Notas iniciais
Gente eu espero que vocês gostem ! A partir do próximo capítulo vou separar melhor as histórias e indica-las no título dessa maneira :Liss cap -...Ethan cap -...Violet cap -...

A cabeça dela latejava como nunca latejou antes. Mas não era só sua cabeça que doía. Seu coração parecia se partir a cada passo que dava pra longe dele.

O olhar dele, fixo no corpo da garota morena que habitava seus sonhos que ia pra cada vez mais longe de si, se desviou dela enfim por puro orgulho. Se ela não olharia pra trás, ele também não iria ficar lamentando. Era difícil demais pra ele agüentar ela com todas aquelas crises e carências. Era um só, pensou. Nem todo amor do mundo aguentaria Anelisse Summers.

Ela, por outro lado, não aguentava mais a insensibilidade dele. O ciúme excessivo. Ele tinha que entender que ela era livre pra falar e se relacionar com quem ela quisesse. Afinal ele confiava ou não nela ?!

Suspirou devagar, com a pergunta. Compreendia até que podia não ser falta de confiança, mas era algo doentio. Por mais que tentasse, não conseguia entender porque todo aquele teatro que Hugo Smith adorava.

Após muito caminhar e muito se arrepender, chegou em sua casa grande e solitária. Não tinha ninguém além dela. Seus pais haviam morrido e seus irmãos, Renée e James, já eram grandes e tinham suas vidas pra cuidar.

Ninguém tinha tempo pra ela. E ela também não precisava do tempo de ninguém. Pelo menos achava disso.

Por isso ela havia herdado a casa e ficara com ela como lembrança de seus pais. Afinal podia tê-la vendido e comprado uma dessas kitnets no centro. Mas era tão bom morar naquele bairro e ainda ser vizinha de pessoas amáveis. E também de Dominique Lopéz. O vizinho mais gato que alguém pode ter. E detalhe, a janela do quarto dele era a janela do quarto dela.

Depois de tomar uma ducha caprichada e chorar mais um pouco, Anelisse foi para a cama e dormiu um sono conturbado. Mal sabia que devia ter descansado muito pro dia que se seguiria...

O dia amanheceu morno e nublado. Anelisse se prepara para escola sem muito animo e prende os fios marrons picotados e ralos em um rabo solto.

Ajeitou sua blusa branca de botões e amarrou o blusão azul da GAP na cintura.

Com os fones no ouvido, saiu de casa, já bufando. Quando chegou na escola, após uma caminhada generosa de 15 minutos, foi direto pra sua sala com o intuito de pegar a última carteira do canto, seu lugar habitual.

Mas quando chegou, deu de cara com uma das patricinhas odiosas de sua turma sentada em sua carteira.

– Bobeou, dançou – cantarolou de maneira nauseante. Stella Jackson nunca foi uma pessoa educada.

Anelisse apenas revirou os olhos e buscou outro lugar. E encontrou apenas duas carteiras vaga. Na fileira dupla do meio. O lugar ao seu lado estava vago também, o que a fez imaginar que o professor iria provavelmente colocar uma das pessoas do fundão ao seu lado pra terminar com a zueira.

Mas não aconteceu isso.

Quando o professor entrou em classe, trouxe consigo um rapaz alto e ruivo, de olhos azul cinzentos.

Anelisse não tirou os olhos do garoto, e jurou que por um instante seus olhares haviam cruzado.

– Bom dia, turma. Antes de começarmos a aula, eu gostaria de apresentar o nosso novo aluno, Luccas Robinson . Dêem as boas vindas a ele, pessoal !

Todos se entreolham e comentam alguma coisa sobre o aspecto belo do garoto, que logo percebe que se tornou o centro das atenções. Mas mesmo tendo todas as opções da turma, Luccas manteve os olhos em Anelisse, com um interesse incrível.

– Sente- se ali, Luccas , pra começarmos a aula ! – O professor indicou a cadeira ao lado de Anelisse.

Os olhos das patricinhas caiu sobre ela repletos de ódio. Pensavam que ela ia encher a cabeça do garoto com injustiças ( ou seja, verdades ) sobre elas. Típico da garota virgem e solitária.

Os boatos sobre Anelisse também não eram os melhores. Mas nenhum deles era verdade. E ela viu no garoto uma possibilidade de amizade. Afinal ele não ficaria sabendo de nada daquilo primeiro. E depois que soubesse, já a conheceria pra saber que era mentira.

Luccas sentou ao lado dela e ao contrário da menina, já pensava em coisas sujas. Olhava de cima a baixo o corpo repleto de curvas da menina, e já pensava que ela seria sua.

O professor iniciou a aula e Luccas sequer esperou pra iniciar seu plano de ataque.

Virou se para a garota e com um sorriso de canto perguntou :

– Qual é o seu nome ?

Ela o olhou assustada e ele sentiu um calafrio ao ser encarado por aqueles olhos tão intensos e verdes.

– Anelisse... mas pode me chamar de Liss.

– Pode me chamar de Luke então. – ele sorri e ela cora um pouco, já que é demasiadamente branca.

A aula termina após conversas curtas entre os dois. Liss sequer prestou atenção na aula, pois ou estava olhando para Luke ou estava pensando nele. E não havia mais lugar pra Hugo e seus problemas quando ela estava com Luke. Ele era incrivelmente encantador, do tipo que sabe com fazer que as pessoas o amem de primeira.

Mas ela via em seus olhos que não era nem um pouco santo, o que a assustava. Por mais independente que a garota fosse, ela era inocente. Não se via beijando um e indo pra outro. Só tivera dois namorados até então. E ainda era virgem, sendo uma exceção na sua sala.

No final da aula, Liss sentiu uma tristeza imensa ao saber que teria que se separar dele. Mas ele foi mais rápido e propôs levar ela em casa.

No caminho eles conversavam e conversavam. Quando eles chegam em frente a casa dela, ele para.

– Do que você mais gosta ? – ele perguntou após rir de uma das piadas de Liss.

– Ah... de ler, de comer, de não estar sozinha... de muitas coisas. E você ? Do que gosta ?

– De você.

E antes que ela pudesse dizer um : que ?! ou algo do tipo, ele empurra ela contra o murinho creme de sua casa e encosta seus lábios quentes e macios nos lábios gelados e carentes dela.

Ela se assustou com a reação inusitada, mas logo se entregou totalmente a aquela sensação. Era como se ela estivesse completa novamente... não só completa. Estava mais que 100%.

Ele entrelaçou os dedos nos dela. Mike sentia um sabor tão diferente nos lábios dela. Era como um enigma a ser decifrado.

Sem aprofundar o beijo, ele solta os lábios dela, e enquanto se afasta vai levando consigo o lábio inferior dela, até que o solta com um sorriso maroto. E sem soltar os dedos dela.

É quando um barulho os assusta. O barulho do portão do vizinho se abrindo. Dominique saiu da casa e deu de cara com os dois que soltaram quase de imediato os dedos.

Dominique não ficava muito atrás da beleza de Luccas. Mas era mais franzino e tinha mais porte de pessoa normal com cabelos castanhos, pele morena e olhos mel brilhantes. Sua pele era dourada e isso mostrava sua descendência espanhola.

– Luke ?! Você por aqui cara ! – Luke foi em direção a Dominique e o abraçou.

– Eu me esqueci completamente que você morava aqui, Don !

Liss se encolheu e quando ia escapar pra sua casa, Don chamou sua atenção.

– Não vai falar comigo Liss ?!

Ela se virou e abraçou Don como sempre, um pouco envergonhada. Ela estava balançada demais pra ficar ali.

Afinal ela e Don sempre nutriram uma amor mútuo, tímido e escondido por baixo de uma amizade fiel.

E depois de abraça-lo correu para cassa.

– O que será que deu nela ? – Don indagou, confuso com a reação dela.

– E eu sei... Pra onde você ta indo ? Eu vou contigo !

– Okay.

– Mas fala cara qual o seu relacionamento com ela ?

– N- nós só somos amigos... – Don ficou encabulado com a pergunta.

– Sei...

– E qual é o seu interesse nela ?!

– Bom... com certeza é mais que amizade...

Dominique parou com uma expressão de ultraje.

– O que você quer dizer com isso ? – ele exclama um tanto alto.

– Calma cara... não to acreditando... você gosta dela ?!

Dominique corou um pouco e baixou os olhos. Em seguida, deu a volta e começou a caminhar na outra direção.

– O que foi cara ? – Luke estava definitivamente confuso.

– Que vença o melhor... – disse e se afastou a passos largos do ex melhor amigo.

*-*

Ethan corou. Aquele selinho havia sido o melhor de toda a sua vida. Afastou Peter pelos ombros e se afastou rapidamente. Ele não podia imaginar que seu melhor amigo era gay. Não podia acreditar que o garoto que cresceu com ele acabara de beijá-lo. E acreditava menos ainda no fato de ele ter gostado.

Ethan jamais questionará sua sexualidade. Sempre fora atraído pelo corpo feminino. Era conhecido como o Don Juan do colégio onde os dois estudavam. O Cassanova do bairro que vivia.

E lá estava ele tendo esperiências homossexuais em seu próprio quarto.

– E-eu... – Peter abaixou os olhos e deixou alguns fios brancos caírem sobre os olhos. Ele era tão claro que poderia ser considerado albino, com aquela pele branca feito neve e aquele cabelo prata. Mas não era. E isso qualquer um chegava a conclusão ao olhar para os olhos azul Royal dele. Ele suspirou sem ter o que dizer. – Olha, não posso mais me controlar.

Ethan parou de andar em círculos e olhou para ele. Os olhos dele, encarando as mãos sobre o colo, começaram a lacrimejar.

– Eu g-gosto de você... n-não só como amigo. – ele balbuciou e enxugou os olhos na manga da blusa. Seu rosto de um segundo pra outro já estava lavado de lágrimas.

Ethan ficou super deprimido. Não podia vê-lo daquele jeito. Realmente não podia.

E foi então que partiu em direção a ele e sentou- se em sua frente novamente na cama. Levou a mão ao queixo molhado de Peter e levantou seu rosto pra que ele pudesse encarar os olhos azuis e os cabelos negros bem aparados dele . E para que Peter também pousasse os olhos na boca de Ethan. Tão macia, quente.

E Ethan inevitavelmente fez o mesmo. Prendeu os olhos nos lábios finos e rosados de Peter. Ele por um minuto sentiu... será mesmo... desejo por aqueles lábios.

E sem pensar uniu os lábios aos do amigo. Aquele beijo era diferente do anterior. Era molhado e embalado de sensações que nem Ethan, nem Peter podia explicar.

E partiu de Ethan a vontade de aprofundar o beijo. Peter, instantaneamente, abriu a boca e passou a língua, curioso. Ele explorava cada canto, cada sabor da boca de Ethan. Não era seu primeiro beijo gay, mas também era único.

Ethan sentia uma sensação diferente. Sentia ‘amor’, o que era uma coisa rara pra se sentir nos beijo que já deu.

E depois de muito explorar e conhecer, eles se separaram e se abraçaram como sempre fizeram. Os dois estavam assustados e não queriam se encarar. O que um pensaria do outro ?!

Por fim, Ethan se adiantou e separou Peter pelos ombros. Observou sua expressão deprimida e ao mesmo tempo esperançosa e lhe depositou um último selinho nos lábios.

– E-eu estou confuso – por fim Peter falou – Eu vou embora... Preciso de um tempo... sozinho.

Ethan tentou negar, mas também estava confuso. Tinha de pensar. E como o amigo, tinha de estar sozinho.

E sentado na cama, viu Peter levantar e ir embora de seu quarto. Levantou logo que ele saiu e trancou a porta do quarto.

O que eu fiz ?, pensou ele. Na verdade os dois pensaram. O que fariam a partir de agora ?

Nenhum dos dois sabia. Só sabiam que nada seria igual como antes. Muito menos a amizade que antes unia os dois.

Afinal outro laço os unia agora. Um muito mais forte... talvez amor ?!

*-*

Irina estremeceu. Ainda bem que estavam num lugar público.

– Eu te amo, Nah – Violet repetiu. – E-eu... quero você.

Irina não sabia o que dizer. Nunca imaginaria que Violet nutriria algo por ela além de amor fraternal.

Ela se levantou da cadeira e tentou beijá-la. Em vão. Irina ficou realmente aborrecida e puxou a cadeira com força pra trás, fazendo barulho e chamando atenção de alguns curiosos na praça de alimentação lotada .

– Eu estou te avisando Violet. Eu não sou sapata como pelo visto você é...

E dizendo isso ela se levantou e foi embora, tremendo de tanta raiva.

Violet permaneceu lá. Solitária e chorosa.

Seu coração se partira. Ela realmente ama Irina Lovewood. Levantou se então da cadeira com lágrimas nos olhos e foi embora daquele shopping. Sentia se péssima. E ainda temia que Irina contasse a alguém sua nova orientação sexual.

Não sabia mais o que esperar dela.

Caminhou pelas ruas de em direção a sua casa quando viu uma garota baixa se aproximar dela. Seus cabelos loiros batiam no queixo e seus olhos mel brilhavam.

– Está sozinha ruiva ? – ela perguntou marota.

– Por pouco tempo – Violet disse, tentando parecer firme, mas nem chegou perto.

A loira sorriu percebendo a falsa força dela.

– Meu nome é Lara. Lara Jonas.

– Prazer, Violet. Violet O’ Connel. Você mora por aqui ?

– Se você é filha da Olívia, sou sua vizinha.

– Sim, ela é minha mãe.

Ela sorriu e olhou pros lados antes de se aproximar e beijar os lábios dela.

– Sim, eu gosto. Quer sair um dia ? – perguntou em tom normal.

Violet sequer podia imaginar que ela era real.

– P-pode ser.

Lara riu e foi embora, deixando Violet em frente a sua casa. Mas desta vez ela não estava vazia.

Estava repleta pela determinação de esquecer Irina Lovewood.

Notas finais
Comentem e acompanhem a fic. Eu prometo que vou melhora-la