Notas iniciais
Não vou nem me prolongar. Sou um filho da puta desgraçado mesmo. Espero que gostem do capítulo porque ele está pronto há tanto tempo que já deve estar podre... Boa leitura e podem me xingar e fazer macumba...

Foi um prefácio de guerra a briga entre o grupo de resgate mais estranho dos tempos e a alcateia de lobos negros. Jack tomou a frente com Hiccup. Os dois correram lado a lado e atiraram gelo e fogo em seus inimigos. Vários lobos conseguiram escapar das investidas de ambos, mas, destes, Kristoff e Flynn tomavam conta. Os dois utilizavam as espadas de gelo que Jack havia lhes dado para empalar as criaturas os rasgar suas barrigas. Então, os animais se desfaziam em areia negra que logo era levada pelo vento. Anna e Rapunzel lutavam com as costas encostadas uma na outra, dando cobertura. Estavam cercadas por seis lobos que investiam ora individualmente ora em grupo.

— Eles acham que vai ser fácil só porque somos princesas? — Anna perguntou enquanto chutava um lobo que pulou para abocanhá-la.

—Não — Rapunzel fez um movimento de arco com sua espada e rasgou o focinho de dois animais. — Acham que vai ser fácil porque somos mulheres!

A princesa de Arendelle notou com o canto do olho que um dos lobos avançou enquanto sua prima a respondia e a atingiria em cheio ao mesmo tempo em que a esposa de Flynn percebeu que dois deles avançavam rapidamente contra a prima. Sem pensar duas vezes, Rapunzel agachou e usou sua espada para cortar as patas de um dos lobos já que o outro saltou antes. Anna utilizou as costas da prima como apoio e rolou por cima desta, dando um chute no lobo que atacaria Rapunzel e enfiando a espada na mandíbula do que a abocanharia. As duas se entreolharam.

— Não entendo essa teoria — a irmã de Elsa assoprava sua franja para que não atrapalhasse sua visão.

— Nem eu! — A princesa de Corona lançou sua espada no último animal que a cercava e ela o atravessou pela boca, fazendo com que ele se desfizesse em poeira. Então ela olhou para Flynn e Kristoff a uns metros de distância e notou que haviam marcas de mordidas em seus traseiros e alguns cortes, além dos dois estarem tendo dificuldades em sincronizar seus movimentos. — Com certeza lutamos muito melhor do que eles.

Kristoff jogou sua espada para Flynn e começou a chutar e a socar os lobos que os atacavam. Flynn manejava as lâminas com destreza agora que possuía duas armas. Ambos se entreolharam e deram sorrisos de canto, correndo para o meio do grupo de lobos. Rider desferia ataques em arcos com seus braços, açoitando alguns animais e pulverizando outros. O cortador de gelo preferia luta corpo a corpo, então dava bicos no focinho dos lobos que chegavam perto e socos nos que saltavam. Em um momento de sincronia, o marido de Rapunzel pulou e desceu rasgando três lobos em pedaços e, quando alcançou o chão, o dono de Sven utilizou suas costas como apoio e saltou o mais alto que pode. Ao descer, atingiu dois animais com seus punhos, destruindo-os. O loiro pôs uma das mãos na cintura e Flynn apoiou uma das lâminas no ombro. Ambos olharam para as princesas com sorrisos sarcásticos.

— Okay, — Rapunzel apoiava o queixo em sua mão — talvez não “muito” melhores...

— Vocês estão perdendo o foco! — Jack passou voando entre os quatro, arrastando três lobos com seu cajado. Então ele usou sua velocidade para jogá-los aos céus. Então ele segurou o bastão como se fosse uma arma e mirou nos animais que começavam a cair. — Vejam isso!

Ele disparou raios mágicos de gelo nos lobos que os acertaram em cheio, dizimando-os em neve. O albino se virou para eles com um sorriso sincero.

— Ah, você brinca de tiro ao alvo no meio da luta — Anna caminhava até Jack com os braços cruzados e com expressão debochada — e nós que estamos perdendo o foco?

— Concordo com a tagarela — Kristoff disse enquanto estalava os dedos e o pescoço, se voltando para a direção que Hiccup estava. Ele era o mais próximo de Merida, portanto a última linha de defesa e restavam apenas três lobos. Jack desintegrava as armas de gelo que criara. — Garoto-dragão, como está aí?

— Maravilhoso — respondeu com ironia. Afastava os lobos com chutes e joelhadas, acertando um deles com sua espada de fogo e incendiando o animal.

Outro dos caninos saltou para arrancar a jugular do moreno que notou o movimento com o canto dos olhos. Ele se virou e apanhou a criatura pelo pescoço, o pressionando contra o chão e então pisando em seu crânio e o pulverizando. Antes que pudesse se levantar, o último sobrevivente pulou nas costas do rapaz e o mordeu no pescoço. Hiccup gritou de dor e tentou retirar o bicho, mas não conseguia alcançá-lo. De repente, a mordida cessou e o animal caiu, com uma flecha cravada em sua espinha e se desfez em pó negro. Merida estava sentada sobre Tooth, com seu arco em mãos e observando sua flecha que agora estava caída no chão. Hiccup a observou e caiu de quatro no chão, perdendo sangue e tossindo.

— Hiccup! — Merida levantou um pouco tonta e correu até o jovem, com sua cabeça ainda rodando. Ela perdeu o equilíbrio e caiu de joelhos ao lado do rapaz, segurando seus ombros e observando sua ferida, cuja o menino tentava estancar com sua mão. Os outros vinham correndo ajudar o viking.

— Merida, não se esforce — a voz do menino estava rouca e ele olhou para ruiva com seus olhos pesados. — Você ainda prescisa descansar.

— Não me diga o que fazer — a princesa ficou de frente para o rapaz e pôs a mão na mordida que sangrava, ajudando-o a estancar o sangramento. — Eu já estou bem, você que é a moça em apuros agora.

— Okay, — Jack deu um passo à frente e olhou para os dois, dando um sorriso confiante — agora deixe-me cuidar dele, milady.

Jack se agachou e olhou Hiccup nos olhos. Estavam um de frente para o outro, já que a ruiva havia se levantado e dado um passo para o lado. Uma das mãos do menino de cabelos brancos segurou o ombro do jovem, e a outra ficou sobre sua ferida.

— Isso pode doer um pouco — a voz do garoto de olhos azuis estava pesada mais reconfortante, ao passo que ele sorria para o moreno. — Você lutou bem, garoto-dragão.

Jack começou a usar seus poderes, assim como fez com Merida, mas em menor força. Hiccup não perdido muito sangue e o ferimento ainda estava fresco. O viking mordeu os lábios de desconforto enquanto a mordida era curada. Todos ficavam em silêncio, Olaf e Sven observavam de longe. Tooth inclinou a cabeça para o lado, curioso. Flynn e Rapunzel davam os braços, Merida e Kristoff se entreolharam e o loiro praticamente gritou com os olhos “VOCÊ ARRASOU” e ela sorriu, debochada. Anna se abraçava de bufava de frio. Após uns minutos, a aura azul que curava o moreno se extinguiu e o albino levantou, puxando Hiccup pelo braço.

— Novo em folha — Frost jogou seu bastão para o alto com o pé, e o pegou no ar, apoiando-se nele logo em seguida.

Hiccup ficou parado enquanto todos olhavam para ele. Ao contrário do que ele pensava, não o julgavam por ser de Berk e pareciam bem aliviados com sua recuperação. Merida deu um passo à frente, chamando sua atenção. Ela cruzou os braços e bufou, som um sorriso bem espontâneo.

— Não sobreviveria um segundo sem eu cuidando do seu traseiro gordo, não é? — A ruiva descruzou os braços e juntou as mãos, desviando o olhar. Envergonhada, sua voz abaixou. — Obrigada por terem me protegido...

O viking subitamente à abraçou, afogando seu rosto nos cabelos alaranjados dela. Por um segundo, ela não teve reação senão arregalar os olhos e perder o ar. Então, ela o abraçou de volta, passando os braços por debaixo dos dele e apoiando a cabeça em seu ombro. Não conseguiu segurar as lágrimas e se xingou por estar desmoronando daquela forma. Eles se afastaram e para sua surpresa, os olhos do rapaz também estavam marejados enquanto ele bagunçava o próprio cabelo, envergonhado. Ela colocou a mão no pescoço do menino, onde antes estava machucado e ficou encarando-o por um tempo.

— Pensei que nunca mais te veria de novo — ele disse olhando fundo nos olhos da menina e antes que fizesse algo sem pensar, se virou para Tooth que veio correndo até ele. — E você também amigão!

Os dois ficaram brincando por um tempo e ele fazia cócegas na barriga do dragão e fazia voz de criança para falar com o animal. Depois se virou para Merida novamente.

— Obrigado por me salvar...

— Só estava retribuindo o favor — ela sorriu, mas logo se voltou para os outros que observavam quietos. — E então, esquisitos, o que fazemos agora?

— Nós vamos visitar meus amigos, princesa-guerreira — Kristoff dá um passo à frente, observando a garota dos pés à cabeça com um olhar debochado. — Nós já estávamos indo para lá antes de você aterrissar no caminho.

— E onde seria isso? — Merida retirava uma de suas franjas rebeldes da frente do rosto, sem tirar a atenção do rapaz.

— A umas cinco horas de viagem para Oeste — o loiro observava o céu e apontou para a direção que deveriam seguir. — Chegaremos lá ao anoitecer.

Ele seguiu caminho enquanto Sven corria atrás de Olaf, que achava ser alguma brincadeira. Rapunzel e Flynn caminharam atrás dele logo em seguida, comentando sobre a luta enquanto o homem fazia gestos sugestivos e a esposa ria. Anna bufava de frio e ficou mais para trás, até que Jack foi até ela e a abraçou pelos ombros, ajudando-a a andar. Afinal, ninguém entendia mais de frio do que ele. O rapaz olhou para trás e sorriu com o canto da boca ao avistar Hiccup e Merida caminhando juntos e sendo acompanhados pelo Night Fury.

— Você foi maravilhoso, lagartixa! — Merida fazia carícias na cabeça no do réptil enquanto ele pulava animado ao redor dela. — Estou pensando em te promover à viking e deixá-lo montar no seu amigo perneta aqui do lado...

O morador de Berk sorriu e saiu correndo para junto dos outros, forçando Merida e Tooth a fazerem o mesmo.

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A fogueira havia se apagado pela terceira vez. Astrid já não aguentava mais ficar ateando fogo a madeiras par a se aquecer. O casaco de pele ajudava, mas não servia de muita coisa depois de dias no inverno mortal. Desde que o namorado havia partido com a ruiva, a garota estava esperando a chegada dos amigos de Berk. Ela havia enviado um pássaro com uma mensagem para sua terra, solicitando a ajuda dos outros domadores de dragões.

“Hiccup está fraquejando — como sempre.
Preciso de reforços.
Mande os domadores o mais rápido que puder”

A loira estava sentada em um dos galhos de uma árvore seca, fitando o céu na esperança de ver uma silhueta de dragão chegando. A fogueira também servia como um sinalizador para que eles a achassem mais facilmente. Estava perdida em seus pensamentos, e o frio parecia nem a incomodar mais. Ela sentiu um vácuo no peito e levou a mão até ele. Pensava em Hiccup e na briga que tiveram, como ele parecia irritado com ela enquanto estava todo relaxado perto da ruiva. Bufou de raiva enquanto mordia seus lábios.

— Por que ele não consegue me entender? — A viking conversava consigo mesmo enquanto apertava o próprio peito. — Eu mudei para melhor... Para poder protegê-lo. Eu preciso ser forte por nós dois...

Ela entrelaçou os dedos e pôs a cabeça entre as pernas, sem perder o equilíbrio e cair do galho. Começou a pensar na viagem que fizera à Enchanted Forest tempos atrás. Quando tudo o que ela sabia foi mudado e ela se tornou quem era. Foi onde conheceu aquele rapaz também, que tentou ajudá-la sem nem mesmo saber quem ela era. E onde aquela mulher a disse que do jeito que estava, não conseguiria proteger nem à si mesma, imagine os que eram importantes para ela.

— Será que valeu à pena? — O vazio em seu peito gritava em dúvida enquanto o passado passava como um filme em sua cabeça.

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— Você vai ter sua primeira missão sozinha! — Stoik bradou em alegria e abriu os braços para um abraço.

Eles estavam no salão particular do homem, que servia como um escritório ou sala de reuniões. Prateleiras repletas de pergaminhos e alguns papéis jogados pelo chão representavam a total desorganização do viking e também o estresse diplomático entre os reinos de Berk e DunBroch. Era noite, então a sala era iluminada por tochas presas às paredes. A loira havia sido convocada misteriosamente por Hiccup. Ele disse que era algo secreto, agora ela entendia o porquê e abria um sorriso sincero e radiante ao sogro, enquanto ele a abraçava como um urso.

— Sério? — A viking era erguida pelo homem e tentava se controlar para não soltar um grito de comemoração. — Verdade mesmo?

— É claro menina! — Stoik colocou a jovem no chão novamente e se inclinou para ficar cara a cara com ela. — Eu não brincaria com uma coisa dessas; você fez por merecer.

O barbudo caminhou pela sala e observou uma das prateleiras, retirando um pergaminho de lá e o jogando sobre sua mesa. O objeto se abriu revelando as instruções da missão que ela faria. Astrid não se obrigou a lê-los, já que Stoik iria explicá-la de qualquer forma. Ele se sentou atrás da mesa e ela ficou de pé, observando o pergaminho, maravilhada.

— É uma missão bem simples: reconhecer e colher informações — ele cruzou os braços e relaxou em sua cadeira, franzindo a testa. — Como você deve saber, essa terra tem aquela maldita magia. Você deve ir até lá e recolher o máximo de informações sobre isso que puder. Alguns reinos de Enchanted Forest são fortes candidatos para aliarem-se à Arendelle contra nós e, por mais que eu deteste admitir, a magia deles pode ser nossa ruína...

— Você quer que eu faça uma pesquisa sobre magia? — A garota colocou uma mão na cintura e apoiou a outra na mesa do homem, rolando os olhos e bufando em reprovação. — Uma viagem para Enchanted Forest sendo que temos livros de magia bem aqui na biblioteca. Livros que você nos proíbe de ler. Não seria mais fácil simplesmente utilizá-los?

— Você não me deixou terminar — a voz dele era pesada e ríspida, bem como sua expressão. — Nossos conhecimentos sobre magia são básicos e os anciãos não entendem a linguagem élfica dos livros. Seu objetivo não é somente colher informações, é aí que se torna uma busca perigosa: você deve trazer alguém que saiba traduzir os livros.

— Um prisioneiro? — Astrid soprou sua franja, para que saísse da frente de seus olhos.

— Sim, um prisioneiro que possa ajudar a nos prepararmos para lutarmos contra a magia — ele pôs o dedo no pergaminho, firme e fortemente. — Aqui tem algumas pessoas pelas quais você pode começar a procurar, alguns nomes que recolhemos durante anos.

A garota deu uma olhada no papel para onde o homem apontava e leu em voz alta alguns dos nomes. “Maleficent”, “Rumplestiltskin”, “Reul Ghorn”, “The Queen”...

— O que é isso? — Ela sorriu, ironicamente. — Uma lista de trava línguas?

— Não zombe dos nomes, — Stoik levantou sua voz e a garota levou um susto, tendo suas palavras engasgadas — eles são poderosos o bastante para terem suas reputações espalhadas por todos os cantos de vários reinos. Eu sei que você é ótima, mas não subestime um feiticeiro.

— Não vou — ela recolheu o pergaminho e fez reverência ao sogro. — Parto imediatamente.

— Não sem antes se despedir do meu filho — Stoik levantou o rosto da menina com o polegar e piscou para ela maliciosamente. — Você entendeu o que eu quis dizer.

Ela arregalou os olhos, surpresa com a menção indecente do sogro. Levantou, sorriu desconfortável e saiu da sala. Ela caminhou pelos gigantes corredores da construção e estavam escuros e vazios. As colunas que sustentavam o teto tinhas presas a elas tochas que iluminavam um pouco a escuridão. Ao longe, ela avistou uma silhueta para lá de conhecida. Hiccup acenou para ela, que correu até seus braços. Ele a rodou num abraço forte e apaixonado. Ele a segurava pela cintura e ela seu pescoço. Quando Hiccup a pôs no chão de novo, ela o puxou para um beijo.

— Acho que você está bem feliz com a minha surpresa — o moreno disse entre os beijos, quando parava para recuperar o ar.

— Gostar? — Ela socou o braço dele com força, mas depois o beijou na bochecha, sorrindo como uma criança. — Eu poderia me casar com você agora e nem precisaria de um daqueles vestidos toscos.

— Você não está me pedindo em casamento, está? — Ele ficou corado e passou a mão pelos cabelos, como fazia quando estava nervoso. — Somos muito novos ainda...

— Eu sei, seu lerdo — ela bateu de leve na cabeça dele e segurou um riso. — Eu é que sempre te respondo isso. Foi uma metáfora.

Ele utilizava sua calça verde escura de couro de dragão e um blusão largo e marrom, além de sua bota de ovelha. A garota estava mais preparada: botas de ovelha-negra de cano longo, até os joelhos, uma saia curta preta e seu colete de urso importado de DunBroch cinza. Sua longa trança caía-lhe pelo ombro. Ela deu mais um selinho nele e saiu correndo em direção à sua casa. Teria que arrumar tudo rapidamente e partir com Storm para Enchanted Forest. Hiccup ficou observando, sorrindo e de braços cruzados sua namorada partir. Stoik saía de sua sala e se juntou ao filho.

— Tem certeza de que fez a escolha certa? — O líder de Berk pôs a mão no ombro do filho por detrás do rapaz. — Passar sua missão para ela?

— Com certeza — o viking respirava fundo, maravilhado e orgulhoso. — Essa viagem vai ser ótima para ela...

Em sua casa, Astrid desarrumava o quarto inteiro. Suas quatro sacolas estavam cheias de casacos, saias, armas, comida, enfim. Tudo o que ela poderia precisar nos quatro dias que estaria fora. O destino não era tão distante assim, mas ela estava muito ansiosa. Colocou suas ombreiras, suas joelheiras e cotoveleiras. Prendeu seu machado de lâmina dupla em suas costas e partiu para o estábulo onde os dragões eram mantidos. Storm acordou no momento em que ela entrou no local e olhou com seus gigantescos olhos para a dona.

— Pronta para voar, garota? — Astrid acariciava o pescoço do dragão e a levou até o lado de fora do estábulo.

A noite estava fria e silenciosa. O céu, coberto por estrelas que quase ofuscavam o brilho da Lua. Storm abriu suas asas, para alongá-las antes do voo, enquanto Astrid puxava os braços por detrás da cabeça com o mesmo objetivo. Como sempre diziam, domadores e seus dragões são sincronizados. Depois disso, a viking pulou para o dorso do animal e elas levantaram voo. Storm dava piruetas que deixavam Astrid muito animada e com adrenalina correndo solta pelo seu corpo. Depois de duas horas aproximadamente de voo, avistaram fogueiras ao longe. Provavelmente, terra firme.

— Enchanted Forest… — A Viking falava consigo mesma.

Ela ordenou que Storm voasse com calma e sutilidade até pararem longe da clareira. Prontamente, elas desceram entre árvores altas e finas. Astrid saiu de cima do dragão e acenou para que ficasse quieta. De repente, ela escutou barulhos estranhos vindo em sua direção. Ela ordenou que o réptil se escondesse e assim ele o fez. Astrid puxou seu machado e caminhou cautelosamente entre as árvores, mas o estranhou a agarrou por trás passando o braço por seu pescoço e a sufocando.

— Quem é você? — A voz dele era suave e grave, e mesmo que ele a prendesse pelo pescoço, seus gestos eram delicados. Não parecia querer machucá-la.

— Isso é problema meu — a loira deu uma cabeçada no rosto do desconhecido e o golpe fez com que ele a soltasse. Ela deu um passo à frente enquanto o homem se recuperava e apontou seu machado para ele. O inimigo utilizava uma capa com capuz, o que impedia que ela visse seu rosto. — Quem é você?

— Perguntei primeiro — com a ironia da frase, ele puxou sua espada e avançou contra Astrid.

Ela bloqueou o corte dele com o cabo de seu machado e usou a própria força dele para empurrá-lo. Ela saltou e desceu o machado para acertá-lo em cheio na cabeça. Por sorte, ele se jogou no chão e abriu as pernas, então a arma golpeou o solo entre elas. A loira ergueu o machado e tentou acertar o corpo do rapaz, mas ele rolou para o lado e ela cortou uma das árvores que foi ao chão. O homem ficou parado atrás da jovem, esperando que ela se virasse, ele não a atacaria por trás. Era um príncipe honrado. Ela se virou e bufava por conta do esforço.

— Eu sou Astrid, de Berk! — Ela jogou o cabelo para trás, retirando a franja rebelde de seu campo de visão. Logicamente, foi sensual. — Não precise se apresentar, afinal, vai morrer antes disso.

Ela apontou o machado para ele novamente e se apoiou no pé direito para ter força o suficiente para lançar o machado e cortar o inimigo ao meio. E assim ela o fez, atirou a arma que teria acertado o rapaz em cheio se ele não fosse veloz como um coelho e tivesse esquivado. A arma fincou-se num tronco de árvore e o desconhecido correu como um raio até a garota, pondo a espada em seu pescoço e ameaçando cortá-la se tentasse fugir.

— Storm! — Astrid gritou pela sua amiga que surgiu do nada e acertou o oponente com sua cauda, fazendo com que ele fosse arremessado longe, aos pés da árvore onde estava o machado de Astrid, que caminhou até o rapaz e retirou o machado da árvore.

— Que coisa é essa? — Ele disse, com a voz trêmula por causa do impacto e de medo do dragão. Astrid pisou sobre sua barriga para que ele não fugisse e sorriu para Storm, agradecendo.

— É minha melhor amiga — Quando a garota se preparava para descer o machado no peito do desconhecido, ele deu uma banda no outro pé dela, o que não estava sobre ele, fazendo com que ela caísse.

Ele se ergueu à mesma velocidade e pôs a espada sob o queixo da menina, forçando-a a olhar para ele. O machado dela havia caído e ele o chutou para longe. Ela estava sem defesas, sem recursos, mas não cedia ao desespero. Olhava para o vazio que era o rosto do homem, já que ela não o enxergava, com repudia e orgulho. Ele riu e abaixou a espada, estendendo a mão para ela. A loira, relutante e desconfiada, apanhou a mão do rapaz para levantar, com o cenho franzido.

— Não precisa ficar com essa cara de má, afinal, — ele retirou o capuz e revelou seu rosto. Cabelo volumoso e curto, ruivo. Costeletas avantajadas e feições másculas porém delicadas. Seus olhos eram grandes e penetrantes, verdes cintilantes — eu ganhei essa luta. É uma honra conhece-la, Astrid de Berk. Eu sou o Príncipe Hans, de Southern Islands.

Notas finais
Eu disse que vinha bomba por aí, hahaha Gente, mais uma vez, me desculpem por demorar. Eu não mereço leitores tão bons quanto vocês, sério mesmo. Comentem o quê acharam, as macumbas que fizeram pra mim, coisas assim...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.