Odisséia: A Mártir da Mudança
3 Capítulo 3: Confronto de ideias
Ryoku grita desesperadamente enquanto a poeira abaixa.
– PELO AMOR DE DEUS! CHAMEM UM MÉDICO! RAPIDO!
Magnus, já com o celular em seu rosto diz de maneira calma: “ – Charlotte, preciso de uma ambulância na entrada do campo daqui de trás, é o Joseph, ele bateu em uma parede, deve ter tido algum problema no pescoço ou no crânio.”
– Já estou mandando o pessoal, Magnus.
– Obrigado. – Agradece enquanto desliga o celular e o coloca no bolso. Ele começa a andar em direção ao Ryoku e o corpo caído no chão.
Makura corre em direção ao irmão com desespero na voz:
– O que você fez!? O QUE VOCÊ FEZ!?
– N-Não! Você não e-entede! E-E-Eu não, ele não, seu só... – Com as mãos na cabeça, Ryoku fica gaguejando, seus olhos tremem enquanto ele constantemente olha para os lados.
– O QUE – VOCÊ – FEZ!? – Makura começa gritar como se fosse começar a chorar enquanto agarra a roupa de Ryoku.
Magnus coloca sua mão gentilmente sob a cabeça de Makura e se abaixa.
– Hey, calma ae. Não é culpa do seu irmão. Na verdade, foi mais culpa do bobão ali do que dele... – Ele diz olhando nos olhos do Makura.
– Hã?... Como assim? – Makura pergunta. É possível notar sua feição e voz se acalmando.
– Quando ele olhou pra gente, o Joseph foi pra cima, e no susto ele se defendeu. Consegui porque eu tava de óculos, ele fez um quadrado em volta dele e o Joseph bateu, simples assim.
Makura olha para Ryoku aliviado: — Sério!?
Ryoku senta no chão com suas mão na cabeça.
– H-Hey! Ryoku! Você tá legal!?
Magnus chega perto de Ryoku, se abaixa e diz:
– Hey muleque, relaxa, não foi culpa sua...
Ryoku fica apenas lá, parado. Magnus esperas alguns segundos e dá um leve suspiro.
– ... Quer saber? HUMPH! – Magnus pega Ryoku no colo. – Hey, Marcos, vem comigo.
– É Makura! Pra onde você tá levando ele!?
– Mals! To levando ele pro quarto de vocês, aqui só vai ficar mais bagunçado, vamos.
Depois de voltar ao prédio eles entram no elevador até chegarem no oitavo andar, saindo dele existe um corredor com varias portas em cada lado como se fossem quartos de hotel. Andando um pouco, mais ao final do corredor, eles chegam ao quarto 606. Com dificuldade, sem deixar Ryoku cair, ele pega uma chave velha e levemente enferrujada de seu bolso, coloca na maçaneta suja e abre a porta.
O quarto é simples, tem piso liso e sem detalhes e paredes amarelo claro, em um canto tem uma cama e no outro lado uma mesa com uma cadeira. Perto da janela existem duas caixas de papelão em que está escrito “Roupas Limpas” e “Roupas Sujas”, mas estão vazias.
Magnus entra no quarto e deixa Ryoku sentado na cama, ele se afasta, meche no cabelo e comenta com Makura:
– Faz sentido ele ficar assustado, mas relaxa, vai ficar tudo bem. Vou pedir pra alguém da enfermaria falar com o Ryoku, só... cuida dele por enquanto, beleza? – Diz com um grande sorriso e apontando com os com as duas mãos, tentando fazer uma pose maneira.
Makura responde em um tom baixo – “Tá, eu vou ficar de olho...”.
– Ótimo! Bem, vou fazer uma ligação pra um amigo. Se cuidem! – Diz Magnus acenando de costas enquanto sai do quarto – “Ah! Quase esqueci, toma a chave!” – Ele joga em direção ao Makura e ele pega.
A porta se fecha, Ryoku está sentado no pé da cama de cabeça baixa e mãos juntas, Makura se vira preocupado e tenta ajudar:
– Ryo...
– Maku... Você pode ir pegar um copo d’água pra mim?... Acho que vi um bebedouro no lado do elevador...
Makura, muito feliz por ouvir seu irmão falar e disposto a fazer qualquer coisa pra ajudar sorri, acena com a cabeça “Tá!”, abre a porta e sai correndo.
–... HUMPH! Finalmente um pouco de tranquilidade! Que calor! – Ryoku tira sua mascara e começa a usa-la como leque quando começa a pensar:
“Ainda bem que levantei a terra pro Makura não ver, que lugar horrível, fazer pessoas como ele ver essas coisas... vou ter que mudar muita coisa por aqui...”.
Makura chega no quarto com um copo descartável com água, ele percebe que Ryoku está sem mascara e fecha a porta rapidamente.
– E ae bicho feio! A quanto tempo! Sabe onde o Ryo foi? – Diz enquanto abre um grande sorriso na cara.
– HÁ-HÁ, como você é hilário, se continuar assim te mato nos seus sonhos. – Diz Ryoku num tom sarcástico enquanto estica seu braço pra pegar o copo de água.
Ele bebe e diz. — “Já to melhor, só to meio cansado...”
Makura vai em direção a janela enquanto tira sua bandana, o sol está se pondo, ele deita seus braços o queixo na janela.
– Eu to tão feliz, finalmente um lugar pra ficar... Gostei daqui...
– Gostou daqui!? Tá brincando?
– Não, o pessoal daqui é legal, tem muita coisa pra fazer... Dá pra brincar de bola...
Ryoku se inclina em um tom de decepção.
– Você... Me canso de tentar entender você as vezes...
– É só você olhar o lado positivo, tivemos um probleminha hoje, mas agora que tá resolvido... Eu acho... Que a partir de amanhã pode ser melhor... Pra sempre! – Diz Makura enquanto vira abrindo seus braços e os raios de sol mudam o tom de seu cabelo.
– MANO! Olha teu cabelo!
– O QUE!? O QUE!? Tem algum bicho!?
– Não! Parece que tá pegando fogo!
– TÁ PEGANDO FOGO!? – Diz Makura enquanto começa a dar tapas na própria cabeça.
– Não, tapado. A cor, parece fogo... Isso é bem legal.
– Que susto, fala direito...
Ryoku sobe na cama e engatinha até o travesseiro e deita. – Eu falei, você que é lerdo.
– Dá pra você pelo menos tirar o sapato? Vai sujar a cama! – Diz Makura enquanto tira os sapados do pé do irmão.
– Dá pra você parar? Me deixa dormir em paz.
– Se a gente vai dividir a cama, é melhor você não sujar ela... O COBERTOR É MEU! – Diz Makura enquanto pega o cobertor e o enrola, como uma cobra gigante.
Ele deita de frente para o Ryoku e abraça o cobertor-cobra e usa parte dele como travesseiro, os dois se olham e Makura diz irritado – Tá brincando que vai dormir de mascara!
– Aí eu te mato de susto quando você acordar, e ai, o que eu faço?
– Aí é só me buscar no inferno, o diabo te confunde com o filho dele.
– HÁ! Seu bosta! – Ryoku dá um empurrão no ombro do Makura.
Os dois sorriem juntos e Makura diz:
– Boa noite, Ryo...
– Boa...
Horas se passam, está escuro e as duas crianças dormem tranquilamente.
“TocTocToc” – Batidas são escutadas pela escuridão. Ryoku começa a se mexer incomodado enquanto dorme. “TocTocToc”, Ryoku desperta:
– Hã...?
“TocTocTocToc”
– Hã... Porta... Hã... – Ryoku mal pensa direito devido o sono.
Ele passa por cima de Makura pouco ligando se vai machuca-lo, ele quase cai da cama por mal conseguir enxergar na escuridão. Ele coloca seus pés no chão e segue em direção a porta.
“TocTocToc”– Ryoku abre a porta logo depois das batidas, se acostumando com a luz vindo do corredor ele descobre em é, Magnus usando uma roupa branca sem manga e uma calça preta e longa, parecer ser confortável. Ryoku está com sua mascara torta e só consegue enxergar com um dos olhos.
– Você não dorme? – Diz Ryoku com sono e levemente irritado.
– Mals te acordar a essa hora, eu também acordei agora pouco. Um amigo meu chegou faz um tempinho e ele quer falar com você agora.
– Não dava pra mandar ele se fuder e falar amanhã de manhã? – Fala com um tom de decepção.
– Na verdade eu também mandei ele tomar naquele lugar e falei exatamente isso... Mas ele tem relação com sua mãe e queria falar com você de qualquer jeito...
– Minha mãe?... Até morta a maldita não me deixa em paz?... – Diz Ryoku enquanto arruma sua mascara. – Tá... vamos.
– Certo... Vamos lá pra minha sala... – Diz Magnus enquanto aponta para traz com seu polegar.
Depois de uma caminhada pelo edifício eles chegam a sala de Magnus. Ele abre a porta para Ryoku.
– Pode sentar ali no sofá.
Na sala tem a mesa e cadeira do Magnus enquanto que do outro lado existe uma pequena mesa de vidro com dois sofás pretos de cada lado, em um deles tem um homem esperando de cabeça baixa, é o Kino. Ryoku senta de frente para Kino enquanto Magnus fica de pé no canto da mesa.
Ryoku, com sono reclama:
– O que era tão importante pra não poder esperar de manhã?
Magnus, em um tom lento e grosso responde.
– Ryoku... Ele é-seu-pai...
Um sofá é arremessado em direção ao Magnus, que desvia se abaixando, ele bate na parede fazendo um grande estrondo. Olhando o buraco que fez na parede Magnus entra em desespero.
– Puta que pariu! Kino! M-Minha parede! Não sabe levar nada na brincadeira!?
– É, papai! Onde tá a educação que o senhor me deu? – Ryoku fala fazendo voz de criança como se tivesse entendido a brincadeira.
Kino olha com ódio em direção ao Ryoku enquanto palavras espumam por sua boca: — “Não — incentiva — ELE!”.
Kino suspira e se acalma.
– Tá... vou direto ao assunto, você é filho da Odisséia?
– Sou.
– Então qual o nome dela?
– O nome... Dela? Como assim? – Ryoku fica confuso.
Kino olha em direção a Magnus irritado – “Você não se certificou de nada, não é?”.
– E-E-Ei! P-Pera ae, eu não pensei que... Tipo... Ninguém fora daqui conhecia ela, eu não pensei que ele taria mentindo. E-Eu tive que cuidar de uns problemas atarde, eu esqueci e-
Ryoku interrompe:
– Do que vocês tão falando?
– Você tem muita coragem de vir aqui falando ser filho de alguém, garoto... – Kino diz sem paciência.
– Eu sou filho daquela desgraçada!
Kino irritado chega perto de Ryoku com passos pesados e pega ele pela camisa – Além de mentir tem a coragem de xingar alguém tão nobre! Sai daqui! – Grita enquanto joga Ryoku pra trás.
Ryoku fica em silencio por alguns segundos com seus olhos fechados tentando entender o que estava acontecendo, logo em seguida os abre dizendo:
– Nobre!? Ela era uma desgraçada que não se importava nem com a própria família, agora você vem me vem dizer que até o próprio nome ela mentiu pra mim!?
Todos ficam em silencio, como se estivessem tentando se acalmar. Magnus quebra o silencio:
– H-Hey, o irmão dele é um Now-
– E o que isso tem a ver!? – Kino interrompe. – Eles podem ser alguns moleques de rua que ouviram o codinome dela e veio querendo se aproveitar, como você não percebe uma coisas dessa!? Como você vai querer ser como seu pai-
– CALA A SUA BOCA! – Ryoku interrompe – Ela tinha cabelos pretos e curtos, rosto pálido sempre com um sorriso idiota, ela também tinha dois olhos diferentes, um verde e um castanho, essa era ela... OU NÃO!?
Mais um silencio acontece, Magnus aponta para Ryoku enquanto olha para Kino com a cara mais de muleque sacana que pode existir:
– AAAH! Se fudeu! HÁ-HÁ!
Magnus começa a fazer uma dancinha da vitória enquanto fica falando “Eu tava certo! Eu tava certo! Você tava errado!”
– Você não sabia de nada...! – Diz Kino arremessando mais um sofá.
Misteriosamente o sofá para no ar antes de atingir Magnus enquanto ele continua com sua dança, ele muda seu passo para algo mais sem noção enquanto faz moonwalk e o sofá, gentilmente, volta para o chão.
– Eu... Perdi alguma coisa? – Diz Ryoku sem entender nada.
Sem parar sua dança Magnus explica: — As únicas pessoas que sabiam sobre os olhos dela eram eu, meu pai, e o esquadrão Odisseia... Isso envolve o revoltadinho ali, ela sempre escondia os olhos. Bem... agora é sua vez, Kino.
– Eu não acho que isso prove alguma coisa, ainda não acredito nisso.
–... Olha, depois de um problema que teve na minha família, eu acabei indo morar com a família do Maku, depois de um tempo a Odisséia começou a aparecer na nossa casa até o dia que ela morreu e viemos pra cá. Não vou mentir, eu nem considero ela como minha mãe, ela simplesmente não era uma mãe, mas eu sou filho dela e isso é fato. Sério, se quiser pode fazer qualquer tipo de teste, exame de sangue, sei lá, qualquer coisa, mas eu sou filho dela.
Suspirando, Kino se acalma.
– ...Eu... Não sei o que dizer...– Kino fala envergonhado.
– Não, não, relaxa, ela já me causou tanto problema... – Diz Ryoku enquanto move levemente a parte de baixo de sua mascara para o lado, revelando parte de sua boca, onde é possível ver dentes sem lábios – “...Esse é só mais um deles” – Ele finaliza.
– Wow... Bem... Certo... *Cof Cof* — Kino limpa a garganta. – Bem, vou explicar do começo pra poder chegar onde eu quero...

(Link da Imagem: http://imgur.com/a/aLgQR )
– É claro... Tudo deu errado, Magnus I e Odisséia morreram... E com isso, os integrantes da Odisseia se separaram. A única coisa que sobrou é essa “empresa” caindo aos pedaços e os alunos do time original... Que cai entre nós, não chegam aos pés deles... – Diz Kino com um sorriso decepcionado.
– E... O que eu tenho a ver com qualquer coisa? – Diz Ryoku inclinando sua cabeça.
– Híbridos mantem uma parte da habilidade dos pais... Uma coisa que uma pessoa normal pode demorar anos pra aprender, híbridos aprendem em dias... Você, o que consegue fazer com esses cubos?
– Fazer?... Eu... Eu consigo mexer eles e mudar o tamanho...
– Tente fazer o seguinte: Faça um retângulo.
– Retângulo...
Ryoku estende sua mão esquerda e cria um cubo em sua palma. Ele se concentra e foca seus olhos, segundos se passam e nada acontece. Ele faz um barulho de raiva e começa a mexer em sua mão direita.
– Calma, mudar o padrão é uma coisa bem difícil, como falei, uma pessoa normal demora anos pra conseguir...Na realidade, melhor você ir dormir e tentar fazer isso, preciso falar outras coisas mais importantes depois. – Kino diz em um tom amigável.
– Não, pera, eu acho que consigo. Só preciso tirar alguns...
Ryoku tira sua luva e puxa sua manga, revelando um braço de 3 cubos um em cima do outro, uma palma da mão com 4 cubos menores um junto do outro formando um quadrado e cada dedo sendo 2 cubos pequenos flutuando um perto do outro. Como uma magica, todos desaparecem e Ryoku estende sua mão esquerda mais uma vez, fazendo um cubo em sua palma.
Mais uma vez ele se concentra e força seu olhar, o cubo lentamente começa a se alongar até parecer um bloco retangular. Magnus e Kino ficam impressionados e quando eles abrem suas bocas para falar algo o cubo começa a mudar, ele começa a ficar mais fino, como uma barra de chocolate.
– Uau! Isso é demais! –Magnus grita excitado.
– Pera... E se... – Ryoku diz pensativo.
O retângulo começa a ficar com uma cor mais solida e escura, até que finalmente fica marrom.
– Há! ... Saca só... Um chocolate... O Makura... Vai adorar... Ver isso... – Ryoku diz sonolento, até que cai deitado no sofá dormindo.
Magnus olha para Kino e diz com um grande sorriso:
– Vai me falar que isso não prova nada! E isso porque ele tava com sono, imagina se você tivesse falado com ele de manhã!
– Eu to pensando em varias possibilidades... Eu vou treinar ele... Do mesmo jeito que a Odisséia me treinou... – Diz Kino tampando seu sorriso com a mão.
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