Notas iniciais
Este capítulo pertence à Rodada 7, cujo tema é um compilado de cenas do filme "O Artista" (cena do encontro com a mulher).

Milo: o nome por trás do primeiro encontro mais desastroso da vida de Agatha.

Rodrigo participara por dois meses como violoncelista nas apresentações da Companhia em conjunto com a Orquestra Municipal. Na terceira semana, convidara-a para sair. Mesmo surpresa, ela não encontrara nenhum motivo para recusar.

— Então, tem um problema — dissera ele, no momento em que abrira a porta. — Eu tô de babá.

O susto passou quando ela viu o filhote rolando no chão — sua irmã viajara e precisara deixá-lo em casa, conforme ele explicara.

— Mas eu cozinhei pra nós dois! — desculpara-se o homem. — É só um bebê, não acho que vá atrapalhar — acrescentara, enquanto o cãozinho mordia seu tornozelo.

Em menos de dez minutos, ele arrancara os laços de ambos os sapatos de Agatha e arranhara seus pés.

— Que cheiro bom — elogiara ela, apesar de todo o incômodo. Sentaram-se à mesa, em frente ao maravilhoso banquete preparado por Rodrigo.

A conversa fluíra, as risadas vieram. Sob o clima romântico que se instalara, eles se sentiam confortáveis e acolhidos. Falaram sobre sonhos e amores, sobretudo o amor comum pela arte.

A tranquilidade chegara ao fim quando Milo resolvera pular sobre a mesa. Correra em torno dos pratos, enfiara o focinho na maioria deles e lambera os que sobraram.

Fora uma cena, no mínimo, cômica; o cãozinho fugindo do abraço de Rodrigo, que tentava em vão segurá-lo. Na hora, Agatha acreditara ser uma espécie de piada sem graça.

— Olha, acho melhor eu ir. — Levantara-se, no momento exato em que Milo derrubara nela o que restava de sua sopa.

Reconheceria, muitos anos depois, o quão arrogante havia sido na época. Pediria desculpas ao companheiro e ele riria dela.

— Fica. — Ele tocara a mão dela, com os olhos mais caninamente pidões que os do próprio Milo.

Ela cedera e, a partir daquele dia, nunca mais fora embora.

E, por tudo isso, a foto dos dois amigos sorridentes estava exposta no centro da parede. Rodrigo e o cão lambendo-lhe a bochecha, tirada pouco depois daquele dia. E, para a surpresa da própria Agatha, era sua preferida neste momento.

Ela já não tinha mais dúvidas; conseguiria, sim, ser feliz.

Notas finais
Esse foi meu capítulo mais corrido ahahaha tô morrendo com a rotina do festival de dança da minha cidade amanhã. Espero que tenha ficado bom! Beijão