Obviously.

1 I never will be good enough for her...


Notas iniciais
Espero que gostem ♥

Ronald Weasley se amaldiçoou pela vigésima vez quando se pegou mais uma vez embasbacado e de boca aberta observando a ex-colega de classe, grande amiga e indiscutível rival de argumentos, Hermione Granger.

Recentemente isso vinha acontecendo com mais frequência que no passado, já que em sua mente ela era algo além desse mundo. Não pela beleza nem um pouco convencional de cabelos armados e indomáveis, pele bronzeada e o sorriso encantador e, hoje em dia, sem falhas. Nem pela inteligência fora do normal até em coisas que ela não deveria ter qualquer tipo de expertise. Ah, muito menos pelo gênio prepotente e arrogante de quem sabia demais das coisas de uma maneira sobre humana.

— Talvez seja um conjunto de todos esses fatores. — Murmurou para si mesmo quase como quem gritava eureka após a descoberta do século.

Não era mais segredo para ele que ela era o que ele mais queria no mundo. Seria um segredo que ele teria que manter até que se esquecesse de vez dessa sandice que estava consumindo sua cabeça e seu corpo há alguns anos — pelo menos desde que ele admitira para si mesmo que era dali que vinha o seu ciúme excessivo.

— Se você dissesse para ela, talvez você não ficasse se lamuriando e murmurando coisas para si mesmo. — Harry Potter, seu melhor amigo, disse após um longo gole do que poderia ser um long island ice tea pelo cheiro açucarado e alcoólico. Ron não conseguia entender como ele poderia tomar aquelas coisas tão doces como se fosse água.

— Porque obviamente ela está fora do alcance desse mero mortal. — Ele suspirou tomando um gole de sua cerveja. — Como eu poderia vencer ou perder se eu ainda a vejo todos os dias e nunca vou ser bom o bastante para ela?

— Dá uma reduzida nesse drama. — Harry disse pedindo mais uma rodada de ambas as bebidas. — Ela é incrível, mas também não é tudo isso.

— Você tem um péssimo gosto. — Ronald o repreendeu.

— Eu namoro a sua irmã. — Harry girou os olhos.

— Exatamente. — Ele murmurou para sua long neck observando o namorado irritante de Hermione estacionando o carro em uma vaga de carro definitivamente pequena demais para aquela monstruosidade de automóvel. — Eu me pergunto se ele está tentando compensar por algo.

— Que coisa horrível de se dizer. — Harry tentou prender uma risada enquanto observava a caminhonete gigantesca preta desistir da vaga e estacionar ao lado do velho Ford Anglia que os levara ali. — Ainda bem que voltaremos de táxi, porque ele bloqueou sua porta.

— É um filho da... — Se interrompeu quando viu que eles se aproximavam e apenas engoliu uma grande quantidade de sua cerveja. — Krum. Granger.

— Olá, Ronald. — Hermione retribuiu o aceno de cabeça enquanto Harry se levantava para abraça-la.

— Weasley. — Vitor disse em seu sotaque búlgaro, com seu tom de voz robusto e grosso como os músculos de seu corpo. — Potter.

— Bebe alguma coisa? — Ronald se esforçou para ser cordial, sustentando um sorriso falso.

— Não. — Ele murmurou naquele tom inexpressivo de quem parecia estar prestes a te arrancar os olhos a qualquer momento ou talvez contar alguma piada se houvesse alguma em seu repertório monótono de palavras. Nunca dava para saber. — Só vim deixar Hermionini.

— Ok. — Encolheu os ombros prendendo a língua antes que pudesse dizer algo desagradável como mais uma vez explicar para ele a pronúncia do nome da própria namorada ou insinuar como provavelmente ele só comia frango e batata doce e nenhum álcool para manter o físico de fuzileiro naval.

Vitor Krum não era fuzileiro, mas tinha vinte e três anos, três a mais que o nosso herói, além de também ter provavelmente a capacidade de matá-lo. E talvez ele o matasse mesmo se soubesse que todas as noites ele se via pensando em Hermione antes de dormir.

O casal se despediu com um beijo constrangedor que a deixou vermelha e que era claramente uma declaração de posse. Ronald não conseguiu evitar girar os olhos por um momento além do necessário, o que arrancou um sorriso petulante de Krum enquanto ele apertava o botão que desativava o alarme do carro.

— Por que ele ligou o alarme? — Ron murmurou quase que de maneira inaudível. — O cara passou três minutos aqui.

— O que disse, Ronald? — Hermione perguntou com um tom de genuína curiosidade.

— Além do que você ia beber, nada. — Fez uma careta, chamando o garçom. — Bebida de café da manhã certo? Bloody Mary com bastante Worcestershire sauce e Tabasco.

— Isso. — Ela o olhou surpresa. — Eu não sabia que você era tão observador.

— Sempre o tom de surpresa. — Murmurou, mas sorriu. "Observador" parecia bastante com um elogio. Harry riu tomando mais um gole de sua bebida altamente alcoólica e Ron apenas girou os olhos enquanto Hermione o encarava confusa.

— Perdi alguma coisa? — Ela perguntou sorridente.

— Não. — Ronald se apressou a dizer com o rosto em chamas. Tentou disfarçar o rubor crescente bebendo um gole da sua cerveja gelada. — Ao fim da noite serei a pessoa mais sóbria dessa mesa.

— Não sei se isso é verdade. — Hermione disse hesitante. Agradeceu a moça que trouxe sua bebida com um grande aipo ornamentando-a. — Acredito que terei que sair um pouco mais cedo essa noite, Vitor vai viajar amanhã cedo então ele vem me buscar antes do previsto, não quis chateá-los com a informação...

— Você sabe que você pode dividir o táxi com a gente, não é? — Ron exclamou exasperado e diminuiu o tom ao ver Harry pedindo calma com as mãos. — Você não precisa ir embora porque Vitor quer que você vá.

— Eu não vou porque ele quer que eu vá. — Ela cruzou os braços e se empertigou em sua cadeira.

— Então você pode ficar. — Ele também cruzou os braços desafiando-a com o olhar.

— Veja, ainda está cedo. — Hermione apontou para o próprio relógio. — Acho que podemos decidir isso mais tarde.

— Eu não entendo porque você sai com esse cara. — Murmurou contrariado.

— Você vai começar com isso novamente? — Ela reclamou arrebitando o nariz e mordendo a ponta do aipo.

— O cara não consegue manter uma conversa estimulante. — Ronald provocou fazendo uma careta que indicava o nível do QI do namorado de Hermione.

— Se você quer saber, nós não conversamos muito. — Hermione disfarçou o que parecia uma risadinha com a mão nos lábios.

— O que você... Ah... — Ele fez uma careta de nojo. — Sério?

— Pesado. — Harry observou.

— Vocês são pervertidos. — Ela girou os olhos. — Nós apenas assistimos a muitos filmes e ele... Gosta de me ver lendo.

— Cada um com seus fetiches. — Harry brincou levando um chute em cada perna. — Ok! Vou ao banheiro e depois preciso dar um telefonema. Tentem não se matar em minha ausência.

— Eu sei que eu sou civilizada. — Ela mostrou a língua para Ronald como uma adolescente e ele retribuiu da mesma forma.

Harry levantou-se da mesa e gesticulou em segredo para Ronald uma coisa como "vá em frente" ou algo encorajador o bastante. Weasley por sua vez já se sentia corado e levemente taquicardíaco apenas em pensar em falar alguma coisa.

Hermione tinha apenas tomado um copo de sua bebida favorita e isso significava "não mais sóbria" na escala Granger. Mais um daqueles significaria alcoolizada e um terceiro já era um nível embriagada. Se ele queria ser levado a sério tinha que ser antes da metade do segundo copo.

Apertou as mãos.

Não tinha saído de casa com aquela intenção, entretanto, o diabinho que ficava em seu ombro chamado Ginevra Weasley o alertou que se ele queria ter alguma chance, deveria ser antes de Granger e Krum se transformassem em algo mais sério.

— Algo errado? — Ela perguntou quando viu as primeiras gotas de suor frio surgir em sua testa, mesmo sendo uma noite relativamente fresca.

— Estou apenas com um dilema. — Balbuciou com a voz aguda. — Quer dizer, é, é um dilema.

— Posso te ajudar?

— Não exatamente. — Ronald sorriu amarelo enxugando a testa com as costas das mãos e tirando o casaco. — Está calor, não é?

— Na verdade não. — Hermione riu. — Você está estranho.

— Estou é? — Ele sorriu. — Você e o Krum, hm, não é nada sério, não é?

— Você está com isso na cabeça, hoje, né? — Ela riu, bebendo mais um gole de sua bebida. — Eu não sei, eu diria que não. Quer dizer, eu não vejo isso evoluir a um longo prazo.

— Por que? — Dessa vez ele estava genuinamente interessado.

— Porque você não consegue se comprometer inteiramente com uma pessoa quando nutre sentimentos por outra. — Ela murmurou um pouco corada, olhando para o próprio copo.

— Ah. — Ronald sorriu envergonhado. — Talvez você deveria contar para o outro sortudo.

Sentiu-se derrotado, já não era bom o suficiente para ela com a concorrência sendo Vítor Krum, imagina tendo que disputa-la com mais alguém. Ela estava completamente fora do alcance.

— Homens não são muito bons em captar dicas, você sabe. — Hermione encolheu os ombros. — Sem ofensas.

— Não me sinto ofendido. — Ele levantou as mãos rindo. — Eu mesmo tenho grandes dificuldades em compreender interações sociais.

— Deixe-me ajudá-lo com seu dilema. — Ela sorriu, mais uma vez comendo o seu aipo.

— A gente pode pedir umas batatas fritas, vai ser melhor que essa sua salada. — Ele implicou, tentando ignorar o que ela disse.

— Vamos, me conte. — Granger girou os olhos.

— Lá vai. — Ele começou de maneira desesperançosa. — Tem essa garota, de quem eu gosto há um tempo, e ela é uma extraterrestre, sabe? Algo extraordinário, fora desse mundo.

— E qual é o problema?

— O problema é que ela é completamente fora do meu nível. — Ele encolheu os ombros. Talvez ela realmente tivesse um conselho que ele poderia aplicar na relação com ela. Isso era trapaça de alguma forma? — Eu nunca serei bom o bastante para ela.

— Você tem que parar de se menosprezar. — Ralhou, dando-lhe um pequeno soco no braço. — Ronald, qualquer garota que ficar com você terá uma grande sorte.

— Você diz isso porque é minha amiga. — Ronald sentiu sua orelha queimar e mesmo assim seu sorriso se alargou.

— Eu digo a verdade. — Hermione o presenteou com um daqueles sorrisos perfeitos. — Você é leal, companheiro, divertido...

— Todas as qualidades facilmente encontradas em um filhote de cachorro. — Ele franziu o rosto.

— Inteligente, corajoso. — Ela o ignorou, olhando para o céu e meneando a cabeça. — E bem bonito.

— Você me acha bonito? — Ele gaguejou nervosamente olhando para os próprios dedos.

— Sim. — Ela olhou em volta, também de maneira nervosa. — Harry está demorando, não é mesmo?

— Ele deve estar no telefone com a Gina. — Ronald murmurou. — Não se desgrudam.

— Você e Lilá também tiveram essa fase. — Hermione girou os olhos.

— Vamos pensar em Lilá como um delírio coletivo que nunca aconteceu. — Ele fez uma careta, aquela era a última pessoa de quem queria falar quando ele e Hermione estavam se dando tão bem.

— Por que vocês terminaram mesmo?

— Ela tinha muitos ciúmes de você. — Ele confessou, fazendo-a se engasgar com a bebida.

— Sério? — Ela continuava tossindo.

— Sim. — Ron deu de ombros e com um rompante de coragem resolveu jogar verde. — Com toda a razão.

— Como assim? — Ela foi pega de surpresa com aquela fala inesperada, mais uma vez lhe faltou o ar e ela engasgou pela segunda vez.

— Vá com calma na bebida, sim? — Ele murmurou.

— Como assim ela tinha razão? — Hermione perguntou com os olhos arregalados e vermelhos por toda tosse. — Eu fiz alguma coisa para que ela tivesse ciúmes de mim?

— Não. Eu que fiz. — Ronald fechou os olhos antes de dizer. — Estando com uma queda nada saudável e que nunca vai embora por você.

— O quê? — Hermione engasgou pela terceira vez consecutiva e ele se levantou para estender os braços dela acima da cabeça.

— Você vai acabar morrendo dessa maneira. — Ron ralhou e estendeu a mão para uma garçonete. — Você traz um copo de água? Natural e em temperatura ambiente com um copo de gelo a parte.

— Sim, senhor.

Hermione o encarou admirada por ele saber até o modo complicado com o qual ela pedia água.

— Obrigada. — Murmurou, perplexa.

— Não são só os homens que tem dificuldades com as dicas. — Ele fez uma careta. — Olha, vamos esquecer o assunto, tá legal?

— Por que? — Ela colocou a mão no coração para se acalmar, tentando colocar sua respiração desregulada num ritmo normal.

— Porque já está sendo vergonhoso demais. — Ron murmurou aborrecido. — Não precisamos debater sobre minha falta de noção.

— Mas, Ron...

— Eu sei que obviamente eu não tenho a mínima chance, porque você é você e eu sou eu... — Ele apontou para si mesmo e começou a balbuciar nervosamente. — Então eu gostaria de manter a dignidade e, talvez, a amizade. Por isso, se pudermos apenas esquecer toda essa situação que envolveu engasgos e uma experiência de quase morte e você me der um ou dois anos afastado em algum lugar afastado como L.A, Sydney ou qualquer outro lugar praticante da língua inglesa para que eu possa me esquecer propriamente de todo esse lance de estar apaixonado, acho que vai ficar tudo bem.

— Apaixonado? Por mim?

— Você está tentando me destruir mesmo? — Ele fechou os olhos.

— Você precisaria de dois anos para me esquecer? — Ela mal podia acreditar no que estava acontecendo.

— Os últimos anos que passaram não fizeram muita diferença, ainda mais com você aqui. — Ronald confessou. — Enfim, você tem o Krum agora e talvez isso me ajude a superar.

— Foda-se o Krum. — Ela murmurou de uma forma concentrada que o deixou estarrecido. Não era de seu feitio proferir algo mais pesado que a palavra "porcaria". — Você está apaixonado por mim há anos e nunca me contou?

— E isso importa por quê? — Ronald semicerrou os olhos, desconfiado. Não importava o que fazia, o tom envergonhado não saía de seu rosto.

— E eu sou a garota de outro mundo que está fora do seu alcance?

— Minha nossa, mas você está fazendo questão de terminar de esmagar qualquer rastro de orgulho que possa ter testado em mim.

— Cale a boca. — Hermione murmurou e se levantou da mesa.

— Você sabe que não precisa ir embora. — Ele pediu também levantando-se. — A gente esquece que eu fui estúpido e...

— Você foi sim. — Ela o interrompeu, puxando-o pela camisa e ficando na ponta dos pés. Ronald a encarou com os olhos confusos e Hermione encostou os lábios nos dele. — Eu também estou a fim de você há anos, seu idiota. Agora me beije de verdade.

Ele continuou mirando seus olhos, não acreditando em suas palavras até vê-la sorrir. Meneando a cabeça, riu antes de se abaixar e a segurar pela cintura enquanto colava os lábios nos dela e a língua na dela.

— Você tinha razão, Gin. — Harry falou segurando o celular e observando toda a cena do bar. — Vinte minutos sozinhos bastou. Finalmente. E sim, eu te devo vinte libras.

Notas finais
McFly é vida ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!