Olimpo esquecido

7 O Inferno de Noé


Notas iniciais
Na cidade de Gomorra havia muitos bordéis e os escravos lindos eram comprados entre brigas barulhentas. Sobretudo meninas como Andrômeda, que sequer menstruavam. Ela foi comprada por um homem muito rico, para ser membro de seu harém. Mas, Noé, que possuía cabelos mais claros, olhos verdes cristalinos e um corpo musculoso, sem nenhum cabelinho sequer, foi levado para um bordel, pois lá eram exploradas sexualmente crianças de ambos os sexos.

Noé nasceu numa tribo semita, que vivia num Oásis no meio do deserto. Era uma tribo pacífica, trabalhadora, inteligente, que, além de desfrutar das dádivas desse pequeno paraíso, multiplicava os frutos da terra, vigiava os rebanhos com sabedoria, e os filhos eram cuidados com zelo. Como Andrômeda nasceu como sua prima, eles comiam dos mesmos pratos, cuidavam das ovelhas juntos, e, ao entardecer, sentavam na areia para contemplar o pôr do Sol com suas cores brilhantes. Longe do olhar das famílias, Noé beijava-a na boca, e Andrômeda acariciava-o, enquanto Noé suspirava, num namoro de adolescentes que durava horas. Em meio à escuridão, regressavam correndo a cavalo em direção às luzes da tribo, e dormiam fora das tendas, porque era durante a noite que os adultos faziam amor. Tampados com uma manta, Noé e sua prima dormiam entre um grupo de guris da mesma idade.

No entanto, nem todas as tribos do deserto eram como essa. Uma caravana em busca de escravos invadiu-os, rastejando, no meio da noite, e todos os guris foram amordaçados, amarrados e colocados em gaiolas. Sequer tiveram tempo de dar um grito. O desespero das famílias só aconteceu quando perceberam cavalos correndo em direção ao deserto. Somente os bebês, que estavam no interior das tendas, haviam sido poupados.

Na cidade de Gomorra havia muitos bordéis e os escravos lindos eram comprados entre brigas barulhentas. Sobretudo meninas como Andrômeda, que sequer menstruavam. Ela foi comprada por um homem muito rico, para ser membro de seu harém. Mas, Noé, que possuía cabelos mais claros, olhos verdes cristalinos e um corpo musculoso, sem nenhum cabelinho sequer, foi levado para um bordel, pois lá eram exploradas sexualmente crianças de ambos os sexos.

Num palácio magnífico, com jardins exuberantes e lagoas que refletiam a beleza desse palácio, Andrômeda foi transformada em princesa. Deram-lhe um banho com aromas deliciosos, numa piscina com pétalas de rosas e, em seguida, vestiram-na com roupas semitransparentes. E, ao entardecer, ela entrou nos aposentos do seu dono, onde vinte mulheres rodeavam o homem, para fazer todas suas vontades. E não havia como fugir, pois, ela estava com um lenço ao pescoço, que a mataria sem dó. Ela era como um cão com uma guia.

E Andrômeda soube o que era o amor sem amor. Seu corpo foi usado pelo seu dono, sem beijos, sem carícias, sem palavras doces no ouvido, como se ela fosse apenas um corpo sem nenhum sentimento. Depois, ela foi levada para o banho, pois sangrava muito e estava sujando as roupas de cama. Como estava escuro, ela pôde fazer um corte no braço com uma faca, colocou-o dentro da banheira, e morreu de anemia em pouco tempo.

Entretanto, no bordel de Noé, a história era diferente. Ele foi sorteado entre a freguesia, pois havia mulheres ricas que gostavam de possuir garotos lindos. Ele foi acorrentado para evitar fuga, e, sem cerimônia, foi rodeado por 3 damas. Noé fechou os olhos, e sentiu mãos em todo lugar, beijos, mordidas, algumas palmadas, e gritos. Era um espetáculo de terror, que divertia uma plateia de pessoas que gostavam de ver meninos sendo torturados. Como Noé era um rapaz forte, virou a noite sem desmaiar, enquanto outros meninos eram puxados do lugar desmaiados.

A fama de “garoto gostoso” espalhou-se na cidade como dinamite. Em pouco tempo, havia fila na rua para namorá-lo. Até homens o disputavam, e Noé, nesses momentos, era estuprado com dor e sangramentos terríveis.

No dia em que uma irmã de Noé entrou no bordel, ele gritou desesperado, perguntando-lhe sobre sua amada, Andrômeda. Quando escutou: “Ela se suicidou”, ele ficou tonto, pois esse plano nunca passara pela sua mente. E gritou para sua irmã: “Tenta me soltar!” Ela olhou ao redor, em busca das chaves, e as descobriu na cintura de uma mulher. Astutamente foi se achegando nela com um copo de cerveja na mão e, quando a mulher reagiu com um sorriso, ela foi por cima, beijou-a na boca, e foi puxando as chaves com sutileza. Depois lançou-as para Noé, que as pegou dando um salto no ar.

E então foi pura adrenalina! Noé, livre das correntes, começou dando uma pancada na cabeça do primeiro carrasco que veio em sua direção para atacá-lo. Depois subiu numa mesa e deu patadas, socos, quebrou cadeiras, enquanto sua irmã fugia para as ruas seguida por cinquenta jovens aterrorizados. Em seguida, Noé colocou fogo no lugar e saiu correndo em busca de um cavalo ou de uma carruagem. Mas ele era apenas um guri contra soldados bem armados; por isso, acabou sendo morto com uma lança no coração. Sempre havia os escravos que se evadiam dos bordéis, em busca da liberdade, e eram mortos.

No mundo espiritual, Noé e Andrômeda se abraçaram chorando, e ficaram assim por longo tempo, sem fazer nada além de se consolar mutuamente. Depois viajaram para Plutão, o planeta mais longe da Terra, mais frio, mais escuro, porque estavam cheios de dor. Havia dois povos na Terra – os seus descendentes inteligentes, e os Earthman, que não eram mais os símios feios da Pré-história, mas que ainda eram animais no âmago.

Quando Apolo e Ares, com Afrodite e Helena, os encontraram, os seis choraram abraçados por longo tempo. Os Earthman haviam lhes dado, mais uma vez, um “muito obrigado” da forma mais cruel e mesquinha. Intervir no destino deles, afinal, havia sido um erro enorme.

De repente, descobriram que oito anjos sorridentes os observavam em silêncio. Pouco a pouco, os anjos foram se achegando, sentaram junto aos seis, e, sempre sorrindo, um deles lhes falou:

— Sabiam que temos dez anjos reencarnando na Terra desde a Pré-história? Achávamos que eram vocês, mas não são, não. Afinal, quem vocês são, e de onde vieram?

E a conversa entre anjos e deuses foi tão longa que no dia em que Ísis e Amon os encontraram estavam todos rindo às gargalhadas e trocando histórias. Os anjos lhes contavam tudo sobre a guerra de Marte e escutavam tudo sobre Olímpia e Angara. E havia um impasse entre todos: os anjos acreditavam que os Earthman se autodestruiriam em mais quatro mil anos, mas Noé jurava que isso nunca iria acontecer. E Amon e Ísis reforçaram a aposta em favor de Noé. Em todo caso, os anjos falaram, entre gargalhadas, que já estavam à procura de um planeta selvagem nas redondezas para levar os Earthman depois do holocausto. Por último, os deixaram a sós, sempre rindo, pois Noé e seu filho tinham decisões importantes a tomar.

Apolo foi o primeiro a falar:

— Pai, eu não vou permitir que minha mãe passe novamente por outra barbaridade! Vou levá-la comigo, com você ou sem você!

Ísis falou imediatamente, antes de Ares falar para Amon a mesma coisa:

— Não venham com esse discurso pra cima de nós, não. Seu irmão Tuth é igualzinho a vocês dois. Um guerreiro destemido, mais inteligente do que nós, pois, afinal, ele e suas irmãs salvaram o Egito, e nós só construímos uma cidade que foi convertida em pó. Né, amor?

Foi a vez de todos darem risadas, perguntando detalhes sobre o que havia acontecido no Egito. E, por muito tempo, conversaram sobre tudo. Ares, inclusive, era a favor da aposta dos anjos, e repetia que ficar na Terra era insano. Mas Amon, abraçado a seu filho, conseguiu seu consentimento para ficar, afinal Ares era seu filho mais amado, mas também não possuía um pingo de amor pelos homens da Terra. E Amon sempre entristecia um pouco por causa disso.

E, para encerrar, Ísis falou a sua filha com palavras ternas:

— Querida, eu prometo que em mais quatro mil anos partiremos da Terra, e vamos levar conosco Tuth, Belisa, Anchesenamon e todos os seus irmãozinhos do planeta. Vocês escutaram esses anjos piadistas: naquela data a coisa vai ficar feia, e nós não queremos deixar seus irmãos na mão.

Noé, mais dividido do que nunca, olhou para sua mulher, lembrou seu suicídio, e falou a si mesmo que não dava mais. Olhou nos olhos de Amon e lhe disse:

— Cara, eu admito que tu és melhor do que eu. Sinto muito, mas vamos te abandonar.

Como Afrodite chorava tal qual uma bebezinha, Apolo falou novamente:

— Aceita meu conselho, sogro?

— Fala, sua lindeza...

— Encarnem separadamente. Isso vai evitar a dor de ver um ao outro passando por barbaridades. Isso vai evitar o suicídio. Minha mãe morreu com doze anos e o pai, com treze. Foi uma vida inútil, que não serviu para nada. Não ensinaram coisa nenhuma para ninguém. Vocês vão ser galhudos, mas chegarão até a velhice para instruir o povo e fazer justiça. Sejam reis ou amantes de reis. Convencer um rei a não matar, não invadir outras cidades, vai ser um desafio desta vez. Eles agora possuem inteligência, e vai ser barra pesada enfrentá-los como inimigos.

Amon não falou nada. Abraçou Afrodite com carinho. Depois todos se abraçaram com rostos molhados pela emoção.

E partiram.

Foi quando Ísis se estendeu no chão, e, para se consolar lembrou de Belisa e Anchesenamon, que ainda viviam, e que com certeza ficariam felizes ao vê-los de novo. No fundo, esses filhos da Terra eram seu maior orgulho.

Amon demorou muito tempo para decidir o que iam fazer, pois estava com ciúmes de Osíris, um amigo cheio de virtudes. Fora seu mais bravo guerreiro, jamais tocara em Ísis depois do casamento, apenas dormiam na mesma cama para despistar espiões. Mas ele também sabia que Osíris adorava Ísis como uma deusa encarnada, como todos os homens do Egito. Nascendo em separado, os machos iriam se matar disputando-a. E, finalmente, perguntou-lhe:

— Seja sincera, minha querida, acha uma boa ideia nascer um lá e outro acolá?

— Depende! Eu permito que você seja amante de uma rainha feia, mas se for com uma mulher mais linda do que eu, eu mato você e a vadia!

Amon riu tanto, mas tanto, que seu ciúme desapareceu por encanto. Lembrou das egípcias que suspiravam e choravam de paixão por ele, mas que fugiam horrorizadas do olhar assassino de Ísis. Todas a temiam. Corria o boato no reino de que ela o havia enfeitiçado com bruxaria. E falou-lhe, olhando-a nos olhos:

— Eu vou sofrer que nem cão sarnento longe de você, mas vou amar as outras como irmãs. Apenas isso. E você?

— Bem, não vou poder evitar o prazer do amor. Mas ninguém vai ser igual a você. Você possui uma doçura que é só sua... me olha com ternura, com paixão, e sua boca basta para eu alcançar a magia do amor. Eu me derreto toda só com beijo seu. Você vai ter ao seu redor, daqui em diante um exército de mulheres que matariam para tê-lo.

— Mas eu já tenho! Você, com uma coroa na testa... Haverá homens se matando, em “nome da rainha”, pelo mundo todo. Afinal, Apolo é sábio: vamos dirigir guerreiros; eu, em algum lugar, e você, bem longe de mim, vai fazer o mesmo, pois não quero que nos enfrentemos cara a cara no campo de batalha...

E começaram a gargalhar. Depois reiniciaram os beijos, as caricias doces, na espera do dia que nasceriam mais uma vez.

Notas finais
Amon demorou muito tempo para decidir o que iam fazer, pois estava com ciúmes de Osíris, um amigo cheio de virtudes. Fora seu mais bravo guerreiro, jamais tocara em Ísis depois do casamento, apenas dormiam na mesma cama para despistar espiões. Mas ele também sabia que Osíris adorava Ísis como uma deusa encarnada, como todos os homens do Egito. Nascendo em separado, os machos iriam se matar disputando-a. E, finalmente, perguntou-lhe: — Seja sincera, minha querida, acha uma boa ideia nascer um lá e outro acolá? — Depende! Eu permito que você seja amante de uma rainha feia, mas se for com uma mulher mais linda do que eu, eu mato você e a vadia!