Notas iniciais
Gente, então, eu já estou com esse capítulo pronto há dias. Mas eu não tive tempo de postar porque eu tive que ir sábado e domingo pra escola por causa de um simulado estilo ENEM e eu estava estudando pra ele e bah. Mas já passou. Então pra compartilhar minha alegria, consegui postar o capítulo agora! Boa leitura!

O monstro de neve parecia tentado a esmagar a princesa e a lagartixa gigante. Mas algo, um tipo de força maior, o obrigou a ignorá-los e seguir para a escadaria que levava ao hall do castelo. A ruiva saltou do dragão e atirou flechas nas costas do gigante branco. Sem efeito, ela retirou de sua aljava três flechas e as atirou simultaneamente. Os olhos azuis e grandes da menina focavam no carcereiro de Anna que se afastava sem ligar para os ataques. Bem, isso até que Tooth o atacou com um de seus jatos de raios roxos que acertou bem no meio das costas, atravessando o tórax da criatura. Merida olhou para o Night Fury ao seu lado e ele sorriu, logo voltando-se novamente pra criatura. O buraco que se abriu onde deveria estar o coração do monstro começara a se fechar, enchendo-se de neve.

— Está de brincadeira... — Merida bateu com a mão na testa e retirou o cabelo que caía em frente aos seus olhos.

O dragão rosnou um pouco do monstro se virar e berrar para eles, o que foi como uma rajada de vento fazendo as madeixas e as roupas da princesa balançarem e o ar esfriar sua pele. Sem piscar ou mudar sua expressão por um segundo, a menina determinada puxou mais uma flecha e apontou para o monstro. Ele caminhava em sua direção ameaçadoramente. Mantendo a respiração calma, a jovem puxou bastante ar e fechou seu olho esquerdo para que mirasse com mais precisão. Ao expirar, largou a flecha para que atingisse o olho da criatura que cambaleou para trás. Prontamente, a menina correu até o gigante para tentar retirar Anna e Olaf de suas garras. Não obteve êxito já que o marshmallow monstruoso esbarrou nela com o pé nela. Isso fez com que a garota fosse empurrada para trás com certa veracidade, mas o dragão a segurou. A menina quase perdeu o fôlego ao notar que suas botas haviam se perdido com o impacto e, dentro de uma delas, estava o bracelete. Quase foi esmagada pelo monstro, mas conseguiu rolar para o lado antes que isso acontecesse enquanto Tooth correu para um canto oposto para confundir o inimigo e continuou atacando com raios e rasantes, distraindo a monstruosidade.

— Boa jogada iguana — ironicamente, Merida agradecia Tooth enquanto ela corria para apanhar suas botas que haviam parado num canto do quarto.

Não deu nem tempo de calçá-las pois a criatura enfurecida estava vindo em sua direção novamente. Seu primeiro impulso foi o de pegar sua adaga, mas havia se esquecido que esta estava há muito tempo perdida, cravada no crânio de alguma serpente. O monstro não podia usar os braços pois segurava Anna e Olaf, um em cada mão, logo tentou pisar na menina, que deu um pulo pro lado e depois rolou passando por entre as pernas do boneco. Tooth atirava raios no ser branco, mas todos os ferimentos se recompunham segundos depois. Por um segundo, a criatura parou e começou a mascar algo e então, como uma bola de canhão, esferas de neve saíram da boca dela tentando atingir a ruiva e o dragão.

— Perfeito — Anna batia na mão do boneco gigante que a envolvia. — Agora você também é um canhão.

— Deve ter tido a ideia vendo o dragão o atacando! — Descalça, ela respondeu à princesa.

Prendeu o cano mole das botas em sua aljava e puxou duas flechas, segurando uma em cada mão. Usando-as como gancho, ela planejava subir o monstro e arrumar um jeito de tirar Anna e Olaf dali. Sim, era estúpido, mas no momento era a única opção que ela via. Ela correu até a criatura, desviando de seus ataques com tiros de neve, enquanto o Night Fury atingia-o em toda chance. Chegando à perna do marshmallow gigante, ela cravou uma flecha e em seguida apoiou os pés na superfície, cravando a outra flecha mais acima e assim esccalando a criatura. Teria dado certo, se o monstro não a atingisse com o punho e ela caísse com a cabeça no chão.

— Merida! — Tonta, a ruiva ouviu Anna a chamando. Sua audição estava atordoada e parecia que a irmã de Elsa estava a metros de distância. Sentiu uma dor na cabeça e algo quente escorrendo por sua cabeça. Sabia que estava sangrando e que ainda não tinha forças pra se levantar e fazer algo. Com a visão embaçada, ela viu que o monstro pairava sobre ela, com Anna e Olaf ainda prisioneiros de suas garras e pareciam gritar por ela enquanto o gigante se preparava para esmagar a cabeça da princesa.

“Então é isso... ” a princesa de DunBroch já estava conformada com a situação. Nunca sairia de Arendelle para sentir o abraço dos pais de novo, ou brincar com seus irmãos. Nunca visitaria Hiccup em Berk para ajudá-lo com os problemas da Astrid. Ah, claro, nunca se daria bem com a viking, muito menos teria chance de se desculpar com Anna e os outros pela traição. Jamais se apaixonaria ou teria filhos, muito menos torna-se-ia Rainha. Nunca iria descobrir o quê os olhares de Hiccup significavam, e o que provocavam nela, ou escutaria as histórias de Jack Frost para recontá-las aos seus irmãos mais novos. Acabaria ali, moída por uma criatura esquisita, mas mesmo assim, estava conformada.

— Espero que meus ossos grudem no seu pé — fechando os olhos, deixando uma solitária lágrima escorrer, a princesa murmurou.

— Pare! — Elsa saíra de algum lugar, talvez da abertura que criara para se esconder, e se pôs entre o monstro e Merida. — Esse não é seu dever, lacaio.

A expressão séria e ameaçadora da Rainha paralisou o gigante e fez com que Anna perdesse a voz. Merida escutou ao longe a voz da loira e seu tom rígido e observou a cena ainda deitada e percebeu que Tooth já corria ao seu amparo.

— Faça o que foi criado para fazer, — Elsa pôs as mãos na cintura, irredutível — e leve-os até a saída.

O boneco abaixou a perna, relutante. A ordem de Elsa era como uma corrente para ele. Virou-se para a escadaria e mesmo com os protestos de Anna, desceu para o andar abaixo. Elsa se virou para a princesa e finalmente se permitiu desenfurecer. Ajoelhou ao lado da ruiva e colocou uma mão por debaixo do pescoço, levantando-a com calma. Aa garotas estavam mais pálidas do que normalmente eram: uma por medo e outra pela perda de sangue. Uma poça vermelha mostrou-se no chão quando a loira levantou a cabeça da arqueira. O dragão chegou mais perto e Elsa teria levado um susto se não estivesse tão preocupada com a ferida.

— Me desculpe… — Lágrimas começaram a se formar nos olhos da loira que apoiava a cabeça da princesa em um de seus braços e segurava a mão da mesma com a outra. — Eu… Não queria isso. Sinto muito…

— Tudo… Bem — aos poucos, a força ia voltando à si, mas o sangramento continuava a enfraquecê-la. — Elsa… O brac-

— Não fale muito — a irmã mais velha de Anna soltou a mão da ruiva e secou suas lágrimas, soltado um sorriso encorajador. — Você precisa ir, ele pode te levar até os outros para ele fazerem um curativo no seu ferimento.

O dragão ronronou em aprovação, já deitando-se para que Merida pudesse deixar sobre ele e que saíssem voando dali. A rainha levantou um pouco mais o dorso de Merida e o Night Fury consegiu se posicionar de modo que a garota ficaria deitada em suas costas em segurança. Elsa deitou a menina e passou a mão em seu rosto, retirando o cabelo ruivo que teimava em cair sobre sua face. Por um breve momento, antes que Toothless saísse voando com muita dificuldade pela varanda, as duas sentiram uma conexão estranha. Era como se tivessem lido uma a alma da outra. Juntando as mãos e entrelaçando os dedos, a loira avistou o dragão se afastar e a ruiva fechara os olhos, desacordando em pleno voo. O Night Fury não voava muito bem sem a presença de Hiccup por conta da falta de uma de suas escamas, mas o animal sabia que devia levar a garota até o grupo ou o pior aconteceria. Com toda a sua força de vontade, ele consegiu estabilizar o voo a maior parte do tempo, mas se não achassem logo os outros, ambos cairíam no meio do desconhecido vale enevado.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Chegando à porta do castelo, carregada pela monstro, Anna avistou seus amigos na outra extremidade da escadaria observando-a com tensão. Primeiro, a criatura a arremeçou com tanta força que ela sobrevoou a escada, caindo de cara na neve e sendo amparada por Kristoff e Hiccup. Em seguida, Olaf foi lançado em pedaços. O tronco primeiro, seguido pelo traseiro com as pernas e por fim a cabeça. Todas as peças ficaram presas num monte de neve separadas, não que o bonequinho se importasse. A princesa de Arendelle, enfurecida pela deselegância do monstro, juntou neve do solo e fez uma pequena bola para atacar.

— Não é nada legal arremessar pessoas… — Ela teria jogado a bola de neve se Flynn não a parasse.

— Esquece isso — tentava convencer a garota a deixar o ataque de lado e saírem dali o mais rápido possivel.

— Tem razão — Rapunzel punha a mão no ombro da prima. — Não vale a pena irritar aquilo…

— Tem razão, tem razão — Fingidamente, a princesa se tranquilizou para que todos se afastassem dela, e então jogou a bola no monstro.

A pequena esfera branca o atingiu, nem mesmo o movendo, destruindo-se ao tocar no monstro. Por um segundo, nada ocorreu. Até que a criatura berrou de ódio. Espinhos de gelo cresceram em seu corpo, pelas costas como se fosse um porco espinho, em suas articulações, em seus dedos e até mesmo na boca criando dentes ferozes.

— Parabéns princesa, — o loiro se pronunciou — irritou ele.

Ao passo em que o monstro descia as escadas para pegar seus inimigos, Olaf falou para que todos corressem enquanto ele tomava conta do grandão. Não que eles tivessem ouvido o boneco, mas correram mesmo assim. O domador de dragões, no entando, ficou parado enquanto o ser se aproximava. Flynn olhou para trás e viu o companheiro paralisado e voltou para ajudá-lo.

— O quê está fazendo? — Questionou, atônito.

— Merida ainda está lá!

— Primeiro, — Flynn pegou no braço do rapaz, o puxando para corrida — você se salva. Se não, não conseguirá ajudá-la.

Os dois saíram em disparada para se juntar aos outros que já estavam um pouco à frente. Eles desciam por uma rampa de neve, como se fosse um escorrega. Kristoff se jogou primeiro, sendo seguido por Rapunzel e Anna que caíram desastrosamente, rorando todo o trajeto até chegar a base do escorrega. Anna derrubou Kristoff, que já havia se levantado. Flynn e Hiccup pularam juntos, sendo praticamente seguidos no encalço pelo monstro. Ao chegar ao fim da rampa, já engataram novamente na corrida desta vez juntos ao grupo. Começavam a entrar na zona com árvores entortadas pela neve. Rapunzel se lembrou do começo da viagem e de como aquelas árvores paeciam catapultas.

— Anna, por aqui! — Chamou a prima de encontro a uma arvore torta que tocava o chão, fazendo um arco.

— O quê vamos fazer? — Anna seguiu a prima,chutando a extremidade da árvore, fazendo com que a neve que a pesava caísse e o tronco voltasse à posição original, atingindo em cheio o monstro que caiu para trás.

— Brincar de estilingue! — Puxando a irmã de Elsa pela mão, elas voltaram a se juntar ao grupo e todos comemoraram a derrubada da criatura e esgueiraram pelo amontoado de árvores cobertas de neve e nem podiam mais avistar o monstro. Por fim, chegaram a um penhasco no qual Flynn e Anna quase caíram, se não fosse Kristoff e Hiccup os segurando.

— E agora? — Rapunzel inclinou a cabeça para ver o fim do penhasco, sem obter êxito.

— Isso tem uns sessenta metros de altura… — O viking os informou, retirando a franja que caía-lhe sobre os olhos verdes.

Kristoff começou a cavar uma circunferência na neve com o machadinho e pegou a corda, fazendo um laço e enfiando-o na circunferência que acabara de fazer.

— Devem ter uns cinco metros de neve fofa lá embaixo… — Se levantou, encarando o grupo que estava des costas para o penhassco. — Vai ser como cair num travesseiro, eu espero.

— O quê? — O marido de Rapunzel deu um passo a frente. — Você espera que a gente pule?

— Não, espero que tenham braços fortes, porque vão ter que segurar na corda.

Rapunzel não questionou. Assim que ouviu o plano do cortador de gelo, ela se segurou na corda, seguida por Hiccup. Flynn tentou argumentar, mas sua esposa o lançou um olhar de reprovação o quê o fez calar-se e segurar na corda, logo à frente de Hiccup. O dono de Sven amarrou uma parte da corda à cintura de Anna, o quê fez todos se surpreenderem.

— Por que você só me amarrou? — A jovem o repreendeu.

— Não consegue se segurar na corda, é melhor nos previnirmos.

Rapunzel era a mais próxima do penhasco, seguida por Hiccup e Flynn. Anna e Kristoff estavam mais distantes, logo, ela seria a primeira a pular e o faria assim que sentisse a aproximação do mosntro. Àrvores se mexiam ao norte, não muito longe. Algo se aproximava pesadamente e a tensão crescia no estômago da morena.

— Não pulem até o três… — Kristoff recomendou, e então um pinheiro foi lançado da floresta, caindo bem em frente ao grupo.

Rapunzel se assustou ao ponto de saltar do penhasco, segurando-se somente à uma corda. Consequentemente, os outros foram puxados, ficando pendurados pela corda. Kristoff fez sinal para que todos ficassem em silêncio, e desde Anna até Rapunzel ele foi entendido. Escutaram, então, uma movimentação na beira do penhasco. Claramente, a voz de Olaf se fazia notável e a princesa de Arendelle se conteu para não o responder. A tensão se mantinha ao passo em que o cortador de gelo os descia pela corda como se fosse um polia: ia largando a corda por um braço aos poucos e eles iam descendo. Era óbvio que aquilo não daria certo por muito tempo, mas era melhor não pensar naquilo. Foi então que eles escutaram outra aproximação e tudo tremeu. O bonequinho de neve caiu da beira, passando por eles. Anna e Flynn gritaram pelo amigo que os disse para aguentarem firme. Claro, o marshmallow que os perseguia ouviu os gritos e seguiu até a corda, puxando-a até que todos ficassem de frente com ele. Nessa brincadeira, Kristoff bateu com a cabeça no corpo da montanha e apagou. Seu chapéu de cortador se fora e Anna ficara apavorada por ser a mais próxima da criatura. Ao serem erguidos pelo monstro, todos se calaram e focaram nele. Rider estava agarrado na corda com braços e pernas, assustado. Rapunzel como já era acostumada, segurava-se somente com as mãos, enquanto Hiccup estava enrolado de cabeça pra baixo.

— Não voltem mais! — Com um hálito frio e cuspindo neve, o gigante berrou.

— Está bem — A prima de Rapunzel num movimento súbito apanhou a machadinha no cinto do loiro à sua frente e cortou a corda.

Todos despencaram pelo penhasco enquanto o monstro se virava e voltava ao palácio de gelo. Aos gritos por sete segundos inteiros que mais pareceram uma eternidade, todos pensaram que aquele seria o fim. Aos poucos, o solo se aproximava e não parecia nada afofado, na verdade, mais parecia um chão de mármore à travesseiros. “Estou mesmo passando por isso de novo?” a mulher de Rider se perguntava. Com o com de um farfalhar de folhas, algo branco surgiu entre eles e o chão, tão brilhante que eles fecharam os olhos. Após o impacto, abriram os olhos e se viram cercados e afundados até a cintura em uma grossa e alva camada de neve.

— O que… — Rider estava com a língua travada pelo extase de estar vivo.

— Neve? — A voz abafada de Hiccup se fez ouvir e quando todos olharam para ele perceberam que estava enterrado desde sua cabeça até a cintura de cabeça pra baixo.

— Mas isso não estava aqui antes… — Rapunzel argumentava enquanto se esquivava das pernas desgovernadas do domador de dragão.

— De nada — uma conhecida voz soou pelo desfiladeiro. Grave e serena, chamou a atenção de todos para o espírito adolescente que se materializava à frente de todos em meio à uma névoa pálida. — Achei que precisariam disso para, você sabe, impedir a morte certa.

— Pensei que tivesse sumido — Rapunzel parecia envergonhada.

— É, — Jack caminhou até o viking e, esquivando dos chutes, segurou em sua perna esquerda e o puxou para fora da neve — fantasmas tendem a fazer isso. Principalmente os traíras…

— Desculpe por isso, okay? — A esposa de Flynn, culpada, reconheceu a irnonia na última frase de Frost. — Eu estava de cabeça quente, não pretendia…

— Está tudo bem Punzie, — fechando a cara como quem se perde em lembranças dolorosas, ele sorriu disfarçadamente equanto dava a mão ao príncipe de Corona e o retirava da neve — já passou. E além do mais, não guardo ressentimento.

Flynn caminhou até sua esposa e passou seus braços por debaixo dos dela, puxando-a para cima e desenterrando-a. Eles se entreolharam e abraçaram-se. Jack caminhou até Hiccup que ainda estava sentado, cabisbaixo, sobre a neve. Com o rodar da mão que não segurava o cajado a neve que fazia os cabelos do moreno ficarem para cima foi dissolvida e o viking olhou para cima agradecendo ao albino que se sentou ao lado dele. Sem trocar nenhuma palavra, o fantasma entendeu o quê preocupava o menino ao perceber a falta de Merida no grupo e bateu no ombro do domador de dragões, reconfortando-o. Olaf — ou pelo menos a parte de cima dele — exclamava algo sobre não sentir as pernas e batia nos pés de Kristoff.

— Essas são as minhas pernas — aos poucos, o loiro recobrava os sentidos após o desmaio e sentava-se.

— Ah sim — o ingênuo boneco percebia o erro ao observar seu traseiro ambulante passando por ali. — Pode pegar meu bumbunzinho por favor?

Atendendo ao pedido do pequeno, Kristoff apanhou a parte andarilha do boneco e reencaixou Olaf por completo e este soltou um suspiro de alívio. O cortador de gelo olhou ao redor à procura de Sven e quase entrou em pânico, mas logo percebeu que o amigo animal se aproximava sorrateiramente de Olaf para tentar rouba-lhe o nariz de cenoura. O boneco também percebeu a aproximação e deu um pulo, partindo para abraçar a rena que lambia os beiços.

— Ele achou a gente! — O bonequinho branco sorria radiante e acariciava o rosto de Sven, falando como quem conversa com um bebê. — Mais que fofinho você!

— Pare com isso… — Kristoff estava incomodado com o jeito com o qual Olaf tratava seu irmão-rena, mas não podia impedir. Levantou-se e foi até Anna instintivamente. — Não fale assim com ele.

— Fofo como um travesseiro… — Anna sussurava enquanto a equipe se juntava ao redor dela.

Todos abriram caminho para que o cortador de gelo passasse e como se fosse planejado, ele rapidamente a puxou para fora da neve enquanto todos os observavam. Os dois se entreolharam e tudo se aquietou. Por um momento, só existiam os dois naquele reino. Kristoff ficou hipnotizado pelos olhos azuis da garota que pareciam despertar-lhe as melhores lembranças e os mais belos sonhos futuros, fazendo-o sorrir. E ela? Bem, basicamente ela não conseguia evitar em sorrir para ele pois os olhos cor de mel dele a deixavam muito confortável mas também a incomodavam pois parecia deixá-la sem defesas. Ele a deixava tão bem que ela se sentia como uma criança brincando feliz só que numa ilha bem vazia.

— Você está bem? — O loiro conseguiu dizer, apesar de continuar enxergando somente Anna e não entender realmente o porquê.

— Claro… — Conseguiu responder ainda perdida nos olhos do rapaz. Será que estava fazendo uma careta? Ou que estava muito próxima dele? Como um lampejo de consciência, Hans surgiu em sua mente e ela se viu obrigada a cortar aquela conexão inoportuna. Devia estar parecendo uma boba e ele só sorria para não ridicularizá-la. Decidiu puxar algum assunto, já que notou que todos os olhavam com atenção, então colocou a mão na cabeça do rapaz, onde este havia se machucado. — Como está sua cabeça?

— Ai — ele recuou, sentiu como se o toque dela o desse um choque e enfiasse uma agulha no seu machucado, mas logo percebeu seu ato um tanto rude e sorriu tentando esconder a expressão de dor e mexendo os ombros, transmitindo confiança. — Quero dizer, está bem. Ah… Eu estou bem. Tenho um crânio duro.

— Eu não tenho crânio — Olaf achou que todos os outros estavam com vergonha de se expressar e entrar na conversa, então quis intervir pensando que eles também falariam. Mal sabia que na verdade os jovens estavam afundados em seus próprios pensamentos. — Ou ossos.

— E agora? — O dono de Sven lembrou-se que o objetivo da expedição havia sido falho.

— E agora? — Anna se perdeu novamente nos olhos do rapaz viril, repetindo o quê ele acabava de dizer e passando a mão pela trança, colocando-a atrás da orelha. Como um soco a realidade a atingiu, fanzendo-a entrar em desespero e arregalar os olhos, retirando os outros de seus respectivos transes também: tinha fracassado. — Agora o quê? Oh, o quê vou fazer?

— Ela nos botou para fora! — Rapunzel levou as mãos às bochechas, e a prima a imitou sem perceber.

— Não podemos voltar à Arendelle com o tempo desse jeito! — Flynn retirou a franja que caía em frente ao rosto e passou a mão na nuca.

— E ainda tem o seu negócio de gelo — a princesa de Arendelle andava de um lado para o outro.

— Hey, hey, não se preocupe com o meu négócio de gelo — soando mais gentil do que o normal, ele tentava tranquillizar a garota. A observou lentamente dos pés a cabeça e pela primeira vez notara como ela era linda em cada detalhe, até no cabelo um pouco bagunçado. Franzindo o cenho, notou que a mecha branca da menina agora havia se multiplicado. Praticamente metade de suas madeixas estavam alvas. — Devia se preocupar com seu cabelo.

— O quê? — Ela não podia acreditar que ele havia feito um comentário tão rude sobre o cabelo dela. Achou que ele havia ficado um pouco mais gentil. — Eu acabei de cair de um penhasco, deveria ver o seu…

— Não, Anna, ele está ficando branco! — Rapunzel se aproximou da menina, passando a mão sm seus cabelos, assustada. Anna não pareceu acreditar até que viu a expressão de confusão em todos, portanto, apanhou sua trança e a observou consumando que era verdade o que Kristoff falou.

— É porque Elsa a atingiu, não foi? — Jack, que segurava Hiccup pelo braço para que ele se levantasse, demonstrou frieza em sua observação. Sabia de longe do que se tratava.

— Está muito ruim? — Sem entender a gravidade da situação, Anna se virou para Kristoff e o questionou sobre seu cabelo.

— Eh… — O garoto demorou um pouco para processar a pergunta. Afinal, ela poderia mesmo estar preocupada com o cabelo depois de tudo? Ou era tão inocente ao ponto de achar que aquele era o maior de seus problemas? — Não.

— Você hesitou — O boneco de neve pensou em voz alta.

— Eu não hesitei — sem olhar para o pequeno, o loiro o retrucou. Estava muito ocupado organizando sua mente. Lembrou-se que já havia visto algo como aquilo quando era criança e sabia exatamente onde levar a garota. — Anna, você precisa de ajuda, está bem? Vamos…

— Aonde vamos? — Rapunzel, assim como os outros, não estava entendendo o motivo da tamanha preocupação do rapaz com Anna. A missão deles já havia acabado, mesmo que de uma maneira ruim, então porque ele continuava a ajudá-los?

— Ver uns amigos meus… — Ele já se virava para o Oeste para caminhar quando avistou seu chapéu um pouco coberto de neve em meio ao solo e o apanhou.

O grupo lançou olhares entre si, misturando confiança e estranheza. O que ele poderia saber que salvaria Anna de ficar parecida com uma idosa? Ele, um cortador de gelo comum? Havia algo que ele não estava contando à eles, mas ninguém quis perguntar. O importante era curar a princesa, seja lá do que ela tinha. Começaram a acompanhar os passos de Kristoff, menos Hiccup que parecia não ter qualquer motivação para se mover. Jack permaneceu junto à ele. Mais do que qualquer um ali, ele era o que mais se sentia como o moreno. Ele queria provar a todos eles que não era um traidor, e queria ainda mais ajudar o povo de Arendelle. Mas algo estava errado, ainda ressoava em sua mente as palavras de Elsa. E quanto ao viking, a dúvida o consumia. O que havia acontecido com Merida? Como ele pode ser tão covarde e irresponsável e abandoná-la? Mesmo que ela fosse a líder, ele sabia que por mais que ela fosse valente, destemida e confiante, não podia resolver tudo sozinha. Ele tinha um compromisso consigo mesmo e não podia deixar nada acontecer com a ruiva. Era como se ele estivesse dando uma volta em si mesmo. E ainda tinha seu dragão, fiel amigo e quase irmão. Devia confiar que ele a deixaria a salvo, mas a concorrência com aquele monstro gigante era desleal. Se não tivesse Tooth consigo, não saberia mais o quê fazer, já que o Night Fury era seu porto seguro, seu confidente, uma parte dele. E, naquele momento, seu paredeiro era totalmente desconhecido e isso desesperava Hiccup.

— Vai ficar aí parado? — O espírito se aproximara por trás do rapaz que observava os céus.

— Por que? — O moreno olhou se relance para o jovem que parava ao seu lado e lançou-lhe um sorriso sarcástico enquanto falava, tentando não parecer muito forçado. — Vai vir com discursos animadores?

— Não estou em posição de animar ninguém — Jack retribuiu o sorriso do garoto, mas dessa vez o ato foi sincero como se a presença dele o reconfortasse um pouco. — E eu não faço esses discursos! Está me confundindo com Anna. Só iria perguntar se podia ficar aqui com você, fazendo seja lá o que você está fazendo.

— Pensando.

— Pensar é bom — o albino não se sentia intimidado pelo viking, na verdade, sentia total liberdade para conversar com ele. O que era bem estranho, já que os dois não haviam se falado muito desde que se conheceram. — Não faço com muita frequência, normalmente eu ficou sentado conversando com a Lua. Você sabia que existe um homem lá?

— Um homem? — Soltando uma pequena risada, o moreno deu um soco no braço do espírito e ficou estranhando como havia conseguido tocar um espectro. — Na Lua?

— Bem, na verdade, ele meio que é a Lua e também é bastante poderoso… Eu acho. Nunca conversamos mais de uma vez — cruzando os braços atrás da cabeça, ele tentava relaxar. — Acha que é loucura?

— Minha namorada costuma dizer que eu como merda com lixo, já que minha cabeça é cheia de coisas inúteis e maluquices, então não posso te julgar — ele riu enquanto falava aquilo na tentativa de não soar tão agressivo quanto realmente era.

— Definitivamente ela não deve ser uma pessoa muito paciente — Jack franziu a testa ao se lembrar de algo. — Me soou como um coelho que conheci uma vez, parecia um canguru arrogante.

— O que te obriga a ajudá-los? — Lançando a cabeça para o lado, o viking claramente falava de Anna e os outros. — Digo, não tem nada a ver com isso, e ainda te acham um traidor…

— Eles… — O espírito deu uma pausa, para que a voz não ficasse embargada. — Vocês são as únicas pessoas com as quais eu falo desde que despertei. Deve ter um motivo pra isso. Vou tentar ajudá-los sempre, porque mesmo que a gente só se conheça a uns dias, eu já me liguei muito a vocês e não vou permitir que as pessoas que são importantes pra mim sejam abaladas…

— Uma delas já foi… — Ele olhou para os céus novamente, procurando conforto na Lua que começava a surgir mesmo à claridade do fim do dia. — Mas é algo muito nobre da sua parte.

— Hey, a ruiva está bem — o fantasma colocou a mão sobre o ombro do moreno e lançou-lhe um sorriso reconfortante. — Elsa nunca a machucaria.

— Como pode ter tanta certeza que ela pode se controlar quanto à isso?

— Porque eu confio nela, e eu confio que a garota das flechas não iria ser abatida com tanta facilidade — passando o braço pelo pescoço do rapaz, tirando-lhe um riso, Jack os encaminhava pelo caminho que o grupo havia seguido. — Você também devia acreditar nela.

— Não posso… — Os olhos do rapaz pareciam sem brilho. — Têm muitas coisas na minha cabeça… É a minha namorada que está muito estranha, são os meus amigos e os meus pais que esperam nada menos do que um sucesso dessa missão, é o meu dragão que eu não sei onde está e no meio disso, a minha líder está perdida e sabe-se lá em que estado.

— Nossa… — arregalando os olhos, o espírito usou a irnonia. — Só isso?

— Merida está perdida, Tooth também, e eu deveria ter voltado à Berk há três dias ou pelo menos ter reportado algo. Sou um fracasso, um imprestável… Astrid estava certa, não fui nem capaz de defender meu dragão, nem de proteger Merida. Fugi como um covarde.

— Não sejá tão duro consigo mesmo… — Eles escutaram um barulho esquisito ao seu redor.

Observaram à sua volta e não viram nada a não ser uns arbustos e algumas árvores à frente dando início à uma floresta, a montanha às suas costas e as pegadas do grupo para o Oeste. O vento soprou, gélido e tenso, balançando os cabelos dos rapazes enquanto carregava algumas folhas secas. Os arbustos se mexiam e deles saíram espécies de lobos negros como ébano e olhos amarelos como um pedaço do Sol. Aos poucos, a dupla estava cercada pela alcateia, mas não era um grupo razoável. Eram mais de trinta animais ferozes mostrando os dentes e latindo para eles. Frost empunhou seu cajado e o apontou para os lobos à sua frente e eles rugiram em desafio. Hiccup ficou parado, observando o chão e não parecia notar a presença do exército de caninos. Três animais investiram contra os rapazes, obrigando o espírito a lançar jatos de gelo contra eles. Como se fossem de areia, um se vaporizou, enquanto outros dois se desmaterializaram para logo depois reaparecerem.

— O quê são essas coisas? — Jack recuava aos poucos enquanto os outros lobos avançavam gradualmente. Ele estendeu o braço para o lado, recuando o domador de dragões também já que ele não parecia estar acordado. — Hiccup, o quê está acontecendo?

Se tornando areia negra, um lobo foi levado pelo vento até o moreno e por um triz não arrancou-lhe um pedaço do pescoço. Graças ao fantasma que atingiu o animal no crânio com seu cajado, explodindo-o em pó escurecido.

— O quê pensa que está fazendo? — Jack batia no braço do rapaz para ver se ele reagia, mas não aconteceu nada.

— O mesmo que eu fiz no castelo — ele encarou Jack nos olhos. — Nada.

— Olhe, Hic, — Jack pôs a ponta do cajado ao solo e depois o puxou para cima, levantando um muro de neve entre eles e os lobos — eu sinto muito pelo seu dragão, e pela Merida. Mas esses bichos ou seja lá o que eles forem, estão se aproximando e não estão de brincadeira. Temos que fugir, ou pelo menos tentar resistir, mas não consigo sozinho. E algo me diz que esse muro não vai os impedir de nos atacar por muito tempo.

— Eu falhei, — os olhos verdes do rapaz estavam marejados — mereço ser atacado. Aquele… Aquele monstro veio atrás de nós! Significa que ele já tinha terminado com Merida e Tooth, eu só tenho minhas memórias e nunca vou saber o quê teria acontecido se eu tivesse ficado e ajudado…

— Nós temos que ir agora — o albino também estava com os olhos marejados, por algum motivo, se setia muito conectado à Hiccup e estava muito lisonjeado pelo jovem decidir se abrir para ele.

— Tooth, Merida… — O jovem olhou para o céu que já se escurecia e focou seus olhos na lua cheia que enchia de luz o começo da noite. — Onde quer que estejam, o que quer que tenha acontecido à vocês, eu sinto muito por não tê-los ajudado. Mas ainda tenho fé — ele lançou um olhar para Jack em agradecimento e aproximou o punho do peito. O muro começava a tremer, anunciando sua degradação — acredito que possam estar bem porque vocês são bravos e fortes. Não vou parar de ter esperança, mas só queria… Queria que estivessem comigo agora!

E tudo então aconteceu muito rápido. Num segundo o muro que segurava os animais foi ao chão e os quadrúpedes atacaram. Jack deu dois passos para frente e atingiu cinco lobos, mas eles ao serem acertados se partiam em mais dois inimigos. Uma sombra vinda so alto chamou a atenção de Hiccup que se voltou para a Lua e avistou uma entidade negra se aproximando em alta velocidade. À medida que se aproximava, ficava maior à perspectiva do rapaz que finalmente retomava o brilho nos olhos que pareciam verdes esmeralda à luz do astro. Frost conseguiu uma pausa no ataque aos lobos e também olhou para cima ficando estarrecido.

— O quê é aquilo? — Ele recuou devagar até chegar ao lado do viking.

Com um estrondo e causando grande tremor, a criatura colidiu com a superfície enevada. Neve voou para todo o lado conforme o impacto e a força fez com que tanto Hiccup e Jack como os lobos fossem lançados empurrados para trás. A queda foi concebida bem no meio do campo de batalha, afastando os animais para um lado e os meninos para outro. O fantasma conseguiu dobrar o ar para que o seu arremesso e o do amigo não fossem tão danosos. Os dois caíram na neve de costas à alguns metros de distância de onde estavam anteriormente e se sentaram no chão aos poucos. O moreno foi o primeiro a se sentar, ajudando o espírito logo depois. Conforme seus olhos se acostumavam com a visão e sua cabeça parava de rodar, o moreno identificou o quê havia chegado e atônito sussurrou “Tooth… Merida… Meu Odin...” como se em seus pulmões faltasse ar. O dragão estava em posição de ataque, voltado para os lobos que ainda se reerguiam e se rejuntavam. Merida estava sobre o dorso do animal, pálida, com as pálpebras escurecidas e os olhos fundos. O menino reparou em como sua boa estava seca branca. Ao correr e ajoelhar-se para ampará-la pela cabeça, notou que havia um ferimento ainda sangrando que precisava ser entancado o mais rápido possível.

— O qu… O quê aconteceu? — Ele perguntava à menina, mas logo notou que ela devia estar muito fraca para responder algo. — Espere, não tente falar nada!

— Esse corte na cabeça dela… — Frost chegava junto à eles e se ajoelhava ao lado do dragão. — Não parece ser profundo, mas fez ela perder muito sangue. Precisamos pará-lo imediatamente se não…

— Eu não posso fechá-lo! — O piloto de Tooth começava a hiperventilar, começando a ficar tonto. — Não nessas condições, nem nessa velocidade…

— Hey, amigo, — Jack pôs a mão no ombro do rapaz e isso desferiu uma onda de calor no viking o quê foi muito estraho pois Frost aparentava ser muito gelado. Aquilo acalmou a respiração do moreno e fez com que eles se olhassem. Frost sorria confiantemente enquanto Hiccup mantinha seus olhos arregalados — não se preocupe. Eu posso cuidar disso, mas você e o grandão têm que conseguir tempo pra mim.

Jack apanhou Merida dos braços do jovem agachou na neve, ponto a cabeça da menina em seu colo. Ela parecia que estava prestes a dormir. Perda de sangue e um ambiente frio, não podia existir pior combinação. Jack pôs seu cajado de lado e esfregou as mãos. Colocou uma delas na parte de trás da cabeça da garota, onde estava o corte, e a outra ele colocou na testa da mesma. Uma energia tão vívida e forte começou a circular por ali que Hiccup jurou que podia ver as mãos do rapaz emanarem uma luz branca como as nuvens que ele usava para se transportar. Hiccup entendeu que o jovem estava usando sua magia para fechar o corte e estancar o sangue, enquanto também mantinha os pensamentos e a própria garota desperta para que não sucumbisse à hipotermia. O fantasma estava fazendo sua parte, cabia ao domador de dragões fazer a sua. Ele levou a mão ao cabo da espada presa às costas e a puxou. Eldur inflamou-se instintivamente ao ser apontada para os animais de areia negra que já se recompunham e avançavam friamente. O jovem teria que entreter aquelas criaturas por tempo o suficiente para que Jack curasse Merida e se juntasse à ele na batalha.

— Então amigão, — ele se dirigiu à Toothless ao seu lado, ambos mais que preparados para o combate — o quê acha de chutar alguns traseiros caninos?

Com um grunhido positivo, o dragão mostrou suas presas aos inimigos e berrou. Aquilo foi como uma corneta em uma guerra: os dois lados opostos correram em direção um ao outro prontos para lutar. De um lado, uma alcatéia negra e aparentemente incansável de criaturas mágicas e pavorosas. Do outro, um menino perneta com sua espada de fogo e um Night Fury. Era uma batalha injusta para os lobos. Ao ficar próximo o bastante para atacar, Hiccup desviou de um lobo que pulou em seu pescoço, abaixando e enfiando Eldur nas entranhas do animal que explodiu em fumaça negra. Tooth atacou como dez dragões, soltando raios contínuos e potentes nos inimigos, mas por algum motivo, os animais não cediam aos ataques do dragãos, reunindo-se das cinzas segundos depois.

Dois lobos negros avançaram e um deles mordiscou a perna direita do rapaz que gritou de dor. Merida murmurou algo ao ouvir o berro e Jack mandou que ela ficasse quieta para não atrapalhar a sua concentração. O moreno chutou o cão para longe enquanto Tooth abocanhou um deles e o balançou ferozmente, estraçalhando o animal em areia negra. Hiccup subiu em seu dragão e o usou como suporte para um pulo pelo qual desceu rasgando o ar com sua espada e fazendo um arco com a espada, pulverizando três lobos. O confronto continuou por mais alguns minutos. Toothless afastava e atordoava os animais com seus raios e em alguma oportunidade estraçalhava um com sua mandíbula potente. Enquanto isso, Hiccup era o principal alvo da alcateia, desviando de suas investidas e cravando Eldur nos animais quando tinha a chance, fazendo com que eles estourassem em milhões de grãos pretos. Os pulmões do rapaz já não trabalhavam na mesma intensidade e suas respiração estava pesada, assim como seuss músculos pediam um descanso. Mas o pior era que os inimigos não estavam nem um pouco cansados, era como se estivessem brincando com a presa antes da refeição. O garoto ameaçaav começar a suar, em pleno inverno, devido ao seu esforço.

— Hey amigo, — sem tirar os olhos dos quinze lobos à sua frente o moreno dirigia a palavra ao espírito — quanto tempo mais pra essa cura?

— Já estou acabando, ela perdeu muito sangue! — Relatando a situação, Jack temia que o amigo não contesse os ataques por muito tempo. Precisava terminar o quanto antes.

— Pensei que magia fosse mais prática!

— Estou muito bem sem você me presionando, obrigado!

Com a pequena distração, um lobo passou por Hiccup à velocidade que o vento soprava e foi em direção à Merida e Jack. O espírito percebeu a movimentação, mas não podia pegar seu cajado por estar com as duas mãos ocupadas, e se largasse Merida ali ele teria que, na melhor das hipóteses, recomeçar o processo. Seria mais fácil e rápido se ela não tivesse perdido tanto sangue. Não havia nada que ele pudesse fazer, assim como Tooth não podia soltar um de seus raios pois podia atingir os amigos. Hiccup correu o mais rápido que pode mas a criatura já estava muito próxima da dupla. Não daria tempo, estava tudo acabado.

Claro, se a machadinha de Kristoff não tivesse atravessado o crânio do animal com um ataque do cortador de gelo. Como um milagre, o loiro surgira acompanhado logo atrás dos outros três mais Sven e Olaf. Por um segundo, tudo ficou parado e Hiccup sentiu que uma tonelada saía de suas costas. Não estava mais sozinho, a ajuda improvável havia chegado.

— Vocês demoraram um pouco — Hiccup gritou para o grupo com um sorriso de alívio.

— Ah, perdão — Rapunzel correu até o rapaz e olhou de relance Jack e a ruiva. — Na próxima nós perguntamos se vocês vão nos seguir ou ficar pra conversar. O quê aconteceu aqui e o quê tem Merida?

— Não sei ainda, mas precisamos tomar conta desses lobos até que Jack termine de ajudá-la e ela possa nos contar.

— Então, qual é o plano? — Flynn armava socos para os animais o que era bem ridiculo.

— Não tem plano — Hiccup mandava Tooth continuar distraindo as criaturas enquanto ele recuperava o fôlego.

— Ótima hora para começar a pensar em um — Anna não sabia bem o quê fazer, mas saltitava de emoção e ecstase, além da adrenalina.

— Que tal o plano “ataquem logo esses demônios malditos”? — Jack berrou para o grupo. — Pelo que parece, só ataques cortantes funcionam neles, e vocês não têm espadas decentes. Peguem.

Jack movimentou a cabeça e fez surgir na mão de Anna, Rapunzel, Kristoff e Anna uma espada de alcance médio, feita de cristal. Ele explicou que apesar de cristais, aquelas eram reforçadas com magia então não teria facilidade de serem quebradas

— Oh meu troll! Uma espada feita de gelo! — O loiro vibrou de alegria, mas logo percebeu os olhares de censura vindo dos outros e se voltou para o combate. — Quero dizer… Não sei o quê você faria sem a gente, garoto de Berk.

— Não é bem o quê eu queria, — Rapunzel olhava com seriedade pros animais que latiam para ela — preferia minha frigideira.

— Acho melhor se acostumar com isso — Jack apareceu ao lado do grupo, assustando à todos, que olharam para trás para ver como ele havia andando tão rápido até ali e como estava Merida. A ruiva se encontrava aos cuidados do boneco de neve e da rena.

O vento soprou mais forte e foi dado o início ao segundo round do confonto. Os seis partiram para a luta, um ao lado do outro, brandindo suas espadas — e cajado.

Notas finais
E aí pessoas? Achei a hora certa pra colocar Hic e Jack juntos e tals, sendo parceiros e se ajudando. No próximo capítulo terão participações especiais, um pouco mais de Astrid e um papo entre rapazes. Não deixem de comentar o quê acharam hein ;D