Notas iniciais
Antes de tudo desculpas pelo atraso, mas é que continuo sem internet, um grave problema. Terminei de escrever ocultas e sinto que vocês vão adorar o final! Este capítulo está pronto há muito tempo e ele era dividido em partes, mas ficou em capítulos soltos mesmo. Espero que curtam! Agora a foto vai fazer sentido, ein? Prestem atenção!
Músicas: Us Against the World COLDPLAY / Breath of Life FLORENCE/MACHINE (para aparição de exércitos)
Acordei com os batimentos do meu coração irregulares. Primeiro a consciência me abateu, avisando-me que hoje era o dia da revelação de muitos segredos. A Batalha me aguardava lá fora. Ainda pouco desperta me levantei e encarei Aphrodite e Marcie ajeitando as peças da roupa e os cabelos. Marcie estava com o cabelo puxado para trás em um rabo-de-cavalo baixo e curto. Suas vestes eram idênticas as de Aphrodite: uma camiseta branca fechada que cobria a pele até chegar ao umbigo e um short de lycra preto. As diferenças eram os atributos corporais, pois uma Qualificadora tem o corpo bem-modelado e uma humana tem de lutar para conseguir e, digamos que, Marcie perdeu esta luta. Os cabelos de Aphrodite estavam penteados para trás e atados por uma faixa de tecido vermelha, causando um contraste com sua pele bronzeada e com as roupas simples.
Agora a pergunta que não queria calar era: porque elas estavam vestidas assim? E com aspectos de “banho tomado”?
– Anda, levante! Tome seu banho e vista isso. – Aphrodite falou enquanto jogava uma muda de roupa idêntica para mim.
A porta de entrada e saída se abriu com um som metálico e um capanga me pegou pelos braços, o movimento foi tão rápido que nem tive tempo de conversar por telepatia com Aphrodite, coisa que estávamos fazendo com regularidade, pois nem a história de sermos irmãs havia abalado as estruturas de uma amizade esquisita que estávamos compartilhando.
Ele me jogou pela abertura de uma porta que dava para um banheiro luxuoso, pela situação em que nos encontrávamos. Eu nunca pensei que ali tinha água encanada, ou um Box para banho. Mas decidi desfrutar de algo que não tinha há um bom tempo. Então demorei o quanto pude no banho e passei sabonete por todas as áreas possíveis, na verdade, fiz este trajeto duas vezes, só para me certificar. Senti minha pele se refrescar e meus músculos relaxarem pelo contato da água... Água! Era isso, canalizar os elementos.
Ainda com concentração máxima nos ruídos do lado de fora eu me concentrei na água que caía em cascata em minha cabeça. Em uma prece silenciosa convidei meu elemento para junto de mim, depois disso, senti que podia dominar as gotas que caiam do chuveiro. Com um teste, abri os olhos e levantei um dedo unindo uma boa quantidade de água e jogando-a contra o box.
Após o teste com um dos elementos, coloquei a mesma roupa que as meninas e me senti patética com as peças. Um corpo esguio e magro não ficava bem de lycra, nunca. Prendi o cabelo em uma trança embutida e estava pronta, não fossem alguns detalhes.
Me concentrei no ar ao meu redor e, quando me senti extremamente pronta, levantei um dos dedos e em círculos controlei o ar ao redor do mesmo, formando um mini redemoinho.
Eu não tinha a terra próxima e o sol não batia lá fora, pois acabara de anoitecer, mas me senti estranhamente feliz com a pequena conquista para antes da Batalha.
Não deixei de sorrir até quando o mesmo capanga me largou dentro do quarto com força. Quando passei os olhos pelo cômodo, Aphrodite estava andando de um lado para o outro, evidentemente sem paciência, enquanto Marcie olhava suas unhas com o ombro apoiado contra a parede.
“O que está acontecendo?” Decidi por tirar minha dúvida com Aphrodite pelos pensamentos.
“Não sei!” Explodiu sem deixar de andar de um lado para o outro, o movimento me irritando.
“As roupas idênticas estão estranhas.” Rebati.
“Também achei, mas posso adivinhar porque estamos assim depois do papo de Hank.” Aphrodite deu de ombros, dessa vez parando e me encarando.
Remexi as sobrancelhas, indicando para que continuasse.
“Acho que tem haver com nossa energia. Tipo, é óbvio que aquela lombriga é nossa protetora, mas nos mantermos unidas de todas as formas trará uma chance para nós.” É verdade. Ouvindo de tal forma tão explicativa, era bem óbvio. Hank esfregara na nossa cara que nos queria unidas e que Marcie – por mais estranho que fosse – era nossa protetora. De alguma forma, mesmo sob todas as diferenças, nos vestir da mesma maneira nos unia, pelo menos espiritualmente. Aquilo fazia sentido.
Antes que eu pudesse responder, a porta foi aberta por três capangas e Hank se empoleirou na entrada. A figura despojada de Marcie se desmanchou e ela o encarou com os olhos arregalados.
– Boa noite, Marcie. – Ele a cumprimentou e seus olhos azuis recaíram-se sobre mim e Aphrodite. – Boa
dia, meninas. – Nos cumprimentou com escárnio.- Os rapazes vão levar vocês até o descampado da floresta. Lá haverá uma divisão. O lado de Patch é o que está com as árvores atrás e o meu é o que está em frente ao mesmo. – Ele disse e estalou os dedos, fazendo com que os três rapazes se apoderassem de um dos cotovelos de cada uma de nós.
Percorremos diversos corredores com portas cinza e verde musgo. Subimos três lances longos de escadas, até que chegássemos à sala com um teto longínquo que eu conhecia, pois já estive em corpo uma vez e em espírito outra.
A porta dupla de aço se abriu por mais capangas e um Audi A4 negro nos aguardava com as portas abertas. Nós três nos sentamos no banco de trás e nos da frente encontravam-se dois homens com uma aparência da mesma idade de Hank e ombros largos. Um tinha os cabelos louros e outro os cabelos negros em um contraste de personalidade e aparência.
O carro tomou velocidade e percorremos o longo caminho em silêncio. Eu e Aphrodite não nos falamos por pensamentos. E meus sentimentos foram ocupados por um nome: Patch. Meus pensamentos divagavam entre seu rosto risonho e o sexy. Entre seu cheiro de menta e o odor de suor sempre quando fazíamos amor. Entre seu toque rude e o polegar delicado delineando meu lábio inferior. Entre seu par de olhos negros e suas cicatrizes. Meu coração saltou e meus olhos arderam, e se eu nunca mais o visse? E se nós nunca mais nos tocássemos com paz no coração? E se nós nunca mais nos víssemos após esta Batalha?
Agora eu sabia o real motivo da mesma. Por parte era porque Hank queria livrar os nefilins da possessão de corpos, por outra era porque sua aliada – a grande desconhecida – queria dominar a humanidade e retornar aos tempos galanteadores, e por outra era porque eu tinha uma consistência de sangue requerida por todos. Patch estava lutando por mim e não por
suas necessidades, ou sua natureza. Aquilo me queimava por dentro e me borbulhava externamente e se ele morresse tentando me salvar? Eu não suportaria a culpa que tomaria conta dos meus ombros, não aguentaria viver com aquele sentimento de flechas perfurando a pele.
O homem do banco do passageiro desceu e abriu a porta para que descêssemos, tirando-me de meus devaneios.
Não foi difícil de percorrer o caminho dentre as árvores que subiam majestosamente. Eu segui na frente enquanto Aphrodite e Marcie percorriam o mesmo caminho que eu. O som de nossas respirações se misturando.
Chegamos ao local da Batalha. Havia uma marca de terra perfurada rasgando a grama verde. Aphrodite e eu paramos lado-a-lado na lateral que era prestigiada com a subida das árvores. Marcie ficou imobilizada no centro de tudo, olhando de um lado para o outro, e sem nenhuma palavra caminhou até nós, parando ao lado de Aphrodite.
– Espero que isso não demore muito para começar. – Marcie suspirou.
– Está uma coisa com a qual posso concordar com você. – Aphrodite ironizou.
Em um passe de mágica o ar ao nosso redor ficou denso. Tomou um aspecto diferente, o som animado do cântico de pássaros junto com o dos grilos cessou e sentimos o chão tremer, como se algo muito grandioso estivesse chegando. Com o sexto sentido aguçado podia escutar os pés esmagando as folhas secas, as gramas e algumas joaninhas presentes aqui e ali. Eram muitos. Muitos pés, muitas passadas.
Caminhadas irregulares. De pés pequenos e grandes. Delicados e brutos. Eram homens, mulheres e crianças. Pesando de uma forma diferente. Eram nefilins. E a prova dos meus sentidos veio quando levantei os olhos e me deparei com uma fileira de dezenas deles, cada um vestindo uma túnica negra e pesada, cortada no tamanho de seu corpo. O tom de pele de todos contrastava com aquele negro brilhoso em alguns pontos. Eram três fileiras, crianças na frente com mulheres e homens atrás, por altura.
Eles eram recém-chegados no exército e por isso o poder parecia mais forte, eles não conheciam suas forças, mas tinham mais brutalidade com suas coordenadas, assim como Aphrodite tivera em seu primeiro dia como Nefilim.
“São muitos.” Sua voz se perdeu na confusão dos meus pensamentos. Eram muitos. Com sorrisos sedentos nos lábios e com todos os olhares vidrados em mim, era como se eu tivesse um alvo no centro da testa e cada um estivesse com sede de atingir aquela área com uma flecha.
A metade esquerda dos nefilins deram dois passos para a direita; e a metade da direita deram dois passos para a esquerda, abrindo um espaço para que cinco homens com ombros largos passassem, o do meio era Hank, com um sorriso ainda mais sedento no rosto, mas, mesmo ao longe, era possível notar as olheiras de cansaço percorrendo a parte de baixo dos seus olhos. Se ele estava fazendo tudo àquilo para nos assustar, estava conseguindo, pois as batidas aceleradas do meu coração se igualavam com as de Aphrodite e Marcie. Era óbvio que seu exército estava grande, enorme, perto do que Patch poderia ter armado para nós.
Logo depois, um brilho azul cresceu, iluminando a noite. Todos os nefilins puxaram apetrechos violentos da cintura que irradiavam uma luz azul, indicando o poder proibido de Hank. Era aquilo que me dava raiva. Ele poderia lutar para conseguir seu próprio corpo, mas poderia muito bem ter feito de maneira justa. Quem diria o que tinha naquelas armas? Talvez uma delas tivesse sido criada especialmente para a minha morte e outras para a morte de Patch, acabando assim com as maiores barreiras representadas para a vitória deles. Eu tinha medo só de pensar.
Outra coisa tomou minha atenção: gritos. Mas não desesperados, como os que eu estava acostuma a escutar, mas de crianças, alegres e felizes. Aqueles sons ingênuos me fizeram sorrir instantaneamente. Várias crianças surgiram correndo, brincando com algo que voava ou com seus brinquedos de plástico em mãos. Um não deixou de correr até estar diante de mim, eu ia me abaixar, ainda sorrindo, para lhe cumprimentar, mas a troca de cor dos seus olhos me indicou que ele não era normal. Não era uma criança qualquer que existia para o bem, para a felicidade de suas mães. Eram crianças criadas propositalmente para o mal. Com seu modo encantador, poderia destruir a pátria.
“São encantos.”A voz de Hank me avisou por telepatia. Ergui os olhos e os seus me fitavam com curiosidade. A criança sorriu de canto e saiu correndo de volta para seu local habitual.
Era uma esperança cortada. Achar que existia um ponto de equilíbrio dentre os dois lados. Eu me sentia mais triste do que de início, por ver corpos tão encantadores sendo usados para algo tão injusto que arriscavam suas vidas. Meu peito se apertou com uma dor repentina.
Mas um cheiro me livrou do torpor repentino. Era um odor que eu já tive. Vermelhos. Dezenas deles subiram em cascatas rodeando os já presentes, formando um escudo corporal. O exército estava aumentando cada vez mais, ficando mais perigoso a cada segundo. Os vermelhos estavam com roupas negras, sem exceções. Eramnotáveis suas tatuagens acesas em um azul externo de longe, eles também estavam com o encantamento proibido de Hank. E eu senti mais nojo que de costume. Eu era uma vermelha, mas passada pela transfusão e completamente recuperada. Em pensar que se o dia amanhecesse aqueles ali poderiam morrer, mas tínhamos de pensar em uma maneira para que eles se libertassem e não na morte de início. Mas se eles escolhessem as trevas, invés da luz, iriam morrer, é claro, se dependesse de mim.
O odor fedorento nos cercou, embaçando minha visão momentaneamente, o mau cheiro daqueles também era uma armação contra nós.
E então como que para destacar todo o exército um topo de uma cabeça com fios ruivos surgiu do centro. Subindo, subindo... Até que fitei os olhos verde-musgo de Laurel. Mas eles não estavam como antes. Estavam acompanhados por bochechas levantadas em um sorriso amedrontador. Seus fios estavam presos em um coque bem atado e um vestido preto volumoso aumentava suas curvas. Os traços de seu rosto estavam mais fortes e ela exalava um poder muito maior.
Seu rosto parecia ter sido recém-desenhado, com cada uma das linhas de expressões lapidadas. Eu conhecia aquelas feições, de algum ponto da minha mente. Aqueles olhos maldosos, percorrendo cada canto indicou-me que ela não fazia mais parte da Deusa. Ela era uma espécie distinta e quase desconhecida por muitas pessoas. Bruxa. Foi a palavra que se apoderou de meus devaneios. A confirmação veio quando seu rosto tomou uma feição amigável e quase humana e, em um milésimo de segundo, voltou a ser o rosto de madeira lapidada e desenhada por mãos elaboradoras. Ela era a parte temida do exército. Laurel queria dominar os humanos.
Meus pensamentos estavam em ziguezague quando o fogo subiu do corte na grama. O fogo iniciou-se com uma chama azul e após percorrer a linha, tomou seu tom em laranja. O calor nos afagou e as chamas estavam tão próximas que quase lamberam nossos braços em um desejo de poder.
Hank tomou a mão de Laurel na sua e ambos sorriram para o que haviam formado, como que para completar a aparição daquela bruxa – verdadeira! –,corvos rodearam sua cintura e apenas um – o maior – pousou em seu ombro direito. Os outros pararam os círculos e pousaram na grama, deixando para trás uma saia ainda mais rodada, implorando por poder.
Os corvos pararam com os movimentos brutos e os olhos se viraram para nós, vermelhos como sangue, entrando em efeito sombrio com o tom negro sedoso de suas penas.
“Ai droga! Ela é mesmo o que estou sentindo?” Aphrodite indagou em meus pensamentos.
“Sim.” Respondi apenas.
“Ela é uma bruxa.” Tínhamos certeza, pois nosso sexto sentido, nos permitia identificar qualquer ser.
Um alívio percorreu minhas entranhas. Uma brisa forte abanou minha trança; um calor percorreu meu corpo, tirando aquele frio; um cheiro de mar entupiu minhas narinas; e o cheiro de mata recém-aparada dominou meus movimentos. Meu espírito se abanou.
“Me apodere”, ele solicitou e eu o libertei, deixando divagar dentre as sensações dos elementos. Eles estavam ali, em carne, meus pontos me respondiam isso. A parte de trás da minha blusa se ergueu com uma rajada interna e uma luz reverberou dali, logo depois foi possível escutar um tecido se rasgando, e quando senti a brisa da mata adentrar o centro de minhas costas, soube que minha blusa tinha se rasgado pelo impacto da chegada dos
meus. Do
meu exército.
Ao abrir os olhos, a primeira coisa que notei foi o olhar desesperado e confuso de Laurel. Ela olhava para cima, para o topo de um redemoinho controlado diante de nós. O redemoinho diminuiu sua força aos poucos e logo depois de sua despedida, Damien surgiu do centro de costas para nós, como uma barreira infalível. A mão de Aphrodite apertou a minha e devolvi o afeto. Eles estavam ali. Era tão bom senti-los. A bermuda de Damien estava solta em seu quadril e sua cintura fina acompanhada por ombros largos captava todo o ar ao seu redor. Seus cabelos negros subiam com rajadas próprias e seu poder evidente era de uma leveza incrível. Depois de sua chegada plausível o chão tremeluziu e ao olhar para trás avistei três fileiras de dezenas de Caídos, nenhum deles me olhavam, seus olhos, seus sentidos, estavam erguidos e em ato para os nefilins do outro lado.
Aquela era a remessa de Damien, algo me sussurrou, respondeu meus devaneios obscurecidos pela dúvida.
O fogo da barreira imposta por Hank crepitou e uma silhueta tomou forma, Aphrodite deu passos adiante, enrugando as sobrancelhas para enxergar melhor. Ela sorriu, iluminada. – É isso aí,
fire ball!
Shaunee surgiu. Seus cabelos negros tomados pelas chamas, subindo. Suas mãos se abriram e o fogo lhe obedeceu, abrindo espaço para que surgíssemos em evidência diante dos olhos dos outros. Ela não saiu de sua posição e sem me virar, soube que mais Caídos se uniram a nós, desta vez pela lateral esquerda, formando a metade de um semicírculo.
Lago... Algo sussurrou em minha mente. Virei o rosto para a direita e uma cabeça emergia majestosamente das águas. O topo loiro da cabeça de Vee subiu e seus olhos estavam abertos, azuis de ponta-a-ponta. Desenhos de ondas azuis claras cobriam sua silhueta e suas pernas sumiam em uma luz irradiante que tremeluzia e crepitava. Seu poder exalava, o cheiro da água lavou o odor dos Vermelhos e eu sorri para aquilo que era meu. Caídos vieram dos arredores do lago e ficaram atrás de Vee, outra parte do semicírculo formada, faltava uma...
Me assustei com o topo de uma árvore surgindo de ponta cabeça diante de meus olhos, dei passos vacilantes para trás, com medo de ser um ataque. Uma árvore nascia de uma nuvem baixa provinda do Céu... Duas pontas de um par de asas surgiram do tronco e Stevie voou para o centro em sua forma verdadeira, mostrando-a para todos. Suas asas brancas irradiavam glória e os nefilins do outro lado ousaram – tentar – sair, mas Hank os deteve. Ele ficou com um queixo suavemente caído com a visão de mais dois Anjos se juntando a nós. Um era Gabbe, era visível por seu par de asas prateadas, ele se empoleirou ao lado esquerdo de Stevie. O outro não era um Anjo... Senti uma espécie de algo muito mais poderoso, um ponto celestial mais importante. Arcanjo. Daniel. As asas douradas me indicavam isso e as tatuagens em seus braços me diziam que ele não era do céu e sim da Deusa.
Meu exército formado. Dezenas de Caídos e meu Círculo.
Mas, cascos de animais reverberaram de entre as matas e cavalos brancos se empoleiraram por todos os lados, aumentando ainda mais o que eu pensava que havia acabado. Os cabelos loiros brancos da pessoa cavalgando um dos animais eram da professora Lenobia, acompanhado por uma fileira de cinco cavalos, com um mutirão deles logo atrás.
Meus olhos se pousaram nos cinco. Primeiro uma raiva adentrou minhas veias, aquela era Dabria, a Caída que tentara me matar. Depois reconheci a aura bruta de Rixon. Depois, avistei os olhos procuradores de Cameron que se fixaram em Aphrodite ao meu lado. Para logo depois me deparar com Scott, meu antigo amigo, enfrentando sua raça para me proteger. E depois... Um par de olhos negros que me derreteu internamente. Patch.
O espaço parecia pequeno para tanta gente, mas mais pessoas vieram e aquela aura animada eu conheceria em qualquer ponto do mundo: Ariane. Ela liderava cinco vermelhos, seus olhos percorreram todo o local e pararam abruptamente nos outros acompanhados por Laurel e nos fitando. Era incrível a quantidade de gente que tinha ali. Eu nunca esperei por algo tão grande. Aquilo dava um resquício leve de... Esperança.
E quando eu pensei que havia acabado, mais passos chegaram, unindo-se, enterrando-se e abrindo espaço às cotoveladas por todos. Qualificadores, alguns que eu dava
‘olá’pela Morada, mas eram absolutamente
todos os qualificadores da Morada. E Dragon os liderava, olhando pacientemente para o outro lado, exalando mais poder que todos os Qualificadores juntos.
– Nora! Feche o círculo. – Damien gritou sem virar o rosto na minha direção. Sem notar meus pés me levaram para o centro de tudo e eu ergui os braços.
Eu, simples e sinceramente, não sabia o que fazer. Mas uma força incompreensível atingiu minhas regiões e eu caí de joelhos devido a brutalidade do ato. Minhas mãos se apoiaram em meus joelhos e um suor percorreu meu corpo. Era dolorido, mas... Confortável. Eu não pedi nada e nem agradeci aos elementos. Eles surgiram, percorrendo a pele do meu braço, eriçando meus pelos, abanando meus cabelos e irradiando, por calor, um poder que só eu conhecia. A mistura me invadiu e minhas costas se arquearam para trás, dando espaço a mesma. Senti meus olhos se escurecerem, minha garganta tomar um aspecto de raiva, a segunda voz. Meus pontos se acenderam mais fortes e meus olhos se fecharam, abrindo mão das forças que ainda me restavam. Eu ouvia sussurros e arfadas desesperadas.
Não abri os olhos, mas senti... Uma brisa subiu dos meus pés percorrendo o caminho rodeando meu corpo até a cabeça, abanando todo o medo e poder negativo ao redor. Depois, o fogo se consumiu ao meu redor. Eu não precisava enxerga-lo, eu o sentia queimando minha pele, mas uma queimadura que só Shaunee e eu, suas instrutoras, aguentaríamos. Depois, a água se retesou ao seu redor, respigando em minha pele a aliviando aquele calor gostoso. Folhas roçaram-se em meu torno, mostrando sua presença e depois uma apresentação animada me aninhou em seus braços: o espirito, em um abraço espiritual, acompanhado pelos cinco elementos. Eu estava formada, fechei o círculo.
Levantei sobre os calcanhares, ainda de olhos fechados e ao abri-los vi que havia uma espécie de escudo ao meu redor, me embalando e me protegendo. Ao erguer os braços, tatuagens novas e, misturadas em tons, percorriam os mesmos, alcançando as pontas de todos os dedos.
Ergui os olhos e olhei diretamente para Hank, lhe mostrando o poder que emitia. Ele engoliu em seco, mas mesmo assim, um sentimento se tornou evidente em seus olhos. Um sentimento que nunca pensei que encontraria ali. Orgulho. Orgulho de sua filha; a filha mais protegida e que todos queriam. Sem exceção de espécies.
Eu estava transformada? A conclusão de tatuagens não indicava isso? Mas eu não sabia. Todos diziam que a dor nos percorria quando nos transformávamos, mas eu senti um alívio muito evidente.
Olhei sobre o ombro e Aphrodite fez um sinal de positivo com a mão direita enquanto piscava um olho. Sorri, inerte pela felicidade interna. Minha vontade era de sair gritando, mostrando a felicidade que eu sentia quando meus elementos me perseguiam de tal forma.
Não havia mais cavalos ao nosso redor, só os corpos que os galopavam.
– Acha mesmo que este exército acabará com dois unidos? – Laurel indagou em alto e bom som. Sua voz reverberando pela mata aberta. – Os qualificadores são alvos fáceis. Eles precisariam estar transformados para emitir algum tipo de força contra nós, Patch.
Era verdade. Muito dolorosa, por sinal, mas não deixava de ser verdade. Os Qualificadores, quase não conheciam suas Qualificações.
Uma luz invadiu o local antes que Patch pudesse responder. Bem diante de mim, outra silhueta tomou forma. Bruxuleando pela breve brisa que ainda percorria meu corpo em um escudo perfeito. Um vestido esvoaçante roxo tomou forma. Seus cabelos negros se abanaram, com os fios percorrendo seus ombros e cobrindo as costas nuas de seu vestido.
A Deusa estava diante de nós, fitando avidamente o outro lado do exército. Laurel lhe olhou nos olhos, representando um nojo errado contra a Pessoa que eu mais era agradecida em toda minha vida.
– Sim Laurel, há uma maneira. – Nyx respondeu por Patch. – Todos podem se transformar imediata e brutalmente e se tornarão mais fortes que você própria como
Bruxa. – Sua voz era uma canção divina para meus tímpanos.
– Coisa que é impossível! – Laurel reverberou e o corvo em seu ombro bateu as asas, como que para acalmar sua dona.
– Tudo é possível quando estou por perto. – A Deusa decretou deixando Laurel sem reação. Ela flutuou até a figura de Patch confuso. – Meu querido, você está fazendo mais do que seu papel aqui. Continue com seu planejamento – Ela disse e tocou a ponta do dedo indicador no centro de sua testa, indicando algo que só ele – e ela – sabiam. -, e lhe darei uma pequena ajuda. Que já vai ser de bom grado. Faça o que é certo e não o que seu coração, que representa a emoção,
acha que é.
Ela caminhou mais alguns passos e estalou os dedos. Berros desesperadores percorreram a mata ao nosso redor. A sabedoria percorreu por meu sexto sentido. Olhei para os lados, e os Qualificadores normais olhavam abismados para seus braços com tatuagens recentes e bem delineadas, emitindo uma luz de seu próprio poder. Sorrisos percorriam suas feições e quando me virei para agradecer a Deusa, ela já havia ido.
A última coisa que vi antes de ser puxada pelos dedos de Aphrodite, foi um movimento involuntário da cabeça de Patch, acompanhado pela de Cam, e então eu fui puxada por uma pessoa que corria e chorava ao mesmo tempo, para longe da Batalha. Para longe de Patch.
Notas finais
Reclamações? Opiniões? Quem quer me matar pelo atraso? Todo mundo eeeeeeeeeee! Gente, dá pra acreditar? Já to acabando ]= Vou sentir saudades de vocês. Até o próximo! s2
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