Once Upon a Time

3 Um novo emprego


Notas iniciais
Outro cap!!! Espero que gostem!!

One Upon a Time

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“A 93 milhões de milhas do Sol

As pessoas preparam-se, preparam-se

Porque lá vem, é uma luz

Uma linda luz, além do horizonte

Para dentro de nossos olhos” – 93 Million Miles (Jason Mraz)

3 ♣ Um novo emprego

Eu quero a minha mãe de volta...

Hoje pode estar um dia quente – mesmo já estando em um estado avançado da madrugada — mas para mim está mais frio do que nunca.

Estou sozinha em meu quarto, que está escuro. Se uma pessoa entrar aqui não enxergará nada, porém eu já estou a tanto tempo aqui nesta escuridão que consigo enxergar tudo nitidamente, mesmo não querendo.

É muito doloroso ficar neste quarto, que só é iluminado pela precária luz da lua que atravessa as frestas da janela.

Evito olhar para o lado, assim não veria a fotografia minha e de minha mãe, não doeria mais ainda.

Por que justo com a minha mãe? O que ela fez para merecer isso? Ela era uma pessoa tão boa, com um coração tão bom, por que justo com ela? Que mal ela fez?

Escutei alguém batendo na porta. Talvez seja a Eve, mas eu não quero ver ninguém no momento...

— Tia Lua? – Me chamou baixinho – Já está dormindo?

Eu não a respondi.

— Eu tive um pesadelo... – Escutei um soluço.

Não aguentei e fui abrir a porta para ela.

— Obrigada... – Falou secando as suas lágrimas com leves soluços ainda.

— O que você sonhou, pequenininha? – Perguntei com certa preocupação, afinal foi um pesadelo.

— Eu sonhei que eu tinha te perdido...

— Você não vai me perder, bobinha – Afirmei.

— Mas daqui a pouco você vai embora...

Fiquei quieta por um momento, afinal o que ela disse é verdade, não tem mais um motivo para eu ficar aqui.

Apertei os lábios e logo em seguida os mordi, nervosa.

No momento é somente a Eve que me prende aqui, mas ela já tem a mãe dela.

Mas... se eu sair daqui... para onde eu vou?

No momento está parecendo que aquele homem fez uma macumba para mim, porque foi só ele falar aquilo que tudo aconteceu. Depois disso acho que vai ser mais difícil eu lhe procurar.

Mas aquele sentimento de confiança que ele me traz... mesmo com esse acontecimento... não passa.

Eu realmente confio nele, mesmo não devendo.

— Sim... eu vou embora, mas você ainda tem a sua mãe, não vai ficar sozinha.

— Mas não vai ser a mesma coisa sem você, Tia Lua.

Eu suspirei e me agachei para ficar na sua altura.

— Mas eu ainda vou te ver. Só não todos os dias... E talvez eu fique diferente...

— “Diferente”? – Perguntou inclinando levemente a cabeça para esquerda.

— Um pouquinho, talvez.

— Como? Por que? – Perguntou agora curiosa.

Suspirei e me contive para não falar algo que a magoasse, estava sem paciência, mas a culpa não era dela.

— Eu não sei explicar... talvez algum dia você entenda.

— Mas eu quero entender hoje! Agora! – Falou um pouco mais alto.

Eu lhe lancei um sorriso calmo, gostava desse seu jeito, achava engraçado e fofinho, essa sua forma de ser tão decidida mesmo sendo tão nova.

Lhe abracei, um gesto tão simples, mas tão sincero que fez com que essa linda menininha chorasse descontroladamente.

— Eu vou sentir saudades Tia Lua... – Falou em meio de seus baixos soluços.

— Eu também vou, pequena... eu também vou – Disse acariciando os seus cabelos.

**********************

Comecei a arrumar as minhas coisas, as mais importantes na verdade, algumas mudas de roupas, três para ser mais específica, escova de dentes, um pente, algumas roupas íntimas, etc. Tudo isso em uma pequena maleta que havia ganhado da boa vontade de minha patroa.

Olho em direção à janela e vejo que a lua já está no ponto mais alto, porém, mesmo sendo muito contraditório, ela não está tão brilhante hoje, o que eu no momento amei.

Abri a porta, pus somente a cabeça para fora e prestei atenção em todos os sons à minha volta. Não escutei nada. Ótimo.

Fechei a porta novamente com cuidado para não produzir nenhum barulho, não queria que alguém me escutasse sem querer.

Fui novamente para a janela, mas acabei lembrando que seria bom eu pegar uma lanterna, afinal, a lua não está tão brilhante o bastante para eu andar sem forçar a vista. Então fui até minha cama, me agachei e peguei a lanterna.

Depois voltei para onde estava e peguei a maleta que estava sob a janela. Quando a abri veio uma rajada de ar, bagunçando os meus cabelos.

Suspirei e coloquei a primeira perna para fora da casa cuja provavelmente nunca voltaria a pôr os pés novamente.

********************

Já havia saído, mas e agora? Para onde iria?

Uma casa de alguma tia talvez...

Eu tenho alguma tia na realidade?

Minha mãe nunca comentou sobre isso... na verdade, acho que nunca perguntei para ela ou tive essa curiosidade.

Aquele homem veio em minha mente, mas não sou idiota ao ponto de ir até uma pessoa que eu não conheço.

Continuei seguindo sem rumo, fiquei vendo a diferenças de cada casa ou rua no decorrer do percurso. Casas ficando mais luxuosas, estradas retinhas, sem nenhum buraco sequer, provavelmente estava em uma classe mais alta.

Encontrei um banco em uma praça qualquer. Estava exausta, então nem me importei em olhar ao redor ou apreciar a noite, andei demais, horas de caminhada, só precisava de algumas horas de sono agora.

Peguei uma jaqueta dentro da maleta para usar como cobertor, ela não é tão quente, mas já ajuda.

Coloco a maleta no canto do banco e a uso como travesseiro, penso em colocar a jaqueta no lugar da maleta, mas o vento está muito gelado para isso.

Me deito no banco e logo adormeço.

*****************

Sinto algo em meus ombros e alguém falando repetidamente “senhora, senhora”, olhei sobre os meus ombros e vi um guarda.

— A senhorita não pode dormir aí – Disse o guarda enquanto eu me levantava.

— Me desculpa, eu não sabia, eu... – Tentei me explicar enquanto pegava as minhas coisas, mas eu acabei ouvindo uma outra voz falar “Pode deixar que eu cuido disso”.

Eu conheço essa voz.

Olhei para trás e vi Andrew com um leve sorriso.

O guarda assentiu e saiu, obedecendo o príncipe.

— Por que parece que sempre que nos encontramos eu tenho que te ajudar? – Perguntou com um sorriso maroto.

— Espero que isso não vire um costume, não quero estar sempre com problemas, sabe?

— Então não quer me encontrar mais? – Falou com um biquinho e uma cara de triste.

— Não! Não quis dizer isso! Oh, meu pai! Eu fiz o príncipe ficar triste, eu vou morrer agora – Fiquei pensando no meu fim.

Acho que irei te encontrar mais rápido que o esperado mãe.

O príncipe riu de minha reação, porém ele não esperava que eu fosse começar a chorar.

Sim, eu estava chorando, na verdade quase; ainda não conseguia aceitar que ela tinha ido embora... que eu estava sozinha...

— Eu só fingi que estava triste... não precisa se preocupar, você não vai morrer.

“Mas eu queria...” - pensei, mas logo arregalei os olhos “para de pensar nisso Luana! Sua mãe não gostaria disso” as lágrimas já ameaçavam sair, mas eu tentava a todo custo conte-las “mãe...” olhei para cima piscando freneticamente, tentando impedir que elas caíssem.

“Não segura o choro filha – Falou minha mãe passando a mão em minha cabeça, me confortando – Você é tão novinha ainda, não precisa ser forte sempre, eu vou ser forte por você. E, além disso... chorar lava a alma, minha menininha – E eu caí em prantos em seus braços”

Eu tinha mesmo que lembrar disso agora?

Não aguento mais.

Então eu me permitir chorar, ali mesmo, na rua, com as minhas coisas, agora no chão, com um príncipe na minha frente me encarando sem entender e com várias pessoas passando.

No momento seguinte eu só senti dois braços me trazendo para perto e me abraçando.

E, sem perguntar nada, sem falar nada, ele ficou ali, apenas me confortando. E eu fiquei lhe agradecendo mentalmente.

Quando me choro cessou, depois de muito tempo, ele continuou me abraçando e passando a mão no meu cabelo, mas depois de um tempo ele parou e me afastou um pouco, em seguida segurou meu rosto com as duas mãos.

— Você está melhor? – Perguntou olhando fixamente em meus olhos. Simplesmente assenti – Que bom – Sorriu para mim.

Abaixei a cabeça com vergonha.

— Por que estava dormindo no banco?

— Não tenho para onde ir.

— Literalmente?

— Literalmente.

Ficamos em silêncio por um tempo, um tanto desconfortável.

— Você trabalha? – Perguntou.

— Bom... não no momento, eu acho.

— Se você quiser... tem uma vaga lá no castelo para ser o meu criado... o antigo não sabia a diferença nem entre uma lança e uma adaga! – Falou com indignação, depois me olhou um pouco “preocupado” – Você sabe a diferença, né?

— Claro que sei! Sei até a diferença entre uma Katana e uma espada normal. Que não é muita coisa na verdade.

— Sabe? – Falou com os olhos brilhando – Bom, se você quiser pode trabalhar lá..., mas você teria que ficar no castelo, morar lá, sabe? Tem algum problema? – Perguntou ansioso.

— Não, nenhum, sem problema algum – Respondi apressadamente, afinal eu tinha achado um lugar para ficar, não podia perder a oportunidade, e era um castelo! Quem negaria morar em um castelo?!

— Vai ser meio complicado convencer o meu pai, afinal você é.... – Acabou se calando e me olhando por inteira.

— Pobre, sem família e mulher – Falei normalmente e direta, o deixando um tanto desconcertado.

— Sim – Falou meio sem graça, colocando a mão na nuca.

— Bom... Quando posso começar?

— Se não tiver problema hoje mesmo.

— Não tem nenhum.

— Você tem algo que tenha que pegar?

Olhei para trás e vi a minha maleta no chão, o encarei novamente e lhe respondi.

— Não, nada, só tenho isso mesmo. Na verdade, deixa eu conferir.

Me abaixei e abri a minha maleta. Roupas, pente, produtos de higiene, livro de história... cadê a minha foto com a minha mãe? Eu preciso dele, ele tem que estar aqui.

— Eu preciso só de uma coisa... que eu sei onde está, isso facilita pelo menos, não? – Perguntei

— Uhum, vamos pegar isso então?

— Eu consigo pegar sozinha, e é melhor você não ir também... você meio que vai... – O olhei de cima à baixo, muito charmoso e com roupas elegantes... muita atenção. – Chamar atenção por ser o príncipe.

— Mas eu insisto, por favor – Insistiu com certa carinha de manha.

— Ok, mas seja discreto; eu não vou poder, digamos que, entrar pela porta da frente.

— Por quê?

— Longa história – Suspirei cansada – Vamos?

Começamos à andar em direção da casa de minha antiga patroa, com Andrew em minha cola.

Ele colocou um capuz para esconder o rosto, porém o tecido do mesmo já chamava atenção, dava para perceber o quanto ele valia de longe. Mas tudo bem, já que ele estava relativamente longe.

Chegamos na casa e eu fui para o jardim sem que ninguém percebesse.

Vi a árvore que ficava do lado da minha janela e já soube como iria chegar lá sem ninguém me ver.

Ok, agora só preciso subir, o que não é realmente difícil eu diria, na verdade, essa é a parte mais fácil.

Essa árvore não tinha tantos galhos embaixo então seria considerada difícil de escalar para algumas pessoas que não estão acostumadas.

Comecei a andar um pouco para trás, não dei dois passos e esbarrei em algo.

Olhei sobre o me ombro e vi o príncipe, corei um pouco e pedi licença, ele foi mais para o lado e deu mais um passo para trás.

Peguei impulso e corri até chegar na árvore, pulei e dei dois “passos” no troco conseguindo depois agarrar em um galho, ficando pendurada nele com o corpo estirado, balancei-me no galho até que tivesse força suficiente para subir nele. Parei meio em pé, apoiada com os pés e os braços estendidos para ter equilíbrio, me levantei, andei por ele, segurei mais acima e subi, em seguida entrei em minha janela.

Tentei não fazer barulho, por sorte sempre tive pés leves, então não foi um problema.

Olhei em volta e vi que a foto continuava no mesmo lugar, menos mal, assim não me demoro aqui.

A peguei e fui em direção à janela novamente, sem nenhuma interrupção.

Desci e vi Andrew boquiaberto.

Será que ele viu algo estranho? — Pensei sem entender.

Ele assoviou lentamente enquanto eu andava em sua direção.

— Vamos? – Perguntei parando próxima a ele.

— Sim... – Falou meio abobalhado.

É sério, o que aconteceu com ele?

*****************

Estávamos a caminho do castelo, dessa vez estávamos em uma carruagem. Eu olhava ao meu redor com curiosidade, nunca tinha visto tantas casas bonitas assim, muito menos várias carruagens e até mesmo alguns carros, algo novo por aqui.

No caminho você podia ver claramente a diferença entre as classes sociais.

Pensando bem agora, por que o príncipe foi lá ontem sendo que tem tudo isso e muito mais onde ele mora?

Será que posso perguntar isso? Acho que vou me intrometer demais...

Decido perguntar mais tarde, afinal vou ficar muito tempo com ele agora, posso perguntar depois.

Acabei corando quando percebi aquilo.

Eu realmente vou ter que ficar quase todo o tempo com ele? Depois vejo isso certinho, está legal ficar vendo a paisagem.

— Aqui é bonito – Comentei olhando pela janela da carruagem.

— Realmente – Concordou também olhando pela janela – Chegamos – O ouvi falar quando vi um enorme portão branco sendo aberto por guardas, logo mostrando o imenso castelo de pedras brancas, ou algo parecido com isso.

Havia um enorme campo ou jardim antes do castelo. Na porta do castelo (Que parecia ser feita da melhor madeira do mundo em minha opinião) havia o brasão da família. Simplesmente lindo.

Tinha algumas pilastras bem grandes na frente dele, um pouco longe da porta. Era enorme, até mesmo algumas janelas são meio grandes. Também haviam várias torres, tão altas e grandes quanto qualquer outra coisa que eu já tenha visto.

Nunca achei que teria algo assim no país. Tão imenso...

Olhei para a esquerda e vi um guerreiro montado em um cavalo marrom vindo em nossa direção.

— Alteza – Falou parando ao lado da janela da carruagem – Seu pai, o rei, deseja falar com o Senhor.

— Ótimo, também desejava falar com ele, obrigado – Agradeceu e continuamos a seguir à porta do castelo.

Paramos e Andrew saiu primeiro, quando eu ia abrir a minha porta a vi sendo aberta por Andrew.

— Obrigada – Agradeci a Andrew e aceitei a sua mão.

Ele me ajudou a descer e em seguida falou sorrindo:

— Imagina. Vamos?

Assenti e os guardas abriram a porta do castelo para passarmos.

Entrei no castelo e não sabia nem onde olhar primeiro de tantas coisas que haviam lá dentro.

— Eu vou falar com o meu pai, fique à vontade.

Antes que eu pudesse falar algo ele saiu e foi para algum lugar desconhecido por mim.

— Ok... – Falei olhando para o lado e pensando no que eu faria agora.

Será que eu podia andar por aqui? Fiquei receosa por um tempo, mas logo a curiosidade fala mais alto, queria explorar pelo menos o primeiro andar e, quem sabe, olhar o jardim também.

Comecei a andar pelo primeiro andar, por onde andava via um quadro, alguns do rei e da rainha, outros do príncipe e também de uma menininha, ela devia ter uns 13 anos, tinha também de alguns artistas provavelmente famosos, mas que eu não conhecia. Porém com todos esses quadros um em especial me chamou a atenção.

Era um quadro onde parecia ter uma guerra entre o bem e o mal, anjos e demônios, porém não era isso que me chamou atenção.

Havia uma certa “lenda” por trás desse quadro.

Os anjos estavam descendo do céu e os demônios subindo do inferno, como deve ser, porém, algumas pessoas acham que o quadro está de ponta cabeça e que haverá uma guerra entre seres de outro mundo com o nosso, onde os demônios viriam do céu (do espaço na verdade) e os anjos da terra que seriam as pessoas que lutariam com eles.

Eu não acredito muito nisso, mas nunca se sabe.

Continuei andando e acabei parando no jardim.

Aquele lugar era enorme, para onde eu olhava ou via flores e pedras ou muitas árvores. Acho que nunca tinha visto um lugar tão colorido.

No meio havia um caminho de pedras, onde me senti tentada a seguir, e foi o que eu fiz.

Comecei a seguir por esse caminho. Parecia que nunca acabaria, enquanto eu andava por aí eu ficava vendo algumas fontes, esquilos, borboletas e outros animais.

Uma hora começou a aparecer um laguinho envolto por pedras, como se estivesse o contornando, esse laguinho foi seguindo até o final do jardim.

Assim que cheguei no final vi algo parecido com uma casinha de madeira, só que aberta. Havia algumas escadinhas para chegar lá. Tinha somente um telhado sustentado por algumas pilastras. Lá em cima tinha uma mesinha branca no centro e duas cadeiras da mesma cor. Tudo isso com uma cerquinha de madeira cercando o lugar.

Nele eu vi o rei e o príncipe conversando. O rei parecia meio bravo e o príncipe destemido.

Mesmo morrendo de curiosidade preferi sair de lá, era o mais prudente a se fazer, até porque eu acho que o rei ficaria bravo se me visse lá.

Comecei a dar meia volta, mas quando estava quase virando totalmente observei de canto de olho o rei me olhando e prestando atenção em mim.

Ferrou,— pensei — não fala comigo, não fala comigo, não fala comigo.

— Ei! Você – Escutei o rei falando e gelei – Pare.

Parei de me mexer e me virei, com medo.

— Seu nome.

— Luana.

— Então você é a Luana. O que está fazendo aqui?

—Ahm... – Não sabia o que dizer, eu só sabia que estava ali à trabalho, um provável trabalho na verdade.

— Eu a trouxe aqui – Falou Andrew saindo de onde estava e vindo em minha direção.

Pegou em minha mão e me levou até onde o rei estava

— Ela vai trabalhar para mim agora.

— Eu ainda não permiti isso – Disse o rei me olhando com desprezo – Não acho que uma menina consiga dar conta desse cargo.

Me senti ofendida, de verdade, essa é realmente a única coisa que eu tenho certeza que me sairia bem.

— Eu consigo – Falei convicta.

Ele me olhou ainda com desprezo e com superioridade.

— Ninguém dirigiu a palavra a você – Falou o rei.

— Não fale assim com ela – Disse Andrew me defendendo – Eu que devo escolher isso, afinal, é de mim que ela irá cuidar.

Falando assim até parece que eu vou ser a mãe dele...

— Ainda não acho que essa daí irá dar conta.

— Eu consigo! – Falei novamente, mais alto – Se quer ter tanta certeza, por que não faz um teste comigo ou algo parecido?

O rei pareceu pensar por um momento. Deu um sorriso e falou:

— Tudo bem, aceito a sugestão, mas duvido que conseguirá passar. E se passar pode ter uma única certeza. – Fez uma pausa e veio em minha direção chegando com o seu rosto bem próximo do meu – Que vou fazer da sua vida um inferno, vou dificultar até um ponto em que você jogue tudo no chão e desista desse trabalho.

Engoli em seco, mas não demonstrei medo, não vou dar esse gostinho para ele.

— Eu vou aguentar – Respondi olhando em seus olhos.

— É o que vamos ver – Falou agora se afastando – Vamos para o arsenal.

***************

Começamos a andar por alguns lugares que, ao meu ver, eram escondidos, porque se eu não prestasse tanta atenção não veria nunca. E chegamos em um lugar de pedras e cheio de armas, até mesmo na parede haviam algumas armas penduradas ou lanças encostadas.

— Eu vou lhe dar algumas ordens e você terá que acata-las no menor tempo possível – Disse o rei e me preparei.

Observei o local inteiro, tentando memorizar a maior parte do local. Sabia que provavelmente seria para eu pegar alguma arma e levar para ele.

— Lança.

Corri para onde estavam as lanças e peguei uma colocando na mesa que estava em frente ao rei.

— Adaga – Corri e peguei – Espada, escudo... – E assim foi indo.

Depois de mais uns 6 tipos de arma ele falou:

— Armadura.

Onde é que ela está?

Fiquei olhando o local inteiro, não estava achando. Até que olhei em um armário de vidro e a vi estendida, já montada, como se um cavaleiro a estivesse vestindo.

Trancada.

‘Tá’ de brincadeira né?— Olhei para o rei e ele estava com um sorriso irônico.

Procurei em todos os lugares e não achei a bendita chave.

Acabei achando um clipe e o estiquei um pouco. Irei usá-lo para abrir o armário, isso já me salvou várias vezes de ficar presa em alguns lugares.

Assim que o usei e peguei algumas partes da armadura, levei para a mesa em frente ao rei; levei duas viagens para pegar toda a armadura.

Coloquei a última peça em cima da mesa e olhei para o rei que estava com uma expressão carrancuda.

Ninguém falou nada por uns 3 minutos, que foi o tempo para eu recuperar o ar que havia perdido.

— Ela acertou todas as armas e ainda as pegou rápido. Além de que ela deu um jeito de pegar a armadura. Não sei como ela aprendeu a fazer isso ou com quem, mas é bem útil – Concluiu Andrew.

O rei foi saindo, sem falar nada, quando chegou na porta, apenas segurou a maçaneta, abriu a porta e parou antes de sair

— Você começa amanhã. Algum empregado irá lhe mostrar o seu quarto. Vamos ver quanto tempo você aguenta – Disse e saiu em seguida.

Em primeiro momento eu fiquei sem reação, depois com um sorriso no rosto, mas ainda não me mexia.

— Bom, eu ia treinar agora – Escutei Andrew falando e olhei para ele, que estava com as bochechas um pouco rosadas – Quer ir junto?

— Adoraria – Falei sorrindo -, Mestre – Completei brincalhona, isso fez com que ele ficasse ainda mais vermelho.

Eu achava isso engraçado, porque, pelo o que eu percebi, com as outras pessoas ele é mais sério, no máximo dava um sorriso.

— Não precisa me chamar assim – Falou olhando para o outro lado.

— Ok... – Falei – Mestre.

Notas finais
E aí? Gostaram??!! Espero que sim! :3 Até a próxima!!! Bjuuus!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.