Once in the eternity
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Jack olhou preocupado para Elsa, e notou que a parede onde ela estava encostada estava toda congelada, e que neve começava a cair sobre a mesma.
– Elsa, tudo bem? – Jack, ainda preocupado, perguntava à mesma, que apenas assentiu positivamente com a cabeça, ainda com seu coração em um ritmo descompassado.
– Um cavalo do Pitch? O que um cavalo do Pitch fazia aqui? – Tooth dizia, desesperada, tentando entender o que havia se passado ali.
– Não é óbvio? Ele foi chamado aqui por ela. – Bunny apontava para Elsa com seu bumerangue na mão. – Ela estava tentando fugir e chamou o cavalo aqui. – completou.
– Bunny, não podemos tirar conclusões sem provas. – North tentava argumentar com o coelho furioso.
– O quê? Só vocês não notaram o quão estranha é essa garota? Ela é aliada do Pitch e isso é tão óbvio que chega a ser ridículo. – Bunny se enfurecia mais com a descrença de seus amigos.
Sandman fez um sinal com a mão para que ele se acalmasse, mas isso só o deixava ainda mais bravo.
– Como esse cavalo veio parar aqui? Como ele entrou aqui? E por que ele estava indo na sua direção e você não fez nada para impedi-lo de chegar até você? – Bunny cuspia as palavras de forma ríspida e praticamente gritava com a garota loira, que apenas tentava pôr as idéias em ordem, sua cabeça estava confusa e não a permitia responder todas aquelas perguntas de uma vez. – Está vendo? Ela nem sequer responde! Está claro o que está acontecendo aqui.
– Já chega! – Jack bateu o cajado no chão – Parem, parem todos vocês com isso! — Jack ficou irritado com toda aquela discussão idiota, odiava como Bunny era imprudente com as palavras. – Não deveríamos proteger as crianças e levar esperança para as pessoas? Por que então estávamos apenas discutindo e acusando uns aos outros?
– Porque, Jack... Porque ela é nossa inimiga! – Bunny insiste, encarando Jack de frente.
O clima estava ficando tenso. Sand deu um sinal a North para que esse intervisse na contenda.
– Então, Elsa? O que aconteceu aqui? Pode nos contar? – disse North, esperando que aquilo fosse dispersar os nervos dos garotos.
– E-eu estava lendo, então ele começou a bater na janela de repente, eu apenas... Apenas vim para cá temendo que ele quebrasse a janela, e... Eu não sei... Digam-me o que está acontecendo aqui.
– Quer dizer que você nunca tinha visto um dos pesadelos de Pitch? – Tooth questionava e Elsa assentiu.
– Talvez ele estivesse atrás dela, não para ajuda-la, mas para fazer mal a ela. – Jack disse, por fim, e Sand concordou com Frost. Pela primeira vez alguém estava do lado do guardião mais novo.
North passou a mão por sua barba e ficou pensativo, e claro que a idéia de que Elsa fosse apenas uma vítima de Pitch já havia lhe passado à mente, mas não tinha como descartar a idéia de que ela poderia ser inimiga, já que tudo conspirava contra a jovem. Estava tudo indo de mal a pior, e agora um ataque inesperado de Pitch? Não havia mais escolhas, eles deviam fazer o que já devia ter sido feito desde o começo.
– Okay, então não nos resta muitas escolhas. – todos olharam para North. – Vamos ter de visitar o Man of the Books (Homem dos Livros), e pedir para que ele nos diga se a garota diz ou não a verdade.
– Man of the Books? – Jack fazia uma careta querendo entender de quem ele falava.
– o MoB (Man of the Books) é um velho amigo nosso, Jack, ele tem o conhecimento sobre a verdade, através de seus livros. – Tooth explicava ao amigo. – Ele pode nos dizer a verdade sobre tudo.
Jack estava esperançoso. Talvez com a visita a esse tal de MoB, eles iriam ver que Elsa não era uma ameaça, e sim uma garota especial. Ao menos, era o que ele desejava.
❄❆❄
Um pequeno cavalo chegava em disparada em direção a seu dono, e passava em volta de seu pescoço. O cavalo era negro e tinha olhos dourados, um pesadelo criado por Pitch.
– E então? Tudo aconteceu como esperado? – um homem de vestes negras, e cabelos negros arrepiados para trás, olhos dourados e dentes afiados, perguntava ao pequeno cavalo em sua mão enquanto o encarava, sorrindo. O cavalo bufou e assentiu, deixando seu dono extremamente feliz. – Excelente! Bom trabalho, garota. – passou a mão sobre a crina do cavalo, sorrindo malignamente, até notar uma luz adentrando o lugar. Virou-se para ver quem havia entrado em seu esconderijo e se deparou com um homem. Ele desceu de uma espécie de borboleta gigante, que tinha um grande emblema dourado com um “M” na frente. O homem era baixo, um tanto cheinho e tinha apenas um longo fio de cabelo na cabeça, fio este que possuía uma forma de interrogação, trajava um terno bege e uma gravata borboleta vermelha. Ele tinha uma expressão séria, e parecia estar ali em busca de respostas.
– Meu velho amigo! Como você está? Eu fiz um chá, espero que esteja a seu gosto. – disse Pitch, transformando o animal em areia negra, e logo oferecendo uma cadeira para o seu convidado.
O pequeno homem nada disse. Ainda com uma expressão séria, deu um toque na lateral da borboleta, que saiu pela mesma porta que eles haviam entrado, e se manteve esperando do lado de fora. O pequeno homem sentou-se na cadeira que lhe foi oferecida, em frente a uma pequena mesa que continha duas xícaras, uma para cada um deles, um pequeno bule de chá e um tabuleiro de xadrez com todas as peças já devidamente alinhadas sobre o mesmo.
Pitch, ainda sorrindo, sentou-se na cadeira à frente de seu convidado e serviu chá para ambos, provando logo um pouco do seu.
– Sempre gostei de chá preto com óleo de bergamota e umas gotas de leite. – disse, mexendo a xícara e deixando com que o leite se misturasse com o chá, olhando-o.
O homem à sua frente ainda continuava apenas observando, sua única ação foi provar um pouco do chá que seu anfitrião havia feito.
– Não há como você me vencer agora... Eu já fiz meu movimento primeiro. – pegou uma peça do tabuleiro e a mexeu para frente. – Seus guardiões serão mesmo páreos contra mim agora? O que você vai fazer?
O homem pôs a xícara sobre a mesa, pegou uma das peças e moveu para frente, assim como Pitch havia feito, e depois o olhou. Pitch gargalhou, feliz com a resposta recebida.
– Vai fazer seu movimento também? Interessante da sua parte... E quanto à ele? – o homem arqueou uma sobrancelha, duvidoso. – Eu falo... Daquele garoto.
O pequeno homem cruzou os braços frente ao peito, esperando uma explicação às provocações do outro. Pitch sorri, e continua. – Por que aquele garoto? Por que não o deixou morrer?
O outro que era questionado se limitou a olhar o chá, e colocou mais uma colher de açúcar nele, e ficou mexendo-o enquanto olhava para o nada, e com a mão livre ele estalou os dedos; uma luz adentrou o lugar pela porta e foi até a parede onde começou a se formar uma imagem, uma espécie de holograma, onde começou a passar imagens seguidas de um garoto familiar.
– Jack, eu estou com medo... Jack, Jack... – todas, todas elas eram lembranças sobre Jack Frost em seus dias de humano. Pitch ficou fascinado olhando tudo aquilo. Com os olhos arregalados, um sorriso começou a se formar em seu rosto.
– Então foi isso... Uma vida... Ele não teve uma vida. – Pitch sorria largamente. – Foi por isso? Porque o alegre e bobo Jackson Overland Frost não teve muito tempo no mundo humano? Porque ele possuía um coração puro e se sacrificou pela irmã e morreu jovem? – Pitch levanta da mesa e começa a gargalhar alto, e o outro apenas o olhava, enquanto bebia mais chá. Ele ria, com elação, da conclusão tirada. – Desculpe, perdi totalmente a postura. – disse, voltando a se sentar novamente e pegando outra peça de xadrez. – Então, no lugar da pirralha, o Jack morreu... E, no lugar dela, você ganhou Jack. – disse Pitch, empurrando uma peça do convidado, que por sua vez, tirou uma peça de Pitch. – e ambos perdem. – completou.
Pitch empurrou todas as peças do tabuleiro e levantou novamente. O sorriso soberano em seu rosto não poderia ter passado despercebido.
– Você é um homem interessante, amigo... A garota também é um trunfo seu? – de costas, indagava-o, mas ele sabia a resposta daquela pergunta, sabia que tudo aquilo não passava de uma atuação de ambos. Era apenas mais uma peça de teatro que Pitch gostava de fazer. – Estou ansioso para saber de quem você vai abrir mão dessa vez...
O pequeno homem levantou da mesa, fez uma pequena reverência pelo chá, e caminhou até a porta indo em direção à sua borboleta gigante.
– Não vejo a hora de te encontrar novamente, velho amigo... – Pitch disse, por fim, e fez com que o outro parasse e o olhasse de canto, dando um sorriso e subindo em sua borboleta, indo em direção à sua casa, a Lua.
❄❆❄
No trenó, a situação estava um tanto tensa, todos estavam calados. Jack estava ao lado de Elsa, ele fazia a “guarda” dela, já que ela estava apenas algemada e não tinha nenhum corrente prendendo a moça. Elsa dá um longo suspiro que faz Bunny revirar os olhos, emburrado, em um canto do trenó.
North e Tooth estavam na frente, North faz uma careta ao notar claramente como Bunny estava aborrecido com tudo aquilo. Jack olha para Elsa e nota como essa estava aflita com tudo. Ser atacada, trancada e arrastada para todo canto não deve ser fácil, imagina tudo isso para uma simples humana?
– Ah! Olha lá a biblioteca do MoB, vamos encostar. – North foi pairando o trenó e o descendo lentamente até uma rampa. Após o pouso, todos desceram e Jack ajudou Elsa, já que suas mãos estavam presas.
Das sombras, uma figura foi saindo. Era um senhor de barba longa e cabelos compridos; estes eram brancos como os cabelos de Jack, e trajava uma espécie de manto acinzentado que ia até o chão, com uma espécie de echarpe masculina bem antiga, com símbolos e palavras em uma língua estranha, e uns pequenos óculos redondos no rosto. Ele observou todos os guardiões ali parados à sua frente.
– Amigo! – disse North, indo até ele e o abraçando – Quanto tempo que não nos vemos.
– North? Tooth? Quanto tempo não nos vemos... Bunny, Sand. – cumprimentava todos. – Vejo que trouxe pessoas novas com você. – disse, arrumando os óculos.
– Jack, Elsa, este é o Man of the Books.
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