Depois da reunião no setor de armazenamento, todos ficaram nervosos com o que deveria acontecer: greve geral seguida de destruição em massa. Tudo que poderiam fazer para que chamassem a atenção de todos, fariam. Queriam ser ouvidos, queriam mudança. Eles queriam algo novo: luta.

Mas nem tudo saiu como o planejado. Antes que se reunissem pela última vez, algo ruim aconteceu. Era só mais um dia de trabalho intenso quando foram interrompidos.

Do meio do salão, surgindo ao ar carregado daquele dia de trabalho comum, centenas de cogeres apareceram na metalúrgica, todos com suas vestes nebulosas e negras indo direto ao penúltimo setor, no qual se encontrava Tim, o representante da rebelião.

Antes que qualquer coisa fosse feita, ele foi pego. Dezenas de cogeres surgiram ao ar, prendendo-o pelos braços. Nenhum deles dizia algo enquanto levavam-no passando por todas as almas que mantiveram-se paradas sem qualquer ação. Ao sair da metalúrgica em um veículo de transporte semelhante a uma viatura, foram para o bonde que se encontrava na linha férrea novamente. Todos ficaram abalados com o acontecido. Era importante demais para que fosse ignorado. Assim, Norman, Maria, Alice e Dimitri entraram novamente em conflito no intervalo seguinte.

— Eu avisei que daria problema — disse Alice.

— De qualquer forma foi uma tentativa válida... — explicou Dimitri.

— Não foi um problema, foi um incentivo — ressaltou exaltado Norman, as veias se fazendo visíveis em sua garganta — Com isso, não devemos nos ater, temos que nos revoltar ainda mais. A rebelião nem começou e um de nós foi pego. Só ele sabe o que está passando nesse momento. Não pode ser uma perda em vão

— Ei, calma. Não disse que não estou revoltada com tudo, só que não poderia funcionar. O problema está aí. Eles podem fazer isso com qualquer um a qualquer momento.

— E se fizerem? Não poderão perder toda a força de homens que precisam. Sem nós isso não se move — apontou para uma peça.

— Mas não é só isso... Eu não quero que ninguém sofra mais do que sofre aqui.

— Isso não está em seu domínio. O que tem se chama medo, covardia.

— Não me chame de covarde — disse franzindo o cenho.

— Então não haja como uma.

— Eu estou sendo sincera, se não quer me ouvir, faça o que quiser — a raiva expressa em sua voz — Você sabe que nada dará certo. Estamos no inferno, Norman. Toda forma de esperança aqui está morta como nós.

— Eu não estou morto como vocês — revelou.

— Como assim? — questionou sem entender.

— Não é nada, esqueça.