Olhos Azuis
14 Quer namorar comigo?
Notas iniciais
Santana acabara de sair do banho e estava em frente ao seu guarda roupas escolhendo algo confortável para vestir, a noite estava quente e naquele momento qualquer peça de roupa parecia desconfortável. No momento em que se decidiu por uma camiseta grande e larga ouviu batidas na porta.
– Hija. Puedo me?
– Entre mamá.
– Precisamos conversar querida.
Santana paralisou por alguns instantes. E se sua mãe tivesse descoberto algo sobre Brittany e ela?
“Mas ninguém sabe sobre isso... Só o Blaine e o Kurt. Acho que a Quinn desconfia, mas...”
– Hija? Estás bien?
– Hã? É...sim. Sobre o que a senhora quer conversar?
– É que seu pai precisa viajar a trabalho e eu pensei em ir junto para visitar su abuela. – Santana suspirou aliviada.
– E quando vai ser essa viagem?
– Ele precisa ir o mais rápido possível então, vamos amanhã.
– Mas amanhã é quarta feira e eu tenho uma prova na quinta...
– Eu sei querida, por isso seu pai e eu conversamos e decidimos que você é madura o suficiente para passar alguns dias sozinha em casa. – Maribel falou e riu da careta que a filha fez.
– Mas eu queria ver mi abuela.
– Você não pode faltar no colégio e perder a prova...
– Quando vocês voltam?
– Na segunda. – a garota arregalou os olhos.
– O que? Quatro dias sozinha? Mamá, a senhora sabe que não gosto de ficar sozinha em casa durante a noite. – Santana fez bico.
– Eu sei, e por isso acho que você deveria chamar sua amiga para dormir aqui.
– A Brittany? Dormir aqui? Não sei...
– E porque não? Ela mora aqui do lado, acho que os pais dela não vão se importar.
Santana ficou pensativa, a ideia de pedir para que Brittany dormisse em sua casa não era ruim, muito pelo contrario, seria uma ótima oportunidade para conversar com a amiga. Ela sabia que Brittany estava respeitando seu tempo, por isso era a latina quem deveria dar o primeiro passo. No final das contas, a viagem de seus pais veio a calhar.
Olhou para a mãe e sorriu.
– Está certo mamá, vou falar com a Britt amanhã.
– Ok. Agora eu preciso terminar de arrumar as malas e a senhorita vai dormir que já está tarde.
– Buenas noches, mamá.
– Buenas noches, mi hija.
Santana só se lembrou de ter dormido tão bem quando Brittany lhe fez companhia.
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Era hora do almoço e as garotas estavam sentadas em uma mesa afastada dos outros alunos. Conversavam amenidades quando a morena resolveu falar sobre a sugestão de sua mãe.
– BrittBritt. Eu... Eu quero te pedir uma coisa. – Brittany a encarou com os olhos azuis atentos.
– Claro San. Qualquer coisa. – Santana sorriu. Ela nunca se cansaria de admirar a beleza e a transparência de sentimentos contidos naqueles olhos.
– É que meus pais estão indo viajar, aliás, a essa hora devem estar saindo de casa... E-Eu queria saber se você pode me fazer companhia.
– Quer que eu fique na sua casa com você San? – Brittany sorria.
– Sim... É que não gosto de ficar sozinha e eles só voltam na segunda feira... Mas se você não quiser tudo bem, eu... – Brittany a interrompeu.
– Eu vou.
– Hã?
– Eu disse que vou. Aceito te fazer companhia, só preciso falar com os meus pais, mas aço que não vai ter problema já que minha casa é ao lado da sua. – a garota sorria ainda mais e Santana soltou um pequeno suspiro.
– Obrigada Britt. Mas mesmo que eles não permitam... É... Jantar, hoje, na minha casa.
– Eles vão deixar sim... Espera. – Brittany encarou Santana de forma divertida – Está me convidando para jantar San?
– Acho que sim.
– Que linda. – a loira passou a mão pela face morena que estava completamente corada – Às 19 horas?
Santana apenas concordou com um aceno de cabeça.
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Santana estava na cozinha de sua casa olhando os armários e a geladeira, percebeu que antes de sair sua mãe havia abastecido a dispensa, e sorriu ao ver a geladeira lotada de congelados. Maribel sabia o desastre que a filha era na cozinha.
A morena ouviu barulho do celular e seguiu até a sala, pegou o aparelho que estava depositado em cima da mesa de centro e viu uma mensagem.
“Meus pais deixaram! Te vejo às 19 horas ;)” – Brittany
“Estarei te esperando.” – Santana
Santana sorria, olhou para o relógio.
– 17 horas? Mas que porra! Quando eu quero que as horas passem rápido nada acontece... Agora só tenho duas horas para deixar tudo pronto.
Brittany já tinha colocado tudo o que iria precisar dentro de uma mochila, mas não conseguia decidir o que vestir para jantar com Santana.
– Não pode ser nada muito exagerado... É só um jantar simples com a San... e depois vamos dormir. – sentiu um pequeno arrepio — Se controla Brittany! Você não pode agir como uma adolescente cheia de hormônios... – soltou uma gargalhada — Mas eu sou uma adolescente cheia de hormônios. Só preciso me controlar.
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Santana correu para abrir a porta, quando viu Brittany ali, parada em sua frente, não conseguiu evitar olhar a loira de cima a baixo. A garota estava usando um vestido com pequenas estampas de flores, o tecido se moldava perfeitamente ao corpo de Brittany. Por ser curto, deixava as pernas bem torneadas à mostra.
– Gostando do que vê San?
Santana sentiu a face esquentar ao se dar conta de que Brittany havia percebido e pensou já estar roxa de vergonha.
– Desculpe. Eu... Eu...
– Tudo bem San. – ela sorria – Eu também gosto de te ver assim... – deu uma boa olhada na latina – Você fica linda com esse micro short. – mordeu o lábio fazendo com que Santana engolisse em seco.
– É... É melhor você entrar de uma vez, senão vamos passar a noite aqui na porta. – tentou disfarçar o nervosismo.
Brittany entrou na casa ainda sorrindo. O nervosismo de Santana lhe causava uma sensação boa, uma sensação de prazer.
Depositou a mochila próxima ao sofá e Dalí pode ver a mesa arrumada, aproximou-se e ficou admirada. Duas pequenas velas e algumas pétalas de rosas compunham a decoração da mesa. Brittany achou tudo simples e romântico, do jeito que ela gostava.
– Isso tudo é para mim? – sorria.
– É sim. Eu queria fazer uma decoração melhor, mas não tive muito tempo.
– Está lindo San.
Aproximou-se da morena enlaçando sua cintura a puxando para si, aplicou-lhe um beijo nos lábios, suave e apaixonado. Quando as línguas se tocaram um pequeno gemido escapou da garganta de ambas... Separaram-se quando a necessidade de respirar já era grande.
– Vem... – Santana levou Brittany até uma das cadeiras – Espero que goste de lasanha.
– Eu adoro. Foi você que fez?
– Na verdade... Não. Minha mãe sabe que sou uma negação na cozinha, então deixou vários congelados para eu não morrer de fome.
Elas riram enquanto Santana servia a lasanha. Brittany pegou em sua mão e durante alguns segundos ficaram se olhando, os olhos escuros presos nos olhos azuis. Foi a loira que quebrou o silencio.
– Estou feliz de estarmos aqui, juntas.
Trocaram um pequeno selinho e começaram a jantar. Enquanto comiam conversavam sobre coisas amenas.
Quando terminaram, levaram os pratos para a pia e Brittany percebeu que Santana havia ficado um pouco tensa.
– Está tudo bem San?
– Por quê?
– Você parece um pouco tensa...
Santana encarou os olhos azuis em sua frente e sorriu.
“Como pode? Tão pouco tempo e ela já me conhece tão bem...”
– Britt. Senta ali no sofá que eu já volto.
– Mas você vai onde, San?
– No meu quarto. É só um minuto.
Deu um selinho na loira e correu para o seu quarto voltando rapidamente. Sentou-se ao lado de Brittany no sofá e respirou fundo tomando coragem.
– Então Britt... Eu nunca fui muito romântica e se agora esse meu lado meio meloso foi despertado, a culpa é sua. – as meninas sorriram, mas o sorriso de Santana era mais pelo nervoso – Eu não sei bem como fazer isso, mas eu precisava tornar tudo mais real do que já é. – estendeu uma caixinha de veludo vermelha na direção de Brittany – É... Britt, você quer namorar comigo?
Os olhos da loira brilharam como nunca, ela sabia que esse era um passo importante para Santana, e sabia também que a latina só faria o pedido se seu sentimento fosse totalmente verdadeiro.
O sorriso se fez maior em sua face e então Brittany pulou nos braços de Santana beijando toda a face morena.
– É claro que eu quero. É tudo que eu mais quero San.
Depois de um beijo carregado de carinho e amor, Santana abriu a caixinha. Brittany sorriu.
– Não é uma aliança, mas é algo que significa muito para mim. Eu ganhei da minha abuela quando fiz dez anos, mas parei de usar no ano passado... Estava guardado e agora é seu.
Brittany não conseguia parar de sorrir, Santana estava colocando em seu braço uma pulseira de ouro com um pingente de gatinho.
– É lindo San. Eu adorei.
As meninas trocaram mais um beijo apaixonado, e desse beijo surgiram outros, e mais outros. Tinham a certeza de que a noite só estava começando.
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