Once I Dreamed With You, Now You Are My Reality
2 Is Not Just A Dream
Notas iniciais
— O QUE? – Gritou Kurt, se ajeitando na cadeira. Havia tomado um susto com a espontaneidade com que Blaine havia dito aquilo.
— Eu sei que é estranho. Boa noite, Kurt! Durma bem! Obrigado por ficar aqui para me fazer companhia. – Disse Blaine sorrindo.
Ele se aninhou e logo dormiu, sendo observado por um Kurt extremamente pensativo. Blaine simplesmente não havia dado bola para o fato de ter uma namorada – da qual nem se lembra – ter se lembrado apenas de Kurt e ainda por cima ter sonhado que estava casando com o castanho. Como alguém fala isso normalmente sem nem achar suspeito? Isso é estranho, não é? Assim que Kurt dispersou um pouco seus pensamentos ele resolveu ligar para seu pai para avisá-lo o que estava acontecendo, já que estava atrasado mais de quatro horas do horário que havia marcado de chegar em casa.
“Pai, antes que queira me matar, me perdoa pelo leve atraso.” – Começou Kurt, ouvindo seu pai bufar do outro lado da linha.
“Leve? Enlouqueceu, meu filho? Pelo menos me diga que está bem, porque eu já estava aqui morrendo de preocupação, Kurt.” – Kurt se sentiu mais tranquilo ao ouvir a voz do pai se acalmando aos poucos.
“Calma, pai, eu estou bem. É que aconteceu um pequeno acidente com um novo professor da escola e como eu era o único presente no local eles me pediram para que eu ficasse aqui com ele e também que eu passasse a noite no hospital.”
Kurt se sentiu um pouco mal de ter mentido para seu pai, mas era melhor que ele explicasse tudo quando já estivesse em casa. Não é o tipo de conversa para se ter em um hospital, ainda mais quando Kurt está tão encantado por Blaine que não conseguiria falar sobre ele sem belos adjetivos. Era melhor esperar para um momento onde ele não estivesse com o moreno.
“Tudo bem, mas quando você chegar em casa eu vou cobrar uma explicação melhor. Até amanhã, meu filho. Qualquer coisa que você precisar é só me ligar. Eu te amo!”
“Eu também te amo, pai. Boa noite!”
Kurt desligou o telefone e soltou um suspiro alto. Ele esperava que seu pai acreditasse que ele de fato estava em um hospital ao invés de imaginar que o castanho estivesse indo para uma festa para ficar bêbado e dormir com todos os caras que encontrar. O Hummel sabe que se ele se atrasa, nem que seja por apenas cinco minutos, é exatamente isso o que seu pai pensa.
Mas que pai não pensaria ou desejaria praticamente isso? Kurt nunca sai de casa a não ser para ir para a escola. Ele é tão entediante que algumas vezes cansa de si mesmo. E foi pensando nisso que ele acabou dormindo com as duas mãos apoiadas na maca onde Blaine se encontrava.
[...]
Kurt acordou-se sentindo carícias e mais carícias em seu pescoço. Abriu lentamente seus olhos, sentindo uma aguda dor ao mexer seu pescoço, pois ao que parecia acabou dormindo a noite inteira na mesma posição.
— Bom dia, senhor dorminhoco. – Brincou Blaine, sorrindo e encarando Kurt.
— Bom dia! – Kurt bocejou e Blaine sorriu ainda mais. – Há quanto tempo você está acordado? – O castanho se ajeitou em seu lugar na poltrona, tentando endireitar seu pescoço.
— Umas duas horas... eu acho.
— E por que diabos você não me acordou antes? – Uma irritação surgiu na voz de Kurt e ele se arrependeu no segundo seguinte pela carinha fofa que Blaine fez.
— Eu teria acordado, mas você estava tão... – Blaine foi interrompido pela porta que foi aberta.
A mãe de Blaine entrou no quarto feito um furacão já dando um belo “bom dia” para Kurt e para o filho. Kurt respondeu na maior alegria e simpatia, mas Blaine respondeu ao cumprimento de maneira seca.
— Blaine, já que você disse que confia em mm, confie mais ainda quando digo que pode confiar nessa mulher. Ela é a sua mãe, não vai te fazer mal algum. – Se pronunciou Kurt.
— Desculpa, mãe... – Blaine encarou Pam. – É que é muito difícil, vocês precisam entender o meu lado. Eu quero muito lembrar das coisas, mas eu não consigo.
— Filho, eu te entendo e é por isso que não vou ficar te aborrecendo ou te pressionando para que se lembre, só saiba que estarei aqui quando isso acontecer. – Ela falou sorrindo para o filho e ele deu seu melhor sorriso para ela.
Kurt ficou admirando o sorriso de Blaine. Tão sincero, tão encantador, tão lindo. Aliás, essa era a melhor definição para Blaine. Kurt simplesmente sentia que tinha encontrado a perfeição em pessoa.
— Hey! – Chamou Blaine. – Terra chamando Kurt!
— Me perdoa, eu acabei me distraindo. – Kurt acabou corando.
— E no que você estava pensando? – Blaine perguntou, novamente com seu enorme sorriso nos lábios.
— N-nada demais, ora... – Kurt se sentiu um idiota.
Ele acreditava que haviam momentos onde você podia gaguejar e esse definitivamente não era um desses momentos, pois Blaine e Pam ficaram o encarando com uma feição de quem suspeitava de algo.
— Você estava me admirando. – Blaine disse como se fosse óbvio.
— Eu não estava!
— Vou fingir que não percebi seu nervosismo, ok? Dessa vez passa, mas só porque você está um amor com essas bochechas vermelhas. – A simplicidade com que Blaine disse aquilo fez o coração de Kurt disparar sem igual.
Para a sorte do castanho, Dr. Ralph entrou no quarto e, com ele, a namorada de Blaine. Ou melhor, a irritante namorada de Blaine, como Kurt a denominou.
— Caro Blaine... preciso te fazer uma pergunta. – Se pronunciou o doutor. – Por que você acha que foi o destino que o fez cair nos braços de Kurt?
Kurt ficou sem expressão e ainda mais pálido do que já era. Ele só conseguia pensar no que aconteceria com ele agora. E se Rachel fosse uma serial killer e quisesse matar ele?
— Eu tive um sonho louco antes de acordar aqui nesse hospital. – Disse Blaine e Kurt apenas queria que eles mudassem de assunto.
— Que sonho? Você pode nos contar? – Perguntou Ralph.
Vocês podem até pensar que é exagero da parte de Kurt estar nervoso desse jeito, mas a questão aqui é que: Por mais que tenha sido apenas um sonho, essa é a única coisa da qual Blaine se lembra. Kurt é a única coisa que ele se lembra. Por mais que Rachel seja irritante Kurt não queria vê-la saindo magoada por pensar que o namorado não se lembrava dela, mas havia sonhado que estava casando com um menino. E essa é a pior parte para Kurt, porque ele está todo encantado por um homem que é heterossexual.
— Não vejo problema algum em falar. – Blaine encarou o médico. – Eu estava me casando com Kurt.
Rachel olhou com um ódio mortal para Kurt e começou a alternar seu olhar entre ele e Blaine.
— O que você quer dizer com isso, Blaine Anderson? – Ela parecia estar se segurando para não explodir. – Você é o meu namorado.
— Agora sim, piorou de vez. – Pensou Kurt.
— Ah, Rachel, que bom que você está aqui. – Blaine encarou a garota. – Estou terminando com você. Na verdade, eu nem sei o motivo de um dia termos começado com isso. Agora, se você puder me deixar aqui com minha mãe e com Kurt, eu agradeço.
— Bom, Blaine, eu vou ter que acreditar na sua teoria do destino, pois a medicina não consegue explicar o que está acontecendo com a sua memória. Aparentemente, você perdeu completamente sua memória. Mas, por outro lado, parece que não. Então, eu sinto muito, não há muito que eu possa fazer. – Disse Ralph assim que Rachel saiu do quarto revoltada e batendo por tudo que passava.
— Você pode pelo menos me dizer o que me ajudaria a lembrar? – Blaine perguntou um pouco triste.
— Seria bom você ir para sua casa, ver seu quarto, conversar com seus amigos, esse tipo de coisa.
— Pelo que eu entendi eu seria professor de Kurt. Será que eu posso continuar com essa carreira?
— Se você conseguir ser um professor para seus alunos, sim. Tirando sua memória, sua saúde está normal. Não há motivos para um alarme maior.
Os quatro ficaram ainda mais um tempo conversando, principalmente porque Blaine tinha ainda algumas dúvidas com o seu médico. Queria saber se lembraria das coisas do nada, se seria tudo de uma vez só ou lentamente e o médico o respondeu na maior calma. Mais tarde eles acabaram liberando Blaine do hospital.
Pam deu o endereço de Blaine e o telefone do mesmo caso Kurt resolvesse o visitar e o castanho também deu seu número, prometendo que ligaria assim que possível para eles.
Após todos se despedirem, Kurt foi para casa. Ao chegar na mesma, encontrou seu pai atirado no sofá, porém levantando com pressa para abraçá-lo assim que o viu.
— Filho, eu estava preocupado demais! Agora que chegou trate de me contar exatamente o que aconteceu. – Disse o Burt mais velho.
— Calma Sr. Hummel, ou vai ter um infarto. – Kurt disse rindo, já começando a contar toda a história para o pai.
— Então, deixe-me ver se entendi. – Kurt o interrompeu.
— Pai, não tenta entender, eu sei que isso é confuso, acredite em mim, eu ainda não estou acreditando.
[...]
O resto da semana se passou lentamente para Kurt. O castanho passou todos os dias pensando no moreno e pensando que o conhecia havia tão pouco tempo e ele já não saía dos pensamentos.
O celular de Kurt começou a tocar, despertando o mesmo de seus pensamentos.
“Alô?!” – Kurt falou.
“Hey, Kurt!” – Ok, só de ouvir aquela voz, Kurt já sabia muito bem quem era no telefone.
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