One Day

1 Capítulo único


Notas iniciais
Quem sabe um dia vira long fic! Enjoy!

—Conseguimos! — gritou o chefe atirando as mãos para cima, os olhos azuis faiscando — Conseguimos uma entrevista com o aclamado Stiles Stilinski.

Lydia revirou os olhos ao ouvir os gritos. Trabalhava há sete anos na importante revista Poise. No auge dos seus trinta anos de idade ela era tudo que sempre desejou. Bem resolvida, tinha seu próprio apartamento em uma cobertura e um bom carro, era editora chefe da revista que sempre almejou e era solteira. O que a deixava viajar pelo mundo e conhecer pessoas novas com toda a liberdade. Lydia amava a vida que tinha.

—Ele está vindo pro nosso lado, Lydia — cochichou Malia ao lado da ruiva.

Estavam em reunião para decidir a capa do próximo mês. Malia e Allison eram as coeditoras, além de melhores amigas de Lydia.

—Ele vai soltar fogos de artifício daqui a pouco — sussurrou Allison sorrindo e formando as covinhas que a amiga tanto gostava.

—Meninas, podem acabar com a reunião — falou Peter pulando na porta da sala de reuniões — Já temos a capa desse mês. E adivinhem quem é o sortudo.

—Stiles Stilinski. — Falaram as três em uníssono. Todas sabiam o quanto o chefe queria essa entrevista com o músico mais novo queridinho da América.

—E o que vamos colocar na capa, Hale? Vinte maneiras de ser arrogante, estrelando o dono do mundo Stilinski? Ou ainda, o segredo para conquistar o rock star: ser mulher. — desdenhou Lydia encarando o chefe, que não se abalou. Ele sabia que ela não suportava o cantor.

—Não sei, Lydia, mas é a minha editora chefe quem vai decidir e quem vai fazer a entrevista. — largou de uma vez só sorrindo.

—O quê? Por que eu? — exasperou-se a ruiva — Você sabe que eu não suporto o Stilinski!

—Você nem o conhece, minha cara. Só vê o que as revistas sensacionalistas mostram. Eu o conheço um pouco e posso dizer que Stiles não é realmente aquele rock star mulherengo e maluco que mostram. — então por que raios o próprio chefe não ia? Era o Lydia queria gritar.

— Você vai, é minha palavra final. A entrevista é amanhã no restaurante Sunset ao meio dia em ponto. Esteja bela!

Peter sorriu mais uma vez, feliz com a entrevista tão sonhada. Lydia soltava fogo de tão brava. Suas amigas apenas seguravam o riso.

—Do que estão rindo? — perguntou entre dentes olhando feio para as duas morenas.

—Pára, Lydia — começou Malia controlada — Ele é um gato. Ao menos terá uma bela distração durante o almoço.

—Ele é um garoto que faz sucesso por ser bonito. — respondeu mal humorada.

—As músicas dele até que são boas. — falou Allison meio tímida — E é só cinco anos mais jovem que nós, não é como se fosse um garoto de dezesseis anos. E concordo com a Malia, ele é gato.

—Vocês, hein. Vou perguntar ao McCall e ao Lahey se eles também acham Stilinski gato. — acentuei a palavra gato com desdenho.

—Meu namorado o conhece, na verdade eles são melhores amigos. Você sabe, eles participaram do mesmo programa de talentos. — lembrou Malia.

—Mas o McCall é um produtor sério agora. — falou a ruiva ainda emburrada. Malia gargalhou.

—Sério? É o que menos o Scott é. Não conhece seu amigo? — riu ainda mais a morena mel — E outra, eu também conheço o Stiles, ele não é aquilo das capas de revista.

—Dá uma chance, Lydia — manifestou-se Allison — Vai que você gosta dele. E mesmo assim, vai ter que fazer a matéria, sabe que depois do Peter encucar algo, ninguém muda.

—Certo, vou tentar não chegar lá com a cara azeda. — Lydia se levantou e organizou suas pastas, antes de sair para ir até sua sala, lembrou — Marquem as fotos dele no estúdio, por favor. Encaminhem ao meu e-mail o horário. Já que vou ter que enfrentar isso amanhã, vou sair mais cedo.

A ruiva acenou para as amigas, guardou suas coisas na gaveta e foi até a garagem. Pretendia chegar em casa e tomar um longo banho de espuma.

***

—E aí, cara! Vamos almoçar juntos amanhã? Precisamos conversar sobre aquele seu novo clipe.

—Amanhã não dá, Scott. Tenho uma entrevista para a Poise ao meio dia que talvez dure a tarde toda. Depende da entrevistadora. — riu Stiles maliciosamente. Seu melhor amigo sabia que era brincadeira.

—Deve ser com a Lydia, já te falei dela. Ela te odeia de verdade. — o moreno acompanhou a risada de Stilinski, a qual logo cessou.

—Ela é mais uma que acredita na imagem das revistas e dos paparazzis. — Stiles deu um longo suspiro.

—Já tentei falar o contrário para ela, mas ela não acredita. – contou Scott sério.

—Bem, se ela é ignorante o suficiente pra acreditar em revistas de fofocas, não vou ser eu quem vai dizer o contrário.

Scott riu e pensou como seria o encontro entre seus amigos. Ele conhecia Stiles muito bem e sabia que o amigo levaria Lydia ao limite, mas também conhecia a ruiva, ela não deixaria barato. McCall daria tudo para ser uma mosquinha durante aquele almoço.

—Vou indo, Stiles. Marcamos outro dia. Boa sorte com a Lydia. — o moreno riu uma última vez.

—Dê um beijo à Malia.

Stiles desligou e se dirigiu ao seu quarto tentando visualizar a breve imagem que seu melhor amigo já tinha descrevido de Lydia Martin.

***

Lydia estava quase atrasada. Saiu do elevador do seu prédio colocando o salto. Correu até seu carro e voou até o restaurante Sunset. A ruiva estava com o estômago revirado pela ansiedade de terminar logo com aquilo. Tinha medo de vomitar durante o almoço por ter que olhar para o Stilinski. Desceu do carro entregando sua chave para o manobrista. Arrumou os cabelos e aprumou sua postura. A recepcionista na porta foi muito gentil ao lhe cumprimentar. O restaurante fora fechado somente para o almoço deles. A ruiva segurou a vontade de revirar os olhos enquanto caminhava firme até seu algoz.

Stiles estava entediado, a mulher estava atrasada e ele não suportava atrasos. Bebia o seu segundo copo de uísque e agradecia por ser forte ao álcool. O moreno esqueceu todos os xingamentos que pensava em falar quando viu a mulher caminhando no longo caminho até a mesa deles. Fez uma anotação mental para agradecer seu empresário por escolher uma mesa tão ao fundo, isso o deu a chance de analisá-la muito bem. Stiles achou que podia babar a qualquer momento. Lydia era estonteante. O cabelo era longo e de um ruivo brilhante, a pele alva como algodão, ela tinha duas esmeraldas no lugar nos olhos e o corpo, bem, o cantor pensou no estrago que aquele corpo bem delineado no vestido vermelho faria. Quando ela finalmente chegou à mesa e ele pode ver seus lábios, teve certeza que iria para o inferno pelo que pensou poder fazer com aquela maravilhosa boca que se mexia formando alguma frase. Ele não prestou atenção.

—Eu disse boa tarde, Sr. Stilinski. — a ruiva conseguiu sua atenção na terceira tentativa.

—Você está atrasada. — retrucou o homem. Sim, ele iria dar uma curtida com a cara dela. — Sem o senhor. Vamos logo com as perguntas, não quero tomar muito do meu tempo.

—Mauricinho mal educado. — praguejou Lydia baixinho, mas o homem escutou e teve que segurar o riso.

—Poderia me dar seu número de celular antes de começar? — Stiles abaixou o tom de voz, deu um sorriso malicioso e segurou a mão dela em cima da mesa.

Um choque transcorreu suas peles arrepiando todos os pelos dos braços. Algo que eles nunca haviam sentido antes. Lydia puxou sua mão rapidamente.

—Não sou uma das suas groupies, Stilinski. -falou entre dentes, ela sentia suas bochechas queimando. — Seu rostinho bonito não ganha tudo.

Ela não gostava mesmo dele. Stiles notou pelo tom escarlate que a pele dela adquiria pela raiva.

—Sério? Achei que a beleza ganhasse tudo. E o que não pudesse meu dinheiro pagava. – embebeu aquela frase em sarcasmo. Ele sentiu necessidade de irritar a ruiva até seu máximo.

—Você é exatamente o que eu pensava. Fútil, vazio e mergulhado em arrogância. Como pode ser melhor amigo de uma pessoa maravilhosa como o McCall? Conheço exatamente o seu tipinho, já entrevistei muita gente assim. Acha que é dono do mundo e que todos precisam se curvar para você. Nunca se esforçou para nada na vida, por isso pensa que tudo vem fácil. Dinheiro, mulheres, oportunidades... – Lydia aproximou seu corpo em direção ao meio da mesa que os separava – Você não vale nada.

Era Stiles que estava com raiva agora. Ele estava brincando com ela, mas acabou ganhando a maior ofensa de toda sua vida. Ela não sabia nada sobre ele.

—Você se acha muito esperta, não é? – falou Stilinski em tom baixo e ameaçador – Mas deixa eu te falar uma coisinha, Martin. Você não me conhece. Não sabe nada sobre mim. Sinto muito se é estúpida o suficiente para acreditar no que revistas que só estão atrás de dinheiro fácil mostram. Aquele não sou eu.

—Vai dizer que eles fazem montagens também? Mulheres, bebedeiras e um cara intocável. Esse é o Stiles Stilinski que acabei de ver. – responde a ruiva. Os dois estavam tão perto que as respirações se misturavam.

—Estava brincando com você. McCall me contou que me odeia e resolvi tirar com a sua cara. – ele baixou ainda mais o tom – E quanto ao resto? Sou um homem solteiro e faço o que todo homem solteiro faz porque ainda não encontrei minha garota certa. E vai me dizer que você nunca bebeu demais ou foi grossa com alguém em um dia ruim? As revistas só destacam o que de mal você faz quando se é famoso.

—Por que não desmente? Medo? – rebateu Lydia explodindo de raiva.

—Meu agente acha que ajuda no papel de rock star. – contou dando de ombros e se afastando – E eu não ligo. O que me importa é que as pessoas que eu amo saibam quem eu sou.

—Mostrar ser um fútil arrogante não faz suas músicas ruins melhores. – comenta a ruiva se ajeitando na cadeira.

—Quer saber? Não sou obrigado a ficar aqui ouvindo desaforos. Vou embora. – Stiles arrastou a cadeira fazendo barulho.

A verdade era que o moreno não queria sair da presença dela. A ruiva estava sendo insuportável, mas despertava em Stiles uma vontade de mostrar que ela estava errada. Scott sempre falava para ele que Lydia era uma ótima pessoa e uma mulher admirável. O moreno queria ver esse lado dela.

—Por favor, não vá. – falou Martin alarmada – Preciso da entrevista, preciso das suas respostas. – Stiles continuava de costas, então ela teve uma ideia – Me faça mudar de ideia.

Ele sorriu ainda de costas. O moreno adorava um desafio e aquela ruiva estava o desafiando a mostrar que ele era exatamente o contrário do que ela pensava. Stiles girou nos calcanhares lentamente, ergueu o braço para o garçom e pediu a conta enquanto uma ruiva muito confusa o encarava.

—Vem – o cantor pegou a mão de Lydia e a puxou para fora do restaurante.

Ela pensava o que aquele maluco estava fazendo, ela realmente precisava das respostas das perguntas. Ele a guiou até um jipe azul antigo, uma velharia. Stiles não sabia, mas Lydia amava velharias. Ele a olhou e riu. Lydia devia admitir que o cantor ficava ainda mais bonito quando ria.

—Surpresa? Esperava um carro caro com bancos de couro? – perguntou ainda rindo e abrindo a porta para Martin entrar. – Era o carro da minha mãe, não quis me desfazer dele.

A ruiva pensou no porquê ele falava da mãe no passado, entretanto a vergonha não a deixou perguntar. Ainda não conseguiria. Stiles dirigia devagar cantarolando o som suave do blues que saia do rádio. Lydia pensou em como aquela melodia era diferente das músicas pesadas que compunham os cds do cantor. Olhou pela janela tentando identificar onde iam, entraram em um bairro simples de classe média baixa, ela reconhecia aquele lado da cidade da sua infância. Stiles estacionou sorrindo olhando a ruiva atentamente.

—Aquele restaurante chique fechado só para nós foi ideia do meu empresário. Odeio todas essas baboseiras e comidinhas de rico. – o moreno desceu do jipe e deu a volta, logo abrindo a porta para Lydia – Vou te mostrar o que é comida de verdade no meu restaurante preferido.

Stiles guiou a ruiva até uma lanchonete desbotada no meio da quadra, a fachada era tão pequena que quase não se via do outro lado da rua. O interior, porém, recheado de cores vivas nas mesinhas, era claro e aconchegante. Algumas pessoas encararam Stiles, mas pareceram estar acostumadas com a presença dele ali. Escolheram uma mesa mais ao fundo e se sentaram em frente um ao outro. O cantor sorria verdadeiramente. Um homem loiro na casa dos cinquenta caminhou na direção deles com um sorriso ainda maior no rosto.

—Stiles – falou simplesmente ao abraçar o moreno que já o esperava em pé – Que saudades, meu garoto.

Lydia observava os homens se dando tapinhas amigáveis nas costas. O loiro segurou o rosto de Stiles parecendo analisar se ele estava bem. Ao ficar satisfeito se afastou.

—Desculpe a demora em retornar, tio Noah. – Stilinski estava feliz em rever seu padrinho. – Você sabe, o trabalho estava intenso.

—Ainda não gosto daquela sua música. – falou Noah fazendo uma careta em direção ao afilhado. Lydia prendeu uma risadinha.

—Nem eu, padrinho, nem eu. – riu Stiles sentando novamente na mesa.

—Vou chamar a Melissa, ela vai ficar tão feliz ao te ver. Vai até aliviar minha barra. – Noah sorri envergonhado.

—O que andou aprontando com a minha madrinha? – brincou o cantor sorrindo.

—Bebi a preciosa água com gás dela. Sabe como ela odeia compartilhar a garrafa.

Falando isso, o loiro acenou rapidamente para a ruiva e se afastou indo em direção a cozinha. Lydia acompanhou toda a cena com um sorrisinho de canto, o que não passou despercebido por Stiles. Ela não esperava por isso. A ruiva não fazia ideia que não esperava por nada do que aconteceria naquele dia. Viu uma mulher morena de cabelos e olhos negros andando apressada na direção deles enquanto secava as mãos no avental alvo.

—Filho – arfou Melissa ao apertar Stiles em um abraço sufocante. O garoto ergueu a mulher que o criou durante sua adolescência. – Estava a ponto de buscá-lo onde quer que estivesse com uma cinta na mão. Não se faz isso.

—Desculpe a demora em voltar, tia Melissa. Muitos compromissos. – se afastou beijando a bochecha da madrinha.

—E quem é essa? Finalmente encontrou sua garota? – Melissa olhava atentamente para Lydia, medindo a mulher dos pés a cabeça, seu afilhado merecia uma grande mulher – Ela é linda.

—Não. – respondeu o cantor rindo enquanto suas bochechas ficavam extremamente coradas. – Essa é Lydia Martin, ela trabalha na Poise e vai me entrevistar hoje. Estou mostrando a ela que não sou o que as revistas falam.

Melissa o olhou arregalando os olhos, ela sabia muito bem que as revistas mentiam e aumentavam tudo o que Stiles fazia.

—Vai conseguir a convencer. Prazer, Lydia. – a morena abraçou a ruiva que retribuiu, sentindo vergonha pelo que Stilinski contou sobre sua opinião. – Vou trazer o de sempre pra você, Stiles. E para a moça?

—Traga o mesmo que pra mim. – Stiles lembrava que McCall lhe contou que Lydia comia como um jogador de futebol americano. O moreno não sabia para onde ia naquele corpo perfeito.

A ruiva voltou a ter o sorrisinho de canto. Estava muito surpresa com aquilo tudo.

—O que foi? – perguntou o moreno olhando a expressão engraçada da Martin.

—Não me decidi ainda se vou mesmo tentar acreditar e lhe dar uma chance, ou se você planejou malignamente tudo isso e contratou toda essa gente pra fingir que gostam de você. – expôs enquanto batucava o indicador nos próprios lábios.

Stiles gargalhou com a ideia maluca da mulher. Ela começava a mostrar uma personalidade fascinante.

—Não paguei nada, pode confiar. Amor de madrinha é de graça. – contou ainda rindo da cara da ruiva. – Mas façamos um acordo então.

—Depende. – respondeu Lydia encarando os incríveis olhos cor de uísque – Também quero impor um prêmio.

—É justo. – Stiles se aproximou na mesa, como no restaurante um pouco antes, e teve uma visão privilegiada do decote vantajoso da ruiva – Se eu conseguir mudar sua opinião sobre mim até o fim do dia teremos um encontro amanhã.

Lydia sorriu só com os lábios pensando na proposta descarada de Stilinski. Ela sairia com ele? Vendo-o agora bem na sua frente concordava com Malia e Allison, ele era lindo. Aqueles cabelos castanhos revoltos e os olhos em um tom marrom quase laranja davam um ar selvagem ao homem, equilibrando perfeitamente com a suavidade que as pintinhas espalhadas pelo rosto e o nariz empinado lhe davam. Lydia com certeza sairia com aquela estética, faria até mais do que isso com aquele corpo. Se ele fosse realmente diferente deixaria tudo ainda mais agradável. Por que não dar uma chance a estranha atração que a dominava.

—Certo – respondeu vendo Stiles abrir um sorriso extremamente sexy apenas com um lado da boca. – Se não me convencer vai permitir que eu escreva o que bem entender na matéria para a Poise.

—Dura na queda. – riu o cantor – Trato feito.

O moreno estava ansioso pelo encontro. Ele imaginou os cabelos ruivos espalhados no seu travesseiro desde o primeiro segundo que a viu. Mas além da atração sexual, a mulher o deixava curioso para desvendar quem era ela. Bem, por ora, era ele quem se mostraria a ela, suas mãos suavam em expectativa.

—Então, esses são seus padrinhos? — perguntou Lydia curiosa com a forma paternal que ambos o trataram.

Antes que o moreno pudesse responder, Noah apareceu com uma enorme bandeja recheada de nuggets de frango e dois hambúrgueres, que fizeram a ruiva se perguntar como comeriam aquilo tudo. Melissa veio logo atrás com outra bandeja com molhos, os quais ela não reconheceu de primeira.

—Aqui está, querido. — Melissa deu um beijo estalado na cabeça do Stilinski e se afastou de volta a cozinha, não antes de deixar grandes copos de coca-cola na frente deles.

—Eis minha comida favorita desde os meus dez anos, senhorita Martin. — o cantor abriu um sorriso largo quando os olhos da ruiva brilharam para o hambúrguer. — Nuggets de frango com molho barbecue. O hambúrguer é que é o acompanhamento aqui.

Stiles riu vendo a Martin já agarrada ao seu hambúrguer. Encheu a boca do sabor da sua infância e começou a falar o que não pode terminar anteriormente.

—Melissa e Noah são meus padrinhos de batismo. Eles eram colegas dos meus pais no colegial, eram muito amigos. Quando meus pais faleceram aos meus dez anos, eles ficaram com a minha guarda, me criaram desde então. Essa lanchonete é a minha segunda casa. Fazia minha lição de casa todos os dias bem aqui nessa mesa enquanto comia uma enorme bacia de nuggets.

A ruiva engoliu, a comida desceu grossa pela garganta. Ela não tinha ideia daquilo. Nunca nenhuma revista ou site falou sobre Stiles ficar órfão ainda quando criança. Lydia não sabia o que dizer, engasgou duas ou três vezes com as palavras.

—Não precisa dizer nada, já faz quinze anos. Sinto saudades, mas não dói mais. – o cantor falou simplesmente antes de dar uma grande mordida no seu hambúrguer. – Que tal um rápido joguinho de reconhecimento? Cinco perguntinhas apenas.

O moreno a encarou levantando as sobrancelhas enquanto mastigava. Lydia não sabia o porquê, mas achou aquilo adorável.

—Certo. – animou-se a mulher – Eu começo já que sou a entrevistadora aqui. Então, série favorita?

—Sério que vai perguntar o que todas as entrevistadoras perguntam? Você pode encontrar essa resposta em qualquer revista teen. – Martin revirou os olhos.

—Responda. – disse a ruiva em tom mandão.

—Friends. – respondeu e viu os olhos da ruiva se arregalarem quando ela largou o hambúrguer na mesa.

—Não superei Ross e Rachel até hoje. Meu Deus, ainda choro assistindo essa série. – Lydia gesticulava amplamente muito animado em ter a mesma série favorita que ele. Stiles ria das caras que a ruiva fazia. – Faria maratona de Friends até comer tudo que há em casa e ainda iria ao mercado assistindo no celular.

—Podemos fazer isso qualquer dia desses. – comentou o moreno sem pensar realmente no que estava propondo, quando notou a expressão de surpresa da ruiva suas bochechas adquiriram um escuro tom escarlate. Mudou de assunto. – Então, minha vez! Filme favorito?

—Bonnie e Clyde, com toda certeza. – falou tranquila.

—Boa escolha, Martin! Eu com certeza gostaria de ser o Clyde. Eles são personagens e tanto.

—Certo. Música favorita? – sorriu Lydia comendo o décimo nugget.

—Between the bars. Não sei, sinto que ela descreve a vida e as relações como o espaço entre dois bares, soa poético. – Stiles corou levemente ao notar como aquilo soou estranho.

—Também gosto de Elliot Smith, Stilinski. Mas devo dizer que as músicas dele são extremamente diferentes das suas. – pontuou Lydia.

—Não sou eu quem escreve aquelas músicas. – o cantor baixou a cabeça – Nem a letra, nem a melodia. Aquele som não é meu.

—O que você gosta? – a ruiva entoou a palavra você, ela estava muito curiosa sobre aquele homem na sua frente que se mostrava tão diferente, não só das revistas, mas das pessoas no geral.

—Folk, algo como Beatles. Blues, também aprecio. Escrevi muitas canções nesse sentido. Mas meu empresário acha que o pop rock chama mais atenção do público atual. – Stiles deu de ombros. – Minha paixão pela música acabou se tornando um fardo no momento que virou obrigação.

—Você devia fazer a música que quer. Sabe? Gravar suas canções e cantar no meio do Central Park em New York enquanto manda seu empresário se ferrar. – Stiles se torceu de tanto rir, a ruiva o acompanhou, aquela ideia não era nada boa.

—Você faz o que ama? – perguntou Stilinski ficando sério de repente.

—Sim. – respondeu prontamente a ruiva com uma convicção invejável. – Desde o colegial quero ser editora da Poise. Sempre fazia colagens e fingia que era dona de uma revista quando era criança. Minha mãe diz que aos quatro anos fiz ela passar vergonha no mercado porque ela não deixou que eu levasse todas as revistas do caixa.

Stiles olhava fascinado à mulher a sua frente, torcia internamente para que ela estivesse gostando dele o tanto que ele estava gostando do que via. O coração de Lydia falhou uma batida quando notou os olhos ambares tão intensos nela. Ela se perguntou se seria possível se apaixonar em duas horas. Bem, cientistas dizem que nos apaixonamos no primeiro quinto de um segundo. Inacreditável, não é? E o cérebro adora essa mistura de substâncias que são jogadas nele em menos de um segundo. A ruiva balançou rapidamente a cabeça, pensando que estava louca.

—Incrível. – disse Stiles se encostando na cadeira satisfeito com a comida e com a conversa.

—Pois é, conquistei tudo o que almejei. – menos um grande amor, pensou Martin.

Comeram mais alguns nuggets e quando se deram por satisfeitos foram se despedir de Noah e Melissa. Andaram lentamente pela calçada. O moreno enfiou um boné na cabeça e um óculos escuros para dificultar um pouco o reconhecimento. Ele amava suas fãs, mas queria dedicar seu dia a ruiva.

—Vou te levar em um dos meus lugares favoritos. Vamos andando, não é longe. Cresci nesse bairro, sabe.

Lydia o seguiu, caminharam um tempo em um silêncio confortável. Eles não entendiam aquela sensação estranha de querer juntar as mãos, afinal se conheciam há algumas horas. Stiles achava que parecia que conhecia a mulher de outra vida. Aquela conexão, aquela eletricidade não podia vir tão rápido assim. Os dois adultos não sabiam que quando o caminho é traçado se entrelaçando tudo acontece em um breve piscar de olhos.

Chegaram a um parque recheado de pessoas. A ruiva encarou as copas verdes das árvores, algumas folhas matizadas pelo sol forte. Fechou os olhos e ergueu a cabeça para o sol. Uma sensação de tapa na cara a preenchia. O homem que ela tanto desprezava estava lhe mostrando que apreciava os pequenos detalhes da vida da forma que ela já havia esquecido há muito tempo e que, até ali, não sabia que sentia tanta saudade.

—Por que esse é o seu lugar favorito? – perguntou em um rompante.

—É o segundo deles. – sorriu – Parques me inspiram. Você senta em um banco em uma tarde de sol e pode viver muitas histórias sem levantar dali. Pode ver como as pessoas realmente são, pode inventar uma história para cada uma delas. Aquele senhor, por exemplo – Stiles apontou um senhor de bengala sentado logo mais atirando pão aos pombos – podemos imaginar agora mesmo que ele senta ali todas as tardes de sábado às três horas em ponto e dá farelos aos pássaros enquanto espera o grande amor da sua vida aparecer. Podemos pensar também que ele fazia isso com sua amada esposa e agora gosta da recordação. Cada pessoa nesse parque tem uma história e, por mais singela que seja, é uma história fascinante.

—Uau! – Lydia exclamou. Aquela profundidade dele estava a deixando encantada, ele tinha um belo jeito de ver a vida. – Stiles Stilinski é um romântico inegável.

—Sou músico. – deu de ombros como se aquilo justificasse tudo.

Continuaram a caminhar ao redor do parque, de repente Lydia avistou três garotinhas correndo em disparada na direção deles. Eram uma escadinha.

—Tio Stiles – exclamaram em uníssono se jogando as três no homem que, Lydia nem tinha percebido, as esperava agachado e de braços abertos.

—Olá, minhas princesas! – saldou sorrindo abertamente.

—Você não foi mais brincar com a gente. – reclamou a do meio quando se afastaram.

—É verdade. Você nos esqueceu. – concordou a menorzinha encruzando os bracinhos sobre o peito, não deveria ter mais do que três anos.

—Como poderia esquecê-las, Cady? Esqueceu que são as minhas princesas? – a menininha começava a abrir um sorrisinho – Falando nisso, cuidaram bem do reino enquanto estive fora?

—Está tudo às ordens, príncipe. – contou a do meio abrindo um sorriso desdentado que a deixava a coisa mais fofa que Lydia já viu.

—Obrigada, princesa Ash. – Stiles estalou um beijo no lenço na cabeça dela. A ruiva olhava fascinada aquela cena, seu coração inflou.

—Quem é essa, tio Stiles? – questionou a maiorzinha delas, parecia ter no máximo oito anos.

—Você não está vendo, Sam? – perguntou Ash impaciente – Ela é a princesa Ariel. Olha os cabelos dela.

—Ela é a princesa do tio Stiles! – exclamou a pequena Cady pulando sentada na perna do moreno.

—Não, eu já sei, ela é a namorada do tio Stiles. – constatou Sam como se tivesse descoberto tudo.

—Não, garotas – riu o cantor, ele estava mais vermelho do que a própria blusa vinho – A Lydia não é minha namorada, ela é uma amiga. E quanto a princesa? Bem, ela está mais para América Singer. Não é, querida?

As crianças o olharam curiosas com o que ele dizia. Não faziam ideia de quem era aquela princesa, tal de América. A Martin se agachou como o moreno procurando ficar na altura das meninas.

—Posso ser a Ariel se vocês me convidarem para brincar também. – contou baixinho para elas como se fosse um segredo – Mas o tio Stiles não pode saber que ele é a Úrsula.

As meninas gargalharam da piada da ruiva e logo a deram longos beijos babados na bochecha em cumprimento.

—Você quer ir até a nossa casa? – perguntou Sam, seus olhos brilhavam.

—Se você me convidar ficarei honrada em visitar o castelo. Onde é o seu reino, princesa Sam?

—No Orfanato Bright Star aqui perto. – contou, animada pela expectativa de ter visita.

Lydia sentiu uma pontada no coração, mas não deixou a peteca cair. Stiles observava a ruiva com os olhos mais brilhantes que os de Sam. O que aquela ruiva estava fazendo com ele?

—Eu e o tio Stiles vamos brincar com vocês ainda nesta semana! – afirmou ainda no tom doce.

As meninas arfaram surpresas e sorriram tanto que poderiam rasgar as bochechas. Abraçaram fortemente Lydia com seus bracinhos fofinhos. O moreno apenas observou enquanto elas se deliciavam com o cabelo morango de Lydia, estavam fascinadas e perguntavam como ela conseguiu o cabelo da princesa Ariel. Ash era a mais encantada pelas madeixas da ruiva, o lencinho azul em sua cabeça cobria o pouco cabelo que tinha. A menininha já havia superado o câncer há algum tempo, mas seu cabelo ainda demoraria bastante a crescer. Ela não parava de mexer nos fios alaranjados dizendo como gostaria de ser ruiva.

Stiles avistou uma morena correndo em disparada na direção deles, as bochechas vermelhas pelo calor. Lydia seguiu o olhar do cantor e não pode acreditar no que via.

—Vocês estão aí, meninas! Graças a Deus! – exclamou a morena enquanto recuperava o fôlego.

—Kira? Kira Yukimura? – falou a ruiva ao se levantar.

—Lydia Martin? A líder das chefes de torcida? – exclamou a oriental sorrindo abertamente.

—Kira, a que sempre era jogada pra cima nas manobras. – a ruiva riu indo abraçar a morena.

—Alguém pode me explicar? – chamou Stiles confuso. O mundo era tão pequeno assim?

—Oi, Stiles. – Kira respondeu sorrindo, manteou um dos braços ao redor da Martin. – Eu e a Lydia éramos colegas no colegial.

—Na verdade, éramos melhores amigas. – riu animada a ruiva – Há doze anos.

—E você realizou seu sonho. – Kira lembrava como a amiga sonhava com a revista. – Editora chefe da Poise.

—Sim, consegui. – sorriu Lydia.

—E eu o meu. – contou Kira, orgulhosa. – Finalmente me formei em serviço social e estou trabalhando com essas pestinhas maravilhosas.

As meninas abraçaram as pernas da oriental sorrindo desdentadas. Lydia podia sentir o amor que emanava entre elas. Sentiu que seu sonho era tão pequeno e egoísta se comparado a este.

—Bem, tenho que levar essas três tomar banho. – a morena sorriu para os dois. – Apareça por lá, Lydia. Stiles, leve ela lá.

Kira piscou para o cantor e saiu com as crianças em sua cola enquanto elas gritavam despedidas para a princesa Ariel e para o príncipe delas.

—Quantas surpresas você esconde, Stilinski? – perguntou a ruiva sorrindo.

—Muitas. Algumas são mais interessantes no meu quarto. – provocou. A ruiva riu e deu um leve tapa no ombro dele.

Voltaram a caminhar pelo parque, Stiles se sobressaltou quando sentiu a pequena mão da ruiva se entrelaçando entre a sua. Não olhou para o lugar que formigava nem para o rosto da garota, apenas sorriu olhando para frente. Ele não notou que a expressão de Lydia refletia a sua.

—Dois sorvetes de chocolate, por favor. – pediu o moreno ao avistarem o sorveteiro na saída do parque.

—Dois sorvetes saindo para o casal. – Lydia riu esperando Stiles falar pela terceira vez naquele dia que eles não eram um casal, mas nada foi ouvido.

Comeram seus gelados ao caminharem lentamente para onde o jipe estava estacionado, o céu começava ficar alaranjado. A ruiva sorriu marota encarando a bochecha direita do homem ao seu lado.

—Stiles – chamou – sua bochecha está suja.

—Onde? – perguntou distraído levando a mão até o rosto.

—Bem aqui. – falou Lydia ao passar os dedos gelados e melecados de sorvete pela bochecha do Stilinski.

—Ah, é assim, Martin? – Stiles exclamou indignado com o ato da ruiva.

Esta era a única com o sorvete ainda, então ele sujou os dedos na própria bochecha melecada e foi em direção a ruiva que correu feito maluca das intenções dele. Lydia nunca correria mais rápido que Stiles, já que ele não estava de salto. Malditos sapatos. O cantor a alcançou, ela começou a se debater enquanto riam. O homem segurou os pulsos de Lydia os colocando contra seu peito. Nesse momento tudo parou. Os gritos e risadas do parque se calaram, os dois paralisaram. A ruiva encarou aqueles olhos cor de uísque que ela nunca imaginou que acharia tão dóceis. Stiles desceu o olhar para a boca carnuda entreaberta de Lydia, que gosto aqueles lábios maravilhosos teriam? Aproximaram-se, as respirações já se misturavam, os corações saltavam com rugidos de tambores. A expectativa que precede um primeiro beijo é o sentimento mais esplendido do mundo. Lydia cerrou as pálpebras sentindo o hálito de chocolate do moreno cada vez mais perto. Stiles pensou que ia morrer com aquela mulher. De onde veio essa bola? Espera aí, bola?

—Merda! – praguejou Stilinski quando sentiu uma pequena bola de beisebol acertar em cheio a parte de trás da sua cabeça, fazendo-o se afastar bruscamente da ruiva.

—Oh, meu Deus! – Lydia abraçou o moreno massageando a cabeça dele. – Você está bem?

—Sabe, Lydia, esse abraço soou tão mãe. Bem diferente da sua cara de segundos atrás. – comentou o moreno carregando no sarcasmo.

—Cala a boca, Stilinski. – mas a ruiva estava rindo. – Agora que você derrubou meu sorvete vamos andar logo.

Stiles caminhou apressado no encalce de Lydia, ainda tinha um último lugar para mostrar à ela. Um último pedacinho seu que a faria mudar de ideia se ainda não havia o feito.

Dirigiu o jipe silenciosamente, um silêncio confortável. Até que a Martin ligou o rádio e começou a cantar com a mão em punho, como um microfone, arrancando gargalhadas do moreno devido sua desafinação e constantes caretas. Ele se pegou pensando se podia ter se apaixonado por aquela loira-morango em apenas um dia. Estacionou o carro em frente ao prédio antigo com a placa de venda.

—Você não quer que eu entre aí, não é? – perguntou a ruiva olhando o prédio, aterrorizada. – Você não assiste a filmes de terror? Não vamos entrar aí.

—Vamos sim. Não tem nada demais, Lydia. Entro aí desde que tenho treze anos. – ele estava convicto no que falava, não havia com que se preocupar. Inclinou-se até o banco de trás do jipe para agarrar seu violão.

—Então esse prédio tem mais de doze anos? Mais um motivo para não entrarmos. – a ruiva estava realmente alarmada, sentia medo do lugar escuro.

Ela não contaria a Stiles que tinha medo de altura e escuro e que ele estava juntando seus dois maiores temores. Quando notou, o cantor já abria a porta dela munido do seu violão e seu sorriso torto.

—Por que não quer entrar? – droga, droga, será que ele havia notado? Foi o que a ruiva pensou.

—Tá legal – Lydia deu um longo suspiro – Tenho medo do escuro, beleza? E de altura também.

A ruiva apertou bem os lábios esperando o riso de incredulidade de Stiles, mas ele nunca veio. Stiles segurou a mão de Lydia a fazendo descer do jipe e disse calmamente.

—Todos temos medos. – entrelaçou seus longos dedos nos gordinhos da mulher, fitando aquelas duas esmeraldas completou – Lembre que eu vou estar com você. Serei seu protetor.

A Martin concordou com a cabeça ainda apertando os lábios. Assim, de mãos dadas seguiram em direção ao prédio abandonado. Stiles empurrou a porta com um rangido e ligou a lanterna do seu celular para iluminar as escadas que deveriam subir.

—Tem certeza que podemos entrar aqui? – questionou Lydia olhando em volta.

—Não. – respondeu o cantor logo rindo. – Nunca me pegaram para eu saber.

Subiram os lances de escada em silêncio, apenas as batidas dos seus corações eram ouvidas. A ruiva estava cansada, já ia reclamar para Stiles quando ele abriu uma última porta revelando o terraço mais incrível que ela já havia visto.

Um belo deque de madeira revestia boa parte da extensão da cobertura. Via-se verde para todo o lado, em folhagens e flores que abasteciam os canteiros. Singelos bancos de bronze espalhados perto da mureta, em direção a uma linda vista. Dali, grande parte da cidade podia ser vista. A própria Lydia morava em uma cobertura luxuosa, mas a sua vista não chegava nem aos pés da que inundava seus olhos no momento.

—Stiles, esse lugar é... – ela não encontrou a palavra.

—Mágico. Eu sei. – completou o cantor.

Tudo o que ele fez foi observar as reações da ruiva desde que saíram das escadas. Ela nem parecia lembrar-se do seu medo de altura agora, maravilhada com a vista e com as estrelas que já salpicavam o céu primaveril. Stiles sempre se sentia muito bem ali, porém nunca sentiu que aquele lugar estava tão completo como agora. Com Lydia parada ali.

—É, essa é a palavra. – a mulher sentou no banco mais próximo tirando os sapatos e encarando o céu.

—Descobri esse lugar uma vez quando Melissa brigou comigo e acabei gritando que ela não era minha mãe. – contou o Stilinski ao se sentar ao lado da ruiva e largando o violão ao lado. – Desde então, venho aqui sempre que posso. Escrevi muitas das minhas músicas aqui.

—Toca uma delas para mim.

Stiles posicionou o violão sobre a coxa e começou os acordes da música que achou que combinava perfeitamente com aquele dia. A canção falava de uma paixão repentina digna de romances água com açúcar. Foi como ele pensou que uma comédia romântica terminaria, os atores principais estariam no terraço sob as estrelas e uma música como aquela tocaria enquanto a câmera se afasta devagar.

Lydia observava Stiles boquiaberta. A melodia suave e a letra hipnotizante caiam muito melhor na voz rouca dele do que o pop rock pesado que o pediam para cantar. No meio da canção, os olhos do moreno se fecharam, parecia que a música corria pelas veias dele e evaporava pelos poros em direção a ruiva. Ela pensou em como Stiles não mudou apenas sua opinião sobre ele, mas sua ideia sobre a vida. Em apenas um dia ele a fez questionar tudo. Principalmente sua felicidade. Seu carro do ano, sua cobertura luxuosa, seu closet recheado de sapatos de marca... A faziam feliz? A preenchiam? Ela acreditava que sim, tem tudo o que sempre sonhou. Acreditava fielmente. Até hoje. Quando o cara que ela mais desprezava por achar ser arrogante e inabalável derrubou todos os seus ideais sobre felicidade, simplicidade e amor. Stiles podia ter tudo o que quisesse, mas mostrou que sua visão de felicidade plena era ele segurando um grande pote de nuggets rodeado pelas pessoas que ama enquanto toca blues ao fundo. Lydia pensou em como muitas vezes nossos sonhos egoístas cobrem nossos olhos para as verdadeiras belezas da vida. Ter o seu carro, ter a sua casa, ter uma carreira sólida e um bom casamento. Esse sonho vazio domina a mente de tal forma que esconde os detalhes singelos que nos cercam. Ter o sorriso de uma criança, ter um amor para a vida toda, ter o poder para apreciar o vento batendo no rosto. Lydia havia se esquecido disso, mas Stiles a lembrou.

O moreno tocou o último acorde da melodia e abriu os olhos âmbar para a ruiva. Ele adorou o jeito que ela o fitava, nada se parecia com o primeiro olhar que o lançou. O coração do moreno saltitou ao ver o sorriso de lábios apertados na boca desejosa de Lydia.

—Você deveria fazer o que gosta, sabe? – a ruiva o encarou, séria de repente – Cantar as suas letras, tocar seu folk suave. Ser esse Stiles que está me mostrando para o mundo. Esse cara que dirige uma lata velha e brinca de castelinho com três garotinhas órfãs. Deveria mostrar esse garoto encantador, essa pessoa maravilhosa. Manda seus agentes à merda e seja esse cara. O mundo vai se apaixonar por esse Stiles em um quinto de segundo, exatamente como aconteceu comigo.

Stiles demorou pouco tempo para entender o que ela disse, seria possível? Paixão em menos de doze horas? Ele soube que sim, que era possível, assim que os lábios carnudos tocaram os seus em um beijo singelo. Não tinha se apaixonado devagar e gradativamente como pegar no sono, tinha se apaixonado repentinamente como acordar sobressaltado de um sonho ruim. Os lábios se abriram sincronizados e o choque causado pelas línguas resvalando uma na outra era indescritível.

A paixão vem assim, de repente, em um quinto de segundo. Você olha para a mesma pessoa que acabou de encarar há um segundo e bum! Você se apaixonou. Vê uma garota andar em um corredor de uma biblioteca e sem nem saber o nome dela o frio na barriga surge. Espera ansiosamente chegar certa hora de certo dia apenas para passar por aquele garoto pela rua, apenas para um breve cruzar de olhos. É não poder aguardar para ver um rosto, sentir um toque, ouvir uma risada. É admirar alguém antes mesmo de conhecê-lo. E é do admirar as qualidades, o corpo, a conversa, que mais tarde nasce o amor e vem a admiração pelos defeitos, pela parte menos bonita de alguém. As melhores relações de amor nascem de uma paixão irrefreável que surge em um quinto de segundos.

Lydia deliciou-se com a boca que esteve pensando desde o incidente no parque. Sugou aqueles lábios o quanto quis, até deixa-los inchados. Stiles finalmente descobriu o sabor da boca de Lydia Martin, era morango maduro no verão. Sua fruta preferida. Passou a língua uma última vez pelo lábio grosso da ruiva e se afastou sem tirar as mãos do rosto dela. Apreciou a visão das suas bochechas coradas, como ele também deveria estar, e dos lábios vermelhos e inchados pelos beijos trocados. A garota selou novamente seus lábios e, sem aviso prévio, levantou correndo em direção às escadas, antes de sair virou para o moreno atônito com um sorriso maroto no rosto.

—Me busque amanhã às oito. – piscou uma esmeralda e com uma risadinha desceu correndo as escadas.

—Mas eu não sei onde você mora. – falou Stiles depois de despertar do transe em que havia entrado.

O que aquela ruiva fez com ele? Decidiu que iria realmente mandar seus agentes e empresários se foder, iria cantar seu próprio som e abrir uma produtora com o seu melhor amigo, mas antes precisava do endereço da mulher que o arrebatou. Precisava do endereço da sua garota.

—McCall? – quase gritou quando o melhor amigo atendeu o celular.

***

Lydia esperava nos degraus do seu prédio. Vestia o vestido verde que Allison e Malia insistiram que realçava seus olhos. Ela estava ansiosa, batia o salto em uma frequência irritante na pedra escura. Agora era ele quem estava atrasado. Lydia odeia atrasos, mas deixaria esse como troco pelo seu no dia anterior. Sua barriga congelou quando avistou o jipe azul dobrando a esquina. Um moreno de sorriso torto dirigia a velharia ao som alto de Elliot Smith. E a ruiva soube qual seria a capa da sua revista desse mês. Vinte maneiras de ver a vida como Stiles Stilinski. Ou talvez, o segredo para conquistar o cantor folk: ser humano. Ela sorriu amplamente enquanto desceu os últimos degraus.

Stiles estava boquiaberto com a beleza da ruiva, ela parecia ainda mais linda que no dia anterior. Quando o vento bateu no rosto dela, ele soube o porquê. As mechas avermelhadas, antes pela cintura, agora se encontravam pelo queixo. Naquele momento, ele se apaixonou mais um pouco pela mulher. Logo Ash seria a princesa Ariel de Lydia. E ele? Bem, ele seria o Clyde de sua Bonnie, o Maxon de sua América, o Ross de sua Rachel. Ele seria o Stiles de sua Lydia.

—Você está atrasado. Vamos logo com as perguntas, não quero tomar muito do meu tempo. – riu a ruiva ao entrar no carro e reproduzir as palavras de Stiles do dia anterior.

—Muito engraçadinha a senhorita, Martin! – acompanhou o cantor rindo igualmente. – Então? Mudei sua opinião sobre mim?

—Não só sobre você. – Lydia se inclinou e deixou um beijo molhado nos lábios de Stiles – Mudou minha opinião sobre mim mesma.

—Em que sentido? – questionou o moreno, o âmbar brilhando com o sorrisinho de Lydia – Vai me contar?

—Um dia. – respondeu colocando o cinto.

—Um dia. – replicou o moreno dando a partida no carro.

E a cena se afastou lentamente, como em uma comédia romântica. É mentira, na realidade o jipe morreu e eles decidiram pedir pizza gordurosa enquanto assistiam Friends pela décima vez.

Notas finais
Espero que tenham curtido como curti escrever! Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!