Notas iniciais
Espero que gostem ♥

— Hey, calma! Vai ficar tudo bem! – Ele disse, apertando-me mais contra seus braços.

E por um momento, eu acreditei que tudo ficaria bem. Ele é a primeira amizade que faço desde que eu tinha uns dez anos. Antes dos dez eu fazia amizade com qualquer pessoa. Não sei o que aconteceu depois disso. Mas eu só queria poder falar tudo para Blaine, agarrá-lo e dizer que eu o amo. Embora eu não saiba se o amo. Eu o conheço há uma semana. Eu acho que estou confundindo as coisas. Eu nunca me apaixonei, não sei nem se sei o que é se apaixonar.

— Não, não vai ficar tudo bem. Eu estou confuso e desliguei na cara do meu pai sendo que ele está certo, que tipo de filho faz isso? – Perguntei o encarando e sem cessar o choro.

— Quer me contar o que aconteceu? – Indagou Blaine e ele estava tão próximo de mim que eu queria mais que tudo beijá-lo, mas eu nem sei como fazer isso.

— Acredite, você não quer saber. – Eu disse o olhando e tentando decifrar o seu belo olhar.

— Acredite, eu quero saber. Mas se você não quer me contar, nós podemos ir dormir.

— Eu quero te contar. Mas não quero te assustar. – Eu disse encarando o nada.

— Kurt! Olha para mim. – Ele disse agora sentado de frente para mim, ambos estávamos sentados no chão. – Nos conhecemos há pouco tempo e eu sei que isso pode ser algo complicado. Mas eu quero que você saiba que pode confiar em mim, ok?

Eu cessei o choro e subimos para dormir, eu estava um pouco receoso por dormir na casa dele, mas se ele quisesse me machucar ou algo assim já teria feito. A não ser que estivesse esperando eu dormir. Eu me deitei em sua cama e ele se deitou ao meu lado. Dormimos juntos, porém separados. E eu suspirei triste por não poder encostar nele. Mas eu tenho que respeitá-lo.

Acordei com alguém abraçado em mim, logo percebi que era Blaine, não pude deixar de sorrir. Tentei me virar devagar para não acordá-lo, mas nem era necessário.

— Eu já estou acordado e pronto para a escola. O café da manhã está pronto. Você pode tomar banho se quiser, e pegar alguma roupa minha. – Ele disse sorrindo e eu me virei para ele.

— Será que você sempre foi assim? – Eu perguntei o olhando.

— Assim como? – Ele me olhou fofo, como sempre.

— Nada. Esquece. – Eu disse desconfortável. Qualquer coisa que eu disser poderá e será usado contra mim. Então, prefiro ficar na minha.

— Eu odeio quando você faz isso. – Ele disse e rapidamente seu sorriso se fechou e ele simplesmente saiu do quarto.

Desci as escadas correndo e tropeçando nos meus próprios pés, quando cheguei a cozinha ele estava sentado em cima do balcão tomando um suco, que pela cor eu jurava ser de morango.

— Ei! Me desculpa, mas, o que eu fiz? – Falei me aproximando, até que fiquei no meio de suas pernas e pensei comigo mesmo que aquela posição não era uma boa ideia.

Ele largou o copo ao seu lado e me encarou com os olhos brilhantes de sempre.

— Você fala as coisas pela metade. Eu fico curioso e quando eu pergunto você muda de assunto. Isso irrita, sabia? – Perguntou aparentando tamanha indignação.

— Desculpa, eu prometo que vou mudar. Eu não estou acostumado a ter amigos. Normalmente a única pessoa para a qual eu falo meus segredos é o meu travesseiro. Então, acho que dá para imaginar a minha solidão.

— Tome banho logo, vamos nos atrasar.

[...]

— Chegamos! – Disse Blaine quebrando o maldito silêncio dentro do carro. – Encontro você no ensaio e após o mesmo. Pode ser?

— Claro. – Falei, desci do carro e o acompanhei até a entrada da escola. – Blaine, boa sorte no seu primeiro dia. Te vejo no ensaio.

Ele me retribuiu um sorriso e eu fui para a aula de sociologia. Era uma das melhores aulas. Eu amava falar sobre todos os assuntos. A cada semestre tínhamos uma lista de assuntos novos e a professora estava passando os novos assuntos, os desse semestre estavam bem legais, até que eu encontrei na lista:

“Relações entre alunos e professores.”

Por algum motivo aquilo mexeu comigo e eu não me contive.

— Professora, qual tipo de relação entre aluno e professor? – Falei e logo ouvi algumas risadinhas, olhei para o pessoal que estava na direção do barulho e fiquei sério. – Qual o problema de vocês? – Perguntei especificamente para eles.

— Tirando o fato de que você chegou de carro com um dos novos professores e estava trocando sorrisos com o mesmo? Não temos nenhum problema. – Disse Sebastian, o aluno mais idiota da escola. Ele tinha uma grande implicância comigo e eu talvez nunca descubra o motivo. E o pior, ele também faz parte dos Warblers.

— Ele é meu amigo, além do mais eu fui o único que se preocupou com ele quando ele caiu da escada, e você, Sebastian, estava do lado dele e nem se animou a oferecer ajuda. Então me desculpe se eu ajudei nosso professor. Isso provavelmente é um pecado. – Obrigado Deus por me fazer se forte nesse momento. Tudo que eu queria era dizer que eu não estava nem aí para a opinião dele, mas eu daria muito na cara. E nessa escola é uma luta por sobrevivência, o que eu menos quero é me envolver na grande polêmica de: “Tem um aluno namorando um professor.” Até porque não tem.

— Kurt, eu me refiro a todos os tipos de relações. E, Sebastian, mais respeito por favor. Cada aluno cuide de suas coisas! – Disse a Sra. Collins.

O restante da aula passou calmamente e no almoço Sebastian ficou o tempo todo me encarando e fazendo gestos estranhos como se quisesse me bater. E eu sei que esse é o grande sonho dele. Logo o sinal bateu e eu não pude deixar de sorrir comigo mesmo por saber que agora eu teria ensaio do coral. Nada pode me deixar mais alegre do que isso.

Guardei o livro que estava lendo e literalmente corri até a nossa sala do coral. Todos se organizaram em seus lugares e logo nosso querido e novo professor chegou. Eu sorria feito bobo para mim mesmo e quando ele passou ao meu lado e eu senti seu perfume, fiz questão de olhar em seu rosto e me arrependi segundos depois, pois ele se escorou em sua mesa e ficou me observando.

— Boa tarde alunos. Meu nome é Blaine Anderson e eu sou o novo professor de vocês. – Ele disse sorridente.

— Você não é nosso professor, um professor ensina, você vai nos treinar para sermos campeões, o que significa o óbvio, você não é nada além da droga do nosso treinador. – Sebastian disse debochado e seu grupinho de amigos riu, enquanto o restante da classe ficou o observando, todos sérios.

— Qual seu nome? – Blaine perguntou sério, mas tinha um leve sorriso nos lábios.

— Sebastian. – Respondeu seco.

— Bom, Sebastian. Eu sou professor de vocês. Eu não vim apenas treinar vocês e torná-los máquinas sem coração, pois se é isso que vocês querem, estão na escola errada. – Ele foi interrompido por Sebastian, eu ainda atiro um caderno nele, eu juro.

— E que escola é essa? Já vou pedir minha transferência. – Ele disse e dessa vez ninguém riu, e alguns soltaram alguns comentários, como, por exemplo, o chamando de um ridículo idiota infantil. E sim, tudo isso é um xingamento só.

— Carmel, a escola do oponente de vocês na competição, Vocal Adrenaline. Quer ir para lá? Pode ir, mas saiba que nós iremos deixar vocês em último lugar, porque nossa apresentação não vai ser boa, vai ser épica e vai ser tão magnífica que vai ocupar mais do que apenas um lugar. – Ele fez uma pausa achando que Sebastian falaria alguma coisa, mas pelo contrário, ele fez um sinal para que Blaine continuasse. – Eu não sou um treinador. Eu sou um professor. Eu vou ensiná-los tudo que sei sobre música, e a importância de certos cantores e bandas que podem mudar vidas. Treinadores querem vencer porque vencer é tudo. Eu quero ensinar, porque é de um ensino que vocês precisam, um alguém que vai estar aqui para educá-los, e eu não falo de ensiná-los a dizer “por favor” e “obrigado”, porque acho que isso vocês já sabem, ou pelo menos deveriam saber. Eu estou aqui para mostrá-los que, nem sempre se trata de ganhar ou perder. Pois acreditem, na maioria das vezes, a jornada é mais importante do que a chegada.

Ele mal completou a frase e todos o aplaudiram, ele não conseguia parar de sorrir. Não posso estar me apaixonando. Eu me odeio. Mas também, tem como não se apaixonar por um homem tão perfeito? Tudo nele mexe comigo, e eu tenho medo de não conseguir mais negar isso nem para mim mesmo, quem dirá para ele.

— Quem é o solista? – Matt, o atual solista levantou o braço assim que ouviu a pergunta de Blaine. – Ok, podem esquecer isso. Todos terão solos daqui para frente, só não terão caso não queiram, teremos também duetos e todos os tipos de apresentações. Esqueçam tudo que sabem sobre campeonatos. Vocês estão todos errados. – Blaine disse sério, e os alunos o olhavam como se tivessem assistindo a rainha da Inglaterra.

— O que o senhor sabe? Você perdeu a memória. – Disse Matt.

— Por alguma razão, disso eu lembro. Eu lembro de flashes da minha vida, e acreditem isso não é uma sensação muito agradável. Mas eu acho que logo eu lembrarei de tudo. – Ele disse e Carl ficou o olhando. Carl era bem popular na escola, era do grupinho de Sebastian, e assim como eu, era gay.

— O senhor é solteiro? – Perguntou Carl com os olhos brilhando.

— Não por muito tempo. – Ele sorriu. – E não isso não foi uma cantada, até porque eu sou proibido de namorar um aluno, e não há muitos aqui que fazem meu tipo. Talvez dois ou três, mas tenho quase certeza de que apenas um. O que não faz diferença. Eu não vou cobrar ensaio de vocês hoje, quem quiser ir está liberado, quem quiser ficar podemos conversar. Alguém tem mais alguma pergunta? – Ele disse me encarando. E naquele momento eu queria perguntar quem era o único que fazia o tipo dele e porque ele estava dizendo isso se ele não é gay. Mas é claro que, como sempre, eu fiquei na minha.

— Sr. Anderson, você tem algo contra o Vocal Adrenaline? – Perguntou Sebastian com cara de tédio. Me admira ele ter chamado Blaine de “senhor”.

— Eu fiz parte da equipe deles. Venci, virei praticamente uma lenda. E percebi que meu coração pertencia a Dalton quando eu consegui reconhecer que eles eram melhores do que eu. Pessoal, isso é algo que é bom vocês saberem. Em Carmel tem um quadro com minha foto onde diz literalmente: “A nossa grande lenda”. Eles me consideram lenda porque eu ganhei quatro campeonatos diretos e de todos os tipos. Isso faz de mim o que? Um alguém a mais no mundo. Isso não mudou nada na minha vida. – Disse Blaine.

— E o que isso nos ensina? – Disse Sebastian como se estivesse desafiando Blaine.

— O sonho só vale a pena se te fizer feliz. Fazer parte daquilo não me fazia feliz. Meu sonho era ganhar um campeonato? Não. Meu sonho era participar de uma competição com pessoas que me considerassem importante e que gostassem de mim por quem eu sou e não pelo que eu tenho, como minha voz. E eu sei que se eu estivesse na Dalton tudo seria diferente, por isso eu vim ensinar vocês ao invés de treinar eles.

[...]

— Você já vai para casa? – Perguntou Blaine assim que ele me viu pegar as chaves e ir em direção ao carro.

— Meu pai deve estar completamente irritado comigo, eu preciso ir. – Eu disse meio triste.

— Você quer que eu vá com você? – Ele disse sorridente. – Assim seu pai me conhece.

— Não é uma boa ideia. Pelo menos não hoje. Deixa eu acalmar a fera, depois eu te convido para ir lá, pode ser? – Eu o olhei e lhe dei o melhor sorriso possível.

— Tudo bem. Vou cobrar. – Ele disse rindo.

Dei um beijo no rosto de Blaine e segui meu caminho para casa. O caminho no qual eu só conseguia pensar em Blaine, ultimamente ele dominava meus pensamentos, e tirava completamente minhas forças, desse jeito não tenho nem forças para me incomodar com isso.

Cheguei em casa e por um milagre meu pai não estava, aproveitei e tomei um banho, coloquei outra roupa e fui comer algo. Logo ouvi o barulho da porta ser aberta, eu sabia que era meu pai, mas mesmo assim gelei. Eu sabia que eu ouviria um livro inteiro de xingamentos.

— Kurt, até que enfim você chegou em casa. – Ele veio e me abraçou. – E a propósito, você está de castigo. Por um mês. Casa escola, escola casa. Estamos entendidos? – Ele me olhou sério.

— Aceito o castigo, eu estava errado e o senhor certo. Concordo plenamente. Mas só para deixar bem claro. Nada aconteceu, pai. Não dormimos nem no mesmo quarto, não se preocupe. – Eu disse me rendendo.

Eu menti, sim. De novo. Mas ele vai piorar meu castigo se eu contar toda a verdade. Eu odeio esconder as coisas do meu pai, mas o problema é que se eu explico eu me enrolo, e é claro que ele não vai acreditar em alguém que diz as coisas gaguejando. É melhor deixar assim, pelo menos por enquanto.

Notas finais
O próximo é tão amorzinho ♥ Bjo ♥