Odeio Te Amar
7 No fim... Surge Ruivo
Notas iniciais
Beijo ;*
A jovem caminhava apressada, enquanto seus companheiros de banda tentavam á seguir no mesmo ritmo.
— Milly tem como andar mais devagar, estou cansado de te seguir. – Perguntou Flávio ofegante.
— Não estou pedindo pra ninguém me seguir. – Respondeu a moça sem parar de andar á toda velocidade.
— Não precisa ficar tão brava só por que todo mundo percebeu que você gostou de beijar ele, agente não espalha relaxa. – Disparou Cadu sem pensar. A jovem então parou de andar e encarou Cadu.
— Eu detestei beijar aquele cara, aquilo foi um beijo técnico. Assunto encerrado. – Esclareceu Mirelly.
— Milly admite logo que você estava gostando é mais honesto sabia. – Brincou Flávio.
— Vamos parar de palhaçada aqui, esse assunto já está acabado. – Determinou Ruivo.
— Infelizmente acabou não, semana que vem o clipe vai ser lançado. – Informou Beto.
— Eu vou pra casa, você vem Ruivo? – Indagou Mirelly tentando mudar o rumo da conversa.
— Não, eu tenho que sair ainda pra procurar um apartamento novo. Mas mais tarde eu passo na sua casa pra conversarmos. – Explicou o Rapaz.
— É verdade lembrei agora, você vai mesmo montar a república? – Perguntou a amiga.
— Vai sim, e eu e o Beto já vamos pra lá, ai agente arrasta umas gatas, e vai ser só alegria. – Respondeu Cadu.
— Não vai ser bagunçado assim não, vai ter regras. – Lembrou Ruivo, e Cadu apenas sorriu discordando.
— Bom já vou então. – Disse a moça se despedindo dos colegas. Ela entrou em seu ônibus e por milagre tinha um lugar para sentar. A moça tentava resistir, mas aquele beijo não lhe saia da mente. Ela lembrava de cada detalhe, cada gesto, cada toque. Não queria se permitir ter aqueles pensamentos, mas era mais forte que ela.
— Vai ter volta. – Sussurrou a moça para si mesma sorrindo. Ela fechou os olhos pensando em uma vingança, e de supetão deu um salto do banco.
— Já sei o que eu vou fazer. – Anunciou Mirelly e todos dentro do ônibus escutaram também. Todos á olharam com uma expressão interrogativa, ela pouco se importou, logo desceu do ônibus. Ao chegar em casa a mesma cena se repetira, Luiz estava bêbado no sofá. A moça sequer o cumprimentou e foi logo para seu quarto, trancou a porta e jogou-se em sua cama. Aparentemente mais uma vez estava sozinha em casa com Luiz. A moça então fechou os olhos tentando se tranqüilizar e mais uma vez o beijo veio á atormentar, ela sorria ao recordar de cada detalhe.
— Filha? Você está ai? – Indagou uma voz feminina do outro lado da porta. Mirelly logo reconheceu a voz de sua mãe e abriu a porta.
— Oi mãe. – Cumprimentou a moça beijando a face de sua mãe. Os anos levaram toda a vaidade de Laura mãe de Milly. Seu rosto já tinha algumas rugas em volta dos seus olhos azuis, estava acima de seu peso, seus cabelos estavam sempre presos e desleixados.
— Filha eu assinei e levei no cartório pra registrar o documento que você pediu, mas para que era aquilo mesmo? – Indagou Laura entregando um papel a filha.
— Agora legalmente eu já sou maior de idade mãe, era uma procuração pra que me emancipassem, agora ficou mais fácil com os lances da gravadora, não vou precisar mais trazer nada pra você assinar, entendeu? – Explicava a moça.
— Não entendi nada, mas se vai te ajudar eu fico feliz, olha eu vou à igreja, tem comida no microondas é só esquentar. – Preocupou-se Laura.
— Obrigado mãe. – Agradeceu Mirelly abraçando a mãe. Laura logo saiu, e Mirelly voltou á sua cama. Fechou os olhos, foi quando se lembrou que esquecera a porta aberta. Levantou em um salto pra trancar, mas já era tarde Luiz já estava lá. Ela tentou correr, mas ele a segurou firme pelos braços, deu um tapa em seu rosto em seguida começou a apertar os seios de Mirelly, ela tentou gritar, mas ele continuava á batendo, arrancou-lhe as roupas a deixando apenas em trajes íntimos, ela chorava incontrolavelmente, sua primeira vez seria conseqüência de um estupro.
Ruivo já ia entrar em casa, quando lembrou que precisava ir conversar com Mirelly, então seguiu para casa da moça, como de costume o portão estava aberto, entrou chegando bastante próximo da porta e reparou que a mesma estava aberta. Ele não gostava de entrar na casa de Mirelly sem avisar, mas algo dentro dele o dizia para quebrar as regras.
O rapaz caminhou pela sala e escutou alguns ruídos estranhos, e decidiu os seguir, andou pelo corredor até chegar á fonte dos ruídos, o quarto de Milly. Ruivo hesitou um pouco, mas abriu a porta e viu a amiga em trajes íntimos sendo espancada pelo padrasto, ao ver a cena Ruivo se enfureceu e partiu para cima de Luiz, o socando, logo o outro estava ao chão e Ruivo continuava á chuta-lo, até que Luiz desfaleceu. Ruivo parou de bater no padrasto de Milly e se voltou à garota que estava encolhida em um canto do quarto. Ruivo procurou em uma gaveta até que encontrou um casaco bastante grande e cobriu a amiga, em seguida a pegou em seus braços saindo da casa. Ele caminhava com ela em seus braços na rua e as pessoas que passavam olhavam curiosas, Ruivo por fim chegara em casa, colocou Mirelly em um sofá. A moça apenas chorava. Ruivo morava sozinho desde os dezoito anos.
— Já acabou eu estou aqui, nunca mais vou deixar aquele infeliz encostar um dedo em você. – Prometeu Ruivo.
— Tem noção do que ia acontecer... – Balbuciava Mirelly.
— Mas não aconteceu... Cara eu não entendo o porquê da sua mãe não fazer nada, ela é uma mulher tão legal. – Comentou Ruivo.
— Ele sustenta a casa. – Concluiu a moça voltando a chorar. Ruivo a abraçou.
— Tudo vai ficar bem agora, você nunca mais pisa naquela casa. – Determinou o jovem de cabelos rubros.
— Como assim? – Indagou a moça surpresa.
— Você vem morar com agente na republica. Eu encontrei um apartamento enorme, já aluguei, amanha vou pra lá arrumar tudo, você vai vir conosco. – Terminou o rapaz.
— Mas eu não tenho como pagar. – Retrucou a moça.
— Eu te cobrei alguma coisa, você é muito importante pra mim, e você estar bem vem em primeiro lugar. – Argumentou o jovem ainda abraçado á moça.
— Ruivo obrigada, não sei como te agradecer. – Respondeu a moça.
— Não precisa. Eu vou à sua casa buscar suas coisas, e explicar pra sua mãe. Volto logo pra te levar no médico e na delegacia, dessa vez seu padrasto vai se ferrar. – Falou o rapaz saindo. Ali sozinha a moça desabou a chorar, ela queria desaparecer da face da terra.
Ele já havia perdido as contas de vezes que tinha assistido a aquele vídeo, estava ansioso pela estréia do videoclipe e principalmente ansiava em ver a outra protagonista do vídeo. Luan acabara de fazer mais um Show, e voltou á ver o demo do Clipe. Cada segundo daquele beijo tinha sido especial, fazia muito tempo que não se sentia assim. O jovem levantou-se da cama onde estava deitado e pegou seu celular em uma mesinha, discou alguns números.
— Pronto. – Atendeu uma voz feminina.
— Bruna, sou eu. Tudo bem com você maninha? – Cumprimentou Luan.
— Tudo sim, e com você? – Respondeu Bruna de forma doce.
— Mais ou menos, preciso da sua ajuda... – Começou Luan.
— Pode falar. – Incentivou a irmã.
— Vou ser direto, eu vacilei com uma garota, e não sei como consertar isso. – Disse Luan sem hesitação.
— Vou ser tia! Mãe você vai ser avó! – Berrava Bruna do outro lado da linha.
— Bruna para de escândalo! Não é nada disso! – Gritou Luan para que a outra escutasse.
— Seu tesoura, eu queria tanto um sobrinho, mas conta como assim vacilou? – Indagou Bruna. Luan então relatou toda a historia para a irmã que ouvia atentamente.
- Você é um imbecil! – Disparou Bruna após seu irmão terminar o relato.
- Isso eu já sei, o que eu quero é saber como consertar, não que eu queira algo com ela, mas só pra não ficar me sentindo mal. – Respondeu o rapaz.
- Sei... Olha é bem complicado, vocês vão se ver pessoalmente quando? – Sondou a moça.
- Quinta-feira que vem. – Informou o outro.
- Poxa ainda é sábado... Tive uma idéia, você sabe pode fazer um pedido de desculpas na abertura do seu Show, com certeza vai parar na internet e ela vai ver. – Sugeriu Bruna.
- Pedido de desculpas, mas como assim? – Interessou-se Luan.
- É você fala algo assim “Antes de abrir o Show de hoje eu quero fazer aqui publicamente um pedido de desculpas á Mirelly, eu sei que vacilei, mas reconheço e espero que me desculpe.” – Narrou a moça.
- Pode ser, então quando eu ver ela pessoalmente vou ter meio caminho andado. Ai maninha já falei que eu te amo? – Brincou o cantor.
- Hoje não. – Respondeu a irmã com uma voz infantil.
- Te amo. – Falou o outro sorrindo.
- Lu, olha sei que é meio chato isso de conselho, mas você é meu irmão, e só quero seu bem por isso te digo lutar contra os nossos sentimentos nunca é uma boa escolha. – Meditou Bruna.
- Eu não estou lutando contra nada, não tenho nenhum interesse nela, só quero pedir desculpas por ter tentado prejudicar a banda dela é só isso. – Esclareceu Luan.
- Está seguro disso? – Insistiu Bruna.
- Sim. – Mentiu Luan.
- Então está bem, preciso ir ajudar a mamãe, depois te ligo. Se cuida. – Despediu-se Bruna.
- Vai lá chatinha. – Falou Luan desligando o telefone. As palavras de Bruna se repetiam em sua mente “Lutar contra nossos sentimentos nunca é uma boa escolha”.
- A Bruna está louca, eu apenas estou me sentindo culpado por ter prejudicado ela é só isso, não sinto nada por ela, e aquele beijo não significou nada pra mim. – Mentia Luan para si mesmo. Luan então abriu seu computador portátil e mais uma vez admirou a cena do beijo que Marcelo o enviou.
- Quem eu quero enganar? – Indagou Luan á si mesmo mais uma vez.
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