Cheguei em casa e tentei não fazer barulho nenhum, coloquei o skate devagar no chão, tirei os sapatos e fui em direção à escada, mas quando cheguei perto da porta da cozinha o chão estava molhado. Eu estava na ponta dos pés e escorreguei, batendo o meu tênis em um vaso vazio que caiu no chão, logo atrás de mim. O bom é que meu pai tem um sono muito pesado e não acordaria de jeito nenhum e a Olivia estava bêbada, então não acordaria de nenhum jeito.

Limpei toda aquela bagunça e fui pro meu quarto. Quando abri a porta, cai na gargalhada. Encontrei Olivia jogada no chão e as pernas na cama. \"\" Deitei-a de novo na cama e deitei ao seu lado. Fechei os olhos e peguei no sono.

Eu e Justin estávamos discutindo. Discutindo feio. Estávamos na casa dele e eu sai de lá correndo entrei no carro dele e quando o liguei, Justin entrou no banco do passageiro.

-Justin sai daqui. – eu gritei – eu não quero mais te ver.

-Eu não vou sair do carro – ele gritou

- Se não vai sair do carro, então vai comigo. – eu acelerei e sai feito uma louca pelas ruas.

- Babi, vai devagar.

- Você um filho da p**a. – eu gritava enquanto chorava e dirigia. – nem isso, porque sua mãe não merece!

Eu falava sem parar. Falava não, gritava. Justin gritava de volta. Até que ele disse calmo:

- Babi, para com isso, eu te amo.

Eu freei bruscamente. Justin nunca disse que me amava. Agora as lágrimas que escorriam eram de raiva e de alegria ao mesmo tempo. Depois que enxuguei meus olhos percebi que tinha parado em um cruzamento. E então vi uma luz muito forte atrás da cabeça de Justin. Ele sorria pra mim. Então o formato de um caminhão se formou atrás dele e eu só conseguia ouvir o meu grito.

Eu gritava muito alto. Transpirava demais. Meus olhos estavam arregalados. Tentei respirar normalmente, mas não conseguia.

Quando me acalmei peguei o meu telefone e liguei pra Justin.

-Oi meu anjo. – Justin atendeu no terceiro toque.

- Oi, desculpa ligar a esse horário, mas eu precisava saber se você está bem. – eu disse com uma voz de choro e soltei alguns soluços. Ele percebeu que eu estava chorando.

- Anjo, porque você está chorando?

- Eu tive um pesadelo horrível. – eu ia continuar a falar, mas ele não deixou.

-Você quer que eu vá até ai dormir com você?

- Não dá, a Olívia esta dormindo aqui.

- Quer terminar a noite comigo, anjo?

-Vem me buscar? O mais rápido que conseguir.

- Já estou indo.

Em meia hora, meu celular tocou, era uma mensagem de Justin, dizendo que já estava lá embaixo.

Desci as escadas sem fazer barulho, deixei um bilhete grudado na geladeira.

Pai ou Olivia,

Eu dormi na casa do Justin, volto amanhã.

Beijos

O papel estava cheio de gotas, pois eu ainda estava chorando. Eu estava apavorada com aquele pesadelo. Não podia se tornar realidade de jeito nenhum.

Quando eu vi Justin parado no carro me esperando meu coração disparou. Eu corri em sua direção e ele me deu aquele abraço que só ele sabe dar. Simplesmente o melhor abraço do mundo.

-É tão bom ter você aqui perto de mim. Saber que você está bem, saber que nós estamos bem. – eu disse olhando nos olhos dele.

-Sim, nós estamos. Mas eu ainda quero saber qual foi o pesadelo, ok?

- Por quê? Eu não quero mais falar sobre isso. – ele segurou meu rosto em suas mãos e olhou bem fundo nos meus olhos.

- Eu preciso saber o que assustou tanto a minha princesa. – ele disse e logo depois me beijou.

- Amor, eu preciso dormir, a gente pode ir logo pra sua casa? – eu disse fazendo cara de cachorro pidão.

- Vamos meu anjo. – eu sentei no banco do passageiro e Justin começou a dirigir, fomos em silêncio até a casa dele.

Justin POV

Nós entramos na minha casa e Babi se jogou no sofá.

-Não, mocinha. – eu disse esticando a mão e puxando-a.

- Ah, por que não? – ela disse com cara de cansada.

-Vem, eu te levo pra cama. – eu abaixei e a segurei como um bebê. Levei-a até o meu quarto e a deitei delicadamente na cama. Ela estava tão cansada que dormiu nos meus braços. Eu deitei ao seu lado e fiquei olhando para aquele rosto angelical. Depois de um ano, ainda não caiu a ficha que ela, logo a menina que um dia eu desprezei, me faria ser quem eu sou hoje. Eu já peguei todas as líderes de torcida, mas ela me mudou. Eu não sou mais o mesmo muleque que eu era. Agora, graças a esse anjo, eu me sinto quase um homem. O único fantasma que ainda me assombra sem que ela saiba é Brooke, a líder das meninas da torcida. Eu já namorava ela antes de conhecer Babi e quando eu terminei com ela, tudo uma loucura, ela ainda me persegue, mas eu não tenho olhos pra outra menina agora.

Acabei adormecendo ao lado de Babi.

(...)

Babi gritava como se estivesse sendo perseguida por um monstro ou como se alguma coisa tivesse machucando-a. Ela suava frio, seus olhos estavam arregalados e então ela começou a chorar. Deitou no meu peito e continuou chorando, mas tentava falar em meio aos soluços.

- Aquele mesmo .. pesadelo. – ela tentava dizer.

- Calma, meu anjo. Tenta se acalmar e depois me conta o que aconteceu ok? – ela afirmou com a cabeça.

(...)

Sua respiração voltou ao normal e ela já conseguia falar.

- Bebê, me conta esse sonho? – ela sentou na cama virada pra mim, respirou fundo e começou a falar.

- Eu estou aqui na sua casa, mas a gente está discutindo muito feio. Ai eu desço e entro no carro, você entra atrás. A gente continua brigando, até que você fala que me ama e eu freio com tudo. Aquilo me deixa muito emocionada, porque você nunca diz isso. Mas eu paro em um cruzamento e um caminhão bate no carro do lado passageiro e ai eu acordo apavorada!

-Ei, pequena. Isso não vai acontecer, tá? Vem cá. – eu disse puxando ela pra perto de mim. Ela deitou no meu peito.

-Promete?

- Prometo meu anjo.