Odisséia: A Mártir da Mudança
1 Capítulo 1: Prologo
Um dia claro, sem nuvens e um clima levemente quente, em uma cidade urbana com uma leve aparência rural, um trem chega a estação, as portas se abrem, dela saem uma quantidade razoável e pessoas, e por final, dois garotos de aproximadamente 14 anos. Um deles tem cabelos verdes escuros, um casaco, luvas, calça e sapatos pretos com algumas faixas brancas por sua vestimenta para não parecer uma aparição, mas o que mais se destaca é sua mascara que cobre seu rosto por completo, menos os olhos. O outro garoto carrega uma grande mochila, usa uma bermuda, camisa sem manga e uma badana aberta que cobre sua cabeça, não deixando um fio de seu cabelo aparecer.
– Meu deus! Não to sentindo minha bunda! To andando engraçado? – Diz o garoto de mochila enquanto dá alguns paços olhando para seus pés.
– Não, tá normal – Responde o garoto de mascara em um tom calmo, mas ainda sim, amigável — ... Ah! Tá com o mapa que a mamãe deu?
O garoto de mochila começa a mexer em seu bolso direito da bermuda e tira um papel – Aaaaqui! Primeiro temos que ir pro centro onde tem uma estátua... – Ele abre o papel que está dobrado varias vezes e dá uma lida — ...É! Estatua! ... Temos que ir pro “centro”... qual é o bairro do centro dessa cidade?
– Vai ser fácil olhando de cima – Diz o garoto de mascara enquanto se abaixa colocando suas mãos no chão. Um cubo azul transparente aparece em volta dos dois garotos, e então, começam a subir para o ar de uma maneira rápida, mas ainda sim devagar, como um metro.
As pessoas que estavam por perto se assustam. “Eles voaram!” diz uma mulher de idade, “ELE VOOU!” diz uma criança junto com seus pais, “Eles... não é melhor chamar os Militares?” disse a mãe da criança para o marido, “Vamos fazer uma ocorrência, isso é perigoso” ele responde para ela.
Do ar, os garotos começam a olhar em volta, como se estivessem procurando algo.
– Tá vendo alguma estátua? Mamãe sempre dizia que ela era bem grande – diz o garoto de máscara.
– Não to vendo nada... – Diz o garoto de mochila procurando com a palma da mão por cima de seus olhos – Seria tão fácil se a gente pedisse ajuda...
– É... – Depois de uns segundos de silencio o garoto mascarado continua – Bem... vamos indo, alguma hora a gente vê! – Fechando seus olhos de uma maneira gentil.
– ... Tá!... – Seu amigo concorda.
Enquanto os garotos voavam pela cidade, eles ficavam maravilhados com os bairros, uma beleza visual, passaram por bairros orientais, de comercio lotado de pessoas, grandes avenidas, bairros de esportes, tudo que puder imaginar. Eles estavam maravilhados com brilhos nos olhos, como se nunca soubessem que uma coisa dessas existia nem mesmo em sonhos, eles constantemente se olhavam e apontavam para os lugares enquanto conversavam, “Vamos lá!”, “Quero ver aquilo”, “Maaaano! OLHA!”, era uma felicidade palpitante, tanta, que se esqueceram de seu real objetivo.
Horas se passaram, enquanto os dois olhavam maravilhados para cidade, o garoto de mochila olha levemente para frente, com um susto ele agarra os cabelos bagunçados do garoto de mascara chacoalhando sua cabeça enquanto aponta para frente:
– TA ALI! ALI! ACHAMOS – Grita o garoto de mochila e bandana.
–ALI!? ALI ONDE?! – Questiona o rapaz mascarado.
–ALIIIIIIIII – Diz enquanto esfrega a cara do garoto na parece azulada.
– ARGH PARA! PARA! ME SOLTA! MEU CABELO!
O garoto de mochila se apoia sobre a cabeça do garoto de cabelos verdes e aponta para frente – “Ali! Vira ali! Acelera!”.
“Seu bosta...” diz o garoto de mascara em um tom melancólico enquanto está de rosto baixo fazendo carinho em sua cabeça, como se estivesse sentindo dor, ele continua: “... tá... pra onde? Ali...?”.
“Isso! Vai! Vai!”
Os garotos mudam seu percurso para direita enquanto acelera, até que finalmente, a distancia, o garoto de mascara começa a enxergar o que seu irmão viu: uma grande estátua preta, não é humana, mas tem o formato... O corpo de um, mas é estranha, ela não tem roupas, é um corpo nu, mas sem peitos masculinos ou femininos, sem genitais ou músculos, nada. Seu rosto é liso, sem nariz, boca e orelha, apenas grandes olhos azulados, em cada lado da cabeça, mais a cima, existem duas pontas para trás, como planadores ou nadadeiras de peixe, seria aquelas sua orelha? Sua pose era esquisita também, é como se ela estivesse caminhando de braços levemente abertos indo a encontro de alguém, dando suas boas vindas.
– Mano... Isso é um E.T., definitivamente... Um E.T. – Diz o garoto de mochila de maneira devagar, como se estivesse fazendo a dedução mais difícil do mundo enquanto finaliza rapidamente – “... coisa feia.”.
– Me empresta o mapa... – Pede o outro garoto abrindo sua mão em direção ao amigo.
– Ah, ok, tá aqui.

–... Hm, vamos descer ali no beco. A partir de agora é a pé. – Diz o garoto mascarado.
– AAAAHH! Por que!? É só ir ali no prédio e falar com o chefe da mamãe! – Argumenta seu amigo.
– Certo, e em qual andar o cara tá?
–...
– Como ele é?
–...
– Como você quer encontrar ele?
– Tá! Tá! Você está certo. – Diz o garoto de mochila com um tom emburrado.
– É... To certo. – Ele diz com um tom como quem adorou ouvir isso.
–... Hey... Para com isso...
– Parar com o que?
– Esse sorrisinho, eu vou te bater.
– Como sabe que eu to sorrindo se to com a mascara do papai?
– PARA DE RIR FILHO DA PUTA.
Depois da discussão os dois começam a se empurrar e gritar, mas ao que de principio parece uma briga, na realidade, é uma brincadeira, os dois tentam se derrubar e fazer cocegas um no outro.
– AAAAH! PARA SEU FILHO DA PUTA! HAHA! NÃO VALE! VOCÊ TA DE CASACO! HAHAHA! NÃO VALE! – Grita o garoto de mochila e bandana.
– Foda-se! Vai chora? Dá um jeito vai! Hahahaha!
– EU VOU TE BATEEER! HAHAHA!
Minutos se passam e os dois finalmente param, tentando recuperar o folego enquanto ainda dão algumas ultimas risadas empurradas, eles conversam:
– Há... To ficando com fome... – Diz o garoto de bandana.
– Depois de encontrar o chefe da mamãe eu dou um jeito de achar um barzinho que venda enroladinho... beleza? – Diz o garoto de cabelos verdes com um tom animado.
O garoto de mochila fica tão feliz em ouvir essa frase que não consegue aguentar sua animação, seus olhos brilham como cristais enquanto baba sai por sua boca.
– Tá, vamos! – Diz o garoto de mascara.
Eles descem em um beco e saem para calçada. Carros, motos e ônibus passam, o lugar está cheio de pessoas, os garotos olham ao redor as varias lojas, bares, restaurantes entre outras coisas.
– Eu não sabia que a cidade era desse jeito, quanta gente... – Diz o garoto de bandana impressionado.
– Ali! O prédio! Tá na placa: Aserg. – Aponta o garoto de mascara.
Os dois garotos se aproximam e entram no grande prédio e vão até a recepção, o segurança alto, forte e careca, com uma cara de mau se assusta com o garoto de mascara.
– Oi? – Diz o segurança com um tom forte.
– Nossa mãe trabalhava aqui, ela pediu pra gente falar com o Magnus. – Diz o garoto de mascara.
– Posso falar com ela? Não posso deixar menores entrarem assim. – Diz o segurança com duvida em sua voz.
– Ela... Não tem celular. Você não pode deixar a gente subir? – Argumenta o garoto de mascara.
– Não vou deixar vocês subirem, traga sua mãe e se for algo importante aiiii posso tentar alguma coisa.
– Seguinte cara, a gente tem que falar com o Magnus, gente tem que falar com ele! – Diz o garoto com um tom impaciente.
– E o que seria? – Perguntou o segurança impaciente.
– ... Uma coisa que não é de importância pra você mas sim pro Magnus, fala pra ele atender a gente!
– Eu não vou fazer alguém perder tempo com moleques sem noção, sai daqui ou chamo a policia, ôh trombadinha de mascara!
O garoto de mascara olha com uma cara feia e grita “Vai se fuder seu imbecil!”, seu amigo de mochila começa a puxar seu braço o levando para longe do segurança enquanto diz “Ryo! Ryo! Se a gente explicar que a mamãe morreu ele pode falar com...”
– FODA-SE ESSE FILHO DA PUTA, não viu o jeito imbecil de falar ‘tragam sua mãe’ como se a gente não fosse nada!? EU vou achar o cara, vem! – Diz o garoto de mascara irritado enquanto puxa o garoto de bandana pra fora do prédio.
Saindo do prédio o garoto mascarado toca no chão criando um cubo em baixo dos dois enquanto começa a subir – “Se segura! Já que ele é o chefão ele deve tá no ultimo andar!”. Chegando ao topo do prédio ele começa a socar cada janela gritando “O MAGNUS TA AI!?”, sempre esperando alguma reação dos trabalhadores assustados e indo para próxima janela – “O MAGNUS TA AI!?” “O MAGNUS TA AI!?” “O MAGNUS TA AI!?” “O MAGNUS TA AI!?”. Animado com a energia do amigo, o garoto de mochila começa a gritar levantando os braços “Cadê você Magnuuuuuuuuus!”.
Depois de tantos berros eles batem em uma janela de uma sala grande com uma mesa cheia de documentos, sentado diante dela tem um rapaz de cabelos pretos e casaco roxo escuro, mas o que destaca é seus óculos de snowboard laranja que usa em sua testa. Ao ouvir a batida ele olha para a janela e lentamente fica assustado, abrindo sua boca, deixando seu cigarro cair.
“Vocês são idiotas!?” Grita o rapaz enquanto corre em direção a janela, ele a chuta, fazendo-a girar, e assim, empurrando os dois para dentro, caindo no chão. “Sabe o que pode acontecer se alguém ver vocês fazendo isso!?”.
Se levantando do chão, os dois garotos se ajeitam, o de mochila fala “Tamo procurando o chefão Magnus, mas o cara lá de baixo não deixou a gente entrar, onde ele fica?”.
– Eu sou o Magnus, e O QUE vocês querem? — Fala o rapaz em um tom de voz alto, não de raiva, mas sim preocupado e nervoso pelo que aconteceu.
O garoto mascarado toma a iniciativa: “Impossível, você não pode ser o chefe da mamãe, ela trabalhava aqui há anos atrás, você é jovem demais pra isso”.
Irritado pelo jeito insolente de falar, Magnus retruca: “Sua mãe trabalhava aqui? Qual o nome dela?”.
– Odisséia, conhece? – Pergunta o garoto mascarado de braços cruzados.
Magnus coloca a mão em seu queixo e começa a pensar — “Odisséia, eu lembro desse nome, era diferente.... AH! ELA! Eu lembro dela! Ela trabalhava pro meu pai!”
– Pai? Ela disse pra a gente falar com você, por que ela chamaria o filho de chefe de “chefe” no mapa!? — Questiona o garoto de mascara, quase chamando sua mãe de “tonta”.
– Pera ae, filho do chefe do chefe Magnus da mamãe que é chefão da Aserg, queeeee? – Diz o garoto de mochila confuso quase tendo um piripaque.
– Não, não, pera, pera, calma... Meu pai se chama Magnus também, eu sou Junior, mas pode me chamar de Segundo porque é mais chique” – Os dois garotos se olham como se isso fizesse sentido enquanto Magnus continua – “... Eu lembro da sua mãe, ela era o braço direito do meu pai, mas... mas o que eu posso ajudar vocês?”.
– Desculpe mas nossa mãe pediu para procurarmos o Magnus Primeiro, não quero ofender, sério mesmo, mas precisamos falar é com ELE. – Diz o garoto de mascara tentando manter um tom educado.
Alguns segundos com todos quietos se passam até Magnus quebrar o silencio com um sorriso nostálgico: “Ele morreu há alguns anos atrás... por causa disso eu meio que fui obrigado a tomar conta daqui, sua mãe era muito importante pra ele... digo... nós, seja lá o que ela queria que meu pai fizesse por vocês garanto que posso fazer também, eu devo a ela, devo muito...”
Os dois garotos se olham até que o garoto de bandana faz um sinal positivo com a cabeça. O garoto de mascara começa a falar: “Eu sou Ryoku e esse é o meu irmão Makura, nossa mãe morreu ano passado e ela nos deixou esse mapa... –
– É uma carta! — interrompe Makura.
–... É... Uma carta com o endereço daqui, antes de morrer ela disse pra gente confiar no seu pai e que ele iria cuidar da gente.
– Cuidar? Eu agradeço muito, muito, o que sua mãe fez pela gente, mas não temos como cuidar de vocês, eu posso ajudar com um orfanato, dar algum dinheiro ou comida, mas cuidar não é algo muito... Muito... – Enquanto Magnus pensava em uma palavra, Makura fecha seus olhos e puxa sua bandana, abrindo seus olhos logo em seguida para mostrar seus cabelos brancos grossos e massivos, então Magnus, assustado continua falando em um tom de voz baixo -...... Como... Ela teve um filho... Como você?...
– Entendeu o problema? Ele é um... “demônio” – diz o Ryoku fazendo aspas com seus dedos e dando ênfase a palavra com um tom de voz e rosto como quem dissesse “essa é uma palavra muito idiota” – Ele não tem pra onde ir, muito menos eu.
Enquanto cruza os braços Magnus fala – “Sim, sim, agora eu entendi o porquê ela precisava do meu pai, ele saberia melhor o que fazer... bem, vamos fazer o seguinte, sua mãe falou o que é a Aserg?”.
Ryoku olha para Makura e volta seu olhar para Magnus – “Sim”
– Ótimo, vou ver se temos algum quarto sobrando... Mas quero que vocês entendam a gravidade da situação: A Aserg está com muitos problemas financeiros, por mais que vocês mereçam, não vamos poder dar todo o conforto, atualmente estamos vivendo mais com a poupança do meu pai do que com nosso lucro.
– Sem brincadeira, um colchão que caiba nós dois dentro de um banheiro já tá bom demais, eu só preciso tirar o Maku da rua – Diz Ryoku enquanto aponta com o polegar para seu irmão.
– Fico feliz em ouvir isso, tá quase na hora do almoço, vocês podem ir pro terceiro andar, é lá que fica a lanchonete, vão ter algo pra comer lá. Também vou avisar pra segurança que vocês são convidados... Ah! Sim, depois do que vocês fizeram lá fora, melhor não saírem por um tempo.
– Justo e aceito! Ta de acordo, Maku? – Diz Ryoku com um tom feliz.
– Perfeito, era isso que a mamãe queria! – Diz Makura com um grande sorriso no rosto.
Quando os dois garotos começam a ir em direção à porta, Magnus se lembra de algo e avisa — Ah! O seu irmão realmente precisa usar a touca pra esconder o cabelo, eu entendo o motivo de você estar usando máscara, mas você não precisa se esconder aqui dentro, pode tirar se quiser.
–Eu agradeço, mas não uso ela pra me esconder – Diz Ryoku enquanto tira a mascara e se vira para Magnus – Eu uso pra não incomodar os outros...
– WOH... Não... Tipo.... – Magnus coloca levemente a mão sobre a boca e desvia o olhar – Eu não queria ter tido essa reação, desculpe, eu não sabia...
Ryoku volta a colocar sua mascara – Não, de boa, eu já esperava, não pretendo mostrar pra ninguém, só pra você já que tenho que dar satisfações – diz enquanto levanta levemente seus braços mexendo as mãos.
– Bem, vocês devem estar com fome, melhor ir comer! Hehe... Ah! Se quiser deixar sua mochila aqui, pode deixar. – Diz Magnus com uma risada sem jeito.
Os dois garotos saem pela brilhante porta de madeira e vão em direção ao elevador onde tem dois homens esperando e conversando quando reparam neles:
– Woah! Nunca vi vocês aqui! Beleza? – Pergunta o homem de cabelos compridos e castanhos.
– Beleza chará! – Diz Makura dando um grande sorriso e fazendo um positivo.
– A gente vai ficar aqui por um tempo... – Diz Ryoku tentando não puxar conversa.
– Daora! Vocês passaram em algum teste? – Diz o outro homem ruivo.
– Você é besta? O Mago não é um monstro pra fazer algo assim com eles, são crianças! – Responde o outro rapaz dando um leve tapa no braço de seu amigo.
– Teste? – Pergunta Makura curioso.
– Naah, relaxa! Se você já tá aqui, já ta dentro! – Diz o ruivo.
O elevador se abre e os quatro entram – “Vocês também tão indo pro almoço?” – Pergunta o magro homem de cabelos compridos.
– Tamo sim! To morrendo de fome... – Diz Makura animado.
– Bem... Não quero acabar com a empolgação, mas não espere muita coisa, hoje em dia não estão dando muita comida, só o básico... – Diz o rapaz de cabelos compridos.
– “HEY!” — Interrompe o amigo.
–... Ah cara, só não quero que ele chegue todo animado pra se decepcionar que nem eu.
O elevador chega ao andar e o de cabelos longos se despede: — “Foi um prazer conhecer vocês! Meu nome é Thomas!” – Diz estendendo a mão.
– E o meu é Rafael! – diz o outro mantendo as mãos no bolso.
Makura rapidamente aperta a mão do homem com suas duas mãos e começa a balançar com um grande sorriso – “O meu é Makura e esse é o Ryoku! Foi um prazer te conhecer senhor! Quero jogar algum jogo com você!”.
– Espero que goste de queimado, garoto! Vai ter um passatempo mais tarde lá no campo, hehe.
Thomas solta a mão do Makura e a coloca em direção do Ryoku que está com suas mãos no bolso olhando para o lado como quem não estivesse interessado. Ele percebe a mão e a aperta.
–Vamos Ryoku! To com fome! – Sai Makura do elevador com pressa.
Ryoku solta a mão do rapaz dizendo “Até mais” sem quase olhar pra trás.
– É difícil ver crianças por aqui, como será que elas conseguiram a Curse?... Thomas?
Rafael vira para Thomas pela falta de resposta, ele está olhando sua mão com um rosto sério, mas ainda sim, assustado.
– Hey... Tá tudo bem? – Pergunta Rafael.
– A mão dele... Era dura... Como pedra...
Os garotos andam por um corredor até chegar em um grande salão com varias mesas e cadeiras, existem varias pessoas, algumas sentadas e outras andando com bandejas, o barulho é bem alto, varias conversas paralelas. Eles procuram onde podem achar comida e encontram uma fila onde varias pessoas seguram bandejas com pratos vazios.
– É lá Makura, vamos. — Diz Ryoku enquanto pega a mão de Makura.
Eles chegaram fila, pegam uma bandeja com um prato e esperaram, minutos se passam, mas os dois permaneceram quietos até chegar sua vez. Depois de alguns minutos finalmente chegaram no começo da fila. Um rapaz alto e magro está distribuindo a gororoba, ele usa uma roupa azul sem estampa, pele clara e cabelos curtos castanhos, com uma colher ele jogou uma quantidade razoável de arroz, feijão e carne no prato do Ryoku, ele olha para o lado e repara que Makura está com cara de quem quer perguntar algo está tem vergonha, ele vira para o homem e pergunta:
– Vocês tem “enroladinho”?
PAF! CRACKR! TRINK!
Ryoku demora um pouco para entender o que aconteceu, ele está no chão com toda comida espalhada e cacos do prato por todos os lados, ele havia sido empurrado por um homem alto de cabelos loiros e compridos, ele usava uma roupa preta sem manga.
– Acha que tem o que quer só porque é criança, viado!?
– Hey, vai com calma, Joseph – Diz o rapaz que estava distribuindo a comida em um tom acovardado.
– VAI TOMAR NO CU! Todos vocês sabem que aqui tá uma bosta! Tá tudo lotado, não temos o que comer, trabalho tá foda e agora tamo pegando garoto de rua! Vão se fuder! Vocês sabem que eu to certo! Eles nunca entrariam depois de um Teste! Como vocês acham que eles vão se defender contra os Militares!? Vocês querem trabalhar mais pra pagar a comida desses inúteis!? PORQUE EU SEI QUE NÃO!
Por mais incrível que pareça, não ouve nenhuma objeção, era como se o silencio significasse que todos concordassem.
– H-Hey, desculpa meu irmão, ele só tava tentando... – Diz Makura quase tocando no homem de cabelos loiros.
– SAI DAQUI! – grita o homem levantando seu braço como se fosse esbofetear o garoto.
Um cubo azulado aparece no pé do rapaz e o puxa, o arremessando em direção as mesas – POOOOOOOOW! Um barulho absurdo acontece, Joseph deslizou em empurrou varias mesas.
Ryoku começa a se levantar com seu braço direito estendido – “Já ouvi sobre esse teste e eu sei quem são os militares. Se eu preciso provar que posso ficar aqui, vamos lá, é só falar...”.
Ele se levanta com um olhar assustador, não é um olhar de alguém que esteja brincando – “... E se você tocar no meu irmão, EU TE CASTRO!”.
Joseph se levanta limpando a comida de sua roupa – “Óooo, a criancinha tá bravinha, telecinese? O Mamo não teria coragem de fazer algum teste com você, mas te provo que você não tá pronto pra porra nenhuma, me encontra no campo atrás do prédio se tiver bolas, viado!”.
Ele começa a andar em direção a porta dando risada enquanto todos olham em silencio, depois de sua saída a atenção de todos se voltam ao Ryoku. Ele abaixa seu braço, vai em direção ao começo da fila, pega uma bandeja e volta ao seu lugar, a levanta em direção ao moço que estava servindo a comida e diz: “Poderia me dar um pouco? To com fome...”.
– R... Ryo... – Diz Makura com uma voz baixa.
– Vamos comer, depois eu resolvo isso. – Diz Ryoku com olhos amigáveis.
Os dois pegam comida e procuram uma mesa, enquanto eles andam, cubos aparecem nos pés das mesas derrubadas e elas voltam a seu lugar de maneira graciosa. Eles encontram uma mesa vazia e sentam nela, um de frente pro outro, depois de alguns segundos as conversas voltam a acontecer.
– MULEQUE! VOCÊ É FODA! QUAL SEU NOME!
Ryoku e Makura se assustam, na frente da mesa está uma menina de pé, apoiada com seus dois braços, ela tem cabelos longos e loiros que vão até seu obro, fios ondulados e deslumbrantes, tem olhos castanhos claros e está usando uma roupa roxa básica.
– É mais educado dizer o seu nome primeiro, o meu nome é Ryoku, e o bandidinho de touca ali é o Makura.
– Opa, opa, mals! É que eu fiquei impressionada, meu nome é Eleia e virei tua fã! E essa mascara? Que foda! Qual seu curse?
– Curse? – Questiona Ryoku.
– Ela deve tar falando do poder do papai – Diz Makura enquanto bebe um copo de água com as duas mãos sem ao menos olhar para eles.
Ryoku dá uma pausa, como estivesse irritado de seu irmão ter percebido algo primeiro que ele.
– Ah... oh... Curse... que nome triste, bem, eu consigo criar Cubos e controlar eles.
– Ohhh, cubos! Então você trabalhava como entregador! – Deduz Eleia
– Era do meu pai. – Ryoku diz rapidamente.
– Do segundo – Completa Makura.
– Do... Segundo? Hã?
Makura ajuda a mulher confusa: “Longa história, mas era do papai”.
– Mais uma vez você pergunta antes de apresentar, e o seu? Qual é? – Interrompe Ryoku.
– Ah, posso... esticar coisas, por assim dizer.
– Hmm, isso é bom pra fazer roupas – Diz Ryoku de forma interesseira.
– Nunca cheguei a pensar nisso, é verdade! – Diz a mulher – E sobre o Joseph? Vai deixar ele esperando? Vai ou não vai? Vai se esconder? E ae, a coisa tá séria.
– Eu nunca disse se ia ou não, eu vou lá quando o Makura terminar de comer, ele quis ir la esperar porque quis – Ryoku repara que Makura terminou o prato – Aqui, come o meu... – “Valeu!” Makura responde puxando a bandeja.
– Você não tá com medo? Quero dizer, o cara é bem grande, não vamos esquecer de babaca, ele não tá nem ai se vai machucar crianças, ele quase acertou seu irmão sem pensar duas vezes, um soco dele em você... E... Bem... Você não é uma muralha pra aguentar...
– Cuidar desse bandidinho é uma dor de cabeça – Diz Ryoku enquanto aponta para Makura com o polegar – Se eu sei cuidar dele, e acredite, é muita coisa, eu consigo cuidar de mim.
– Eu já disse que consigo resolver meus problemas sozinho, babaca. – Diz Makura cuspindo arroz.
– Eu sei que consegue, eu só não quero que o pessoal tenha o azar de falar com você e se sentir mal – Diz Ryoku enquanto apoia o cotovelo na mesa e apoiando sei queixo com a mão – Oh... você acabou! Vamos descendo!
– Eu já vou lá assistir, não é que quero ser X9, mas tenho que falar com o Mamo sobre isso, tipo, não é legal pessoal ficar brigando aqui, a situação já tá braba por si só, com brigas só vai piorar – Explica Eleia.
– Mamo? – Ryoku questiona.
– É um dos apelidos do Magnus... Se acostuma, cada um chama ele de um jeito.
– Entendi... bem, vamos indo Maku!
– Ok!
Os dois garotos se levantam de forma mais calma, os dois ficam perto um do outro e vão em direção ao corredor do elevador, eles chegam perto dele, apertam o botão e esperam sem dizer uma palavra, a porta se abre eles entram, o elevador começa a funcionar.
– Por que... Tem que ser assim? Dá pra resolver se a gente conversar, ele deve ser gente boa, só tá meio bravo. – Diz Makura com um tom de voz decepcionado, mas ainda sim, triste.
– Hey! Hey! Olha pra mim – Diz Ryoku enquanto se vira de frente para seu irmão segurando seus ombros — Depois você pode conversar com ele, primeiro temos que fazer ele se acalmar, ok?
– Eu só não queria ver mais ninguém brigando... – Diz Makura abaixando a cabeça, quase começando a chorar.
O rosto de Ryoku se abaixa e suas mãos se apertam.
– Odeio te ver assim, dessa vez to jurando: Aqui eu vou conseguir fazer um lugar perfeito pra gente morar, igualzinho nossa casa, tudo bem? Só... – Sua voz começa a ficar tremula –...Só espera mais um pouquinho, tudo bem? – Ele toca a testa de sua mascara na cabeça do Makura e finaliza – Eu te amo, você sabe disso, né?
Makura levanta a cabeça fazendo a cabeça de Ryoku se afastar, leves lagrimas rolam por suas bochechas com um grande sorriso – “É claro que eu sei seu babaca, eu também!”
As portas do elevador se abrem, chegaram ao térreo, os dois andam juntos para fora seguindo placas com indicações “Campo de esportes” até chegar em uma saída bem iluminada pelo sol forte. Depois de passar pela porta de se acostumar com intensa luz é possível ver Joseph de costas falando com um grande publico em volta do campo quando um deles aponta para os garotos e ele se vira.
– Caralho, viado! Demoro, se você tava com medo, por que veio!?
– Fica aqui, já volto. – Diz Ryoku para Makura enquanto ele caminha para frente – Tá falando coisa desnecessária demais, você queria um teste, fala o que você quer!
– Olha em volta, estamos cercados por muros, então podemos abusar um pouco das nossas curses, bem, quero ver se você consegue me por pra fora do campo.
– Tirar você do campo? Só isso?
– Heh!
Em um piscar de olhos Joseph desaparece, no mesmo momento Ryoku se move como se estivesse arremessando alguém pelos seus ombros, era Joseph, que decola para trás dando uns capotes. Depois de conseguir parar, ele se ajoelha – “O QUE!? Como você me viu!?” grita com raiva.
– Olha tua mão, babaca – Ryoku diz enquanto aponta.
– Hã?! – Joseph olha para sua mão, ela está dentro de um cubo transparente, ele tenta tocar em seus dedos com a outra mão e consegue ultrapassar o quadrado sem problemas – Mas o que? ...
– Não importa quão rápido você seja, eu sei onde meus cubos estão, tudo que fiz foi aproveitar... quer saber? Não tenho paciência. – Logo depois de terminar a frase Ryoku meche seu braço com força para o lado fazendo o cubo ir pra mesma direção, assim, puxando a mão de Joseph junto.
– Acha que vai conseguir me tirar assim, viado!? – Joseph dá um chute com seu calcanhar no chão, fazendo um leve buraco pra se apoiar.
Ryoku reflete em sua mente. “Não tenho como puxar ele na força bruta. Eu só tenho que fazer ele vir pra cima e redirecionar o movimento dele como eu fiz antes, se eu mandar pra direção certa, ele vai pra fora, simples.”
Enquanto Ryoku refletia Magnus e Eleia chegam perto do campo.
– Hey garotinho de touca – Diz Magnus.
– É Makura!
– Mals! Tenho dificuldade em decorar nomes. Eu tava pensando em interromper, mas se ele não tá machucado, então ele tá conseguindo cuidar do Joseph, sem falar vocês são filhos da Odisséia... Mas... Você acha que seu irmão consegue?
– Ah... não se preocupa, o Ryo consegue se virar. Ele me disse que só vai fazer ele se acalmar pra gente conversar – Makura diz sem desviar o olhar de Ryoku.
Magnus dá um sorriso e pega um pirulito do bolso, o desembrulha e coloca na boca, misteriosamente, começa a sair uma fumaça como se fosse um cigarro, logo em seguida coloca os óculos de snowboard em seus olhos.
Ryoku percebe que alguém chegou e olha para o lado para ver quem é, ele repara em Magnus e Eleia – POW! – Ele recebe um soco em cheio no rosto.
– AAARGH ESSA MASCARA – Grita Joseph de dor enquanto pega o braço direito de Ryoku.
“Aaaargh... senti o cubo vindo mas foi muito rápido, eu não prestei atenção! Ele é forte, não vou conseguir puxar o braço!”
Joseph dá uma joelhada no cotovelo de Ryoku, entortando o braço.
– NÃO! – Grita Eleia.
– PUTA QUE PARIU – Magnus grita.
Joseph dá uma bicuda no tórax de Ryoku fazendo ele voar pra trás.
– Meu deus! O BRAÇO DELE...! – Grita Eleia!
– FODA-SE O BRAÇO! – Grita Makura – RYO! SE MACHUCO!? TUDO BEM!?
Ryoku, com seu braço esquerdo afasta um pouco a mascara de seu rosto, fazendo um pouco de sangue sair, ele vira seu olhar para Makura dizendo em voz alta – “Relaxa, é só sangue no nariz, TO BEM!”
Joseph pensa “IDIOTA! SÓ ACERTAR MAIS UMA VEZ E ELE SAI!” enquanto desaparece em um instante
“NÃO! DE NOVO!” Ryoku pensa antes de virar seu rosto de volta pra Joseph.
POOOOOOOOOOOOOOOOW
Um grande estrondo acontece, fazendo uma grande quantidade de terra subir, formando uma grande fumaça. Todos protegem seus olhos com os braços enquanto Magnus, sem dificuldade em observa por causa de seus óculos, descruza seus braços e pega seu celular do bolso.
– UM M#@IC*! – Todos escutam
–Hã? – Makura deixa escapar.
A poeira começa a abaixar quando todos veem duas figuras, é então que percebem o corpo de Joseph deitado no chão com o pescoço quebrado e sangue escorrendo pelo chão. A outra figura de pé é Ryoku gritando desesperadamente:
– PELO AMOR DE DEUS! CHAMEM UM MÉDICO! RÁPIDO!
Fim do Prólogo
Personagens (Desenhados feitos na minha infância): http://i.imgur.com/Mi7TXUg.png
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