Olhar do Dunsparce
2 vs. Pineco
Notas iniciais
Escutei barulhos de objetos caindo no chão e sendo revirados de todas as formas possíveis, então saí de baixo da coberta da cama do Lucas e percebi que quem estava fazendo esse barulho era ele mesmo, arrumando a sua mochila. “Não posso esquecer de levar a ração dele, poções de emergência... Ah! Dunsparce, vem aqui me dar uma mão e avaliação! Tenho quase certeza que estou esquecendo de alguma coisa...” Meu treinador disse sinalizando com a mão para ir até lá, rastejei até a cadeira e subi nela com um pulo, repetindo a mesma etapa para subir na mesa.
Pelos objetos colocados na mochila, era fácil de notar como essa criança ficou acordada a noite inteira só pensando nisso e por esse motivo reparei no seu olhar exausto. Olhei dentro da mochila, fiquei surpreso pois o jovem lembrou de colocar até os PokéBonecos e sua vara de pescar compacta, mas acabou esquecendo de pegar sua PokéFlauta... Pulei da mesa e me rastejei no chão até chegar no armário com meu treinador me seguindo, ele abre a porta do móvel para mim e começamos a olhar dentro, procurei por ela e achei, então agarrei a flauta com a minha cauda enquanto ele fazia uma expressão de choque. “Não acredito! Por pouco esqueci disso, obrigado!” o garoto pegou e colocou rapidamente na mochila, agora parecendo completa, e continuou sua frase. “Já temos as frutas e outros lanchinhos, repelentes, poções, ervas medicinais, sua boneca, a minha flauta e... Sim, deve estar tudo certo!” Terminou com um sorriso no rosto e fechando o zíper da sua mochila, colocando a mesma nas costas.
O jovem desceu correndo as escadas comigo em seu ombro direito, olhamos ao redor e não vimos o pai dele por nenhum lugar da casa, possivelmente precisou sair para trabalhar logo cedo. Apesar disso, tinha uma carta em cima da mesa, ele deu um sorriso e colocou-a na mesa novamente, virou o papel para o outro lado e pegou uma caneta guardada no bolso, deixando um recado para seu pai também. Nisso guardou a caneta novamente e andou em direção até a porta, dando levemente uma olhada para trás e seguindo em frente. “Dunsparce, nosso primeiro passo será finalmente comprar uma Pokébola!” Quando Lucas falou isso, grunhi alegre, lembrando que finalmente seria um Pokémon oficial dele nessa jornada.
Do lado de fora da nossa casa, vimos de longe a Amanda e seu Rattata, estavam conversando com uma outra garota que tinha um Paras na sua cabeça, até que ambas olharam para nós e acenaram. A garota do Paras era pelo menos uns seis anos mais velha que a Amanda, sendo então mais velha até que o próprio Lucas. “Então, mana, esse é o garoto que eu te contei! Ganhei pelo menos umas cem vezes dele e do seu Dunsparce, são ficha mole!” Eu e meu treinador fizemos cara de idiotas como se fôssemos palhaços, era óbvio que ela só nos chamaria para apresentar para outra pessoa como fracassados. “Ah, você é o Lucas então? Ouvi dizer que é bastante persistente, mas isso é ótimo! É o primeiro passo para não desistir tão cedo de uma aventura como essa, sabia? Nunca vi um treinador com um Dunsparce de Pokémon principal antes...” ela dizia admirada, parecendo que viu algum Pokémon lendário ou algo tão inédito antes, o jovem continuou a conversa “Você por acaso é a Lídia que eu conheço? A irmã mais velha da Amanda? Ouvi dizer que você conheceu Crimson pessoalmente, isso é incrível!” Era difícil não conhecer a Crimson vivendo ao lado de Lucas, ela era a tão admirada campeã de Kanto e quando ela visitou Johto esse era o único assunto que ele falava por meses, contente por ser a terra natal dele. “Não sei se você conta esse ‘conhecer’ muito a sério, foi no início da jornada dela com seu irmão, apenas vi os dois em uma viagem do S.S. Anne, não foi nada muito relevante...” dizia um pouco envergonhada pelo entusiasmo do garoto, como se ela também não tivesse ficado entusiasmada por eu ser o principal Pokémon dele antes. “Espera aí, moleque...” Amanda interrompeu a conversa dos dois com uma feição da mistura de surpresa e indignação. “Você está todo arrumado e com uma mochila cheia de itens, seu pai enlouqueceu e deixou você ir em uma jornada?!” Falou em choque e no momento que terminou sua frase, o Rattata também se espantou por completo, pareciam não querer acreditar nessa possibilidade. “Ah, é isso! Eu preciso ir embora logo e aproveitar o dia! Estou indo em uma jornada, acertou em cheio!” Lucas disse parecendo que estava pronto para andar cinquenta quilômetros enlouquecidamente, depois continuou “Foi um prazer enorme te conhecer, Lídia! E fica esperta, Amanda, vou te superar com certeza e você vai ficar com mais derrotas na nossa marcação!” Acenando e correndo, o garoto partiu em disparada na sua jornada, agora mais confiante que nunca. “Boa sorte, você vai se surpreender com a sensação de desbravar o mundo!” Lídia gritou de longe, animada e acenando, enquanto sua irmã apenas encheu a bochecha de ar e virou o rosto ao mesmo tempo do Rattata. “Tch, até parece que vou perder pra você...” e cruzou os braços, fazendo Lídia soltar um leve riso.
Saímos em direção da Rota Hibisco, procurando pela última vez por algo interessante antes de ir embora e, por um milagre, no meio do caminho encontrei uma Pokébola vazia e escondida entre um mato. Lucas me chamou, planejei que depois dele terminar a frase, iria avisar sobre a Pokébola “Ei, na verdade... Vem aqui rapidinho! Sei de uma coisa!” disse enquanto apontava para uma árvore estranha, ela certamente cairia em qualquer momento. “dar uma cabeçada nessa árvore? Li um livro relatando a possibilidade de Pokémon raros caírem dela!” Com tamanha empolgação, nem parecia que Lucas caiu em algum boato fato, grunhi sem jeito e sem muita esperança de algo percorrer disso.
Andei um pouco para trás e dei uma cabeçada dolorida na árvore, ela fez um barulho estranho e no mesmo instante caiu algo parecendo uma pinha, porém não se mexia nem um pouco. “Ei... Você está vivo?” Perguntei e cutuquei a pinha com a ponta da minha cauda, sendo surpreendido pelo olhar extremamente irritado dela na minha frente, parecia pronta para me destruir sem um pingo de piedade. “Estou viva? É claro que estou! Estaria mais viva ainda se vocês não me perturbassem no meu horário de sono!” a Pineco selvagem gritou comigo e preparou seu ataque, e de reflexo rápido meu treinador me orientou “Use proteção, Dunsparce!” e criei uma barreira ciana que impediu os danos da sua feroz mordida, a batalha recém tinha começado e eu já estava tremendo de medo na esperança que Lucas encontrasse uma solução rápida para isso.
“Agora, use rolar, será super efetivo!” em outro comando dele, movi-me rapidamente para executar o golpe e fui com tudo na direção dela, não esperando que a mesma também possuía um movimento de defesa, repentinamente fazendo um escudo ciano exatamente igual ao meu e impedindo meu ataque de ser efetuado. Ela parou de se mover e parecia estar recarregando algum ataque, então eu e Lucas não perdemos a chance e logo me deu outra ordem “Cabeçada, agora!” Ataquei sem receber qualquer rebate, ela continuou parada e apenas recebeu o golpe, isso soou bastante estranho. “Ei, Dunsparce, use cabeçada novamente e afaste-se dela o mais rápido possível depois...” Ele parecia incerto, mas obedeci novamente e efetuei outro golpe mesmo que estivesse morrendo de medo e rastejei para perto dele. Foi no momento que me afastei que ela veio com tudo, “Rápido, use proteger!” o jovem havia dito no primeiro pulo da nossa oponente, percebendo que se tratava de um ataque muito forte. Criei a barreira ciana outra vez, então o golpe não nos feriu, mas fez uma árvore perto da gente cair em cheio no chão com tamanho poder que a Pineco tinha, fazendo a gente desistir de lutar por medo.
Como estava apavorado, escondi-me atrás de Lucas e ele desesperado me pegou na mão e saiu correndo, embora a Pokémon selvagem continuava furiosamente nos seguindo. “Foi uma péssima ideia, me perdoa Dunsparce, me perdoa!” meu treinador gritava alucinadamente, dando uma volta e passando por trás dela na tentativa de desviar de rochas que foram arremessadas contra nós. Até que o jovem parou de correr e encarou na pouca distância que estávamos dela, dizendo para mim “Use olhar penetrante e paralise-a!” percebi que era uma boa estratégia para fuga e abri meus olhos, encarando-a profundamente, causando o efeito de paralisia sob meu alvo, mas nem isso foi capaz de parar a fúria dessa Pokémon selvagem e ela continuou nos perseguindo. Ele percebeu a falha no seu plano e voltou correndo, mas acabou tropeçando no chão e a Pineco acabou se aproximando muito da gente, por sorte ele viu a Pokébola que eu tinha encontrado antes, e num reflexo rápido arremessou na direção dela, o item acertou diretamente e uma luz ciana envolveu todo o seu corpo. Ficamos quietos por um tempo, eu e meu treinador, torcendo para que ela não escapasse da bola, o objeto tremeu uma vez, depois outra e parou por alguns segundos. “... Ei, isso é um bom sinal?” o garoto me perguntou e em grunhi em incerteza, nunca vi uma sendo utilizada na captura de um Pokémon. Perante nossa conversa, a Pokébola acabou tremendo uma terceira vez fazendo um barulho de estalo, porém estávamos apavorados para se aproximar dela. “Certo, eu vou conferir...” Ele lentamente se aproximou do item, parecia que ela realmente havia sido capturada e agora era o primeiro Pokémon oficial do Lucas.
“... Isso definitivamente não estava em meus planos.” Exclamou o garoto.
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