Eu senti toda a fúria de Regina, era quase como se pudesse sentir que toda a história se repetiria, a perseguição dela com minha mãe teria sido só o começo e agora eu seria perseguida pelo mesmo motivo: Tomar o seu final feliz. Todo o choque da realidade me atingiu, eu tinha feito o mesmo que minha mãe tinha feito antes, tinha arrancado a felicidade de Regina quando ela finalmente estava conseguindo vencer o medo de ser feliz de novo.

“Só espere não ter trazido nada mais de volta.”

Sua voz ainda soava em minha mente, ela realmente estava falando sobre o medo de eu ter trazido alguma outra coisa do passado ou se referia a ela mesma? Eu tinha acabado de trazer a Rainha Má à tona novamente? E eu nem sequer podia tentar me justificar: eu tinha sido alertada por Rumpelstiltskin e por Hook de que não devia interferir no passado e, ainda assim, tinha trazido aquela mulher de volta. E, eu temia isso, tinha acabado de trazer de volta o pior lado de Regina.

Minha intenção não era envolver Mary Margaret e David naquela história, mas eles já sabiam como lidar com ela e eu, apesar de já ter quebrado uma maldição, ido à Floresta Encantada, ajudado a derrotar um Wraith, ido à Terra do Nunca, ajudado a derrotar Peter Pan e Zelena, e, como se não bastasse, tinha acabado de voltar no tempo onde de uma forma ou de outra tinha ajudado meus pais a se encontrarem e se apaixonarem — claro, isso depois de ter destruído a oportunidade de eles se encontrarem quando deviam tê-lo feito -, mas ainda assim, eu sentia medo de Regina porque tudo o que eventualmente acontecesse com ela afetaria Henry e eu não podia deixar que meu filho acabasse se machucando.

Aproveitei quando Henry levantou e foi pedir um chocolate quente com canela para Ruby e voltei a me sentar na mesa, meus pai quase não perceberam minha presença pois estavam ocupados demais encantando-se com cada movimento do pequeno príncipe Neal.

– Mary, David, eu acho que irritei Regina. – comecei, mas logo fui cortada.

– Ah querida, não deve ter sido nada... – minha mãe falou sem levantar os olhos

– Vocês não estão entendendo. Ela estava se entendendo com Robin, tinha uma chance de construir uma família com ele e Roland, mas agora eu acabei trazendo Marian de volta! Ela devia ter morrido, mas eu não consegui deixa-la lá! – minha voz começava a se alterar e alguns olhares já se voltavam para nós, então tentei me controlar – E agora Regina disse que eu tenho que esperar não ter trazido nada de volta, e se eu acabei trazendo a Rainha Má?

Eles se entreolharam com cuidado, eu sabia que toda a história sobre a perseguição que Mary tinha recebido por ter contado o segredo de Regina o que, consequentemente, levou à morte de seu primeiro amor Daniel, estava passando em suas mentes, eu podia sentir o temor de seus corpos começar a fazer parte do meu também.

– Oh querida! – Mary suspirou puxando o bebê ainda para mais perto de si, como se aquilo fosse possível – Por que você interferiu no passado dessa forma?

– Eu não sei... – sussurrei encarando Henry sentado sorrindo no balcão – Mas eu não podia deixa-la lá para morrer! Eu simplesmente não podia!

– Está tudo bem, nós só temos que conversar com Regina. – David finalmente se pronunciou sem ter muita certeza em suas palavras, era como se ele só precisasse nos acalmar.

– Como se ela fosse entender David! Você se lembra bem do que ela fez comigo, certo? Nós temos que agir! Prender Regina antes que ela faça qualquer coisa contra Emma. Só precisamos de tinta de lula gigante.

– Claro, só isso – resmunguei irônica -, isso não vai dar certo! Não assim, alguém precisa conversar com Regina, para conseguir convencê-la de que eu não tive culpa.

– E quem devia fazer isso? – David questionou me encarando – Henry? Ela com certeza ouvia ele.

– Eu não vou envolver meu filho ainda mais nisso! Henry é só uma criança e já passou por coisa demais, principalmente depois de Peter Pan tentar tirar seu coração! – o medo crescia tanto na mesa que era quase palpável, eu tinha que me controlar, tinha que conseguir pensar em alguma coisa – Eu vou falar com ela, vou conseguir controlar Regina, caso não consiga, ao menos tenho magia para conseguir lidar com ela.

Levantei e me encaminhei para a porta do Granny’s ainda tentando pensar em alguma forma de conseguir dialogar com Regina, um argumento qualquer que fizesse mais sentido do que “Eu não podia deixa-la morrer”, porque apesar de fazer sentido na minha cabeça, para ela eu só estava fazendo o mesmo que minha mãe.

– Onde você pensa que vai amor? – Hook me agarrou pela cintura e tentou me beijar, mas eu não estava com a menor vontade de ter os seus lábios nos meus, a única coisa que eu pensava era em Regina, no que ela devia estar sentindo e no que eu tinha que fazer para amenizar o que tinha acontecido – Emma, o que está acontecendo?

– Nada Killian, eu só preciso resolver algumas coisas.

– E não vai me chamar para ir com você? – seu sorriso presunçoso se estendeu por seu rosto e eu me esforcei para conseguir sorrir de volta.

– Eu tenho que fazer isso sozinha, sinto muito.

Ele pareceu sentir vontade de insistir, no entanto se controlou quando viu minha expressão e se limitou a dar os ombros antes de voltar para dentro do restaurante. Caminhei até meu carro, um fusca amarelo de placa 836-M4X, já não conseguindo mais me concentrar em Regina, porque agora tinha sido atingida pelos questionamentos sobre o que sentia por Hook, o fato é que ele estava me encantando a cada dia, se mostrando uma pessoa completamente diferente do que eu supus que ele era, mas o que eu sentia por ele nem sequer chegava perto do que eu senti por Neal um dia e eu duvidava que um dia pudesse ao menos se parecer com aquilo, ele estava encantador, no entanto eu não via futuro nenhum naquela relação, nós dois éramos iguais demais e eu sabia que nunca conseguiria conviver com uma pessoa que tivesse a mesma personalidade que eu, principalmente quando essa pessoa tem o ego pelo menos dez vezes maior do que o meu.

Entrei no carro, o liguei e dirigi pelo caminho que já tinha percorrido várias vezes quando ia pegar Henry na casa de Regina e assim acabei me lembrando da primeira vez que percorri aquele caminho.

Henry tinha acabado de me procurar, exatamente no dia do meu aniversário e eu ainda não conseguia admitir o quão feliz estava por tê-lo de volta em minha vida porque estava amedrontada demais para isso, eu o tinha entregado para a adoção porque queria que ele tivesse um futuro melhor, algo que ele nunca teria se ficasse ao meu lado, não quando eu estava na prisão e o pai dele tinha me abandonado. Eu, simplesmente, não podia deixar que ele voltasse à minha vida, não quando eu não tinha nada para oferecer, não quando ele tinha uma família.

Regina tinha aparecido no momento em que eu tentava convencer Henry de que ela o amava, o modo como abriu a porta enquanto chamava o seu nome e correu em sua direção me fez perceber que ela o amava, que aquela mulher faria de tudo para tê-lo consigo, aparentou ser uma mulher forte e decidida e no momento em que me vi sozinha com ela percebi que não havia nada de precipitado em meu julgamento, aquela mulher de cabelos negros e olhos cor de chocolate era, de fato, forte, eu só não sabia ainda que ela era, como alegado por Henry, a Rainha Má.

Balancei a cabeça negativamente, tentando afastar de minha mente a imagem de seu rosto, aqueles olhos cheios de algo que eu não conseguia entender direito se era ódio ou amor, seu nariz fino, seus lábios sempre pintados de vermelho e aquela pequena cicatriz branca que a deixava tão atraente... Suspirei, ainda não tinha ideia do que dizer para ela, de como conter sua ira.

Estacionei o carro em frente a imponente mansão da prefeita imaginando se ela estaria de fato ali dentro ou se tinha ido para algum outro lugar, me perguntando se eu já tinha a resposta para enfrentar sua cólera e se eu seria capaz de conte-la. Desci do carro e andei pelo jardim até chegar a porta, bati três vezes e esperei que viesse abrir, o que não tardou a acontecer.

– Swan, o que está fazendo aqui? – questionou aparentemente entediada enquanto segurava uma taça e eu podia jurar que ela estava bebendo cidra de maçã – Não devia estar na Granny’s comemorando? Eu já perdi a contagem, mas deve estar de 10 para a família não-tão-encantadora-assim a 0 para a rainha má, então, por favor, não me importune.

Senti a dor nas suas palavras, por mais que estivesse tentando parecer tão forte como sempre demonstrava, eu conseguia saber exatamente o que ela estava sentindo porque a sensação de abandono que ela estava sentindo também já havia se apossado de mim várias vezes, desde quando estava no orfanato até recentemente na Floresta Encantada quando minha própria mãe não conseguiu me reconhecer. E, de repente, eu me senti envolvida pela solidão de Regina porque a identificava como a minha.

– Eu vim para ficar com você.

Ela gargalhou, mas não me expulsou, como imaginei que faria, apenas deu as costas e voltou para dentro de casa, onde se sentou, confortavelmente, no sofá, caminhei em seu encalço e me sentei ao seu lado, conjurando uma taça para mim, já satisfeita com o que eu conseguia fazer com magia, e me servindo de sua cidra, no entanto ela não esboçou nenhuma reação positiva.

– O que você realmente quer Senhorita Swan? – deu ênfase ao meu nome e não entendi porque me deliciei ao ouvi-lo ser pronunciado daquela forma – Que eu aplauda seus truques ou que eu perca minha paciência?

– Regina, eu não queria...

Ela levantou a mão me interrompendo, solveu todo o líquido restante em sua taça e voltou a se servir sem se preocupar com qualquer explicação que eu pudesse dar sobre o que tinha acontecido.

– Claro que você não queria! Assim como sua mãe não quis destruir minha felicidade quando contou à minha mãe sobre Daniel e eu tive que assisti-lo morrer. Na verdade, eu deveria estar feliz por você não ter atirado em Robin ou qualquer outra coisa assim, não é mesmo? – suspirou pesadamente e passou a mão por seu cabelo, desarrumando-o – É como Rumpelstiltskin disse: Vilões não tem finais felizes. Eu é quem fui errada ao acreditar, pelo menos uma vez, que as coisas dariam certo.

A amargura em sua voz denunciava toda a tristeza que ela carregava consigo, toda aquela carga de consternação que insistia em ir com ela aonde quer que fosse e parecia não ter fim, e eu finalmente conseguia olhar para aquele poço, finalmente conseguia entender Regina, percebia que ela era tão parecida comigo em tantos sentidos e ao mesmo tempo tão diferente. Éramos duas faces da mesma moeda.

– Você não é uma vilã Regina. Você só fez algumas escolhas erradas – ela gargalhou e eu tentei não me sentir influenciada por aquilo –, e você sabe que eu falo sério. Você lutou até o final contra Pan! Você fez a escolha de abrir mão de Henry, que é aquilo que você mais ama, para não deixar que uma nova maldição consumisse a cidade! Você conseguiu derrotar Zelena usando magia branca, porque a bondade está dentro de você, tudo o que tem a fazer e esperar que ela se manifeste!

Minhas palavras soaram desesperadas e ela me encarou arqueando uma sobrancelha, seus olhos ainda estavam cheios de tristeza, mas eu podia ver que acima disso, acima de qualquer coisa que ela pudesse estar sentindo naquele momento, ela sentia prazer em me dizer que eu estava errada pelo simples fato de sempre querer ser superior.

– Então você está dizendo que eu mereço um final feliz, é isso? – balancei a cabeça vigorosamente afirmando – Ora, Emma – e mais uma vez acabei me deliciando com o modo como ela pronunciou o meu nome – isso só pode ser mais um disparate seu! Se eu merecesse, de fato, um final feliz, você não teria trazido Marian de volta e eu poderia ter uma família: Eu, Robin, Roland e Henry. Mas nada disso vai poder acontecer, e você sabe o porquê, não sabe? – sua voz se tornava cada vez mais ameaçadora e eu não conseguia mais me movimentar, só continuava olhando sua íris cor de chocolate – Porque vocês não conseguem me deixar ser feliz. Daniel, Henry e Robin. Vocês os tomaram de mim, um a um. E agora eu não posso nem ficar sozinha, porque você veio aqui me atormentar com essa maldita teoria de que eu vou ter um final feliz por não ser uma vilã. – gargalhou mais uma vez e um frio subiu por minha espinha, era como se eu pudesse sentir o mal se aproximar, e, de fato, Regina tinha encostado mais perto de mim no sofá, nossos joelhos já se tocavam – Eu sou ruim Emma, pior do que você imagina. As maldades de Zelena não são nada comparadas ao que eu tenho em minha mente nesse exato momento. Pan não passaria de um amador. Eles podiam ser ruins, mas eu sou pior em tantos modos diferentes que você ficaria assustada se ousasse ter qualquer tipo de pensamento no mínimo parecido com os meus.

Todo o meu corpo se arrepiou com o seu tom, mas eu não podia ceder a uma ameaça daquelas, tinha que bater de frente com Regina, não podia deixar transparecer medo algum, então bebi a cidra em minha taça e a apoiei em cima da mesa de centro, fixei meus olhos sobre os dela e a encarei como jamais havia pensado encarar alguma vez.

– Regina, quem você acha que está amedrontando? Eu posso não saber usar magia da mesma forma que você, mas não fico indefesa ao seu lado e você sabe bem disso. – seu lábio superior tremeu levemente e eu me senti tentada a tocar a pequena cicatriz branca – Então não pense que você vai me ameaçar e eu vou correr daqui, porque eu não vou. Eu não tenho medo de você, nenhum pouco de medo – e como se meu corpo tivesse vontade própria ele se aproximou ainda mais dela –, e você sabe bem disso. Então vamos facilitar as coisas pra nós duas enquanto eu entro nesse seu joguinho idiota, você me diz o que está pensando e eu te digo se você conseguiu arrancar o menor tremor de mim.

Eu nunca tinha tido nenhum dos pensamentos que se apossavam de mim naquele momento, mas a única coisa que eu queria era beijar aqueles lábios vermelhos e demolir o muro que ela estava tentando construir em volta de si porque eu tinha visto um lado seu que era capaz de amar, um lado que quase ninguém de Storybrooke tinha conseguido enxergar até agora, um lado que se mostrava presente cada vez que Henry estava em perigo, um lado tão contraditório com o que constantemente era mostrado por ela que provavelmente seria ignorado sempre que ela insistisse em demonstrar exatamente o contrário do que sentia.

Ela sorriu concordando com meu desafio, voltou a entornar o conteúdo de sua taça antes de deixa-la descansando junto a minha, e voltar a me encarar com malícia estampada em seu olhar.

– Eu vou destruir você. Destruir cada mísero pedacinho de felicidade que possa sequer ter passado por sua mente. – ela molhou os lábios com a língua sem desviar seus olhos dos meus, mas eu, no entanto, me peguei atenta a sua língua imaginando-a em minha boca – Cada segundo da vida que você achou que viveu ao lado de Henry não vai chegar nem perto de ser um sonho, você vai implorar para que eu te mate e enquanto estiver implorando eu vou me deliciar com cada pedido seu, cada murmúrio vai ser motivo para o meu mais profundo júbilo – ela aproximou o rosto do meu provavelmente tentando parecer ameaçadora, mas eu só consegui me concentrar em como estávamos perto uma da outra e em como meu corpo parecia estar pedindo pelo dela mais perto – e quando eu acabar com toda a sanidade que você ainda possuir – sussurrou com os lábios em meu ouvido –, eu vou começar tudo de novo, só pelo prazer de ver como a Salvadora é fraca, de como eu posso fazer tudo o que eu quiser com você.

Seus lábios roçaram levemente minha orelha e o seu cheiro de maçã estavam embargando qualquer linha de pensamento que eu pudesse ter para me livrar daquela situação, eu só conseguia me ater a proximidade de nossos corpos e ao desejo que começava a transbordar meu corpo e apesar de nunca ter sentido nada do tipo por nenhuma outra mulher antes eu sabia que era certo.

– Eu certamente estarei tentada a implorar para você Regina – minha voz saiu mais rouca que o normal e eu esperei que não tivesse denunciado o estado de excitação que suas palavras tinham me proporcionado e consequentemente acabasse fazendo com que ela acabasse se afastando –, mas não por esse motivo que você está falando.

Afastei meu rosto do seu apenas o suficiente para poder encontrar seus olhos com os meus, a malicia dela ainda estava ali, eu podia sentir em cada palavra que ela havia pronunciado, em cada palavra que eu tinha respondido. Senti minha boca secar e passei a língua sobre meus lábios para molha-los, seu olhar acompanhou minha língua da mesma forma como os meus tinham a acompanhado quando tinha feito um movimento parecido. Aquele olhar pareceu aquecer todo o meu corpo e eu me esqueci completamente do que tinha ido fazer ali, eu a queria pra mim, desejava ardentemente aquela mulher que não tinha feito nada além de perseguir a minha família desde muito antes de eu nascer.

Não consegui me conter, não tinha porque fazer aquilo, procurei seus lábios com os meus e a vontade dentro de mim cresceu muito mais, eu já não tinha o menor pudor. Minhas mãos se enrolaram em seus cabelos negros, em uma tentativa de trazê-la para ainda mais perto, uma tentativa de não deixar que se afastasse de modo algum, mas logo percebi que ela não o intencionava, já que sua língua estava invadindo minha boca, tentando explorar todo aquele espaço. Sua boca pressionava a minha com tanta certeza do que queria que eu tinha ainda mais certeza do que meu corpo clamava para fazer com ela.

– Regina... – consegui gemer baixinho quando ela afastou nossos lábios e eu finalmente pude procurar pelo ar que já faltava aos meus pulmões, ao passo que ela só sorriu como se estivesse me vencendo e passou a beijar meu pescoço.

– Você pode implorar agora Swan – quando disse meu nome seus dentes mordiscaram levemente minha orelha e sua mão se prendeu em meus cabelos, me puxando ainda mais para si –, que eu posso até pensar em ser benevolente.

Antes mesmo que eu pudesse formular uma resposta ela se sentou em meu colo, forçando despreocupadamente nossos sexos por cima da roupa, e voltando a beijar meu pescoço. Aquela mulher definitivamente mexia comigo de uma forma inexplicável, cada ato estava fazendo com que eu a quisesse ainda mais.

– Eu quero você.

As palavras saíram da minha boca de forma atropelada, e eu senti seu sorriso contra a minha pele no instante em que as proferi, e se aquilo fosse só uma prova em que eu estava perdendo? E se Regina estivesse apenas se vingando como ela falou que faria? Não podia ser, aquilo era baixo demais, mesmo que para ela.

Voltou a atacar meus lábios com a mesma sofreguidão de antes e eu achei que finalmente tinha conseguido entender o que estava acontecendo: Regina estava despejando o seu desanimo e frustração em cima de mim. Estava de fato se vingando, mas não de uma maneira negativa dessa vez. Suas mãos procuraram a barra da minha camisa e em instantes ela estava jogando a peça para o outro lado da sala, sem se preocupar com o lugar em que ia parar, seus dedos, mais ágeis do que eu podia imaginar que fosse, se livraram do fecho do sutiã com facilidade e ela logo se pós a massagear meus seios, fazendo com que eu gemesse contra seus lábios. Seu sexo ainda friccionava o meu e eu rebolava sob seu corpo.

– Assim você parece ainda mais deliciosa, sabia? – ela murmurou afastando nossos corpos e eu imediatamente tentei puxa-la para mais perto, estava certa de que estava perdendo a minha cabeça – Fique calma Swan, nós estamos só começando. — Buscou o cós da minha calça e logo abriu o botão, se livrando da minha calça e meus sapatos em um único puxão, voltou a se sentar em cima de mim, buscando meus lábios, uma de suas mãos segurou minha nuca e a outra escorregou por cima de meus seios e abdome até parar em cima de meu sexo ainda protegido pela calcinha, sorriu deliciada ao notar o quão molhada eu me encontrava – Eu só quero que você peça, Salvadora.

Tentei me controlar, mas a forma como seu olhar me devorava e como seus dedos faziam pequenos movimentos por cima da calcinha estavam me descontrolando, Regina sabia ter o que queria quando desejava e eu sabia que comigo não seria diferente, então não faria diferença nenhuma tentar retardar o que estava prestes a acontecer.

– Eu quero que você me coma, Regina. – disse baixinho enquanto podia ver pelo seu olhar que ela estava se deliciando pela forma em que estava no controle da situação, mas percebi que minha frase não era o suficiente para fazê-la atender ao meu pedido – Por favor, Regina, me come.

Seu sorriso aumentou, e ela afastou minha calcinha para o lado, penetrando-me com força, eu automaticamente gemi, minhas mãos buscaram apertar o assento do sofá enquanto o resto do meu corpo respondia aos dedos que estavam dentro de mim, Regina aumentava o ritmo gradativamente sem diminuir a força e eu comecei a sentir meu corpo estremecer, sabia que estava quase lá, que acabaria gozando logo, mas quando percebeu que meus gemidos estavam cada vez menos contidos, Regina parou de se movimentar e tirou seus dedos de dentro de mim.

A encarei sem entender direito o que ela queria com isso até me dar conta de que ela estava me torturando da forma que disse que faria, mas eu tentaria me controlar, teria que entrar no seu jogo, estava longe demais para voltar agora.

– Regina, não brinque assim comigo.

Ela ignorou completamente o meu tom, se levantou e puxou minha calcinha, me deixando completamente nua, e se ajoelhou na minha frente, uma de suas mãos começou a arranhar de leve a parte interna de minha coxa enquanto a outra voltava a massagear meu seio, seus lábios começaram a marcar minhas pernas com beijos e mordidas, fazendo o caminho para o exato local em que seus dedos tinham estado instantes antes, lambeu toda a extensão do meu sexo calmamente, como se há muito estivesse esperando por aquele momento, posicionou minhas pernas sobre seus ombros e com seus olhos buscou os meus. Passou a me chupar com volúpia, sempre mantendo os olhos nos meus, me prendendo em um transe porque eu não conseguia simplesmente parar de olha-la, na verdade ver aquele olhar de dominadora só fazia com que meu tesão aumentasse ainda mais. Ela ameaçou se afastar e eu imediatamente levei minhas mãos até os seus cabelos, segurando-os firmemente para que ela não parasse novamente porque eu não aguentaria ser torturada daquela forma.

– Regina... por favor... só continue, sim? – consegui me pronunciar entre um gemido e outro enquanto sentia um turbilhão de sensações diferentes me invadir, eu nunca havia sentido nada daquilo antes, nem com Neal, nem com nenhum outro homem com quem me envolvi.

Dessa vez Regina não parou, continuou me estimulando com a sua boca até que eu atingisse o meu ápice e só se afastou quando soltei seu cabelo, levantou-se e estendeu a mão para mim, imediatamente a aceitei e quando dei por mim estávamos envoltas por uma fumaça roxa instantes antes de estarmos em seu quarto majestosamente branco. Ela não perdeu tempo, logo me empurrou em direção à cama e eu senti como se já tivéssemos feito isso um milhão de vezes antes, como se aquilo fosse o certo, como se Regina fosse o certo.

Ela tirou suas roupas lentamente, me provocando ainda mais, fazendo com que eu voltasse a ficar excitada apenas pela visão do seu corpo, seus seios fartos, cintura fina e quadril largo eram simplesmente perfeitos, sua pele era tão alva que parecia até brilhar, eu estava simplesmente maravilhada com o que aquela visão me proporcionava.

– Ora Xerife – me chamou, despertando-me do transe em que me encontrava –, não me diga que a única coisa que você vai fazer é ficar olhando.

E eu, que nunca tinha imaginado que Regina pudesse ser sexy ou que qualquer atributo feminino pudesse ser objeto do meu desejo, me levantei da cama o mais depressa possível, a teria para mim, da mesma forma que ela tinha me tido. Busquei seus lábios como se a ausência deles fosse o motivo da minha mais profunda tristeza e finalmente consegui sentir a maciez de sua pele sob o meu toque, apertei todas as partes que podia, trilhei um caminho até seu centro de prazer, tentando decorar todo o caminho percorrido, e ao sentir sua excitação um gemido involuntário escapou pelos meus lábios. Penetrei-lhe com dois dedos e ela suspirou contra meus lábios, esperei um pouco para que se acostumasse com a minha presença dentro de si para só então começar a me movimentar, entrando e saindo, afastei nossos lábios e passei a sugar-lhe o pescoço.

Seus gemidos e suspiros eram o maior incentivo que eu poderia ter para continuar me movimentando dentro dela, cada barulho que rasgava sua garganta aumentava minha vontade de tê-la, de fazê-la minha. Só quando ela passou a gemer meu nome é que percebi que ela estava quase atingindo um orgasmo, me preparei para tirar minha mão de dentro dela, mas como se pudesse ler meus pensamentos ela segurou meu braço e buscou meus olhos com os seus que queimavam em sinal de prazer.

– Eu não imploro Emma. Não se atreva a parar de me tocar.

Sua voz rouca e a dominação que parecia exercer sobre mim fizeram com que eu ficasse apenas mais tentada a te dar prazer, automaticamente desisti da ideia de parar de lhe tocar, voltei a movimentar meus dedos com rapidez, entrando e saindo de dentro dela, até o momento em que cravou as unhas em minhas costas e jogou sua cabeça para traz. A puxei para mais perto de mim, a abraçando enquanto suas pernas ainda não pareciam poder lhe manter de pé. Caminhei lentamente, a puxando comigo em direção a cama onde a deitei antes de me deitar ao seu lado. Só então pude perceber a loucura que estávamos fazendo, se meus pais pudessem imaginar o que estava acontecendo – e eu pedia aos céus que nunca nem sequer uma ideia do tipo passasse por suas mentes – no mínimo diriam que Regina estava me corrompendo com a sua magia das trevas. Ri com aquele pensamento e ela se virou para me encarar, seus olhos ainda demonstravam desejo e a chama que estava quase apagando dentro de mim voltou a se acender.

Busquei seus lábios e ela correspondeu na mesma intensidade, deixei que minhas mãos viajassem por seu corpo, massageando levemente seus seios em uma breve parada antes de seguir o caminho até suas nádegas, as apertei adorando sentir a maciez de sua pele, mas não pude aproveitar o momento do modo que queria, pois suas mãos alcançaram minha perna direita e a levantaram, em um movimento brusco ela se encaixou entre minhas pernas, unindo os nossos sexos, deixando-me molhada com a sua excitação e fazendo com que a minha também a molhasse. Então começou a rebolar, primeiro devagar, mas depois acabou perdendo a sua compostura, forçando seu quadril cada vez mais forte e mais rápido, como quem perde o controle, e eu não estava em uma situação diferente, a sensação de tê-la ali tão perto de mim, me tocando tão intimamente fazia com que todo o resto da minha vida não passasse de um borrão, alcancei sua cintura com minha mão puxando-a para ainda mais perto, para que não se afastasse em momento nenhum e momentaneamente fui tirada da minha própria mente, senti todo o meu corpo arquear junto com o dela. Nós havíamos gozado juntas.

Regina, agora exausta, voltou a se deitar do meu lado e encarou o teto, passei meu braço por seu abdome, a abraçando como nunca pensei que faria.

– Você pode tirar toda a minha sanidade, Rainha má – murmurei enquanto me aconchegava melhor em seu corpo – se fizer isso tudo novamente. E eu juro que não vou me importar em implorar e mostrar como sou fraca.

Ela gargalhou divertida e me apertou contra seu corpo.

– Oh, por favor, cale a boca. – o sorriso em seus lábios me fez presumir que ela tinha gostado daquilo tudo tanto quanto eu – Só aproveite enquanto eu ainda a deixo sã.

Eventualmente acabei adormecendo e quanto acordei Regina não estava mais na cama, cocei os olhos enquanto me sentava, minhas roupas estavam dobradas em cima da cama, as vesti calmamente enquanto repassava toda a tarde em minha mente, tudo o que havia acontecido com Regina e o modo como eu tinha gostado até demais de estar com ela.

– Regina? – chamei baixinho enquanto acabava de colocar minhas botas.

Ela saiu do banheiro enrolada em um roupão, com os cabelos molhados caindo sob os seus ombros e me encarou já vestida, balançando a cabeça em reprovação.

– Encantado já ligou várias vezes – apontou para o celular no criado mudo -, e tinha uma mensagem da sua mãe perguntando o que está acontecendo. – arqueou uma sobrancelha e sorriu provocante – Eu aposto que você não vai contar nada para eles, mas eu queria muito saber qual é o motivo para eles estarem tão preocupados.

– Talvez eu tenha dito a eles que trouxe a Rainha má de volta, não me entenda mal, mas depois do que você disse no Granny’s foi tudo o que eu podia pensar! Que você me perseguiria da mesma forma que fez com Mary!

– Eu tinha planos melhores para você. – respondeu entre dentes enquanto se encaminhava para o armário, deixou o roupão escorregar por seu corpo, me dando uma visão completa – De qualquer forma, Swan, eu acho melhor você ir embora agora, não quero toda a população aqui na porta fazendo agitação. Preciso descansar.

Pensei em dizer que a ela que não queria ir embora, que queria passar a noite ali e que não me importaria com o que qualquer outra pessoa pudesse pensar ou dizer, mas acabei me lembrando de como Regina era constantemente alvo de ameaças e olhares incriminadores, de como tinha sido acusada de lançar a nova maldição sem nunca tê-lo feito, e acabei concordando que sua ideia era a melhor, depois, do jeito que meus pais eram, provavelmente já estavam reunindo todos para me salvarem de um mal que não existia, pelo simples fato de não conseguirem confiar nela.

Ela acabou de se vestir e se virou para me encarar, aproximou-se lentamente e selou nossos lábios com certa candura em relação a todas as outras vezes que tinha feito aquilo.

– Não se preocupe Emma, eu ainda não desisti de continuar me vingando de você. – sorri com a ideia – Porque a Rainha má realmente voltou, mas ninguém além de você precisa ficar sabendo disso.

Me despedi dela e sai da casa, em direção ao meu fusca e dirigi até o Granny’s, lembrava de cada sensação que tinha sentido e desejava voltar a cometer aquela loucura logo porque cada célula do meu corpo parecia implorar para tê-la por perto.

Assim que entrei no Granny’s meus pais correram até mim, estavam visivelmente preocupados, considerei um milagre ainda estarem ali sentados sem fazer nada.

– O que aconteceu? Você conversou com ela? – Mary quis saber assim que deixou de me abraçar.

– Ela só precisava conversar, está tudo bem.

– Você tem certeza? – David questionou enquanto segurava Neal – Ela pode estar só tentando te enganar.

– Eu sei quando as pessoas estão mentindo para mim, Regina está bem, não vai sair lançando maldições ou me perseguindo.

Eles não acreditaram completamente em minha história, mas pararam de questionar assim que Henry veio para perto, aparentemente Hook tinha o levado para pescar durante toda a tarde, automaticamente acusei-me mentalmente por não ter lembrado dele – Hook – ou do beijo que havíamos trocado, mas eu não o amava, Neal tinha sido a única pessoa capaz de despertar um sentimento tão forte.

***

Mais tarde, depois que todos tinham dormido, as imagens da tarde com Regina ainda me perseguiam e eu acabei não resistindo ao desejo de fazer com que ela fosse minha de novo, logo estava me encaminhando em direção à sua imponente mansão, como tinha feito horas mais cedo, apertei a campainha e esperei pacientemente.

– O que será que aconteceu agora? – ela resmungou do outro lado da porta – Ninguém nessa cidade gosta de mim, mas continuam insistindo em vir fazer com que eu perca minha paciência! – eu sentia a irritação em sua voz, mas só quando abriu a porta eu consegui ver seu olha impaciente, como se estivesse prestes a me matar. – O que você quer Xerife? Aconteceu alguma coisa com Henry?

– Eu só vim pra você continuar me enlouquecendo, Rainha.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!