Oitavo Andar

1 Causa da morte: Amoras


Percy achava que era só uma fase. Um passo em que todo relacionamento dava suas requebradas e bamboleios e logo depois voltava à estabilidade. Entretanto, não pareciam ser esses os pensamentos de Luke.

E após mais uma briga Percy finalmente entendeu o que significava sentir solidão.

A porta se fechou com um baque levando junto as palavras que Luke arrancara junto com o ar rarefeito do prédio. Aquele som seco, duro, mortal, continuava ressoando na cabeça do moreno por mais que ele afundasse seu rosto no travesseiro do sofá e fungasse tentando impedir que as lágrimas viessem à tona.

Lentamente levantou a cabeça e observou a janela tão convidativa na sua frente.

Como pode ser tão lerdo? A solução era simples. Ou vivia com Luke, ou Luke ia para o Hades junto com ele.

Certamente o mais velho estava ocupado checando seu perfeito topete loiro no espelho do elevador para prestar atenção ou ao menos se importar no que o (agora ex-) namorado estava pensando. Percy e suas ideias sem noção.

O moreno correu até a porta e subiu até o oitavo andar, batendo na porta de sua tia Perséfone que, como sempre, estava com a cara enfezada por acabar de chegar de viagem para passar um tempo insuportavelmente longo perto do marido que, novidade!, havia saído mais uma vez a deixando sozinha com aquele fedelho filho de outra mulher. Ao menos naquele dia o “fedelho” estava aparentemente ocupado trancado no quarto fazendo sabe-se lá que tipo de ritual obscuro com McLanche Feliz para se importar com o que seu crush adolescente estava fazendo insistindo a madrasta de o deixar entrar.

- Vamos lá, tia, eu nunca te pedi nada. – Percy implorou, olhando atentamente aqueles cachos morenos e comentando discretamente o quanto ela lhe parecia mais bela que a Miss Universo, Aphrodite. Depois de um lisonjeio desses, Perséfone não seria maluca de bater a porta em seu rosto.

Com isso Percy, sem nem esperar o convite da “tia” de comer cereal junto com seu primo, se encaminhou para a janela da varanda e lá embaixo viu Luke cumprimentando algum cara aleatório na rua. Certamente aquele Nakamura, que nunca escondeu que desejava o corpo do loiro nu e deitado sobre lençóis negros da discórdia.

Ele não pensou, pulou.

E a cena foi tão linda que até mesmo Nico desviou os olhos de seu videogame grego que disputava com seu amigo mais velho asiático para observar com pesar o corpo bem feito do mais velho disparar pela janela em direção ao concreto. Uma lágrima caiu de seus olhos, segundos antes de ver o resultado do jogo e fazer uma dança da vitória em comemoração.

Ele poderia se apaixonar pelo Zhang se o mesmo não namorasse sua irmã, o outro sempre o deixava vencer naquelas partidas idiotas.

Caindo rapidamente Percy se lembrou do porquê de odiar aviões, alturas ou qualquer coisa relacionada ao ar em geral.

Seu estômago se contraía e os olhos lacrimejaram, ele queria voltar para o apartamento da sua mãe em Nova York e comer doces azuis até esquecer a terrível sensação de queda livre e que a qualquer momento ele se esborracharia no chão. Mas era por Luke, e por Luke tudo valia a pena.

O loiro nem percebeu o que o atingira, a força peso somada à energia potencial gravitacional convertida em energia cinética foi o suficiente para apaga-lo antes de ouvir o “eu te amo” murmurado daquele corpo que abalara seus sistemas.

Caídos no asfalto na mesma posição que foram dormir na noite anterior, sobrou apenas para Ethan fitar horrorizado as cenas fortes. Ele também sentiu a vergonha alheia, nunca gostaria de ser exposto daquela forma tão íntima.

Fez um sinal para a mulher mais próxima – uma morena que batia um papo animado sobre joias com sua melhor amiga – discar o número da ambulância. Chocada, ela o fez. Logo mais saltavam do carro branco Will e seu fiel companheiro Jake e ambos levaram os cadáveres para dentro, contendo os espectadores que não sabiam se achavam a morte trágica ou romântica como uma peça de Shakespare. Uma minoria ficou neutra, “jovens se achavam tão cheios de vida ultimamente”.

No necrotério do hospital, a alma sedenta por amor de Percy Jackson tentava reanimar o corpo, sem real sucesso.

Luke continuava bravo com ele. Ao menos eles estavam juntos, não? Uma pena que Perseu era lerdo demais para perceber o que havia acontecido.

Tanto um quanto o outro começaram um jogo de sério. Luke estava profundamente irritado, afinal, não é como se ele fosse deixar o menor para sempre, foi só uma briga, di Immortales! E Percy o encarava com tanta mágoa e arrependimento que era possível fazer uma cachoeira só com a maré que encharcava seus olhos.

Os corpos estavam frios, e mesmo assim os espíritos de ambos se aconchegaram lado a lado naquela cama gelada de metal.

- Você é um idiota. – Luke começou, suspirando.

- Eu só te amo mais do que poderia conter. – O moreno não sabia bem o que dizer.

- Acho que isso vai estar na autópsia.

- Como assim?

- Causa da morte: Amor excessivo por parte de um Cabeça de Alga. – Um sorriso mínimo brincou nos lábios do mais velho. Percy soltou um muxoxo. – Venha cá, pequeno.

Estendendo o braço, abraçou os ombros do menor em um sinal de trégua.

- Luke? – Chamou.

- Sim?

- Agora que estamos juntos pela eternidade, você bem que podia aprender a fazer aquelas pizzas azuis, não acha? – Os olhos verdes do mais novo brilharam, enquanto as órbitas do outro escureceram.

- Jackson...

E foi com esse grunhido raivoso que Percy acordou, sabendo que, se continuasse insistindo, o namorado iria embora de seu apartamento dessa vez para sempre.

Todavia foi até a janela e vislumbrou a cabelereira amarela de Luke abraçando algo como um pontinho também loiro, mas de cabelos mais longos. O moreno se encheu de uma raiva que não sabia que tinha e só pode pensar em uma coisa para espairecer: Sally Jackson e seus doces.

Com isso em mente foi até a geladeira, tirou de lá aquela bandeja de vidro contendo o que ele mais pedia para sua mãe desde que o aniversário de três anos de namoro dele e do Castellan estava próximo e a depositou na mesa da sala.

Depois, foi até o telefone e fez o que mudaria o rumo de sua vida de ouvinte de MPB:

- Nico, que vir jantar aqui hoje? Tem torta de amora. E é azul.

Notas finais
E no fim tudo não passou de um sonho conturbado do Percy. Que lindo.
Mas no fim tudo ficou bem e azul e arco-íris, yeey /tava com vontade de escrever Perluke depois de tanto tempo no tumblr
Espero que tenham gostado, um abraço para quem leu e um beijo de amora *3* para quem quiser deixar uma opinião, nem para dizer que a história ficou uma droga (porque eu não sirvo pra esse tipo de comédia -w-)
Bye~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!