One Day More
5 Finale
Notas iniciais
Ela abriu os olhos.Enjolras procurava o infinito com os dele,como já era de costume.
Era hoje o dia?Ela já não sabia.Sua mente se encontrava ainda no transe que Enjolras havia lhe deixado.Ela gostaria de nunca sair daquele sonho.
Natacha passa a mão no pescoço do jovem rapaz.Enjolras se assusta,salta da cama.
A moça ri com tal travessura.
-Resolveu cantar com as cotovias? — Perguntou Natacha com certo tom cítrico.
-A quanto tempo acordou? — Perguntou ele.
-Tempo o suficiente para vê-lo vagar em seu subconsciente.
Enjolras sorri.Natacha toca seu lábio levemente.
-Tenho que ir. — Diz ele.
-Temos que ir. -Corrigiu a moça. — Pois ambos lutaremos.
-A barricada não foi planejada para moças. — Enjolras falou secamente.
-A barricada foi planejada para o povo!Eu a plenejei também,ora!
- Não existem mais planejamentos! — O rapaz saiu da cama. — Agora é lutar e ponto.
- E onde eu ficarei?
-Aqui.
-Para depois da luta,ir lavar seu sangue da calçada? — Vociferou ela. -Não vou lhe esperar!
-Não duraria cinco minutos lá. — Enjolras falou,olhando fixamente nos olhos de Natacha. — Será uma barbaria!
- Então ficarei lá muito pouco tempo!
- Não lhe darei armas.
-Ficarei lá menos tempo ainda!
- Você não irá. — Diz Enjolras,colocando as calças negras gastas.
Natacha não parecia pensar na morte.Se pensava,para ela era uma simples fatalidade.
A moça se jogou contra a porta do pequeno quarto.
- Nunca pensou nas mulheres na guerra? — Perguntou Natacha,sentando-se no chão,enrolada a um simples lençol. — São elas que sofrem!São as esposas que lavam as roupas ensanguentadas.São as mãe que esperam pelo pão que o filho proteu lhe trazer quando voltassem.São as filhas que cressem sem os pais.Os homens apenas morrem,as mulheres lutam.
- Lute após eu morrer. — Comentário frio e áspero não parecida ter sai do dos lábios angelicais de Enjolras.Mas o desespero tomara conta de seu corpo.Não haviam mais argumentos.
-Eu lutarei para que não morra! — Gritou ela. — Não me permito esperar como uma mãe,arcar com as consequências de uma esposa e sofrer como uma filha!Não é isso que espero!
Enjolras pisara forte no chão.Olhava para baixo.Sem nenhum argumento ou força para continuar tal discussão.
-Não aguentaria vê-la ferida. — Ele suspirou.
-Mas aguenta pensar que irei sofrer por horas.E após sua provável morte?Sofrerei anos.Uma vida inteira,amarga sofrida!Não me resta a pobreza de fiel companheira?Preciso levar comigo a tristeza?
Enjolras se calou.
- Pois pense em mim!Eles não precisam saber que sou mulher. — Natacha falou,com uma luz em seus olhos. — Peço que confie em mim,pois eu confio em você.Sei que voltará para casa.
-E você?E se você não voltar? Como poderei me redimir? — Enjolras retomou seu tom enérgico,furioso.
-Não confia em mim?Eu voltarei? E se não,poderá se redimir ficando vivo. -A moça encostou nos ombros de Enjolras.
-Você é impossível! — Ele suspirou,voltando a sentar na cama.
Ela não respondeu.Apenas foi até a mala que carregava consigo.Ela pretendia dormir no bar do ABC,pois se fosse para casa,seria mais difícil ir à luta.
Ela havia falado sobre isso com Éponine,uma vez.Que se vestiria de homem para lutar.
Pegou as roupas de seu irmão mais novo,Pierre.Serviam-lhe de jeito apertado.Pierre tinha seus catorze anos,era um garoto alto,desengonçado,magro e mais alto que a irmã mais velha.
Ela colocou um quepe na cabeça,tapando boa parte de seu belo rosto,tirando os traços angelicais dos olhos de Enjolras.Os cabelos também foram tapados.
- Você ainda não parece um homem. — Disse Enjolras.
-Como se alguém realmente se importasse. — Ela retrucou.
Ela riu para o rapaz.
- Você é ridículo! — Ela disse,passando a mão no rosto de Enjolras.
Ele tirou o quepe da garota,e passou a mão pelos cachos ruivos sem pudor.Não tiveram tempo para isso.
Não tiveram tempo para inocência,muito menos para o pudor.O amor as vezes tem disso.Pula as etapas,para se tornar quase uma paixão repentina.Mas não havia tempo.Havia apenas uma paixão urgente sufocada no peito dos dois.
Natacha beijou os lábios de Enjolras,de jeito gentil.Mas o beijo logo se tornara necessário.Logo ambos buscavam mais.
-Vamos. — Ordenou a garçonete subtamante.
...
Éponine estava a frente do hotel.A casa de Marius e Courfeyrac.Ela vestia roupas masculinas,pois decidira ir as barricadas.Havia tirado aquela ideia de Natacha,a garçonete do café Musian que lhe dava alguns pedaços de pão,um vez ou outra.
-M'sier Marius está? — Perguntou Éponine a porteira.
-Não.Saiu. — A mulher respondeu secamente.
Do outro lado da rua passava Courfeyrac,caminhando com seu jeito pomposo e divertido.
-Courfeyrac! — Gritou a menina,correndo até o jovem.
Courfeyrac parou e olhou em volta.Não havia ninguém que conhecesse,mas a voz rouca de Éponine havia chegado aos seus ouvidos.
Um menino apareceu em sua frente,precisou olhar uma segunda vez para reconhecer Éponine.
-Onde está,Marius? — Perguntou ela ofegante.
-E eu lá sei! — Disse Courfeyrac,voltando a andar.
Éponine,baixou o olhar para os pés.O silencio pairou entre os dois.
- Estou indo para as barricadas. — Disse ela.
-Ora,a rua é livre. — Respondeu o rapaz friamente,com aquela grosseria dolorosa e amarga que as decepções amorosas trazem.
Courfeyrac voltou a seguir o seu caminho,deixando Éponine pasma.
...
Grantaire estava exausto.Nada ali fazia seu cérebro se conectar.Para ele ,aquilo ali era um sonho.Por isso sua valentia se aflorara de tal modo.
- Grantaire! — Joly gritou. — Corra! Vai começar.
Grantaire conectou as palavras e correu,pegando um pistola.Joly corria a seu lado,mas não olhava nem por um momento nos olhos de Grantaire.
Ele viu um rosto familiar.Pálido e belo como o de Natacha.Devia ser um irmão de extrema semelhança a ela.
Enjolras colocou o garoto magricela atrás de ci e gritou:
- Apontar!Agora!
Uma proção de tiros foram disparados.
- Corram! — Gritou Enjolras.
-JOGUEM!AGORA! — Gritou enérgico Comfeberre.
- Joguem tudo que tem!Valerá a pena! — Falou Enjolras.
-Os móveis eram jogados da janela.Era uma cena maravilhosa.O povo empolgado,jogava seus móveis surrados e agitava bandeiras.
- Do you hear the people sing?
Singing a song of angry men?
It is the music of a people
Who will not be slaves again! — A canção enchia a rua.
Os ares da liberdade estavam em todo o lugar.Aquele era o incentivo preciso!Era aquilo que fazia todos quererem lutar.
- Grantaire! — A voz de Joly chegou aos ouvidos de Grantaire como uma música calma demais para o momento.
Ele se virou e seus olhos se encontraram pela primeira vez.
-Venha comigo. — Disse o rapaz.Grantaire assentiu e o acompanhou até um beco.Uma ruela suja e escura.
-O que foi? — Perguntou Grantaire.
-Olhe...Me desculpe...Eu não devia — Joly começou mil vezes aquela frase sem sentido.
Grantaire,meio bêbado,olhou com seu jeito enigmático e debochado para o jovem.
- Ah!Você entendeu,ora! — Soltou Joly,totalmente envergonhado.
-É tão ruim assim dizer que gosta realmente de mim? — Perguntou o rapaz. — Você se expressa pior que os bêbados.
Grantaire,que não largara sua garrafa por um segundo,bebericou o vinho com amargura.
-Se você sabe,por que me faz admitir!?
-E por que não admite!?É tanta falta de coragem!E todos me menosprezam por beber e você que é tão correto que é o covarde!Isso é uma ópera! — Gritou Grantaire com raiva.
Joly se calou.Olhou para seus pés,sem nenhum argumento final.
-Vamos morrer em pouco tempo!Não pode aceitar o silencio?
-Aceitei o silêncio minha vida toda!E olhe o que virei!O amor não pode ser expressado com o silencio!Não cem por cento dele!
-O coração serve apenas...
-Não!Não serve!Pare com esse ceticismo fajuto! — Cortou Grantaire. -Fale o que sente!Pare de ser...
-Me desculpe,mas...Eu gosto de você.Realmente. — Interrompeu Joly.
Grantaire sorriu.Era aquilo que precisava ouvir.
O rapaz pegou na cintura de Joly e o beijou timidamente.
Um estrondo foi ouvido.
-Vamos.
E correram.
...
Onde estava ele?Céus!Éponine já não sabia mais onde procurá-lo.
Mas as vestes negras de Courfeyrac eram inconfundíveis.
-Courfeyrac! — Ela gritou.
Courfeyrac se virou.Éponine estendeu a mão,que bateu em algum peito.
Era M'sier Marius.Uma dor gritante atingiu sua mão,logo depois seu peito.Éponine cambaleou,se curvando devagar e descendo a barricada.
Courfeyrac foi até ela,mas Éponine não o queria ali.Ela não queria Courfeyrac em sua morte.Para que o fazer sofrer mais que já havia feito?
As lágrimas inundaram os olhos da menina.
- Éponine.- Murmurou.
-Me desculpe. -Ela já não sabia o que queria.Sussurrou as palavras mais confusas.
-Céus! — Murmurou Courfeyrac.Se abaixando.
-Não!Não sinta. — Ela abraçou o rapaz com pesar. -Nunca mais me deixe ir!E não fiquei nunca mais.
As lágrimas deixavam as palavras confusas,fracas.A dor as faziam reais e mais dolorosas.
- Vou ficar aqui.
-Não.Nunca fique.Não quero lhe ver sofrer.Nunca mais.
-Como,se estou vendo-a morrer.
-O frio não atingirá mais! — Ela sussurrou. — E o senhor não sofrerá mais por mim.Mas vá.Não fique perto de quem o fez chorar.
-Não!Eu ficarei. — Disse ele.As bochechas eram marcadas pelas lágrimas,mas sua voz saia forte.
As mãos era seguradas fortemente.Os sentimentos de dor e tristeza se misturavam.Ele sabia que teria de ir.
-Vá...Por mim... — Ela soluçou. — Por favor.Não faça você mesmo sofrer...Nunca mais...
A voz de Éponine era entrecortada,vazia.
- Eu lhe amaria para sempre...
-Eu sei.Mas sou tão tola...Obrigado por me amar,sempre!
Éponine estava tão bela!O suor gélado escorria e mesclava com suas lágrimas quentes.
-Eu nunca deixarei...
-Nunca me deixe ir.E não fique nunca mais.
Courfeyrac estava desesperado.Literalmente.Mas ele foi.Pois não poderia chorar a seu lado.Foi pois vê-la morrer seria sua morte.E não era a ele que ela queria.
-Não chore,M'sier.
Ela foi,sozinha
...
Grantaire.
Eles corriam.Já não havia mais armas.Apenas desespero.
Subiram as escadas.
-Fique perto de mim. -Susurrou Joly. -Se eu morrer.Vá.
Eles os seguiam.Eram poucos agora.Enjolras,o garoto magricela que se revelara Natacha,Comfeberre,Courfeyrac,Joly e Grantaire.
Guardas civis estavam um como abaixo,armas apontadas.
Tiros.Comfeberre caíra. Courfeyrac Courfeyrac gritou de dor.Grantaire chorou de desespero.
Grantaire,foi para o canto inferior da saleta.
-Venha para cá. — Sussurrou ele a Joly.Em um mero momento de silencio.
Enjolras e Natacha estavam em outro canto,parados.
Joly deu o primeiro passo em segurança e suspirou de alivio.No segundo passo,um tiro acompanhou.
Joly caiu e era culpa dele.O amor estava morto.E era culpa dele.Morto,inerte.
Como poderia viver?Como?Ele matou a única fonte de afeto que havia em sua mera vida.
Ele parou inerte.Já não importava se morreria.
Os guardas chegaram no mesmo andar que eles.
Ele ficou,amargo.
...
Enjolras sentiu-se desesperado.As armas estavam apontadas para eles.Os corpos inertes de seus amigos no chão e Grantaire,inerte,mas ainda com vida em seu limbo entre angustia e insanidade.
Ele soltou os cachos de Natacha do quepe encardido.
-Assim não irão lhe matar.
-Mas eu vou morrer com você! — Disse ela.
-Me permite?
Enjolras sabia da amargura de Grantaire.Joly estava morto e nada mais podia se ver nos olhos cegos do homem a não seu angustia.
-Atirem logo! — Gritou um guarda.
Enjolras sorriu e assentiu.Colocando Natacha para o canto com uma mão.
-Não! — Gritava a moça. — Não sem você!
-Saia daí,menina! — Gritou o policial.
Enjolras,morreria feliz,pois estava mantendo seu amor vivo.
Natacha se colocou na frente de Enjolras e gritou:
-Não vão me matar?BASTARDOS!ME MATEM!VIVA A REVOLUÇÃO,PORCOS!O IMPERADOR É O RATO, A FRANÇA SÓ PODE SER QUEIJO! VIVE LA RÉPUBLIQUE!
Uma porção de tiros a acertaram era pendeu e caiu com ele.
Eles foram...Juntos
Notas finais
Gostaram?
XOXO
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