Obsessividade Perturbadora
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu estava prestes a me mudar para o outro lado do mundo e sabia que poderia nunca mais ver a Mariana. Talvez eu estivesse sendo egoísta, afinal, meu pai estava precisando de tratamendo especializado em um outro país, não era brincadeira.
Após pensar muito no que minha mãe havia dito, voltei a realidade, a minha realidade.
- Jin, nós viajaremos amanhã, trate de despedir de seus amigos.
- disse minha mãe.Amanhã? — pensei.
Enquanto eu conversava com minha mãe sobre a situação, não percebera que Mariana estava ao lado, vendo e ouvindo tudo. Congelei. Ela estava pálida, assustada e sem reação.. queria me dizer algo mas eu não sabia o que era, mas era importante, eu conseguia sentir através de seu olhar profundo e honesto.
O que ela quer me dizer? — pensei- Eu preciso saber, nunca a tinha visto daquela maneira. Ela estaria preocupada com meu pai? O que será? Droga, isso está me matando.
- Mariana, você não precisava ouvir isso. — eu disse.
- M-mas, m-m-as..Ela tentava falar, mas ainda estava chocada demais.
- Vou levá-la pra casa mãe, te encontro mais tarde.
- Tudo bem, cuide dela. — ela respondeu preocupada.
No caminho me peguei questionando novamente, o que será que a deixara tão mal?
- Você está bem? — perguntei
Não houve resposta.
Chegando na casa dela, a levo para dentro e pergunto novamente se está bem. Novamente sem resposta. Saio pela porta da frente totalmente desorientado, aquela situação me abalava. Vê-la daquele jeito era horrível, principalmente as vésperas da minha viagem para Seoul.. como era possível? Aquilo não podia estar acontecendo.
No outro dia, enquanto me preparava para partir, o que eu mais esperava era o telefonema de Mariana, que não aconteceu.Porque ela me evitava? Não me atendia e nem ligava, eu praticamente conseguia ouví-la dizendo: "ME ESQUEÇA". Eu havia perdido tudo em uma fração de segundos, foi tudo muito rápido.. eu não conseguia aceitar tal situação.
Desesperado, fui até onde Mariana morava, bati na porta e ninguém atendeu, olhei pela janela e não conseguia ver nada, será que ela estaria aí? Talvez tivesse ido a algum lugar e já voltava, eu não sabia. Resolvi esperar, mas sem sucesso, ela não voltaria. Após algumas horas em frente a sua porta, me despedi do que parecia ser sua sombra, mas ela não estava ali, era só eu e meu coração despedaçado. Maldito seja o destino — pensei — e deixei que minha vida tomasse um rumo contrário ao da minha vontade.
Minha mãe me procurava desesperada, estava na hora de ir e eu continuava desaparecido, mal sabia ela que era essa minha real intenção.
Voltei a tempo. Eu estava dentro do avião, mas só meu corpo iria embora para Seoul, minha alma estava com a Mariana e eu queria que ela soubesse disso. Eu a desejava mais que tudo em minha vida, mas escondia isso porque tinha medo. Ela poderia me achar obcessivo demais e me abandonar assustada, poderia me achar um bobo e descartar meu amor como se fosse algo passageiro. Meus pensamentos pessimístas eram obstáculos que eu deveria ter enfrentado enquanto havia tempo, agora percebo isso.
- Chegamos. — disse o piloto.
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