Olhos Fechados

14 A declaração



Ele me olhava com expectativa. Meus olhos estavam quase transbordando.
–Como eu poderia dizer não?
Edward se levantou e sussurrou no meu ouvido:
–Eu te amo tanto. Você é meu infinito.
Ficamos nos olhando por longos segundos até Edward colocar o anel cravejado de diamantes em meu dedo.
–Ficou lindo! –disse ele depois de beijar minha mão.
–Agora eu quero conhecer o resto da nossa casa. –meu comentário fez surgir um sorriso iluminado no rosto dele.
Edward me levou até o nosso quarto onde havia uma imensa cama de casal junto com um armário tão grande quanto. Assim como o resto da casa, era extremamente iluminado devido a porta de vidro que dava passagem ao jardim.
Eu me sentia como uma Babie na sua casa encantada.
–Queria que tudo fosse tão iluminado quanto seu sorriso. –ele me beijava e me levava para mais próximo da cama.
–Está tentando testar a cama nova? –perguntei.
Ele sorriu com malícia.
–Talvez...
Edward me jogou na sobre o colchão macio e começou a tirar a minha roupa enquanto eu fazia o mesmo com ele.

***

–Como pretende contar isso ao Charlie?. –Edward se apoiava na cama com os cotovelos.
–Com muita coragem.
–E ao Jacob? – seus olhos pareciam duas esmeraldas brilhando à luz do sol.
Eu hesitei por um instante pensando em uma resposta para aquilo.
–Tenho medo de que ele nunca mais queira falar comigo.
–Ele é seu melhor amigo, nunca faria isso.
–Depois do que aconteceu muita coisa mudou.
–Eu já disse que a culpa não é sua. – ele me puxou para cima de seu peito.
Fechei os olhos querendo acreditar nele.
–Acho que é melhor eu te deixar em casa. Charlie já deve ter ligado para polícia dizendo que a rapitei. – ele deu uma risadinha.
–Ele não está tão errado.
Edward ergueu uma das sobrancelhas.
–Agora você vai ver, mocinha.
Ele começou a fazer um ataque de cócegas em mim.
–Pára! – ofegava em meio a risadas – Edward, pára! Você vai me matar de tanto rir!
–Diga que me ama. – ele me chantageava.
–Não! Nunca!
–Diga! Ou eu não vou parar.
–Não mesmo – estava quase sem ar – Tá bom, tá bom! Eu te amo!
A sessão de “tortura a Bella” parou.
–Melhor assim.
Eu ainda estava rindo e ofegante mesmo sem as cócegas.
–Isso não vale!
–Vale sim. – ele me fitou com os olhos e me beijou.
–Eu te amo, Bella. – Edward tocava levemente meu rosto.
–Eu te amo, Edward. – disse num sussurro. – Charlie já deve estar tento um colapso.
Edward me abraçou forte, se levantou e se vestiu. Fiz o mesmo.
Quando nós chegamos, Charlie já estava furioso.
–Onde a mocinha estava? Já estava quase chamando a polícia.
Edward olhou para mim sorrindo como quem dizia “O que eu te disse?”.
–Eu acabei dormindo fora. – disse sabendo que já estava encrencada e que nenhuma desculpa seria boa o suficiente.
–Então para que eu te dei esse celular? Você não podia ter avisado? – Charlie crusou os braços.
–Desculpe, pai. Eu vou te avisar da próxima vez.
–Já é a segunda vez que isso acontece.
–Pai, eu prometo, eu vou ligar na próxima vez, ok?
Charlie suspirou.
–Tudo bem. – ele ainda estava zangado.
–Pai, o Edward tem uma coisa para te falar.
Olhei para Edward, que deu um passo a frente, confiante.
–Sr. Swan, eu vim aqui para pedir a mão da sua filha em casamento.
Os olhos de Charlie passaram do Edward para olharem diretamente a mim.
–Casamento? Não acham que isso está indo rápido demais? Vocês nem mesmo se formaram, como vão constitur uma família?
–Eu amo muito a sua filha, além disso tenho meu dever como pai também.
–Pai, não se preocupe, eu vou terminar o colégio, é meu último ano.
–Meu pai me deu uma casa já mobiliada. – Edward falava com serenidade.
Charlie parecia inflexível.
–Já pensaram em tudo não é? – ele olhava nós dois, já parecendo derrotado -Vocês têm a minha bênção. Desejo que sejam muito felizes.
–Eu te amo, Charlie. – disse.
–Também te amo muito, Isabella. – ele me abraçou com força e me soltou. – Cuide bem da minha princesa. – Charlie olhou sério para Edward.
–Eu cuidarei, eu prometo.

Uma semana se passou. Edward e eu já tínhamos marcado o dia do casamento. Nós nos casaríamos em um mês.
–Vamos, Bella.
–Calma, Edward. Estou indo, estou indo. Para que tanta pressa? – peguei a minha bolsa e desci as escadas.
–Bom, hoje saberemos o sexo do bebê.
Chegamos ao consultório e Edward estava extremamente ansioso.
–Srta. Swan. – chamou o homem de jaleco branco.
Me levantei da cadeira da sala de espera e caminhei até a sala que ficava do outro lado.
Entrei e me deitei na maca.
–Estão muito ansiosos? – disse o médico enquanto passava o gel transparente e frio na minha barriga um pouco volumosa.
–Não muito. – Edward respondeu.
Lancei-lhe um sério.
–Talvez um pouquinho. – ele desmentiu.
O médico olhava para pequena tela com borrões com muito cuidado.
–Alguém já tem um palpite? – disse o doutor.
–Eu acho que é um menino. – Edward respondeu.
–Hm...É uma garotinha, forte e saudável.
Por um instante senti um desânimo no olhar de Edward, mas logo ele se empolgou com a ideia.
–Uma garotinha? Uma Bellinha? – ele olhou para mim sorrindo de orelha a orelha – Vamos ter uma menininha como você, meu amor.
–Tomara que ela tenha seus olhos. – disse.
–Bom, sua filha está forte e saudável, mas não deixem de acompanhar crescimento dela. – disse o médico enquanto tirava o gel com um papel toalha.
–Com certeza. Muito obrigado. – Edward esticou a mão – Até a próxima doutor Laurent.
Saimos do consultório e Edward não parava de dizer de como estava feliz por ter uma filha e de como ela seria parecida comigo.
Edward estacionou seu Land Rover na garagem de sua casa.
–Oi, mãe. – disse ele ao entrar pela porta.
–Olá, Esme.
–Oi, Bella querida. – Esme parou para tossir – Desculpe-me, é essa maldita tosse.
–Mãe, já disse que você deveria ir ao médico.
–Não é nada de grave, filho.
–Bella!! – pela animação já é de se imaginar quem seja.
–Oi, Alice. Oi, Jasper. –disse ao vê-los entrando na casa de mãos dadas.
–Olá, Bella. – Jasper segurava um monte de sacolas na mão livre da de Alice.
Ela soltou-se de Jasper para me abraçar.
–Estava com saudades. Não suportava mais aquela ruiva.
–Nem eu. – sussurrei em seu ouvido.
–Ah, olha o que eu comprei. – Alice revirou uma das sacolas que Jasper segurava e tirou um lindo e pequenino vestido, branco florido, com os sapatinhos combinando.
–Ali, isso é...é lindo, obrigada.
–Como você sabia que era uma menina? – Edward perguntou.
–Bom, vocês sabem que minha intuição nunca falha. Espera, vocês já sabem que é mesmo uma menininha? –Alice pulava de alegria.
–Sim, soubemos hoje. – eu disse.
–Uma sobrinha! Eu vou vesti-la como uma princesa.
–Alice, nós queríamos te convidar para ser a madrinha da nossa menininha.
–É serio? Não acredito, eu aceito sim, com todo o prazer. – Alice sorria como uma criança com um brinquedo novo.
–Boa sorte. – disse Jasper olhando para mim e para Edward.
Esme entrou na sala com uma bandeja redonda e cromada com uma jarra de suco de laranja e copos.
–Alguém quer um copo de... – Esme despencou no chão deixando a bandeja se espatifar.
–Mãe!! – Alice e Edward gritaram ao mesmo tempo e correram para o corpo jogado no chão.

Edward estava sentado na sala de espera do hospital, com os cotovelos apoiados nos joelhos, segurando a testa com as mãos. Alice estava ao lado de Jasper, encostada na parede, com um copo d’água na mão e os olhos marejados.
–Deve ter sido só uma queda de pressão, meu amor. – disse afagando as costas de Edward numa tentativa de consolá-lo.
Ele levantou o rosto e pude ver que estava chorando. Eu nunca vira Edward chorar, não daquela maneira.
–Estou preocupado, Bella. Esme está tossindo muito, tendo febre frequêntimente e dores no peito, já faz um tempo. – a voz de Edward estava rouca e trêmula.
Os olhares se viraram na mesma direção quando o médico apareceu na sala de espera com as mãos nos bolsos.
–Eu poderia falar com os familiares da Sra. Cullen? – disse o médico em voz baixa.
Edward se levantou e Alice foi ao seu encontro. Cochichos foram trocados entre o médico e os irmãos. Pude ver o olhar incrédulo de Edward e Alice se debruçando no ombro dele, chorando e soluçando, como quem havia perdido as esperanças.
Olhei para Jasper que observava a esposa dolorosamente.
Edward vei até mim, com uma expressão indefinível.
–Bella, o médico nos disse que Esme está com um tumor no cérebro. – as palavras saíram de sua boca com pesar.
–Edward, eu...eu sinto muito... – não pude concluir a frase, ele me abraçou forte, como quem esperava que tudo aquilo acabasse ao abrir os olhos.

No caminho todo de volta para casa de Charlie, Edward não pronunciou uma palavra sequer. Eu tentava achar as palavras certas para confortá-lo, mas ao abrir a boca tornava a fechá-la. Ele estacionou em frente a casa e pude ver que o carro de Charlie não estava lá, o que significava que ele também não estava.
–Edward, eu estava pensando, se quiser adiar o casamento... – disse com o olhar baixo.
–Nem pense nisso. Bella, nós temos um filho vindo ao mundo. Além disso não há mais nada no mundo do que eu queira do que te ter ao meu lado. – os olhos dele me encaravam como duas esmeraldas brilhantes.
–Mas você já me tem. – nosso olhares se encontraram e depois, nossas bocas.
Eu podia sentir sua boca trêmula e, às vezes, um pouco hesitante. Não que ele não quisesse me beijar, mas tudo o que ele havia passado ainda estava rodando em sua cabeça.
Ele se afastou lenta e gentilmente de mim.
–Bella, amanhã eu vou passar o dia todo no hospital então...
–Tudo bem, Edward. Eu sei que você precisa estar perto da sua mãe, agora mais do que nunca. – eu o interrompi.
Ele me abraçou com força e depois me afastou com as mãos nos meu ombros, delicadamente.
–Ah, Bella mais uma coisa, o médico nos disse que há um tratamento muito bom no Canadá, as chances são mínimas, mas ainda assim são maiores do que Esme estando aqui. O que estou querendo dizer é que talvez eu tenha que viajar, por tempo indefinido.

Notas finais
Espero que gostem *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.