da pior forma não ser. A amizade entre nós três se estendeu até depois que nos formamos.
Éramos: as três mosqueteiras. E seguiu assim até o dia que descobri que a safada da Camille andava brincando literalmente de 'médica e enfermeiro' com meu namorado.
Peguei os dois em flagrante no apê dele, o qual eu tinha a cópia da chave. Quis fazer uma surpresa para o Elliot ao voltar um dia antes de uma viagem de trabalho com meu chefe e a surpreendida acabou sendo eu com o flagra dado naqueles dois sem vergonhas.
Até hoje eu lembro com perfeição e riqueza de detalhes a cena que vi do meu ex, transando com minha suposta melhor amiga na cama em que EU já tinha dormido com ele inúmeras ao longo do nosso relacionamento de mais de três anos.
Como ele pode fazer isso comigo? Ou melhor, como ELES puderam fazer uma sacanagem dessas comigo?
A louca raivosa dentro de mim veio a tona naquele dia. Eu dei porrada nos dois; os chamei dos piores nomes que existe na face desta terra e depois fui embora do apê do Elliot direto para o meu.
Lá chorei feito uma garotinha no colo de Dayse enquanto maldizia outra vez aqueles dois de tudo quanto era xingamento horrível, além de também lhes desejava as piores coisas do mundo.
— Olha quem fala?! A Madre Tereza de Calcutá. — ironizou Dayse rindo e eu ri junto.
— Sara... Dayse!
Meu sorriso morreu na mesma hora em que escutamos nossos nomes sendo pronunciados pela voz que conhecíamos tão bem.
Dayse e eu, nos viramos e demos de cara com a insuportável e cínica da anfitriã da festa.
Como ela ainda tinha coragem de vir falar comigo com a cara mais deslava?
Bom se ela teve a cara de pau de me mandar o convite para esta festa, era de se imaginar que também teria a cara de pau de vir falar comigo.
— Camille!
Foi Dayse quem disse com certo desgosto o nome da nossa ex-melhor amiga. Eu me reservei o direito de não fazer isso e ficar calada somente encarando aquela safada.
Se fosse em outro lugar ou circunstância, eu já teria partido para cima dela e lhe dado outra surra, já que foi pouca a que ela recebeu lá atrás de mim.
Todavia, como estávamos num evento fino e chique, cercadas da nata da sociedade presentes naquele evento, então pus minha máscara de garota fina da alta sociedade, coisa que eu era e, fiquei na minha quietinha.
— Que bom que vieram! Espero que se divirtam. E, Sara... — ela me olhou e havia um sorriso de puro deboche dançando em seus lábios carmins — Meu noivo não veio, mas te mandou lembranças. Tchauzinho... Amigas!
Achando que tinha me afetado com suas palavras, a infeliz se foi tão rápido quanto apareceu ali. Sem me dar qualquer chance de réplica.
— Vaca!
— Vaca nojenta! — xinguei-a por entre os dentes e cheia de raiva não pelo que ela me disse e sim, por ser tão cínica daquele jeito.
Como eu nunca percebi a cobra que ela era?
— Essa não vale nada! Como a gente foi se enganar com ela durante anos, Sara?!
Pois é, também me faço esta pergunta!
— Fomos duas tapadas isso sim, Dayse!... E quer saber? Essa vaca pode ficar com Elliot para sempre. Ele têm pau pequeno mesmo.
Meu comentário final rendeu um arregalar de olhos seguido de risos em minha amiga.
— Mentira?! Têm é?
— Tem mais ou menos.
Na verdade o pau do infeliz era médio, vai.
— Quantos centímetros? — interessou-se Dayse.
— Sério que a gente vai ficar falando do pau do Elliot? — encarei minha amiga de braços cruzados e cara incrédula.
Que assunto mais escroto para se tratar ali numa festa.
— Foi você quem começou ao comentar sobre isto.
Verdade. Eu não tinha nada que ter comentado aquilo ali.
— Sabia que eu pensava que ele era bem dotado?
— Vai nessa. Mas ele era bom no sexo oral. — confidenciei baixo.
O infeliz era bom mesmo. Sabia me fazer chegar ao orgasmo incontáveis vezes só com a língua dele.
— Então ele era melhor com a língua do que com o pau?
— Vamos dizer que...
— Minha nossa senhora, Sara!
Dayse exclamou, interrompendo minha fala. Seu olhar estava vidrado em um ponto do salão. Dirigi então meu olhar para onde ela fitava e descobri o motivo daquela sua exclamação de surpresa.
Parado no outro extremo de onde estávamos, numa distância até razoável se encontrava um homem de barba, muito bonito e charmoso por sinal, que trajava smoking como todos por ali. O sujeito conversava com um grupo de quatro homens.
— Nossa que cara lindo e gostoso. Não achou, Sara?
Olhando mais atentamente para o sujeito, realmente, ele era bem isso e eu ainda acrescentaria a lista: sexy, másculo, charmoso, tentador e muito mais.
E pelos poucos fios grisalhos que via nele, devia já ter passado dos quarenta. Mas era um coroa lindo de matar e morrer!
— Acho! — foi tudo que eu consegui dizer em resposta enquanto fitava o sujeito lá de papo.
Observamos Camille chegar no grupo e falar justamente com o cara gostoso algo em seu ouvido. Ele sorriu e eu me vi enfeitiçada por aquele seu gesto. Sorriso de dentes impecavelmente brancos, moldados por lábios vermelhos feito uma maçã suculenta e uma barba muito bem feita. Aquele seu sorriso conseguiu lhe deixar mais lindo e gostoso.
— A vaca conhece o cara.
— Se ele está aqui na festa dela deve ser porque é conhecido dela mesmo. — argumentei.
Camille conhecia gente para caramba da grande sociedade. Inclusive, o sobrenome mesmo de sua família era também muito conhecido, muito por conta do pai dela que é um empresário bem sucedido e podre de rico.
— Com um desses na minha vida, eu não queria mais nada.
Eu ri da minha amiga. Dayse era mais desajuizada e maluca que eu. Acho que era por isso que nós duas éramos tão amigas. Nós somos bem parecidas no jeito e modo de pensar. Posso dizer que somos "almas gêmeas" na questão amizade.
— Ele parece ser mais velho que a gente. — comentei.
— E daí? — Dayse me encarou. — Você tem problema em se relacionar com cara mais velho? Porque eu não tenho nenhum pouco sequer, meu amor.
— Eu também não. Aliás, eu nunca me relacionei com caras mais velhos. Só com infantis e babacas como o Elliot.
Até hoje todos os caras com quem mantive um relacionamento breve e mais duradouro como fora o último, eram todos da minha idade ou até dois anos mais velhos que eu.
— Quem sabe hoje não seja sua oportunidade de experimentar uma carne mais... Experiente?! — balancei a cabeça em negação. Ela não estava me empurrando aquele cara, estava?
Um garçom passou com sua bandeja e nos ofereceu bebida. Era frisante e nós pegamos.
— Nossa, a vaca da Camille sabe servir bem os convidados. Esse frisante é um legítimo: Ui, mercy!
— Camille gosta de ostentar, sabemos disso.
— Ô se sabemos!
Vimos Camille se afastar do grupo de homens após sua mãe chegar nela e lhe levar até um casal.
— Por que será que o idiota do Elliot não veio?
— Não sei e nem quero saber!
Solvi num único gole o meu frisante, isso sem tirar os olhos do charmoso homem de smoking.
Parecia que ele tinha um imã que atraía meu olhar. Curiosamente, não conseguia desviar os olhos dele.
Para falar a verdade, eu estava me vendo encantada com ele e por ele! Nunca até aquela noite tinha topado com um coroa tão boa pinta quanto aquele!
— Acho que alguém aqui ficou a fim do gostoso de smoking, não foi?
O comentário de Dayse conseguiu roubar minha atenção do charmoso desconhecido para minha amiga.
— Claro que não! Mas olhar não tira pedaço. Além do mais, um cara desses deve ser casado.
Sortuda da mulher que era casada com um belo espécime como aquele.
— Acho que se ele fosse casado mesmo a mulher estaria pendurada nele. Ou pelo menos seria o que eu faria caso fosse esposa de um tipão como aquele. E eu não estou vendo mulher nenhuma com ele.
— Provavelmente ela esteja conversando com alguma conhecida por aí pelo salão. Ou quem sabe até, ficou em casa cuidando do filho pequeno deles. — supus.
— Gente rica tem babá pra cuidar de filho. Essas mulheres não cuidam dos filhos, Sara. Pagam pessoas pra fazer isso. — havia indignação e certa raiva na fala da minha amiga.
Dayse bem sabia daquilo e o falava com tanta propriedade do assunto, porque vivenciou tal situação. Laila, sua mãe nunca foi de cuidar da filha. A deixou crescer aos cuidado da empregada. Com isso Dayse considera mais como sua mãe a Naná, uma mulher que trabalha até hoje na casa dos pais dela e que cuidou da minha amiga desde quando ela era um bebê.
A mãe da Dayse é uma típica socialite, que vive em festas e só se preocupa em manter o guarda-roupa sempre em dia com a moda e a aparência sempre elegante. Laila vive em academia e spas de beleza. Fútil. Esnobe. E antipática. Ela é uma dondoca de primeira. Dayse não puxou nada para ela, a não ser, pela beleza tipicamente européia com cabelos e olhos claros.
— Nem todas são assim. Não vamos generalizar. — retruquei à Dayse.
— Eu sei disso. Sua mãe é uma exceção a esta regra. Mesmo tendo uma pessoa para cuidar de seu irmão, sua prima e você, Laura fazia questão de estar sempre cuidando de vocês. A Olívia era mais para auxiliá-la no cuidado com vocês três. Não foi isso me disse?
— Exatamente.
Era bem isso mesmo. Apesar de ter a Li para cuidar primeiramente do Sean e poucos anos depois de mim e minha prima, que foi criada pelos meus pais junto comigo e meu irmão, minha mãe fazia total questão dela mesma cuidar da gente. Ela jamais largou nas mãos somente da Li a função de cuidar e nos criar como se a Olívia fosse nossa mãe.
— Coisa bem diferente do que a minha mãe fez comigo.
— Você se ressente muito com a Laila pela falta dela em ter sido uma mãe de verdade pra você, não é?
— Acho que vou me ressentir pelo resto da vida. Ela nunca ligou pra mim, Sara. Quer dizer, ela liga todo fim do ano quando é pra fazermos fotos de Natal da família para sairmos em alguma coluna social, pousando de família feliz. Hipócrita.
Não tirava a razão da minha amiga em ser revoltada daquela forma com a mãe. Com o pai Dayse tinha um ótimo relacionamento, porque ao contrário de Laila, George deu atenção e cuidados a filha, apesar da vida atribulada dele por conta do trabalho.
Vimos o cara do smoking olhar de repente na nossa direção e seus olhos foram certeiros de encontro aos meus. Isso foi o bastante para fazer com que eu sentisse um arrepio percorrer-me pela espinha na hora.
Aí, ele sorriu para mim sem mostrar os dentes, apenas esticando seus lábios de uma maneira mais que sedutora, e eu juro, senti subir um calor enorme entre as minhas pernas.
Jesus!
Que homem era aquele que somente com um sorriso me fez sentir calor assim?!
Nenhum cara antes me causou isso!
— Acho que o gostoso lá tá na sua, Sarinha. — Dayse me sussurrou com divertimento.
— Você só pode está, louca né?
— Não. E se eu fosse você caía dentro, Sara. Pega esse gostoso pra você, amiga.
— Acho que chega de frisante pra você. — tomei a taça da mão de Dayse e depositei na bandeja de um garçom que passava naquele instante perto da gente.
— Ei! Se lembra que tem uma aposta comigo hein.
— Elliot nem está aqui, então...
— Ah, não Sara. Você não saí daqui sem pegar alguém.
Como é?
Que eu me lembre a nossa aposta era eu ficar com alguém na frente do Elliot. E meu ex NÃO estava na festa. Deste modo, não havia mais aposta alguma.
— Você ouviu o que eu disse. Vai ter que pegar um cara nessa festa ou...
— Ou... O quê?
— Ou conto pro Trent sobre o sonho erótico que teve com ele dias atrás.
Trent é nosso colega do trabalho. Ele é lindo e fofo. Algumas vezes nós três saímos para baladas juntos. Nem sei porque fui ter sonhos eróticos com ele se para min Trent não passa de um amigo. Um amigo gato é verdade, mas apenas um amigo. Até tivemos um rápido lance, mas isso foi num passado longínquo. Depois disso viramos amigo, ótimos amigos por sinal.
— Você não teria coragem. — duvidei da ameaça de Dayse.
— Sabe que coragem é coisa que eu tenho pra dar e vender, amiga.
Isso era a mais pura verdade!
— Ok! Mas saiba que essa chantagem que usou não é coisa de amiga.
Dayse riu. Ela sabia jogar baixo e sujo quando queria.
— E quero os meus mil dólares que já estava combinado entre a gente.
— Certo. E seu pretendente vai ser o Sr.Gostoso.
— Quem é Sr.Gostoso?
— O cara do smoking!
Ela só podia está de brincadeira comigo. Justo aquele homem gostoso?
A propósito gostei do apelido que Dayse usou para se referir ao sujeito. Combinou com ele!
— Mas nem pensar que eu vou ficar com esse homem. — falei, cortando o barato dela.
— Por que não?
— Porque um cara desse nunca que ia querer nada com uma garota como eu.
— Uma garota o quê? Linda... Gostosa... E de parar o trânsito? Sara tem que ser confiante.
Podia não parecer no momento, mas eu era sim confiante, principalmente em mim e meus atributos no quesito beleza.
— Eu posso ao menos escolher o pretendente? Não quero que seja ele.
Não sei porquê, mas achei que aquele cara não era para mim. Apesar de que eu adoraria ser para ele, ou melhor ainda, ser dele!
— Tá, escolhe outro então. Mas você tem que escolher um bom pretendente pra curtir a festa toda com ele.
— Pois eu quero ser este sortudo! — uma voz grave reverberou tais palavras atrás da gente.
Dayse e eu nos viramos na mesma hora e quem encontramos?
O Sr.Gostoso!
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