Notas iniciais
meu primeiro conto de terror, espero que gostem.

São quase três da manhã, estou acordado, vendo o que as pessoas fazem lá fora através das mídias sociais, eu admiro essas pessoas que tem saco para sair, eu não tenho essa disposição, e é por isso que estou aqui as 02h40min da manhã olhando o facebook.

Olho pra carteira de cigarros, está quase vazia, eu tenho que parar com esse vicio, mas que culpa tenho eu se tudo que eu gosto é viciante?

Saio pra fumar, pego o cigarro e o isqueiro saio então pra sacada, lá fora tá tudo escuro, devo ser o único doido para estar acordado às três da manhã fumando numa sacada, sinceramente eu até queria ser normal como essas pessoas que estão dormindo agora, mas o ar da madrugada é tão bom, é frio, silencioso, reconfortante, tudo que preciso depois de um dia cheio como o meu.

O cigarro acabou, ótimo agora além de fumar um ou dois maços por dia também fumo extremamente rápido, apago a bituca na grade da sacada e me viro para joga-la longe, aquilo são olhos? Não eu devo estar com sono, devem ser duas estrelas, jogo a bituca e volto para o lado de dentro.

Fico mais alguns minutos olhando a tela do computador, mas os olhos não saem da minha cabeça, 02h55min, devo estar realmente com sono, desligo o computador, arrumo o ninho que chamo de cama, e me deito, pego o celular, 02h59min, até a tela desligar vejo o ponteiro dos minutos mudar, três horas.

Uivos e rosnados não me deixam dormir e a memoria dos olhos brilhantes não sai da minha mente, os uivos estão mais próximos? Não devo estar maluco, acho melhor parar de beber e de fumar.

Arranhados, não pode ser é impossível algo subir até aqui, com esse pensamento acabo dormindo.

“Impossível para você mortal”

Acordo assustado, não faz cinco minutos que dormi, escuto uma voz me chamar, em meio a nevoa do sono respondo, mas eu estava sozinho quem me chamaria?

Novamente escuto arranhados na porta, um arrepio percorre minha coluna, aquilo não poderia ser coincidência? Poderia?

Sempre me orgulhei de ser corajoso, de não ter medo de nada, e daquela vez não seria diferente, me enchendo de coragem vou até a porta abro a cortina que a cobre e...

Não pode ser, eram aqueles olhos me encarando, agora estavam acompanhados pelo resto do corpo, me recuso a acreditar no que vejo, devo estar sonhando, é isso estou sonhando, não tem nenhuma criatura na minha sacada arranhando a porta da mesma, logo vou acordar, e vou estar seguro na minha cama.

É incrível a capacidade humana de não acreditar no que está diante de seus olhos não é mesmo?

Ouço me chamar de novo, respondo um sim antes de lembrar que ainda estou sozinho, a criatura aparece então no meu quarto, como se eu tivesse lhe dado permissão.

Tremo-me dos pés a cabeça, um demônio era isso que aquilo era um demônio, saído diretamente dos piores pesadelos, mas porque eu?

Como se ouvisse minha pergunta ele ri, sua risada me dá vontade de sentar e chorar de medo, do mais profundo e terrível medo, meus pelos estavam todos arrepiados, sua presença me deixava sem forças.

Que isso? Eu que nunca tive medo, eu que brincava de jogos que os outros garotos se recusavam, eu que fazia a brincadeira do compasso, do copo, do tabuleiro, eu que invoquei a loira do banheiro e a Maria sangrenta estava com medo? Nunca.

Em um momento de coragem insana sai correndo, a cozinha é isso, lá tinha facas, precisava de algo pra me defender, o demônio veio atrás de mim, estava pra me alcançar, eu jogava nele tudo que conseguia pegar com a mão, quando ele estava a dois centímetros, eu já estava chorando e rezando a todos os deuses possíveis minha mão se fechou no saleiro que eu joguei, não pude acreditar no grito que ouvi, sal! As lendas dizem que demônios não se aproximam de sal né?

Enquanto ele se contorcia eu fiz um circulo ao meu redor com o sal, ali eu estaria seguro não é?

Não.

Com paciência ele rodeou meu circulo improvisado, atrás de uma falha pra me pegar, eu observei a tudo congelado, meu momento de coragem insana tinha passado, agora eu estava encolhido em posição fetal no meio do circulo, com aquela criatura horrenda me olhando.

Quando notou que não tinha falhas no meu circulo ele riu, riu não, gargalhou.

—Acha mesmo que este seu circulo vai te proteger de mim, mortal?— Sua voz invocava tudo de pior que eu tinha vivido, a essa altura eu já estava chorando.

Vi ele ir com calma até a bancada, pegar algo comprido e se aproximar lentamente, a grande ironia do destino, sempre que nos filmes de terror o personagem se escondia em algo assim eu ria alto e dizia: Demônio burro, porque simplesmente não pega uma madeira e destrói a proteção?

Pois bem o meu demônio não era burro, e agora eu pagaria pela minha maldita língua.

Ainda rindo o demônio destruí meu circulo e me puxou pra fora dele.

— Eu disse que isso não lhe protegeria.

Ele me fez olhar em seus olhos, e oque vi me fez temer verdadeiramente pela primeira vez na vida o inferno.

Quando dei por certa minha morte, algo milagroso aconteceu, não sei se minhas preces desesperadas foram atendidas, ou seja, lá oque for.

As mãos do demônio estavam se fechando em minha garganta, eu já estava quase sem ar, foi quando ele xingou e começou a desaparecer lentamente.

— escapou dessa vez mortalzinho, mas eu voltarei.

Quando ele terminou de dizer seus olhos desapareceram, olhei o relógio, 4 da manhã, todo aquele terror durou apenas uma hora, apenas uma misera hora, apenas a misera hora mais escura do dia.

A luz do sol me encontrou em posição fetal na cozinha, só consegui me mover depois que vi a luz solar.

Arrumei a casa, e dei um jeito de tampar as marcas de garra em meu pescoço, alguns meses se passaram e eu esqueci a promessa de volta do demônio, e agora estou novamente as 02h55min da manhã fumando na sacada, quando vou jogar a bituca vejo novamente nas sombras dois olhos amarelos e minha coluna se gela, ele cumpriu a promessa, ele voltou.

Notas finais
reviews?
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