Ocaso

1 CAPÍTULO 1 - Primeiro dia


Hey, acorda, acorda...

Robert olha o fecho de luz iluminando o chão empoeirado, ainda com a vista embaçada, desejando entender o que havia acontecido, tinha certeza de estar ouvindo uma alguém falar com ele: Você está bem?

A verdade é que ele não sabia ao certo o que estava vendo e ouvindo, sua visão estava turva e a cabeça aérea, se arrastou pelo chão até um local com pouca luz e dormiu. Acordou algumas horas depois, reconheceu que estava dentro de algo que se assemelhava a uma caverna, viu de longe sua mochila jogada, se levantou e foi até lá, agarrou a mochila desesperado procurando pelo celular, mas ao encontrar não conseguiu nenhum sinal, irritado ele vira a mochila de cabeça para baixo na esperança de encontrar algo útil, contudo apenas uma garrafa d’água e algumas pequenas barras de reposição de energia, sem entusiasmo começou a guardar os suprimentos de volta na mochila, estava escurecendo e pelo mesmo buraco que se via o fecho de luz era possível ver o céu começando a estrelar, era a única fonte de luz no local, estava frio, ele procura pelo local que tenha a menor corrente de vento possível pois sabia que passaria a noite ali até que alguém o encontrasse.

Robert usou sua mochila como travesseiro e vestiu todos os seus casacos, o que não impedia que ele tremesse de frio, pegou seu celular e começou a olhar algumas fotos antigas, talvez se esquecer do frio fosse a melhor opção, mas com a luz do telefone ele viu algo se mexer, iluminou novamente e assustou-se ao ver uma bela moça, sentada abraçando as próprias pernas e descalça, levantou-se em um impulso: Quem é você? Não se ouvia nada além do uivar dos ventos na noite, e ele insistiu: Quem é você? De onde veio? Moça, você está bem? Ainda sem resposta ele se aproxima dela, que não se move, ele se abaixa, assim ambos estão da mesma altura, ele apenas a observa por um instante; olhos azuis celeste, cabelos negros, lisos e compridos, no pescoço ela usava uma gargantilha escrito “Madeline” e vestia um longo e simples vestido branco, ele sorri para ela e tenta novamente: Madeline, este é seu nome? Ela sorri. Venha cá, vamos deitar próximos, você deve estar morrendo de frio Madeline... Madie... posso te chamar assim? Ela se levantou do chão, sorriu novamente e o abraçou como um puro gesto de agradecimento. Ele retirou um dos casacos que vestia e a cobriu e juntos, escorados um do outro eles adormeceram.

O dia parecia começar mais cedo pela claridade que entrava na caverna, Robert acordou vagarosamente, e quando abriu os olhos por completo pode ver Madie de pé observando a luz do sol que passa pela caverna, logo em seguida o observando acordar, ela se aproxima: obrigada! Ele consente com a cabeça, se levanta e pega sua mochila, ela continua parada próxima a ele, então ele retira algumas embalagens da mochila: Esta com fome? Deve estar com fome não é mesmo?! Venha, eu tenho algumas coisas aqui... sente-se. Ele apenas tinha agua e cereal a oferecer, o que para ela parecia um banquete, Madie parecia faminta.

Após comerem, ele guardava as embalagens e dobrava os casacos, enquanto ela estava deitada no chão da caverna onde o sol batia, sua pele era tão branca que parecia refletir a luz, e ela parecia estar dormindo, ele amontoou os casacos e a mochila e caminhou em direção a ela, estirada no chão: Madie...!? ele disse, atraindo a atenção dela que abriu os olhos e o encarou. Ele se sentou no chão, ela se levantou e sentou-se ao seu lado: Me chamo Robert, estava indo para as montanhas quando escorreguei e acabei caindo aqui, meu celular esta sem sinal, estou tentando comunicar que estamos aqui, enviar minha localização, sabe onde estamos? Ele questionou. Acho que estou perdida... não sei... ela respondeu. Também não sei, acredito ter ficado desacordado por algum tempo após a queda, mas não consigo me lembrar a que posição estava quando cai. Sabe como chegou aqui? Ela o observa, entortando levemente a cabeça: Entrei aqui mas acho que agora não sei como sair. E entristeceu-se. Não se preocupe, logo alguém nos achará, logo conseguirei mandar um sinal. Ele tentou por um tempo que seu celular tivesse algum sinal, mas em vão.