Onde Nós Vamos
7 Capitulo de Homenagem
Notas iniciais

Após um dia exaustivo estava aproveitando o que faltava dele vendo TV com a minha mãe enquanto o Pedro não chegava. Estava chovendo bastante o que amenizava um pouco o meu humor. Oito e meia em ponto consegui ouvir o som do carro estacionando na garagem. E quando meu pai chegou não estava com uma das melhores caras, Lily percebendo a situação entrou em ação.
— Querido, está tudo bem? Você... — Ela nem sequer terminou a frase e ele já a abraçou forte e começou a chorar. Eu já devo avisar que o meu pai não é bom em esconder as emoções.
— Eu recebi uma ligação hoje do Tio Marcos. Parece que a Marilia Mendonça e mais quatro pessoas sofreram um acidente de avião e não sobreviveram.
Eu e minha mãe sabíamos que era um momento delicado para ele. Nossa família tinha uma tradição de sempre fazer coisas típicas do Brasil, como pratos típicos, filmes, feriados e principalmente músicas, meu pai amava escutar as músicas da sua terra natal e era como se ele voltasse a época da adolescência. Essa cantora era uma das suas favoritas. E além disso havíamos perdidos alguns entes queridos nesse ano, acho que o peso está todo sobre os ombros do Pedro agora,
— Calma, amor. Vá lá pra cima, tome um banho e troque de roupa, você está todo encharcado.
E respondendo em murmúrios ele obedeceu.
— Mãe, ele vai ficar bem? — Perguntei me aproximando dele.
— Vai querido, o seu pai está passando por um período de luto já algum tempo e digamos que devido a depressão ele se culpa por coisas até que estão fora do seu controle. Essas coisas levam tempo.
— Não há nada que possamos fazer?
— Apoiamos. É a melhor coisa a se fazer, mesmo sendo uma guerra pessoal. Ele tem muitas pessoas que o amam e o nosso amor é fundamental nesses momentos.
Eu havia entendido o que ela queria dizer, mas senti que deveria fazer algo.
...
— Tem certeza que não quer uma carona, Pedro?
— Sim, Sr. Potter. Eu estou bem. — Dei um meio sorriso e saí.
Na verdade, estava me sentindo meio vazio, muitas coisas aconteceram ao longo desse ano, perdi pessoas que faziam parte da minha raiz, de quem eu era. E nem sequer estava na minha terra. Eu moro aqui há tanto tempo, construí uma família e mesmo assim me sinto tão deslocado. Dirigi em silencio, pensei em como a vida era frágil e a incerteza se conseguiria sobreviver mais um dia. Aquele vazio foi me consumindo até em casa. Guardei o carro e quando saí pude escutei uma música vindo dos fundos. Era uma música da Marilia.
Quando entrei em casa, todas as luzes apagadas e uma bem fraca vindo do fundo. Andei até lá.
Meus olhos se encheram de lagrimas com a visão que tive, todos os nossos amigos estavam ali no quintal.
— Mas o quê... — Disse quase sem palavras.
— Pai. — Zach logo tomou a frente. — Eu sei que tem sido um ano difícil. Não temos como trazer de volta as pessoas que se foram, mas podemos mantê-las vivas em nossos corações. Sei que já passou o Dia dos Mortos, mas fiz algumas ligações, consegui reunir todo mundo...
— Eu que fiz as ligações! — Gary gritou ao fundo.
Zach revirou os olhos.
— O Gary fez as ligações e montamos isso...
Todos mostraram o que tinham nas mãos. Lanternas de papel. E aos poucos começaram a soltar e todas elas voaram bem suave. Lily e Zach logo trouxeram uma para mim.
— Só vai valer se todos fizerem. — Ela disse me dando um beijo na bochecha.
Eu já estava em lagrimas, mas consegui esboçar algum sorriso. Agradeci e acendi a minha lanterna, enquanto via a minha se juntar as outras fiz uma oração em silencio. Uma oração para todos que se foram, que suas almas encontrem paz e descanso.
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