Notas iniciais
Oi oi , gente! Leiam as notas finais, por favor! Boa leitura

Capítulo 2

— De novo isso? – perguntou Leandro com uma sobrancelha arqueada.

Nate levou o copo de cerveja aos lábios e assentiu com a cabeça.

— Sim, aquele cara não cansa.

A segunda melhor parte do dia era o horário do almoço. A primeira era quando ele saía daquele ninho de cobras. Ele aproveitava que era permitido sair do colégio no horário do almoço para se encontrar com Leandro, que trabalhava em um bar-restaurante ali perto.

O garoto de cabelos encaracolados estava limpando e organizando o balcão enquanto Nate estava sentado à sua frente. Os olhos grandes e castanhos intercalavam entre olhar Nate com curiosidade e prestar atenção no que estava fazendo. Nate o encarava enquanto comia e bebia, sempre analisando o rosto com traços indígenas que ele tanto gostava no amigo.

— O que você fez pra ele? – ele perguntou, finalizando sua tarefa. Ajeitou a camisa branca de botões que era o uniforme do bar, contrastando com sua pele e cabelos escuros.

— Devo ter batido na mãe dele, porque não é possível – ele resmungou.

— Será que foi porque você pegou a Thaynara?

Thaynara era a única amiga de Nate no colégio. Seria tudo muito bom, mas ela era prima de Pedro e irmã mais velha de Jean. Ela tinha tudo para ser uma riquinha mimada irritante que Nate odiaria, mas Thay se mostrou diferente do que ele achava, sua rebeldia interessando Nate de forma quase que instantânea. Com isso, eles se aproximaram e acabaram virando amigos.

E também mais que isso de vez em quando.

Estavam bêbados, ela carente e ele na seca. Só juntaram o útil ao agradável. Pedro e Jean viram a cena e Nate teria apanhado com toda certeza se tivesse ficado lá mais tempo que o necessário. Não gostava de fugir, mas em certos momentos era melhor para sua sobrevivência.

Desde então, Jean parecia não ir muito com a cara dele apesar de impedir que Pedro passasse dos limites. Ele nunca saberia o que passava na cabeça daquele tipo de gente.

— Não… Ele já me tratava mal antes disso – Nate respondeu – Só consigo pensar que ele é um preconceituoso do caralho que não aceita um pobre na preciosa escola dele.

— Ricos… – Leandro deu de ombros e Nate concordou com a cabeça.

— Sério, eu só não surtei por causa dessa belezinha aqui – ele disse erguendo o copo de cerveja e virando-o. Talvez a ressaca do dia anterior não tenha sido forte o suficiente para impedi-lo de continuar bebendo.— Você sempre salvando minha pele, meu amigo.

— Você não faz ideia – Leandro riu, dando um soquinho afetuoso em seu braço.

O alarme irritante no celular de Nate tocou e ele soltou um resmungo mau humorado. Estava quase terminando o horário de almoço e precisava voltar. Prendeu o cabelo negro cumprido em um coque e se levantou. Despediu-se de Leandro e foi pagar a conta, logo em seguida se preparando mentalmente para voltar para aquele lugar.

Ele nunca se acostumou com o turno integral. Depois do almoço queria apenas deitar em sua cama e tirar um longo cochilo, ainda mais depois de beber. Mas infelizmente a vida tinha seus favoritos e Nate não era um deles.

— Você saiu de novo pra beber e não me chamou – a voz feminina atrás de si fez com que Nate virasse com um olhar falsamente culpado.

— Você não deveria beber durante as aulas, é sobrinha do diretor que também é dono da escola – Nate abriu seu sorriso mais charmoso, passando o braço sobre os ombros de Thaynara, que revirou os olhos azuis gélidos tão parecidos com os de Jean.

— E você não deveria dizer o que eu tenho ou não que fazer – ela resmungou, mas não retirou o braço dele. – Você é péssimo, Nathaniel.

— Eu sou um anjo, meu bem.

— Lúcifer também era.

— Exatamente – ele sorriu de novo, fazendo-a rir – Como você sabe que eu bebi?

— Você geralmente prende o cabelo quando bebe – ela explicou apontando para a cabeça dele.

Nate arqueou uma sobrancelha. Ele queria negar, mas sabia que era verdade. Só não sabia que ela tinha notado aquilo.

— A culpa não é minha que tá 50 graus na sombra e uma cerveja gelada é ótima nesses momentos.

— Não culpe meu amado calor pelos seus péssimos hábitos. Afinal, você almoçou?

Nate apenas assentiu com a cabeça, deixando-a mais aliviada. Almoçar era um termo forte para um salgado, mas ela não precisava saber daquilo. Eles se encaminharam para a sala de aula, conversando amenidades.

— Jean me disse que Pedro te perturbou de novo – ela comentou quando se sentaram no fundo da sala. Thaynara ajeitou o cabelo curto rebelde e escuro.

— Falando no diabo… – ele resmungou quando Pedro pisou na sala de aula, lhe lançando um olhar de desgosto.

— Eu realmente não entendo porque ele age assim – ela comentou, olhando na direção do primo – Pê sempre foi muito amável com todo mundo.

— Também gostaria de saber – ele disse distraído com suas unhas pintadas de preto – Mas foda-se. Só mais um bostinha no meio de tanta bosta.

— Nate, ele ainda é meu primo… – ela usou aquele tom repreendedor.

— Tudo bem, tudo bem – ele levantou as mãos em rendição.

O professor de química entrou na sala antes que Thay pudesse falar mais alguma coisa e Nate deu graças ao destino por isso, pois não queria discutir aquilo novamente com a amiga. Era um saco que a única pessoa daquele colégio inteiro que ele gostava era justamente alguém que ele não podia falar mal de Pedro.

Pelo menos tinha alguém, que era um dos motivos para ele não ter surtado.

Ainda.

Nate evitou ao máximo esbarrar ou encontrar com Pedro pelo restante do horário de aula e teve sucesso em sua missão. Chegou em casa no final da tarde, totalmente exausto e com preguiça. Queria apenas jogar-se na cama e dormir até o outro dia.

Mas obviamente não teria tanta paz assim.

Beatriz chegou alguns minutos depois. Ele ofereceu para cozinhar alguma coisa para jantarem. Apesar de estar cansado, sabia que a irmã e a mãe estavam mais ainda, então ele sempre se encarregava de fazer a comida.

Nate estava na cozinha, organizando-a para começar a cozinhar, quando a mãe apareceu. Ele franziu o cenho na direção dela, estranhando o fato de ter chegado muito mais cedo que o habitual.

— Aconteceu alguma coisa? – Nate perguntou. A mãe parecia que tinha corrido uma maratona com suas bolsas.

— Não – Mônica disse colocando as coisas na mesa e se recompondo – Só esqueci de avisar pra vocês que vamos jantar fora hoje.

— Jantar fora? – Bea apareceu, enxugando o cabelo molhado.

Mônica assentiu e os irmãos se entreolharam antes de encararem a mãe.

— É uma notícia boa ou ruim? – ele perguntou. Mônica e Heitor, seu pai, sempre levavam os dois para jantar quando tinham alguma notícia para dar, seja ela boa ou ruim.

— Onde nós vamos? – Bea indagou.

Mônica intercalou o olhar entre os dois filhos.

— É algo bom, confiem. – ela disse, amarrando os cabelos negros com fios grisalhos para trás – É uma surpresa o lugar, não se preocupem. Mas estejam prontos às 20h e com roupas bonitas.

Mais uma vez os irmãos se entreolharam desconfiados, mas apenas assentiram com a cabeça. Sabiam que não iriam tirar mais nenhuma informação da mãe.

Eles foram para seus devidos quartos. A porta do quarto de Nate tinha vários adesivos de bandas de rock, heavy metal e hardcore, além de algumas placas com os dizeres "Não entre” e “Mantenha distância”. O objetivo delas era ter privacidade naquela casa, já que Bea vivia entrando e saindo de seu quarto quando bem entendesse antes de ele colocar as placas ou trancar a porta sempre que saía.

Ao entrar, ele pensou que precisava arrumar o quarto urgentemente. O cômodo já era minúsculo e com a bagunça parecia ainda menor. Roupas e meias estavam espalhadas pelo chão e alguns livros e cadernos ocupavam espaços aleatórios da mesinha de madeira que ele usava como escrivaninha. O armário estava outro caos com roupas de cama e roupas limpas emboladas.

Pensou em usar o tempo que tinha até o jantar para arrumá-lo, mas logo percebeu que demoraria mais do que imaginava. Algumas latas de cerveja estavam espalhadas pelo chão e debaixo da cama, assim como copos de refrigerante e energético, que ele não fazia ideia de quanto tempo estavam ali. Seu cinzeiro estava cheio, com alguns papéis de seda para enrolar maconha na mesinha de cabeceira velha.

Imediatamente sentiu vontade de tragar um pouco, mas sabia que sua mãe ficaria puta se acendesse um em casa. Como estava relativamente cedo, ele deitou na cama para mexer no celular para matar o tempo, mas acabou caindo no sono.

— NATHANIEL SE VOCÊ NÃO ESTIVER PRONTO EM 30 MINUTOS EU NÃO VOU ME RESPONSABILIZAR PELA SUA MORTE.

Ele levantou assustado com o grito da mãe em seu quarto. A mulher estava quase pronta, toda elegante com roupas que ele nunca tinha visto e que com certeza não cabiam no orçamento deles. Ele encarou-a por alguns segundos antes de sair correndo para o banheiro, temendo pela sua morte.

Tomou o banho mais rápido que já tomara na vida, mais do que o daquela manhã.

— Beatriz, vou usar seu secador – ele disse se enxugando enquanto a irmã se maquiava na pia.

Ela levantou os olhos e fez uma careta para Nate.

— Credo, cobre isso aí, não sou obrigada a ver seu pau feio.

— A senhorita respeita que a preciosidade aqui é muito bonita, tá? – ele rebateu, colocando a toalha na cintura, o cabelo pingando pelo corpo magro. – Posso usar o secador?

— Como se o meu “não” fosse te impedir – ela respondeu e ele sorriu para ela pelo espelho.

— Ainda bem que você sabe.

Começou a secar o cabelo, alguns passos atrás de Beatriz. O banheiro era relativamente pequeno, mas conseguia comportar os dois juntos. Tinha que caber, pois não tinha mais outro banheiro na casa. Beatriz estava de roupão, mas a maquiagem estava mais elegante do que ela costumava usar.

— O que você acha que é? – ele perguntou, o vento quente batendo nos fios. – Tenho um mau pressentimento.

— Eu não tenho ideia – ela respondeu, retocando alguma coisa nos olhos – Ela disse que é algo bom, então vamos acreditar nela.

Ele assentiu, ainda pensativo. A quietude tomou conta do ambiente, exceto pelo som do secador.

— Onde você acha que ela arrumou aquela roupa? – Bea quebrou o silêncio depois de alguns minutos – Quero dizer, aquilo parece ser de marca, né? Não temos dinheiro pra uns negócios desses…

— Nem ideia – ele disse, terminando com o secador. – Isso me deixa ainda mais desconfiado…

Ela assentiu. Bom, não tinha o que fazer, apenas seguir a vida e confiar na mãe deles.

— Tu tem uma blusa social, né? – Nate perguntou antes de sair do banheiro para se trocar.

— Sim.

— Me empresta? Eu não tenho nada mais chique do jeito que a madame Mônica deseja.

Bea riu do jeito debochado e disse que emprestaria a ele. Uma das vantagens de ter o corpo parecido com o da irmã era que podia roubar algumas roupas dela que caberiam perfeitamente em seu corpo.

Já no quarto, analisou o armário bagunçado. Não tinha uma roupa “mais arrumada”. Dentre as camisas de rock ou camisas pretas, havia apenas algumas peças brancas ou de outras cores escuras.

Pegou uma calça skinny preta, rasgada nos joelhos. Apanhou uma gravata cinza velha e calçou seus coturnos pretos. Não era uma roupa chique, mas era o mais arrumadinho que conseguia. Bea apareceu alguns segundos depois com a camisa branca em mãos.

— Não sei se vai ficar bom, já que ela é mais acinturada – comentou.

Beatriz estava pronta e tinha que dizer que ela estava deslumbrante.

— Você tá muito bonita – ele comentou, vestindo a camisa.

— Eu sei, essa foi a intenção – ela disse sorrindo, os dentes brancos emoldurados pelos lábios vermelhos. – Achei que não ia ficar bom, mas ficou perfeito!

A blusa tinha realmente ficado boa. Mesmo que marcasse um pouco mais sua cintura, ela estava perfeita. Ele colocou a gravata, se embolando um pouco para fazer o nó.

— Deixa eu te ajudar – Bea se aproximou do irmão e começou a fazer o nó.

— Quando aprendeu isso? – ele perguntou, verdadeiramente curioso.

— É mais simples do que você pensa. Vi um vídeo uma vez pra tentar usar, mas não ficou bom em mim – ela deu de ombros, finalizando o processo e analisando o irmão da cabeça aos pés. – Tá faltando uma coisinha.

Beatriz saiu do quarto e voltou segundos depois, entregando um acessório preto para Nate.

— Suspensório? – ele arqueou uma sobrancelha, com um sorriso no rosto.

— Acho que vai ficar muito bom! Coloca, coloca.

Ele colocou o acessório e Bea bateu palminhas.

— Se você não fosse meu irmão, eu te pegaria – ela comentou rindo.

— Posso dizer o mesmo, pequena – ele bagunçou o cabelo dela, fazendo-a reclamar e afastá-lo com raiva.

No final, ele não tinha feito um estrago tão grande no cabelo da irmã. Prontos, os dois foram para a sala, onde a mãe esperava impacientemente.

— O que é isso que você tá vestindo, Nathaniel? – ela perguntou, analisando o garoto dos pés a cabeça. Ela pressionou os dois dedos na ponte do nariz, demonstrando sua impaciência e fez uma expressão cansada.— Porque você tá com a roupa da sua irmã?

— Mãe… – Bea falou baixinho, mas Nate apenas negou com a cabeça minimamente.

— Eu não tinha outra roupa.

— Vamos comprar roupas masculinas pra você depois.

— Eu não me importo, eu gostei.

— Mas é roupa de mulher, meu filho.

Nate conteve a vontade de revirar os olhos.

— Outra coisa, tira essas coisas da cara. Não gosto e você sabe disso.

Suspirando, Nate voltou para o quarto enquanto tirava os piercings do nariz e o do lábio inferior. Odiava que a mãe fosse tão controladora com sua aparência. Sempre foi assim. Ela se esforçava ao máximo para que ele não fosse confundido com uma garota quando ele era mais novo e agora que já era maior de idade, ela fazia comentários ruins e desconfortáveis para que ele mudasse e ficasse como ela queria.

Era cansativo, mas ele não podia reclamar. Não iria discutir com a mãe, muito menos enfrentá-la. Mônica conseguia ser assustadora quando queria. Apenas ansiava pelo dia que iria conseguir sair de casa e ter sua independência.

— Porque você não prende o cabelo? – Mônica perguntou quando ele voltou para a sala. – Você fica melhor com ele preso.

Nate encarou a mãe por alguns segundos. Mônica devolveu a encarada, com aquele olhar rígido e frio. Os olhos castanhos escuros eram iguais aos de Nate e Bea. E o fato de seus olhos serem escuros, somado à sua expressão séria, tornava seu olhar ainda mais assustador.

Ele se controlou para não soltar um resmungo e foi ao banheiro. Tirou o elástico de cabelo de seu punho e com o auxílio do espelho prendeu os cabelos num rabo de cavalo. Não sabia prender o cabelo com muita elegância, mas fez o que era possível, alguns fios teimosos caindo em seu rosto. Sempre iria preferir seu cabelo solto, mas tinha que admitir que gostava quando ele era preso daquela forma.

— O Uber já tá na porta, vamos.

Nate e Bea apenas seguiram a mãe em silêncio. Saíram da Zona Norte do Rio e em longos minutos estavam na Zona Sul, na parte mais rica e chique da cidade. Nate estava totalmente sem saber o que pensar a respeito daquilo. Não tinha o menor motivo para estarem ali. Não tinham dinheiro suficiente para ir num restaurante no centro, quanto mais na Zona Sul.

— Ok, crianças – Mônica disse após saírem do carro em frente a um restaurante francês que Nate nem se atreveu a tentar ler o nome. – Quero que vocês se comportem. Isso é muito importante.

Os dois concordaram com a cabeça, mesmo que estivessem estranhando toda a situação. Mônica falou algo baixinho com uma mulher da recepção e eles entraram. Um homem bem vestido os conduziu até a mesa e eles se sentaram. Ficaram em silêncio, Nate evitando perguntar o que diabos estavam fazendo ali.

Porém, passados alguns poucos minutos, suas dúvidas cresceram ainda mais quando um homem alto de uns 40 e poucos anos com a pele bronzeada, olhos verdes e o cabelo negro com alguns fios grisalhos se aproximou deles, sorrindo diretamente para Mônica. Ele era estranhamente familiar.

Logo atrás do homem, havia um cara de uns 20 e poucos anos com os cabelos escuros ondulados, usando uma roupa social. Logo atrás dele, Pedro Cardoso estava com a cara emburrada e os braços cruzados.

— Ah, merda… – Nate resmungou baixinho.

Nate estava verdadeiramente perdido. Não fazia ideia do motivo para aquele ser estar ali. Achava que não poderia ser mais surpreendido, mas estava totalmente enganado. Mônica levantou-se num salto, falando o nome do homem e se jogando em seus braços, lhe dando um beijo demorado na boca. Nate, Bea e Pedro ficaram boquiabertos, ao passo que o outro garoto tinha uma expressão impassível.

— Nathaniel, Beatriz, quero que vocês conheçam meu namorado, Paulo. – disse Mônica sorridente, com uma expressão que Nate raramente via no rosto da mãe.

O silêncio mortal foi ensurdecedor.

— O que? – Pedro foi quem o quebrou, virando-se para Paulo e depois para o outro garoto. – Você sabia disso, Thales?

Thales deu de ombros.

— Tinha minhas suspeitas…

— Estamos em um restaurante renomado, não vamos ser deselegantes, por favor – Paulo pediu aos dois meninos.

— Vamos nos sentar e conversar civilizadamente, tá bom? – pediu Mônica, olhando diretamente para Nate.

Ele estava completamente puto com aquela história. Como não tinha percebido que sua mãe tinha um namorado? Sabia que Mônica conseguia fingir as coisas muito bem quando queria, mas ele sempre conseguia saber o que ela estava tramando. Aparentemente estava muito errado.

Nate manteve-se sentado, como a mãe havia ordenado, vendo Pedro bufar e sentar-se à mesa redonda bem na frente dele, o encarando com os braços cruzados e um olhar estranho. Pedro nunca deixava de lançar olhares estranhos para Nate e como era de praxe, ele ignorava.

Ficaram em silêncio por alguns segundos até um garçom atendê-los e Paulo fazer um pedido de uma champanhe, dizendo que pediriam a comida depois. Mônica perguntou onde estava uma tal de Ágatha e Paulo respondeu que ela estava em uma viagem. Nate ficou imaginando quem seria aquela pessoa, mas uma pergunta ainda melhor estava entalada em sua garganta.

— Então, vocês vão explicar o que tá acontecendo ou não? – ele disse, encarando os dois adultos da mesa.

— Nathaniel… – ele queria falar um curto e grosso “não me enrola, caralho”, mas subitamente viu a felicidade que estava nos olhos de sua mãe, mesmo ela tendo uma expressão séria – Por onde começamos?

– Do começo? – perguntou Pedro em um tom de deboche, fazendo Nate encará-lo com raiva. Quem ele pensava que era para falar assim com a mãe dele?

— Pedro – repreendeu Paulo e depois olhou com carinho para Mônica. – Pode continuar, querida.

Nate conteve a vontade de vomitar.

— Bom, nós começamos a sair tem um pouco mais de dois anos, né meu bem? – começou Mônica – Nos reencontramos numa festa da nossa turma do colegial. Vocês sabem que eu consegui uma bolsa na escola da família de Paulo. – ela entrelaçou seus dedos com os do homem e olhou pra Nate. – A mesma escola que você tá hoje, Nate.

Mônica tinha falado de um jeito que fez Nate engolir em seco. Era como se ela ordenasse que ele não estragasse tudo.

— Paulo tinha se separado de Sandra, mãe de Pedro, Thales e Ágatha, e eu tinha perdido o Heitor… – ela continuou, mas se interrompeu ao falar de Heitor.

— Nós três éramos bem próximos, mas eu não cheguei a conhecer o Heitor – Paulo prosseguiu, sem muitos detalhes – Enfim, as coisas foram se desenrolando depois dessa festa e foi ótimo ter a Môni de volta na minha vida.

— Começamos a conversar, sair e tudo o mais – continuou a mãe – Então começamos a namorar.

— E você escondeu esse namoro por mais de dois anos? – Pedro estava incrédulo e irritado.

— Não sabíamos como contar pra vocês – argumentou Mônica – E depois de tudo o que aconteceu, sempre foi muito difícil… Nos sentimos péssimos por ter escondido isso de vocês por tanto tempo.

— A Ágs sabe disso? – perguntou Pedro com um tom de pura raiva contida e Paulo apenas negou com a cabeça.

— E porque nos contar agora? – Nate perguntou após um tempão calado, absorvendo aquela história toda. – Eu estaria mais feliz se continuassem o namoro às escondidas.

Mônica e Paulo se entreolharam brevemente, depois voltaram seus olhares para os filhos.

— Porque vamos nos casar.

Notas finais
Gente! Eu estou precisando de pessoas que queiram ler essa história para me dar um feedback dela antes de eu lançá-la na Amazon. Sim, essa é minha intenção depois de refletir muito e chegar a conclusão que não irei continuá-la aqui no site. Mas vocês poderão lê-la de qualquer forma, porém na Amazon. Enfim. Quem tiver interesse de ler essa história completa previamente, me mande mensagem no privado aqui do site com seu e-mail que entrarem em contato para conversarmos sobre isso! Desde já agradeço a todos vcs ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.