Oh Pudim

1 Oh Pudim...


O ambiente barulhento inundado de clientes não eram suficientes para desviar minha atenção daquele pudim.


A divina bandeja de pudim pousada sobre a mesa do buffet...

Vez e outra checo os recipientes para repor os pratos mas meu olhar se eleva para a bandeja novamente com uma precisão magnética.

A calda dourada, meus olhos brilhando, o estômago vibra

Tão brilhante por trás da transparência daquela tampa de plástico,

só queria poder arrancar um pedaço e...

Volto a varrer triste

Sirvo aos clientes com um falso sorriso e invejo seus talheres brilhantes deleitando-se de pedaço e pedaço suas fatias

Tento me consolar indo a cozinha e lá encontro a cozinheira gorda fofoqueira

Tão gorda, tão fofoqueira, mas cozinha um pudim tão bem...

— Posso comer um pedaço do pudim?

— Não

Desço as escadas voltando ao meu infeliz dia

Em repetidas sequências de clientes retomo a sonhar por cima de suas fatias gordas de pudim em seus pratos

O dia escurece e as pessoas diminuem

É chegada a hora!

A hora de lavar toda as louças

Infelizmente

E o dia vai embora junto com meu ânimo e os pratos

Meu peito se afunda numa longa expiração

Já volto a repensar sobre a minha existência na terra e sobre meus motivos de continuar nela, em mente ressoa o pensamento

"Vamos terminar as louças! No final tem pudim!"

Então passo a esfregar os pratos com um pique de energia, pratos, pratos e mais pratos...

Termino o trabalho exausta e meu olhar melancólico segue atrás do portão se fechando.

Se trancando, com o pudim dentro do restaurante.

O dia acaba.

Notas finais
Vocês me pagam...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!