Onde Ela Deveria Estar...

2 Capítulo 2 - Começa Uma Nova Vida... E Agora?


Notas iniciais
Olá!

Não resisti...muita ansiedade para dar continuidade a essa fic...estou postando mais um capítulo.

Dedicada com muito carinho para Tamara Cortez, pelo primeiro comentário. Foi emocionante para mim! Obrigada!

Espero que gostem da continuação. Aceito sugestões, críticas, comentários e etcs.

Bjs

Depois de horas de espera para os voos e uma conexão em Miami, finalmente o LAX – Aeroporto de Los Angeles. Isabella estava cansada, com olheiras, precisando de um banho, mas muito ansiosa pelo que o seu destino poderia lhe reservar. Ela observava tudo ao seu redor, encantada com o barulho coletivo, as roupas, os estilos e a pressa com que as pessoas passavam por ela, ávidas por chegarem ao seu destino final.

Em meio ao burburinho de algumas jovens na saída do desembarque, conseguiu entender que aquele alvoroço era por um artista que estava saindo do aeroporto. Elas diziam algo desconexo como vampiro, delícia do Twilight, ex da Tanya... e ela entendeu algo como “Callin” ou “Eduardo”...mas como achou que estava imaginando esses nomes devido ao seu cansaço nem se virou para tentar entender o que acontecia por ali.

A pouco mais de 100 metros de onde ela estava perdida em seus pensamentos, o alvoroço das jovens era causado pelo famoso ator de Hollywood Edward Cullen, que estava saindo escoltado por seus seguranças, após uma rápida viagem a Nova Iorque para honrar seus compromissos com a marca mais famosa do mundo. Ele era o novo rosto da Dior Homme, e as entrevistas e festas faziam parte do seu contrato milionário, assinado no começo do ano. Ele adorava suas fãs, queria estar perto delas e demonstrar seu carinho, mas estava tão cansado após dias exaustivos de compromissos, que naquele momento, pediu aos seus fiéis protetores que apenas o levassem para o sossego da sua casa. Nada seria mais reconfortante do que o aconchego da sua mansão e o carinho dos seus cachorros. Estava muitos dias longe de casa e ele não suportava tantos períodos de isolamento das suas crianças.

Isabella pegou um táxi e informou seu novo endereço. Através de conhecidos de seus antigos colegas de trabalho, teria um quarto para dormir no apartamento por um mês, dividindo as despesas, pois uma das meninas estaria viajando de férias. Após esse período teria que procurar um novo local para morar. Não era o ideal mais era suficiente para começar sua nova vida americana. Segundo informou o taxista, o bairro onde estavam era próximo a Los Feliz, um bairro famoso na cidade onde moravam os artistas mais famosos da cidade e onde aconteciam as melhores festas noturnas nas caríssimas mansões.

Quando chegou ao prédio foi recebida por Kate e Ângela, duas universitárias muito simpáticas, que já foram mostrando onde ficava tudo dentro do apartamento, quando deveriam pagar as contas e qual quarto ela ocuparia temporariamente. Tudo era amplo e confortável, decorado com muito bom gosto e com muitas lembranças do Brasil. Após um banho quente e uma refeição deliciosa preparada por Ângela, às três brasileiras começaram a conversar, e Isabella foi aprendendo, na medida do possível, o manual básico para sobrevivência em Los Angeles. Segundo as meninas, ela poderia ter um pouco de dificuldade no início para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho, mas com criatividade e perseverança, isso seria contornado com o tempo. Após muita conversa, as meninas informaram que precisariam se arrumar para a universidade, pois teriam aulas no período noturno naquela semana, e Isabella resolveu dormir até o dia seguinte, para se recuperar das longas horas de viagem.

No dia seguinte acordou cedo, tomou café, deixou um bilhete para as meninas e resolveu sair para procurar trabalho e conhecer a cidade. Optou por uma calça jeans, uma blusa solta, cabelo preso num rabo de cavalo e um scarpin que era muito confortável, pois não sabia quanto precisaria andar para encontrar alguma oportunidade de trabalho. Comprou o jornal, sentou num banco e começou sua difícil tarefa de arrumar emprego em solo americano.

Naquela semana, Isabella procurou muito, foi a muitos lugares, se perdeu várias vezes nas linhas do metrô, pediu muitas informações, mas não conseguiu nenhuma oportunidade. O sábado havia chegado e ela ainda não tinha um trabalho. Sua preocupação não era o dinheiro, mas sim a chance de começar a fazer algo logo, para que pudesse dentro de um mês, procurar um novo lugar para morar. Enquanto ajudava Ângela com o almoço, conversavam sobre tudo, e ela aproveitava para perguntar mais da cidade e memorizar alguns pontos de referência que poderiam facilitar sua localização no dia-a-dia. Kate chegou algumas horas depois toda animada, pois havia recebido um convite para jantar com um gatinho que ela andava flertando há algum tempo na faculdade. Segundo ela, sua noite seria “memorável”, e isso divertiu muito as meninas pelo resto do dia. Ângela não tinha namorado, mas sempre estava de “olho em algum promissor veterano”. Sua vítima atual, ou melhor, seu promissor veterano atual era Ben um estudante de jornalismo da mesma faculdade, muito tímido, mas extremamente inteligente, e isso a fascinava, pois podiam passar horas conversando sem esgotar seus interesses em comum.

A semana seguinte chegou com muitas oportunidades no jornal, mas nenhum resultado efetivo. Isabella já estava desanimada, e mesmo se deslocando com facilidade pela grande metrópole, não conseguia uma única oportunidade para mostrar sua vontade de trabalhar. Ela não procurava nada específico, apenas queria trabalhar e mostrar sua força de vontade. Sentada no banco de uma praça, abriu o jornal mais uma vez, buscando algum anúncio que não tivesse visto e que pudesse ser sua grande chance. Deparou-se então, com um anúncio inusitado de quase meia página de jornal:

“PRECISA-SE DE BABÁ DE CAES – IMPRESCINDÍVEL GOSTAR DE ANIMAIS – PARA CUIDAR DE DOIS CACHORROS – UM DE GRANDE E OUTRO DE MÉDIO PORTE – ESCALA DE 6 X 1 – NECESSÁRIO DORMIR NO EMPREGO – CUIDARÁ DA ALIMENTAÇÃO, PASSEIOS, BANHOS E HIGIENE DIÁRIA – ENTRAR EM CONTATO COM ALICE PELO TELEFONE.....”

Isabella leu o anúncio e demorou em entender o que estava escrito ali. Como era lenta às vezes. Existiria alguém em sã consciência nessa cidade louca que pagaria uma babá para seus cachorros? Ela adorava cachorros, só não tinha mais nenhum, pois sua última cachorrinha sofrera muito com um câncer terminal e ela havia jurado que não passaria mais por tanto sofrimento. Ela comprava ração e remédios para doação enquanto morava no Brasil, ajudava em eventos de adoção, mas nunca mais foi capaz de adotar nenhum outro animal. Era normal ter animais dentro de casa sendo tratados como crianças, mas ter uma babá específica para eles, isso ela nunca havia visto. Perdida nesses pensamentos dobrou o jornal e voltou para sua casa temporária, estava cansada e com muita fome. Tomou banho, preparou o jantar para as meninas, pois elas sempre voltavam da universidade com fome e sentou para ler seu livro “The Short Second Life Of Bree Tanner” de Stephenie Meyer, mas por mais que fosse muito interessante, não conseguia prender sua atenção ao livro. E assim perdida em seus pensamentos estranhos, adormeceu sobre o livro, amassando suas páginas e deixando uma marca muito estranha em sua bochecha de pele branca.

Ao acordar no dia seguinte, Isabella tomou a decisão mais estranha de sua vida. Tomou café, trocou de roupa, pegou o jornal e resolveu ligar para o telefone do anúncio. Uma voz feminina e muito simpática atendeu e marcou uma entrevista para as onze horas da manhã, num atelier que ficava num endereço não muito distante de onde estava. Ao desligar o telefone, nossa aspirante a babá canina sentiu um aperto estranho no peito, o coração acelerou e ela erroneamente interpretou como ansiedade pela oportunidade da entrevista.

Isso na verdade, era sua intuição já prevendo que sua vida poderia mudar muito em breve. Mas como ela poderia saber? Somente o seu Anjo da Guarda sabia disso...

Pontualmente às onze horas, ela foi recebida por uma moça de pele branca como a neve, cabelos curtos e arrepiados, voz delicada, traços finos e marcantes, e um jeito fofo de andar que mais parecia uma bailarina deslizando numa coreografia graciosa pelo chão. Era Alice, sua possível heroína ou sua perversa inimiga, tudo iria depender do final daquela conversa. Ambas se acomodaram numa sala de reuniões muito aconchegante e a sua algoz começou a explicar do que se tratava o anúncio.

Seu irmão solteiro tinha dois cães, Bear e Bernie, que eram suas paixões. Como seu irmão viajava muito a trabalho, precisava de alguém que cuidasse muito bem das suas crianças durante sua ausência. Isso incluía a alimentação, higiene corporal e dental, limpeza dos canis, passeios diários, rotina de exercícios, natação, música, brincadeiras e carinho em excesso. Não seria preciso fazer nenhuma outra tarefa da casa, pois existiam outros funcionários para isso. A casa oferecia quarto com banheiro, alimentação, remédios, acesso a biblioteca e demais dependências, e uma escala de trabalho de 6 x 1 – a cada seis dias trabalhados uma folga. O salário seria de R$ 5.000,00 com registro e todos os benefícios. Seu irmão era uma pessoa quieta, portanto, se os cachorros estivessem felizes, ele não iria importuná-la, pois estaria satisfeito com o resultado do trabalho. Ele não tinha tempo para se envolver com os assuntos da casa, então, tudo seria resolvido sempre com Alice ou com o mordomo Alec.

- E então, você aceita o trabalho Isabella? – perguntou Alice

Isabella ainda estava assimilando o valor do pagamento mensal e demorou alguns minutos para processar todas as informações recebidas. E quando falou, seria melhor ter ficado quieta.

- A senhora não vai nem perguntar de onde eu venho? Por que procurei essa oportunidade? – falou Isabella no seu total estado de demência letárgica.

- Não se preocupe. Você preencheu uma ficha quando chegou aqui e eu já apurei todas as informações que precisava a seu respeito. A propósito, eu sinto muito pela sua cachorrinha Donatella, deve ter sido muito difícil para você. Câncer é uma doença devastadora para qualquer ser vivo. Mas agora você terá dois novos amigos e eu garanto que eles são uns amores. Você irá se apaixonar por eles. Você começa quando? Amanhã? – Alice perguntou novamente.

- Cla... claro...amanhã mesmo. Só preciso avisar as meninas do apartamento onde estou atualmente, acertar as despesas e arrumar minhas malas.

- Ótimo! Seja bem-vinda a família! Minha intuição me diz que seremos grandes amigas com o tempo. Minha secretária te dará o endereço da sua nova casa e você poderá se mudar amanhã mesmo. Não se preocupe, Alec irá te ajudar e te orientar quando chegar lá. Meu irmão está viajando a trabalho e você terá um tempo para se adaptar a rotina e as crianças. Vou pedir também que providenciem os documentos necessários para emitir sua permissão para dirigir, pois será necessária quando você for levá-los a passeios ao parque ou as consultas de rotina no médico veterinário. Ah! E não se assuste, você sempre terá escolta de seguranças quando sair com eles. Meu irmão quer que eles tenham uma vida normal, mas a segurança é necessária sempre. Não precisa se incomodar com isso. Alguma dúvida Isabella?

- Não... acho que não...só estou tentando assimilar todas as informações.

- Sem problemas minha babá preferida! – brincou Alice — Amanhã no fim da tarde eu passarei por lá para verificar como estão as coisas.

- Te vejo amanhã então. E Alice, obrigada pela oportunidade única. Eu não vou decepcionar sua família. Eu prometo!

E assim, em estado de total alegria por seu novo emprego, Isabella correu para casa para contar a Ângela e Kate o novo rumo de sua vida. Ela só pensava que havia conseguido um trabalho, uma casa para morar e eventualmente uma biblioteca onde poderia saciar sua sede de leitura. A vida estava sendo generosa para ela neste momento. Mas, antes de tudo, passou por uma igreja e lembrou-se de entrar e agradecer a Deus e ao seu Anjo da Guarda pela bênção recebida.

Nesse instante, num local onde ninguém sabe onde fica exatamente, o Anjo da Isabella sorria abertamente, acreditando que agora seus esforços estavam surtindo o efeito desejado. Embora ela não tivesse se preocupado, em momento algum, em perguntar o sobrenome daquela nobre família que iria acolhê-la, seu benfeitor sabia que mesmo que soubesse não faria muita diferença, afinal, ela sabia trabalhar duro como ninguém, mas jamais imaginava que a vida pudesse lhe reservar agradáveis surpresas num futuro tão próximo.

Agora sim, Isabella finalmente seguia seu caminho, conquistando o que estava escrito há muito tempo em seu destino... a felicidade...e quem sabe o amor...

Notas finais
Bjs com carinho e durmam com os anjos...

Isa S. Cullen