Notas iniciais
Essas duas merecem mais histórias ♥

Max se remexeu inquieta durante o sono.

Pesadelos.

Desde que decidira salvar Chloe no lugar da cidade ela tinha pesadelos. Vez ou outra via Kate, Warren, até mesmo Victoria e seu bando. A mãe de Chloe. Seus professores. Seus amigos.

Todas essas pessoas estavam mortas por uma atitude egoísta dela, por não conseguir viver sem Chloe. O peso da culpa era demais para ela, queria arrumar formas de voltar e impedir tudo aquilo.

Ficar com a cidade e ficar com Chloe. Sem ninguém precisar morrer.

Chloe despertou de seu sono ao escutar os resmungos e suspiros sôfregos vindos da fotógrafa. Naqueles momentos ela pensa que deveria ter forçado Max a salvar a cidade, pois ela estava sofrendo.

Chloe sabia que Max era uma pessoa boa demais, ela sofria pelas vidas que tirou... Max não merecia aquilo.

Max era boa demais para Chloe.

A garota de cabelos azuis suspirou e tocou o ombro da outra levemente.

— Max, ei, Max. — sussurrou para não assustar a outra.

Mas Max arregalou os olhos e se sentou rapidamente. Chloe acompanhou seu movimento e a abraçou por trás. Trazendo Max para seu peito e a aninhou.

A fotógrafa tremia e a punk apenas ficou ali, mostrando que Max não estava sozinha que elas tinham uma a outra.

Chloe ouviu um suspiro e um engolir em seco, o choro silencioso de Max prosseguiu, e a garota de cabelos azuis a abraçou com mais força e distribuiu beijos, da têmpora, passando pela bochecha, deu um beijo de leve no pescoço e por fim, no ombro. Onde ela apoiou o queixo e ficou ali até Max respirar mais aliviada.

— Quer conversar sobre o pesadelo? — ela perguntou, notando que perdera totalmente o sono.

— Eu vi Warren. — Max disse — E Kate. Eles estavam dentro do colégio quando a tornado chegou. Eles foram esmagados, como se fossem nada.

— Não temos como saber onde eles estavam, Max... Apenas sabemos que eles morreram. Seu cérebro te trai a fantasia essas coisas. — Chloe respondeu.

A fotógrafa ficou quieta e se virou para ficar de frente para Chloe, que sentiu o coração pesar ao ver aqueles olhos inchados por causa das lágrimas.

Max apoiou a mão na bochecha de Chloe e se aproximou, tocando seus lábios, num pequeno selar. A punk não tentou tornar o beijo mais intenso e deixou que Max o conduzisse da forma que queria... Carinhoso e lento.

— Eu amo você, Maxine. — Chloe disse ao se separarem.

Max não respondeu, se levantou da cama e foi abrir a janela do pequeno quarto de hotel. Ela se debruçou no parapeito e ficou ali.

Chloe suspirou e voltou a se deitar.

Mas a noite de sono tinha acabado para as duas.

—x-

Pela manhã Chloe saiu do quarto par comprar algo para o café da manha delas.

Perto do hotel tinha uma padaria, ela comprou rosquinhas, dois cappuccinos e um maço de cigarros, fumou um enquanto voltava para o hotel.

Max estava no quarto, organizando as fotografias que tinha, Chloe deixou o café da manhã na cômoda e viu as fotos, era uma de Kate e Warren.

Chloe foi tomada por uma raiva súbita.

Ela não tinha pedido para Max salvá-la. Sua vida tinha sido uma droga, não se importava em morrer. Mas ver Max sofrendo era o pior castigo que ela poderia receber.

— Se você se arrepende tanto assim de ter “matado”Arcadia, ache um jeito de voltar no tempo e mudar sua decisão. — disse, sem tentar esconder a súbita irritação.

Mas que droga! Ela pensou, pois não estava irritada com a fotógrafa, estava irritada com as ironias da vida.

— Mesmo que tivesse uma forma de fazer isso, eu não faria! — Max respondeu ofendida.

— Eu vejo o arrependimento no seu olhar!

Max encarou Chloe, seu olhar um misto de mágoa e confusão. A garota de cabelo azul teve vontade de se socar, ao ver os olhos lacrimejados. Ela não deveria ter descontado sua infelicidade nela.

— Eu me arrependo sim. Me arrependo de não ter conseguido uma forma de salvar você e a cidade. — Max desabafou — Tem ideia do peso que as almas daquelas pessoas?

— Eu também sinto esse peso, Max. Afinal, graças ao sacrifício delas que estou viva. — Chloe respondeu abaixando o tom de voz.

Max suspirou, frustrada e apontou na direção da janela.

— Essa droga de cidade se parece muito com Arcadia. — ela disse e Chloe concordou, era uma cidade do interior então era parecida — Isso está acabado comigo, sinto que sou um ser que pode deixar um rastro de destruição em tudo que toca.

— Você não é uma vilã. — Chloe disse, tentando se aproximar da fotógrafa — É a minha Super Max. Meu anjo que me protege de tudo... — ela conseguiu acalmar a amiga e a abraçou — Se a cidade é o problema, vamos embora depois que comer alguma coisa, você tem se alimentado mal... – finalizou, um pouco preocupada.

Max assentiu e apoio a cabeça no ombro de Chloe que aninhou a fotógrafa em seus braços e depositou um beijo carinhoso na testa dela.

—x-

— O que acha de acamparmos, Super Max? — Chloe perguntou, seria ótimo para as duas uns tempos sozinhas, pois as aproximaria ainda mais.

Max sorriu e deu de ombros.

— Aonde sugere? — a fotografa perguntou.

— Não deve ser tão difícil encontrar uma área para camping.

E realmente não foi. Chloe dirigiu sua camionete para fora da rodovia, seguindo para deserto, e as garotas encontraram uma encosta de uma montanha rochosa.

Max fez um estudo rápido da região e mostrou o local ideal para armar a barraca (que elas tinham conseguido logo depois de sair de Arcadia). Chloe fez maior parte do trabalho na montagem, mas Max organizou os cobertores e sacos de dormir dentro da barraca.

Chloe deixou a camionete estacionada perto da barraca, assim as duas lá dentro, deitadas sobre os cobertores, conseguiam ouvir as musicas que tocavam na rádio.

A saída daquela cidade fez bem para elas. Max já estava com um astral diferente, voltando a ser a Max de sempre.

As duas estavam de mãos dadas, Max traçava linhas no braço de Chloe, seguindo o contorno da tatuagem e a garota de cabelo azul apenas apreciava o carinho.

— Eu gosto disso. — Max quebrou o silencio — Sentir você. Vi você morrer tantas vezes... Que tem dias que duvido que está realmente aqui.

— Nunca vou deixar você. — Chloe garantiu, e uma ruga de preocupação formou-se entre as sobrancelhas de Max.

— Não prometa coisas que não pode cumprir. — a fotógrafa repreendeu e saiu de seu abraço, se sentando para não encará-la.

— Qualquer coisa, você volta no tempo e me salva. – Chloe respondeu, seguindo o movimento da outra para não ficarem separadas.

Max suspirou, ela tinha usado seu poder apenas uma vez desde que saíram de Arcadia. E evitava ao máximo usá-lo de novo.

— Ei... — Chloe chamou — Não faça essa carinha — pediu ao ver Max mudar totalmente sua postura — Você disse que gosta de me sentir, não é?

Max assentiu, e Chloe pegou a mão dela que fazia carinho no braço e a direcionou ate seu peito, onde o coração batia um tanto acelerado, ela pressionou a mão de Max ali e a encarou.

— Está acelerado. — Max disse, sem desviar atenção dos olhos de Chloe.

— Ele fica assim quando você me toca. — Chloe respondeu, Max ruborizou levemente — Quer sentir mais?

Max assentiu.

Chloe segurou a mão dela e se aproximou, sorrindo travessa.

— Relaxe e deixe que eu faça tudo. — pediu para fotografa antes de beijá-la.

Delicadamente empurrou Max para trás, e em seguida já engatinhava por cima da fotógrafa para continuar o beijo.

Elas nunca tinham passado dos beijos.

Chloe várias veze reprimira seu desejo para não forçar algo, pois ela não entendia muito bem a relação delas. Mas depois daqueles dias, que viu Max tão frágil, tudo o que ela queria era tomar a garota em deus braços... Mostrar todo o carinho e prazer que Max merecia.

Chloe pressionou de leve seu quadril contra o Max, ouvindo um suspiro baixo da outra. Ela sentia a mão esquerda de Max em sua cintura, como se quisesse manter Chloe sobre ela, e a outra mão arrancou o gorro, deixando o cabelo curto azul livre.

Chloe interrompeu o beijo e atacou o queixo, bochecha e contorno da mandíbula com beijos estalados, enquanto descia sua mão para a barra da camiseta de Max.

— Eu sou a primeira que te toca assim? — perguntou, sussurrando no ouvido da outra- Eu sou a primeira que você sente dessa maneira? — enfatizou fazendo pressão mais uma vez entre seus corpos.

O gemido foi a resposta que ela esperava. Já suspeitava que Max era virgem, mas precisava tirar a prova disso.

— Eu vou ser carinhosa. — garantiu — Se não gostar de algo.. Só avisar que eu paro.

Max a agarrou pela gola da camiseta, forçando a encara-la.

— Eu confio em você. — disse, e Chloe sorriu ao ver o desejo explicito na voz.

— Minha Super Max... Apenas minha. — Chloe disse antes de tirar a camiseta de Max, e sorriu ao ver as sardas que se espalhavam pelos braços, clavícula e barriga — Você é linda.

Apreciou aquele corpo por alguns segundos, sentia vontade de explorar cada milímetro dele, então voltou a beijar Max, e ali elas souberam que nenhum fantasma do passado iria assombrá-las enquanto sentissem a presença uma da outra.

—-----------------------------

Imagem para quem quiser salvar ♥

Vídeo do processo de desenho aqui: ~clica

Notas finais
Digam o que acharam, vejam o vídeo de speed art do desenho de capa da história, e é isso!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!