Oh, Dammit! [A SER REESCRITA]

8 Porque o senhor está dando giros, Sr. Estômago?


Notas iniciais
Yoo Minna! Não demorei, eu acho, então espero que não me matem o/ Não tenho muito o que falar... Agradeço a todos que mandaram reviews (eu vou responder todos, juro). Nesse capítulo vocês vão conhecer um pouco mais a Mírian (espero de verdade que vocês a AMEM *u*) E vou colocar umas legendas nas notas finais, então LEIAM AS NOTAS FINAIS! Espero que gostem >3 Kissu Kissu Levi-chan

Percy

– Prazer, sou Mírian Turner.

– Prazer... – disse Nico, um tanto receoso, estendendo a mão de modo hesitante para cumprimentá-la — Nico...

– Eu sei muito bem quem você é! – ela interrompeu Nico toda feliz e o puxou para um abraço apertado – Você é o uke fofinho do Percy!Ele me falou muito de você!

– Mírian! – exclamei sentindo meu rosto ficar vermelho.

Mírian era a única menina que sabia dessa história minha e do Nico. Apenas ela e Jake sabiam. Mare também sabia, mas não tão afundo como eles dois. Melhores amigos são para isso, não é?

Nico me olhou com uma sobrancelha arqueada, mas logo voltou seu olhar para a maluca a sua frente, que ainda o apertava contra seu corpo. Eu sentia que ele estava me evitando e aquele foi o único “gesto” dele dirigido a mim desde ontem.

– Ele falou é?

– Claro! Agora eu sei os motivos! Kami-sama*, você é tão estuprável! — ela dizia toda animada, fazendo Nico arregalar os olhos e eu dar um tapa em minha própria testa.

Não acredito que ela falou isso mesmo.

– O que você disse? — perguntou Nico com as bochechas levemente coradas.

– O que você é oras! O uke mais estuprável de todos os tempos! — ela disse sorrindo para ele maliciosamente. Eu simplesmente queria me esconder.

Quando Nico ia abrir a boca para falar alguma coisa, um troço loiro passa por ele, pegando Mirian no colo e a rodando no ar. Claro que era o Jason. Claro que ele tinha que fazer. Claro que ele é um idiota.

Apenas revirei meus olhos.

– Que saudades, Coelhinha!- disse Jason apertando a morena

– Ora ora, quanto tempo Golden — ela disse ainda no aperto de Jason – Já falei para não me chamar de Coelhinha!

– Você sempre será minha coelhinha, não importa a situação ou dimensão — ele disse rindo e pondo-a no chão.

Mas ao invés de reclamar ou rebater, ela encarou Jason um tanto boquiaberta. Olhei para ele, mas não vi nada de diferente, então voltei meu olhar para ela e notei que ela não encarava apenas Jason e sim nos três.

– Meu Kami-sama! – ela disse com os olhinhos brilhando, atitude super madura para uma menina de 24 anos – Vocês três são tão shippáveis!

Nico estava entre nos dois olhando para Mírian com uma cara extremamente confusa, enquanto Jason estava levemente corado e eu querendo matar aquele projeto de maluca.

– Alguém pode me explicar o que ela está falando? — perguntou Nico olhando para Jason de maneira fofa – Até agora a única coisa que eu entendi vindo dela foi "Prazer, sou Mírian Turner".

– É melhor você não ficar sabendo – eu e Jason dissemos em uníssono.

– Como você consegue ser tão fofo? — ela exclamou toda feliz — Nunca conheci um uke tão perfeito como você! Vem cá, me dá um abraço — ela abriu os braços e foi em direção a Nico

– Só se você me dizer o que é uke– ele disse dando um passo para trás para que ela não o abraçasse. Essa não...

– Ah, claro! Uke é o...

– NÃO! — gritamos Jason e eu indo tampar a boca dela.

Seguramos sua nuca com uma das mãos enquanto tapávamos sua boca com a outra, com minha mãe em cima da de Jason, impossibilitando-a de falar mais merda, ou melhor, explicar o que era aquela coisa. Claro que eu e Jason sabíamos o que ela estava falando. Sabíamos que ela era uma louca viciada em casais de homens homossexuais, mais conhecido como yaoi. Ela era uma fujoshi* assumida e não tinha nenhuma vergonha disso. Ela já chegou ao nível de achar que eu e Jason formaríamos um casal perfeito.

Nico pendeu a cabeça para um lado de forma confusa, gesto que me fez achar aquilo extremamente fofo e a Mírian começar a dar chilique, tentando se soltar de mim e de Jason, provavelmente para pular em cima de Nico e não soltá-lo nunca mais.

– Isso é jeito de tratar uma amiga, meninos? – disse meu pai chegando perto de nós com um sorriso. Largamos a louca, com plena consciência de que ela não falaria merda na frente do meu pai, e ela caminhou até ele.

– É um prazer revê-lo, Poseidon — disse como se não estivesse passado por um ataque de fofura agora mesmo.

– Sem formalidades, Mírian – disse ele a puxando para um abraço – Eu devo muita coisa a você, principalmente pelos treinos que você deu a esses dois. Zeus e eu...

– Não precisa, Poseidon — ela disse sorrindo abertamente – Foi um tremendo prazer ensiná-los e treiná-los. Além disso, eu que devo a eles. Senão fosse por esses dois padawans* aqui eu nunca teria encontrado minha vocação.

– Sério? — perguntou meu pai com um sorriso. Ele praticamente considerava Mírian da família.

– Claro! Eu já pensava em fazer isso, mas nunca tive a oportunidade de tentar. Então depois que eu treinei os dois, descobri que o que eu quero pra minha vida é ser treinadora de basquete!

– Espera ae – disse Nico dando um passo à frente e Mírian se virar para nós – Você joga basquete?

Hai, hai*– ela disse sorrindo

– Vou interpretar isso como um sim – ele disse encarando a morena de forma engraçada. Era extremamente fofo vê-lo confuso.

Mas que merda é essa que eu estou pensando?

Eu tenho que voltar a tomar meus remédios.

– Também gosta? – ela perguntou um tanto esperançosa.

– Hm... – ele pensou um pouco, mas foi muito pouco mesmo — Não, odeio basquete – ele finalizou sua fala e cruzou os braços, virando o rosto. Porque diabos ele estava mentindo?

– Ué, você não...- começou meu pai, mas parou assim que viu Nico mexer a cabeça negativamente de forma bem discreta, gesto que Mírian e Jason não pareceram notar, mas eu notei.

– Bom, a conversa está ótima, apesar de eu não ter entendido nada, mas eu tenho que ir. Preciso conversar com o Leo – disse Nico após uns segundos de silêncio.

Não sei por que, mas só de ele falar que precisava "conversar" com o Valdez eu senti-me estranho. Não era uma coisa que eu sentia com frequência, mas foi a mesma sensação que eu tive quando descobri que o Jason tinha ficado com Nico.

Ele se despediu com uma continência de dois dedos e subiu para o quarto.

– Mas me diz, o que veio fazer aqui? — perguntei animado puxando Mírian para a mesa do café. Não ia deixar Nico atrapalhar minha felicidade com a chegada de Mírian.

– Onde está Bianca e Mare? — perguntou Jason assim que nos aproximamos da mesa, onde apenas minha futura madrasta, Thalia e Tyson estavam.

– A Bia está vomitando. Pedi para a America ficar com ela e não ir para a escola – disse Maria um tanto triste, mas logo voltou seus olhos para Mírian e sorriu — Olá moça, sou Maria di Angelo.

Ela estendeu a mão para Mírian, que a apertou rapidamente se apresentando. Claro que eu tinha falado pra ela sobre o casamento do meu pai, então não era de se admirar que Mírian não fosse gostar muito de Maria, até porque ela amava minha mãe e lamentava a separação de meus pais.

Maria convidou Mírian para se juntar a eles no café, mas a mesma se recusou dizendo que já tinha comido no aeroporto. Então eu a ajudei a levar suas malas, que tinham sido jogadas no chão do lado de fora da mansão quando ela entrou, para o andar de cima. Eu não tinha comido, então peguei um pão francês, passando manteiga rapidamente e colocando-o na boca, enquanto segurava as duas malas de Mírian.

– Deixa que eu ajudo... – disse Jason fazendo menção de pegar uma das malas de minha mão, mas eu desviei e balancei a cabeça.

– Pode deixar – minha voz tinha saído engraçada por causa do pão em minha boca, mas pelo visto ele entendeu o recado.

Deixa-as no quarto de hospedes ao lado de onde Thalia e Jason estavam dormindo e pedi para que ela se sentisse em casa.

– É ele mesmo? — ela perguntou com um sorriso malicioso no rosto, colocando uma de suas malas em cima da cama.

– É ele o que? — perguntei um tanto confuso.

– A pessoa que você está afim – ela disse simplesmente abrindo a mala.

– Eu tenho namorada, Mírian – eu disse um tanto nervoso, o que a fez rir.

– E ela sabe que você gosta de um cara? – ela disse rindo enquanto revirava as roupas dentro da mala.

– Não seja ridícula! – exclamei – Tá, eu beijei ele, mas isso não significa nada.

Ela parou imediatamente de revirar sua mala para olhar pra mim de um modo estranho e assustador, que era o jeito dela de demonstrar que estava começando a ter um “Ataque Fujoshi”.

– Você o que? – ela disse em um tom completamente feliz.

Eu estava fudido.

– Você esta me dizendo que você beijou aquele uke lindinho? — ela disse mais alto e começou a pular. Que o ataque comece. — Eu sabia! Eu sabia que você ia ceder para o lado yaoi da vida!

Apenas fiquei calado enquanto ela dizia o quanto aquilo era maravilhoso, legal, perfeito e que ela precisava de uma filmagem minha beijando o Nico. Imaginar a cena fez meu estomago ficar estranho, não sabia o que era aquela sensação, mas era muito estranha.

– Afinal, o que você veio fazer aqui? – eu perguntei tentando desviar do assunto. Eu sei que no final contaria tudo a ela, mas estava querendo adiar esse momento um pouco. Consegui o meu objetivo com sucesso, pois Mírian abriu um sorriso maior que o rosto e começou a falar animadamente.

– Meu professor e treinador da faculdade convidou-me para ser arbitra no Intercolegial desse ano! – ela disse dando pulinhos da alegria. Realmente nem parece que tinha 24 anos.

A Mírian é simplesmente incrível. E eu não estou falando isso porque ela tinha deixado o Nico completamente sem graça com suas falas e atitudes, mas sim porque ela é realmente foda.

Conheci a Mírian no tempo em que morei em Nova York, justo na época em que o Nico se mudou para o internato. Por mais que meu tempo lá tenha sido o pior da minha vida, teve sua parte boa. Foi lá que comecei a jogar basquete e me apaixonar pelo esporte e eu devo isso a Jason e Mírian. Jason sempre gostou de esporte, mas nunca ele não aprendia rápido como eu.

Quando eu vi pela primeira vez um jogo de basquete, meus olhos brilharam e eu decidi que era aquilo que eu queria, junto com a natação, claro. Então meu pai e o tio Zeus nos colocaram em uma escolinha de basquete em um clube próximo a nossas casas, já que éramos vizinhos.

Em um dia, nosso treinador nos chamou para assistir a um jogo feminino da equipe do clube, que eram mais velhas que nós e já estavam em uma parte bem avançada. E foi lá que vimos a Mírian jogar com suas incríveis habilidades. Ela não era uma das jogadoras mais altas, mas definitivamente era uma das melhores com seus passes super fodas e seus saltos que eram impressionantemente altos para uma garota de 1,68cm.

Eu e Jason ficamos tão maravilhados com suas habilidades que não podíamos deixar de falar com ela. Pedimos para nossos pais esperarem lá fora e quando o ginásio estava quase vazio, fomos falar com ela. Mírian foi a última a se arrumar para sair da quadra, nos dando a oportunidade perfeita de falarmos com ela, que estava pegando sua bolsa para ir embora.

“Ei! Número 10!” eu gritei, sendo repreendido por Jason, que estava morrendo de vergonha de ir até ela.

Ela se virou lentamente, nos dando tempo de chegar perto dela. Ela estava com uma garrafa de água na boca e nos olhando com aqueles incríveis olhos vermelhos. Ficamos parados um tempo, encarando a peculiar cor de seus olhos, mas logo sai do transe, bombardeando-a com elogios e perguntas.

“Nossa! Você é incrivelmente incrível! Aquele seu passe nos últimos segundos do último quarto foi simplesmente demais! Como você consegue pular daquela maneira? Nunca vi uma garota pular tão alto! E os seus dribles? Como consegue enganar o adversário daquela forma?” eu dizia com os olhos brilhando, enquanto Jason apenas encarava a garota a nossa frente, que sorria de modo extremamente simpático.

“Calma lá, campeão! Uma coisa de cada vez, Aye*?” ela disse bagunçando meus cabelos e rindo

“Mas você é mesmo incrível! Merece todos esses elogios e mais!” dessa vez Jason se pronunciou, fazendo a garota sorrir mais ainda.

“Vocês gostam de basquete?” ela perguntou

“Claro!” eu disse por mim e por Jason “Queremos ser os melhores do time!”

Ela apenas sorriu e se abaixou, ajoelhando no chão para ficar quase da nossa altura (claro que ela ficou um pouco mais baixa). Nós não éramos muito altos para meninos de 13 anos, Jason tinha mais ou menos 1,60cm enquanto eu tinha 1,55cm.

“Para serem os melhores vocês não tem que apenas gostar do esporte” ela disse olhando ora pra mim ora pra Jason “É preciso dar o sangue e o suor para alcançar o melhor. Vocês têm que estar cientes que é preciso dar tudo de si, entenderam? Amem o basquete como se suas vidas dependessem disso, Aye?”

Apenas assentimos com a cabeça, maravilhados com suas palavras. Ela se levantou sorrindo, ajeitando a alça da bolsa no ombro e bagunçando nossos cabelos de modo fraternal.

“Então batalhem muito para conseguirem o que querem, Aye!” ela disse finalmente e se virou para ir embora.

Entreolhamo-nos e praticamente pensamos a mesma coisa. Não sabíamos o nome dela, mas sabíamos o seu apelido por conta da camisa, que tinha na parte inferior do uniforme escrito em letras roxas, inclusive a jaqueta que ela usava.

“Mika-chan!” gritamos e corremos em sua direção, já que ela estava quase saindo do ginásio. “Você ensinaria a gente a jogar como você?” eu perguntei segurando a manga de sua jaqueta.

Ela me encarou por um instante e depois voltou seus olhos para Jason, que estava atrás de nós.

“Vocês estão mesmo dispostos a treinar comigo?” ela perguntou um tanto espantada com o meu pedido repentino, mas pareceu gostar.

“Queremos! Você será a melhor professora de todas!” eu disse completamente animado com a ideia.

Mírian me olhou com um brilho nos olhos desigual, chegava a ser um brilho de felicidade.

“Então eu aceito ser a treinadora de vocês” ela disse depois de uns minutos e nós começamos a comemorar. “Mas os treinos não serão fáceis e preciso de todo o esforço de vocês.”

“Sim!” dissemos juntos

“E mais uma coisa, só uma condição” ela disse apoiando as mãos no joelho e se inclinando ate ficar da minha altura “Vocês vão ter que me chamar de senpai

“Tudo o que você quiser!” eu exclamei em meio a excitação. “Mas o que é senpai?”

“Digamos que é ‘veterana’ ou ‘aluna mais velha’ em japonês” ela disse rindo com a minha cara, que era de confusão.

Ela sorriu e bagunçou meus cabelos novamente. E por incrível que pareça, eu estava gostando de seus toques.

Depois disso começamos a treinar todos os dias, sem exceção. Havia uma quadra de basquete publica perto de nossas casas, então ela sempre nos treinava lá. Continuamos a fazer as aulas no clube, mas nada comparado aos treinos de Mírian. Ela era simplesmente incrível, mesmo sendo uma treinadora um tanto rigorosa, mas nós sabíamos que no final valeria a pena todo o esforço.

Além do basquete, aprendemos um pouco de japonês com aquela louca. Ela sempre nos xingava em japonês e falava coisas incompreensíveis para nós, mas com o tempo nos acostumamos e acabávamos falando ás vezes para deixá-la feliz.

E foi com ela que eu realmente passei a amar o basquete.

– Meus parabéns, Mika! — eu disse abraçando-a – Já terminou a faculdade de educação física, né? Pronta pra ser treinadora?

Hai, hai! Todos os alunos da minha classe foram designados para um dos 48 estados que participarão do Intercolegial para serem árbitros dos jogos regionais. Tive muita sorte de vim parar aqui!

Apenas sorri pra ela e olhei meu relógio, já estava super atrasado para o colégio, ia chegar no final do primeiro horário.

– Meu Deus! Eu estou super atrasado! Fique a vontade, qualquer coisa chame a Mare ou a Mellie – eu disse lhe dando um beijo na testa e indo para a porta, mas ela segurou meu braço e me olhou fixamente nos olhos.

– Não pense que vou pegar leve com vocês no Intercolegial só porque vocês foram meus primeiros pupilos. Eu sei que o colégio de vocês participará. – ela disse sorrindo de um jeito maléfico, o que me deu medo devido aos seus olhos vermelhos, mas sorri da mesma forma que ela.

– Sei que não irá... E aquele desafio ainda está valendo.

– E você vai perder feio como sempre – ela sorriu e eu pude ir para a porta, mas parei e sorri de canto.

– Não se esqueça que o aluno sempre pode superar o mestre – eu disse sem olhá-la.

– Não será o caso – conhecendo-a, soube que estava sorrindo — Ah, não pensa que você escapou de mim, quero saber todos os desse seu uke kawaii, Aye?

Apenas revirei os olhos com um sorriso e acenei para ela, ainda de costas.

Aye sir. – eu disse igual ela dizia sempre, imitando aquele gato azul do anime Fairy Tail.

Então pude sair do quatro de hóspedes e ir para o meu quarto, pegando minha mochila e indo rapidamente para o meu carro.

Tinha a impressão de que hoje seria um longo dia.

[...]

Como já era de se esperar, dormi praticamente todas as aulas.

Ainda estávamos no primeiro horário depois do intervalo, então ainda teria mais duas aulas para dormir e estar disposto para o treino hoje de tarde e como aquela aula era de biologia, minha matéria favorita, eu prestaria atenção nela e descansaria nas outras duas.

Tínhamos aula de biologia no anfiteatro e nesse exato momento estávamos vendo um vídeo sobre vírus, ou seja, a sala estava escura e o silêncio predominava, exceto pela voz do cara no telão, explicando sobre o vírus da AIDS.

Eu estava quase caindo de sono, mas uma coisa me chamou atenção: Nico estava exatamente na minha diagonal, chupando, entediadamente, um pirulito. Okay, isso seria normal se ele não tivesse fazendo movimentos um tanto eróticos com aquele doce. Sua cabeça estava apoiada em sua mão esquerda, enquanto sua mão direita segurava a haste do pirulito, o retirando às vezes de sua boca. E quando ele tirava, começava a dar lambidas de um modo pervertido.

Como ele conseguia fazer essas coisas sem ao menos ter a intenção?

Ele rodeava o pirulito com a língua para depois colocá-lo dentro da boca novamente, dando uma leve chupada. Então fiz uma coisa que nunca pensei que faria em toda a minha vida: comecei a imaginar ele fazendo isso com o meu membro. Imaginava Nico chupando-o da mesma forma que chupava o pirulito e hora ou outra olhava para mim com aqueles incríveis olhos pretos cheios de malícia. Fechei os olhos lentamente e coloquei a mão na boca, me permitindo soltar um gemido baixo para depois reparar que eu estava começando a ficar excitado.

MAS QUE COISA DO CAPETA É ESSA?

Eu não podia estar excitado só por imaginar o Nico pagando boquete pra mim! Isso é completamente insano e fora da realidade! Nem Annabeth, que já tinha me chupado milhares de vezes, tinha me deixado excitado apenas chupando um pirulito! E olha que ela já tentou hein?

Como a ereção ainda não estava muito "grande", desviei o olhar de Nico, olhando para trás. E eis que me deparo com Jason, algumas cadeiras atrás de mim, na minha diagonal direita, olhando Nico de forma estranha. Com certeza ele estava adorando aquela visão e isso fez meu sangue ferver um pouco, mas não sei o porque.

– Me empresta? — eu disse já pegando o espelho da mão da menina que estava sentada do meu lado.

Eu simplesmente não estava acreditando no que eu iria fazer.

Mirei o espelho para eu conseguir ver Jason e me movi de modo que eu ficasse na sua frente, tampando sua visão de Nico. Fiz isso com muito sucesso, pois Jason se inclinou para a direita, para conseguir ver o moreno que não fazia nem ideia do quanto estava sexy chupando aquele pirulito.

Mas que porra é essa?

Que tipo de idiota eu sou? Nico é o cara que eu mais odeio desde o dia em que ele pisou nessa escola! Eu não deveria nem me preocupar se ele tinha correspondido o beijo de Jason e não o meu. Pelo que eu percebi, Jason é realmente gay ou bi, isso não interessa e também não me interessa o fato de eles poderem ser felizes para sempre assim que Nico sair do armário também.

Não, isso não me interessava nem um pouco.

Devolvi o espelho para a menina sem falar nada e desabei na minha carteira com meus pensamentos no maldito cara que me abandonou.

[...]

O tempo sempre passa mais rápido quando se estar fazendo algo que gosta.

No meu caso, eu estava no final do treino de natação e o sol já estava se pondo. Depois que todos foram embora, fiquei um tempo na piscina, vendo o sol se pondo, já que a mesma fitava em um local aberto. Estava boiando na água para ter uma visão melhor do sol.

Aquele momento me fez parar de pensar em qualquer coisa, principalmente em Nico. Estava bastante concentrado em ver o sol, que nem percebi quando alguém se aproximou na beirada, colocando os pés dentro da piscina.

– Não te vejo com esse olhar há um tempão – disse uma voz feminina bem familiar.

Parei de boiar e fiquei em pé, olhando Thalia, que havia tirado os tênis e estava sentada na beira da piscina, com os pés dentro da água. Ela olhava para o sol de modo distante, sem olhar para mim. Eu não disse nada, apenas fiquei encarando-a.

– Nico me contou sobre o beijo que você deu nele – ela disse sem olhar pra mim e eu me espantei.

– E-ele te contou? – falhei ao tentar falar e ela riu.

– Então é verdade – ela disse olhando para mim agora. – Na verdade eu vou ele falando com o Leo na aula de física. Não achei que fosse verdade, mas pelo visto...

– I-isso não significa nada – falhei novamente ao dizer. O que estava acontecendo comigo?

– Olha, eu vou dizer apenas uma vez – ela disse se levantando, o que me fez ter que olhar pra cima para encará-la. – Eu não me importo se você e meu irmão são gays, realmente não me importo. Estou até feliz por isso, pois em breve você dará um chute na bunda daquela loira aguada da Annabeth... – ela fez uma pausa – Mas não faça nada com Nico. Ele não curte a mesma coisa que vocês e nunca vai curtir. Já falei com Jason e agora estou falando para você, desista de Nico.

Então pegou seus tênis e saiu da área da piscina, me deixando com uma cara completamente incrédula.

Eu tinha escutado direito? Ela me mandou desistir do Nico? Como se desiste de uma coisa que você sequer tem o interesse? Como ela pode achar mesmo que eu quero o Nico? Como... Como ela...

Meu Deus, aquilo estava dando um nó em meu cérebro.

Dei mais um mergulho, na tentativa de limpar aqueles pensamentos e sai da piscina. Corri para o vestiário e me arrumei rapidamente e de modo desajeitado, colocando a jaqueta da equipe de natação e a calça combinando. Calcei meus tênis de basquete e sai correndo para o meu carro.

Eu precisava chegar em casa o mais rápido possível, mas não sabia o porque dessa urgência toda, apenas entrei em meu carro e acelerei em direção a mansão.

Quando a gente está com pressa, tudo começa a dar errado. Pois é, acabei pegando um pequeno engarrafamento na rua paralela a minha casa, o que me deixava mais agoniado ainda, estar perto de casa e não poder chegar. A janta era sempre posta às 19hr em ponto e eram 19hr15 quando eu cheguei em casa.

A primeira coisa que percebi foi que todos estavam na mesa, menos Nico. Mírian tinha me mandado mensagem dizendo que passaria o dia inteiro fora resolvendo alguns assuntos do Intercolegial, então não dei falta dela. Respirei fundo e perguntei-me porque eu estava com tanta pressa. Era uma coisa muito estranha... O que estava acontecendo comigo?

Larguei minha mochila no sofá e fui me juntar às pessoas a mesa. Sentei do lado de Mare e de frente para Thalia, que me olhava de um modo estranho, como se fosse me devorar.

Pus um pouco do risoto que estava na mesa e me pus a comer, mesmo não estando com um pingo de fome. Meu pai me perguntou algumas coisas e eu apenas respondia no automático, não fazendo ideia do que ele estava falando realmente.

Então, depois de alguns minutos, Nico desce com uma mochila nas costas e vai em direção a porta, falando que ia sair. Maria tentou perguntar aonde ele ia, mas foi bruscamente interrompida pela porta sendo batida.

Sentia que Nico estava me evitando de todos os jeitos desde ontem.

Vi a oportunidade perfeita de falar com ele.

– Eu não sei mais o que faço com esse menino! Ele não para em casa! – exclamou Maria frustrada – Sinto que estamos nos afastando...

– Calma, Maria. Deve ser porque ele ainda não se acostumou com o fato de que vamos nos casar – disse meu pai segurando a mão de Maria sobre a mesa. Ele lhe lançava um sorriso acolhedor, fazendo sorrir sem mostrar os dentes.

Eu também não tinha me acostumado e nem por isso estava fazendo aquilo que ele estava fazendo. Tinha a impressão que as suas atitudes eram por causa de outra coisa. Então tomei uma decisão, levantei-me rapidamente da cadeira e corri até a porta.

– Eu vou falar com ele! – eu disse abrindo a porta

– Não Per... – começou Maria, mas eu bati a porta antes de ouvir ela completar o meu nome.

Corri até a portaria e perguntei ao porteiro para que lado Nico tinha ido. Ele falou que ele tinha ido para a direita e eu sabia exatamente onde ele estava indo.

Nico

Não estava mais em condições de frequentar aquela casa. Não depois do que ocorreu na festa.

Eu queria ter bebido o suficiente para esquecer dos acontecimentos de ontem, mas infelizmente isso não foi possível, me fazendo lembrar de cada detalhe de tudo o que aconteceu. E aquelas cenas estavam vivas em minha cabeça desde que sai do quarto de Percy ontem, indo dormir com America e Bianca. Ou pelo menos tentar, já que não consegui pregar o olho a noite inteira.

Mal podia esperar para o domingo chegar, pois os móveis para o meu futuro quarto chegariam e eu finalmente podia ter privacidade. Com certeza passaria o dia trancado em meu quarto. Eu não queria móveis novos, queria os meus velhos, que estavam na outra casa, mas minha mãe insistiu tanto para que eu encomendasse novos que eu tive que ceder.

Só para deixá-la feliz.

Não estávamos nos aproveitando do dinheiro de Poseidon, longe disso. Minha mãe disse que um terço dos móveis que foram comprados para o meu quarto e de Bianca foram tirados do bolso de Poseidon, o resto era de sua poupança.

Ela disse a mim que estava guardando dinheiro para quando formos nos mudar para Houston, nossa cidade natal, mas como surgiu um “imprevisto”, que foi o casamento, ela resolveu usar o dinheiro para renovar nossos quartos.

Mas cedi com uma condição: que ela me deixasse pintar meu quarto. Claro que ela relutou, sabendo que eu pintaria boa parte dele de preto, mas no final acabou cedendo quando falei que aceitaria os móveis.

Eu só precisava de um pouco de distração e faria isso jogando basquete. Sempre funcionava.

Descobri que havia uma quadra de basquete pública a alguns quarteirões da mansão dos Jackson, então me encaminhei para lá, já que não iria usar a quadra de basquete que tinha na casa dos Jackson... Não, nem a pau.

Coloquei meus fones de ouvido tocando Nothing Else Matters – Metallica­, pus o capuz do meu casaco preto, enfiei minhas mãos no bolso e sai andando distraidamente, tentando me esquecer dos acontecimentos do dia anterior.

Cheguei a quadra e ela estava vazia, graças a Deus. Apenas uma das quatro luzes que tinham na quadra estava ligada, mas isso não me importava muito, já que não usaria a quadra toda.

Deixei minha mochila no canto da tabela e retirei meus tênis preferidos de basquete, os calçando logo em seguida. Tirei a grande bola laranja de dentro da mochila e comecei a quicá-la no chão assim que levantei.

Estalei meu pescoço dos dois lados e me preparei para fazer um arremesso da linha de lance livre pintada no chão. Lancei a bola e ela bateu no aro, não entrando na cesta. A bola quicou algumas vezes, fazendo aquele barulho extremamente agradável aos meus ouvidos, que mesmo com os fones eu consegui escutar.

Tentei mais alguns arremessos e acertei apenas dois. Eu estava realmente estranho. Tão estranho que mal conseguia colocar a maldita bola dentro da cesta. Tentei algumas bandejas e mesmo perto da cesta, consegui errar em quase todas as tentativas.

Além da sensação estranha, sentia que eu estava sendo observado, mas as duas vezes que olhei para trás, não havia ninguém.

Pensei em treinar meu fadeaway*, mas que me posicionei para fazer o arremesso, escuto uma voz grossa atrás de mim.

– Quando a Bianca falou que você jogava, não pensei que você fosse péssimo – disse Percy. Mesmo com fone eu podia escutar. Mas não queria que fosse ele.

Meu estômago deu um giro olímpico por um segundo.

Virei lentamente com a bola ainda em mãos e encarei a escuridão, mas logo vi sua silhueta. Ele estava encostado em um dos postes de luz. Eu não enxergava direito, mas reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

Meu estômago deu o giro mais uma vez, assim que o vi caminhar em minha direção. Ele entrou na área iluminada e eu puder ver que ele estava com o uniforme da equipe de natação e os cabelos escuros ainda meio molhados.

Porque o senhor está dando giros, Sr. Estômago? Quer participar das Olimpíadas?

Ele pegou a bola da minha mão e a lançou. Segui a bola com meus olhos, vendo-a entrar com perfeição dentro da cesta. Voltei meus olhos para Percy e ele tinha um sorriso convencido. Senti meu sangue começar a esquentar.

– O que você quer aqui Jackson? – eu disse no meu modo indiferente, mas no fundo queria sair correndo dali.

Ele esboçou um sorriso malicioso.

– Sabia que você viria aqui. – ele disse sustentando meu olhar. Maldito. – Queria ver se você era bom mesmo, mas pelo visto estava errado.

Cerrei meus punhos nas laterais do meu corpo, mas de modo que ele não percebesse minha raiva. Eu não sou ruim no basquete, só estava tendo um dia difícil. APENAS isso. E tudo por causa DELE.

Tentei relaxar e o encarei, indiferente como sempre.

– Eu odeio esse seu olhar de indiferença – ele disse arregaçou as mangas da jaqueta e pegou a bola, começando a quicá-la na minha frente e de costas para a cesta. — Vamos ver se eu consigo arrancar uma expressão desse seu rostinho. Vamos um mano a mano.

– E o que eu ganho com isso? – perguntei começando a gostar da ideia. Inclinei-me em posição de defesa e encarei seus olhos, que transbordavam confiança.

– Vamos fazer assim: 30 pontos. Se você ganhar, eu te deixo em paz. Nunca mais te zoarei na escola, falarei para o time de basquete inteiro parar de te azucrinar, nunca mais dirigirei a palavra a você, nunca mais respirarei o mesmo ar que você – ele disse ainda com o mesmo sorriso convencido. Provavelmente ele estava achando que ia ganhar com toda certeza.

Mas ele não sabia que eu era movido a desafios e a apostas. E isso que ele estava me propondo era as duas coisas. Ele estava em vantagem por ser mais alto que eu, mas eu tenho meus truques.

– E se você ganhar? – eu disse dando ênfase no “você”, ainda mantendo minha postura indiferente.

– Se eu ganhar, você fará exatamente tudo que eu pedir – ele disse aumentando ainda mais o sorriso. – Você não poderá me negar nada.

Parei um pouco para pensar nas consequências daquele desafio. Nunca virá Percy jogar, mas ele também nunca me viu jogar de verdade. Com certeza ele estava fazendo aquela aposta com base no que viu agora a pouco, então eu tinha chances, pois estava animado com essa partida. Eu estava precisando exatamente disso, uma motivação. Se eu ganhasse, seria feliz o resto do ano letivo.

– Então, di Angelo? Vai topar ou amarelar? – ele disse me tirando de meus pensamentos.

– Vem com tudo. – eu disse sorrindo minimamente.

– Você pode começar – ele disse me passando a bola para logo em seguida ficar em posição de defesa.

Eu tinha um plano.

E esperava que ele funcionasse.

Comecei a quicar a bola e depois de alguns segundos estudando seu corpo, avancei de maneira moderada, o que lhe deu a chance de pegar a bola de mim e fazer uma bandeja. Sorri minimamente.

– Mas já? Não pensei que seria tão fácil assim – ele disse com o mesmo sorriso convencido passando a bola para mim novamente.

Passaram-se alguns minutos, com Percy chegando ao placar de 10 a 0, a maioria enterradas.

– Pelo visto você gosta de ser azucrinado no colégio, não é? – ele disse. Revirei os olhos internamente, Percy era um babaca completo.

Então agora vamos começar a brincar.

Comecei quicando a bola novamente e analisando sua posição relaxada. Ele realmente achava que era o maioral, mas mal ele sabia que eu estava apenas testando-o. Sorri minimamente e avancei em sua direção pela diagonal direita, fazendo com que ele nem me visse passar.

Marquei minha primeira cesta.

– O que? – ele exclamou incrédulo. – Como você fez isso?

– Sorte de principiante – pisquei pra ele e lhe entregando a bola.

Ele mal começou a quicar a bola e já veio para cima de mim, me dando a liberdade de lhe roubar a bola e marcar mais 2 pontos. Então o jogo se seguiu assim, eu marcando direto os pontos enquanto ele ficava confuso e começava a ficar irritado.

Percy não era lerdo, mas eu era muito mais rápido. Ele contava com a altura para fazer os pontos, suas jogadas eram completamente agressivas, mas ele não analisava o adversário e não tinha um ataque ofensivo nem rápido como o meu. Sem contar que sua defesa poderia ser batida sem problemas.

Ele fazia de tudo, mas não conseguia me parar.

Estávamos próximos do fim. O placar estava marcando 28 a 14 para mim. Mais uma cesta e eu conseguiria minha felicidade.

Percy pingava de suor e seu rosto era completamente transbordava raiva e indignação. Suas tentativas de me parar foram inúteis. Sorri minimamente mais uma vez.

– Eu não vou perder! – ele gritou com raiva. Pelo visto temos um competitivo aqui.

Então ele conseguiu fazer uma cesta, mas ele teve que me empurrar no chão para conseguir fazê-la. Levantei rapidamente, pegando a bola que ele me passava. Percy parecia um selvagem.

E lá fui eu me preparar para fazer o meu tão esperado fadeaway perfeito. Porém, algo que eu não esperava aconteceu: Percy quase conseguiu me parar.

Mas ele fez isso do jeito mais estranho e que acarretaria uma bela de uma falta: ele simplesmente se jogou em cima de mim. Como o fadeaway consiste em um salto inclinado para trás e um arremesso ao mesmo tempo, consegui jogar a bola fazendo-a entrar na cesta, mas a atitude inesperada de Percy me fez cair pra trás no chão, com ele por cima de mim.

O peso de seu corpo sobre o meu doeu com a queda, mas ele pareceu confortável, já que as costas e a bunda dele não foram as vítimas e não saiu de cima de mim.

– Eu ganhei – eu disse encarando aqueles olhos verdes-mar e transbordavam incredulidade. – Você já pode sair de cima de mim como parte da aposta. Lembra? Nunca mais respirar o mesmo ar que eu.

– Na-não pode ser – ele disse com os olhos arregalados – Você não pode ter ganhado de mim!

– Mas eu ganhei – eu disse simplesmente tentando conter minha felicidade – Aposta é aposta.

Então sua expressão mudou, tornando-se maliciosa e perversa. Ele pegou minhas duas mãos e as segurou em cima de minha cabeça com apenas uma mão. Tentei sair de seu aperto, mas ele era forte demais. Ele estava sentado em cima do meu quadril e suas pernas se enroscavam nas minhas, prendendo-as ao chão.

Eu estava completamente imobilizado.

– Me solta! – exclamei tentando inutilmente me soltar. Seu sorriso aumentou e ele balançou a cabeça negativamente.

Com a mão livre, Percy pegou seu celular que estava no bolso da calça (não me pergunte como ele não caiu no chão com essa partida) e me mostrou uma foto. Mas não era qualquer foto, era uma foto minha e de Bianca nos beijando.

– Onde você arranjou isso? – eu perguntei arregalando os olhos. Eu não me lembrava daquele dia, mas era claramente eu e Bianca ali. – Que dia foi isso?

– Essa quarta-feira mesmo! Você e sua irmãzinha estavam no maior fogo na cozinha quando eu cheguei! Vocês deveriam ser mais cuidadosos – ele disse passando as fotos. Eu ficava cada vez mais incrédulo. Eu não podia ter feito isso. – Ah, não pense que acabou!

Então ele me mostrou um vídeo. Podia estar escuro, mas a luz da lua que vinha da janela iluminava o local muito bem. Eu estava masturbando minha irmã sentada no balcão da cozinha. Aquilo não era verdade. Não podia ser.

– Isso é uma montagem! – rosnei para ele.

– Ora Nico, como que eu faria uma montagem dessas? É a cozinha da nossa casa. É você e Bianca. Não tem nem como ser montagem – ele sorria cada vez mais e cada vez mais eu ficava aflito. – Seria uma pena se sua mamãe descobrisse, não é?

Pelas suas palavras, eu senti que ele estava tomado de raiva. Ele estava cego de raiva.

– Você não faria isso – eu disse pensando em como seria se minha mãe descobrisse. Eu seria um homem morto.

– Claro que não faria! – ele se aproximou de minha orelha – Se você considerar que perdeu a aposta e fazer tudo que eu mandar.

O que é melhor? Ter uma morte instantânea ou fazer tudo que esse idiota pedisse até eu conseguir apagar qualquer vestígio desse acontecimento e viver mais longos anos? Com certeza a morte é melhor, mas eu prezava pela geração futura dos di Angelo.

Parei de me mexer relaxei o corpo, fechando os olhos e respirando fundo.

– Está bem, eu faço tudo que você mandar – eu disse após abrir os olhos. – Mas prometa que não irá mostrar isso a ninguém, nem mesmo Annabeth.

– Pode deixar que, ao contrário de certas pessoas, eu cumpro minhas promessas – ele disse como se aquilo fosse uma indireta para mim, que eu confesso que não entendi.

Ele afrouxou o aperto em minhas mãos, mas não era suficiente para que eu pudesse me soltar. E agora eu era o empregado particular dele. Maldito Jackson.

– O que você quer de mim agora? – eu perguntei tentando manter meu tom de indiferença.

– Agora você não vai me recusar – ele disse e aproximou seus lábios dos meus, selando-os em um beijo rígido.

Arregalei os olhos. Era praticamente isso que tinha acontecido na noite anterior, mas agora eu não poderia negar. Não se eu quisesse ter filhos algum dia. Meu coração começou a acelerar e eu senti o sangue indo para as minhas bochechas.

Os lábios de Percy eram incrivelmente mais quentes que os de Jason, me provocando um choque elétrico, pois os meus sempre foram muito gelados. Ele começou a se mover lentamente, como se aproveitasse cada segundo daquele momento.

Quem iria imaginar, o cara pegador sendo dominado e agarrado por um cara... PELA TERCEIRA VEZ. Eu apenas queria me matar.

Porém, com o tempo, comecei a me sentir estranhamente mais a vontade com aquilo. Seus lábios se encaixavam perfeitamente nos meus e os movimentos eram lentos e um tanto torturantes.

Então pediu passagem com a língua, que eu hesitei um pouco antes de ceder. A língua de Percy invadiu minha boca, explorando-a de forma moderada. Nossas línguas se tocaram e eu pude sentir meu estômago estranho novamente, com a mesma sensação de giro.

Sua mão livre, que estava segurando o celular, começou a abrir o zíper de meu casaco lentamente. A outra mão ainda segurava as minhas, o que estava me dando um baita de um nervoso por não poder fazer nada.

Com o casaco aberto, suas mãos passearam pelo meu peito sobre a cabeça. Arrepiei-me e devo dizer que não era pelo vento frio que batia naquele instante.

Percy parou o beijo para que pudéssemos respirar, mas ele não parou mesmo como eu esperava.

– Vira a cabeça – ele sussurrou em meu ouvido.

Fiz o que mandou de forma relutante, virando a cabeça para o lado contrário em que seu rosto estava. Era como se eu entregasse meu pescoço a ele de bandeja. Era como se eu mostrasse o meu calcanhar de Aquiles para o meu inimigo, com as placas: “Ponto fraco aqui”, “Eu sei que você não vai perder essa chance de me derrotar!”, ou algo do gênero.

– Percy... – sussurrei roucamente – Ai não, por fa... Aaah – interrompi-me com meu próprio gemido quando ele tocou meu pescoço com a boca.

– Então é esse o seu ponto... – ele começou, mas foi interrompido pelo seu celular tocando.

Por um segundo eu pensei que ele ia deixar tocar e quando eu falasse para ele atender que poderia ser importante ele diria “Não me importo”, mas, para a minha alegria (ou não), ele atendeu-o sem hesitar um segundo.

Falou com a pessoa do outro lado da linha por alguns minutos enquanto eu queria me fundir ao chão naquele exato momento e apagar todas as lembranças daqueles minutos que se passaram.

O pior de tudo: eu tinha gostado.

– Vamos, sua mãe está preocupada – ele disse me soltando e se levantando, como se nada tivesse acontecido.

Eu queria matar aquele cara.

Levantei-me desajeitadamente, tentando não morrer com a vergonha que eu estava. Fui até minha mochila guardando a bola e jogando meus All Star dentro dela rapidamente. Percy me esperava em pé com um sorriso no rosto.

– Não me olha assim! – quase gritei enquanto passava por ele, tentando esconder o rosto e indo em direção a mansão. Eu deveria estar parecendo um pimentão de tão vermelho.

Ele não disse nada, mas pude sentir que ele me segura. E eu estava com a estranha sensação de que ele sorria, mas descartei a ideia rapidamente. Não queria pensar em nada além da banheira que me aguardava em casa.

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Mas o que nenhum dos dois sabia era que, uma pessoa se encontrava na moita, observando-os.

Notas finais
LEGENDINHA MAROTA Kami-sama :Deus em japonês Fujoshi: garota viciada em yaoi Padawans: aprendizes (Star Wars) Hai: Sim em japonês Aye: Uma coisa fofa que o Happy do anime Fairy Tail sempre fala nos finais das frases :3 Fadeaway: não sei se escreve assim. Caso não entenderam o que é, procurem na net :3 O finalzinho é como se eu estivesse narrando... GENTE, se a parte de basquete ficou muito chata e técnica me falem okay? Ai nos próximos capítulos eu tento mudar caso tenham achado difícil de entender ou chato... QUERO OS MEUS REVIEWS! EU LEIO TODOS E AMO MUITO ELES E VOCÊS