One Day More

3 True Lies


Notas iniciais
Primeiro de tudo,me desculpem.Não levo o mínimo jeito pára escrever Yaoi.
Descobri isso hoje,porque pensei que conseguiria,mesmo com dificuldades.Mas acho que falta algo.
Dei meu sangue por eesa capítulo.Me esforcei ao máximo.
Espero que gostem

Se as paredes tivessem ouvido,as paredes do bar do ABC saberiam de muito.Aquelas paredes sustentaram sonhos,desilusões e ilusões de inumeras pessoas.

São lá que começam as noites da jovem Natacha e terminam as de Grantaire.Foi lá,o único lugar que aceitou alojar as reuniões dos Amigos do ABC,que as ambições de Enjolras foram alimentadas.E foi naquele mesmo bar que Épopine foi alimentada muitas vezes,assim como o menino Gavroche.

Aquele bar era o reino de Grantaire.Um reino onde tudo ele observava em suas noites de embriaguez.

Sua mesa,sempre perto da janela,olhando para fora com seus olhos negros melancólicos.

Vendo famílias,velhos e jovens se recolherem para as casas.Via as crianças magricelas se aninharem umas nas outras buscando algo quente no frio.Via a miséria.E essas visões que fizeram o juntar aos amigos do ABC.

Ah o frio!Grantaire adorava o frio.Coisa peculiar nos boêmios parisienses. Grantaire gostava do frio,pois o sentira toda a vida.

Uma vida onde até os dias ensolarados tinham um ar macilento.Ele sempre detestara o verão,por um bocado de motivos.

Foi no verão de 1818, quando o pequeno Grantaire brincava nas ruas com os irmã,Charlotte .Ouvira gritos vindo da casa onde a família residia. Grantaire,que não era bobo nem burro,se esgueirara para ver o que acontecia pela janela.

–NÃO VÁ PIERRE!Pierre! — Gritava a mãe do menino,ainda dando de mamar para um bebê. -Pelas crianças!

As lágrimas marcavam as bochechas da mãe,que corria atrás do homem com uma mala das mãos.

–Pare,Vivien! — Dizia o pai,soltando as mãos da mulher de seu braço.

–Não!Não! -Dizia Vivien,com leite saindo das mamas que o pequeno mamava.

Um tapa atingiu a moça,que caiu,ainda com os recém nascido nos braços.

Ela agarrou o pé de Pierre, este então,não parara de andar em direção a porta.

Pierre chegou a soleira da porta com a esposa ainda em seus pés, e seu filho chorando em algum canto da sala.

Grantaire se escondeu atrás de algumas pilhas de lixo.Enquanto a mãe,sendo olhada por toda a vizinhança,arrumou as alças caídas do vestido e correu para dentro de casa.

O pequeno Grantaire,que presenciara cada momento da briga,mas não entendera um segundo sequer,espiou a mãe,encolhida ninando o bebê em um canto qualquer da casa.

Quando o sol invadiu a pequena residencia e Grantaire viu o rosto da mãe manchado de lágrimas, a pobre moça pareceu-lhe uma velha.

Mas a gentil Vivien sorriu a seu menino e acenou com a cabeça,um breve sinal para o menino se aproximar.

Grantaire fechou a porta da casa e chegou perto da mãe.

–Ah...Você é tão bonito. — Disse a mãe. — Meu menino de ouro.Tão bonzinho.

A mulher acariciou o rosto da pobre criança,que ainda tinha uma expressão de duvida na voz.

–Queria eu ser tão corajosa.Ser tão bela... Mas não sou.Talvez tenha sido isto... — Continuou a moça,mais para si mesmo do que para o filho. — Não pergunte nada,Grantaire.

A mãe embargara a voz com lágrimas,mas a mulher se levantou,largou o bebê no pequeno berço e voltou a cozinhar.

–Vá chamar sua irmã.Hoje teremos sopa de cebolas. — Disse a mãe,abrindo os armários.

Grantaire assentiu.

O jantar fora sopa de cebola por muito tempo.

Pobre criança que nunca perguntara nada a mãe.Apenas concordava e fazia o que mandavam.Abençoado seja a alma que ainda era inocente naquele mundo de caos.

XX

Foi em outro Junho,o de 1932, que Grantaire voltava bêbado, a chuva era rala,mas poderosa.

Cambaleava pelas ruelas de Paris,sem destino,pois já não queria ir para casa.

A chuva era acompanhada por um vento gélido,que fazia o verão se tornar inexistente.

Ele procurava um bar qualquer,mas parara no meio da rua.Sem saber para onde ir.Mas viu a antiga casa onde ele morara com a mãe e os irmãos.A casa velha,caindo aos pedaços.

Grantaire se aproximou.Olhou pela janela.Como olhara uma vez na infância.

Ele jurou ter visto o pai indo embora mais uma vez.Ter visto a mãe ficar velha em tão pouco tempo novamente.Naquele momento, Grantaire odiava a bebida. Odiava por ter trazido-o até aquela casa novamente.

O sol estava nascendo,e Grantaire se recolhendo.Se encostou nas paredes da casa e dormiu.

–Grantaire? -Era uma voz enigmática que ecoara na mente de Grantaire fazendo-o acordar repentinamente.

–Logo eu levanto! — Disse Grantaire.

– Saia daí ou a policia vira lhe recolher,homem! — Disse a voz.

– Não se pode mais dormir nem na própria casa. — Resmungou Grantaire.

–Própria casa? — Perguntou Joly.

– Ah sim!Esta é...Bem,já foi um dia,minha casa.

Joly,parecia interessado,mas primeiro estendeu a mão para o bêbado,que cambaleou assim que levantou.

–O que faz a essa hora nas ruas? — Perguntou Grantaire.

–Fui ver o pai de Natacha,esta realmente doente.Não durará muito,pobre homem. — Respondeu Joly,com certo pesar na voz.

Natacha era uma boa companheira de conversas às 5 da manhã,quando não havia ninguém nas ruas,apenas os poucos corajosos estudantes de medicina que trabalhavam dobrado.Era a Joly que a moça pedia socorro,pois já não havia ninguém para socorre-la.

–Uma pena. — Observou Grantaire.

Grantaire dialogava bem para um bêbado.

Ele leva mais uma vez a garrafa de vinho a boca.

– Seu figado desafia a medicina. — Fala Joly.

Grantaire ri e ao rir cambaleia.

Joly apoia Grantaire.

–Poderia ao menos entrar em casa? — Pergunta Joly.

–E dormir com os ratos?Aqui não mora nenhuma alma viva. — Responde o rapaz,balbuciando.

– E aonde pretende ir? — Pergunta Joly.

–Para o bar do ABC.Alguém deve estar por lá.

Joly suspira.

– Ao bar do ABC,então.

–Joly... — Murmura Grantaire,apos minutos de silencio rumo ao bar.

–Sim,Grantaire?

–Depois daquele dia... -Começou o rapaz.

O que havia acontecido?Ninguém sabe.Não existe nenhuma versão aceitável o suficiente de tal historia para ela ser contada.

–Não quero falar sobre isso. — Cortou-o Joly.

Joly tinha o semblante sério.Uma barba completa que lha dava um ar de inteligencia e certa tristeza.Grantaire o achava belo.Mas não sabia se era esse o motivo de sentir tal atração.Mas não se precisa de provas ou grandes motivos para se sentir atração.

Joly não queria pensar no acontecido há noites atrás.Pois ele realmente não sabia o que havia acontecido.

– Então por que fizemos aquilo?Não sou lucido o suficiente para entender,eu esperava que você fosse.

–Realmente não sei o porque de termos feito,sei que as pessoas as vezes fazem coisas seguindo extintos — Joly falou com todo seu conhecimento médico e suas opiniões excêntricas mescladas em um só discurso. — Seguindo hormônios e coisas do tipo.

– Você realmente não acredita?

–O coração serve apenas para bombear o sangue,Grantaire.

Grantaire olha nos olhos de Joly.Como se lesse sua alma um milhão de vezes.Ficara chocado.Não que esperasse outra reação,mas mesmo assim ficara pasmo.

–Isso é o que você diz,mas parece totalmente o contrario do que pensa. — Rebate Grantaire.

Joly não sabe o que dizer.Grantaire falava a verdade.

–Então foram hormônios? Hormônios que nos levaram a fazer o que fizemos aquela noite? — Perguntou Grantaire com um humor raivoso. — Você não teria uma desculpa mais plausível?

Grantaire gargalhou de modo seco.

–Você é tão inteligente, mas tão ridículo.

– Eu sou ridículo?Não lembro de ter sido eu que contei a Enjolras que havia beijado outro homem! — Joly perdera o controle.Agora gritava.

Era verdade.Grantaire contara para Enjolras.Ele contara para o melhor amigo.Ele contara a alguém que pudesse pensar por ele.Grantaire não se arrependia.

– O outro homem era você! — Respondeu Grantaire.

Os olhos verdes de Joly faiscavam.

–Não acho necessário continuar essa conversa. — Falou Joly,virando as costas.

–Nunca pensei que você a continuaria. — Fala Grantaire. -Covarde!

O sangue de Joly subira.O coração palpitava.Ele não sabia bem se havia ouvido direito.Mesmo assim segurou o rosto pálido de Grantaire e o beijou os lábios.

Não sabia o porque exato de estar fazendo aquilo.Mas o fez,sem ter nenhuma certeza.

Um beijo cheio de raiva.Mas para Grantaire era o suficiente.

Grantaire não queria amor.Ele queria mais.Naquele momento,a verdade ou o desejo não poderiam ser uma boa combinação.

Joly parou o beijo e ficou estático,mudo.

– Vamos morrer amanhã,de qualquer jeito. — Responde Grantaire.

Notas finais
Gostaram?
XOXO