Obsession

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Olá! Não esqueça de deixar seus comentários sobre o que estão achando da história e dos capítulos :3


– Eu sei, eu sei – Disse meio constrangido.
– Olha – Suspirei – Vamos esquecer isso e aproveitar o luau? Quero paz – Sorri.
– Claro – Sorriu e me deu um selinho.

Fomos em direção às mesas dos drinks porque “querer paz’’ é sinônimo de beber vodka.

Bom, espero que vocês tenham se divertido com o ponto de vista do Dylan porque eu não posso ao menos saber o que ele pensa! Então, para acabar com a graça de vocês voltamos para a narração da personagem principal, eu. É isso ai, não gostaram? Problema é de vocês.

Não sei o que foi que o Dylan disse para vocês, mas eu aposto que muita merda.

Desculpem-me mas eu tenho muito dificuldade em acreditar nas coisas que ele diz.

Às vezes eu penso que talvez a maior questão entre a gente seja meu medo incontrolável dele vacilar de novo, voltar para Britt ou então simplesmente acordar um dia e perceber que não é mais isso que ele quer. Essas coisas podem acontecer ainda mais porque já aconteceram antes, será que alguma coisa de fato mudou ou eu continuo me iludindo achando que podemos dar certo? Sim, meu drama e exagero são desnecessários. "Confia no seu taco, Clara!’’ aposto que é isso que vocês estão pensando, mas não me leve a mal, não é minha insegurança que me impede de confiar nele, e sim sua inconstância.

– Clara, o que você vai querer? – Ele tirou-me de meus devaneios.
– Ah, pode ser qualquer coisa com Bacardi – Dei de ombros.
– Ok!

Enquanto ele pedia as bebidas, não resisti a vontade de sentar em uma pedra enorme que estava um pouco afastada da festa. “ Lá vai a emo depressiva se isolar.”
Conforme eu me aproximava da tal pedra irresistível percebi que já havia alguém lá, como eu não estava usando meus óculos e muito menos minhas lentes fui caminhando devagar enquanto forçava a vista para ver quem era o espertinho que tinha pegado meu lugar.

– Tyler? – Disse meio incerta.
– Ah, oi. – Ele levantou a cabeça para me olhar.
– Tá tudo bem? – Perguntei preocupada.
– Sim, sim – Ele balançou a cabeça como se estivesse tentando afastar qualquer pensamento que o perturbava.
– Posso sentar com você? – Sorri. – Eu estava de olho nessa pedra antes hein! – Brinquei tentando quebrar o clima.

Além do mais a última lembrança que tenho dele é aquele momento de nós dois na porta do meu prédio e eu dizendo que não o queria, não que isso tenha mudado, mas eu sempre gostei dele como amigo, talvez nós devêssemos tentar ser amigos de novo, não?

Ele sorriu sem graça.
– Pode sentar ai – Levantou-se – Eu vou ralar.
Fiquei o encarando confusa.
– Ah, ok – Disse perdida. – Desculpa.
– Desculpa pelo que? – Virou-se sério.
– Também não sei, mas sinto que você ainda está chateado comigo ou por ter pegado seu lugar – Soltei uma risada fraca – ou por ter vacilado antes.

Processe-me se você discorda do meu senso de humor.

– Não tem porque de se desculpar – Continuou sério.

Vejo que temos uma plateia difícil aqui.

– Então tá bom – Suspirei e sentei finalmente na pedra que já não valia mais tanto a pena ter passado por aquela conversa.

Ele parou e ficou me encarando por alguns segundos.
– Você não ia ralar? – Disse impaciente.
– Eu...
– Ah, te achei! – Dylan apareceu com meu drink em sua mão. – E ai Tyler
– E aí – Ele disse desconfortável.
– Ah, eu atrapalhei a conversa? – Disse suspeito
– Não. Não cara, aproveita ai a festa com a sua garota, eu vou dar uma andada. – Bateu de leve em suas costas e foi embora.


“Sua garota.”

– Isso foi meio estranho – Dylan disse enquanto sentava-se do meu lado.
– Ah sei lá, ele tá meio esquisito – Disse colocando minha cabeça em seu ombro.
– Você tá bem? – Estranhou.
– To ué – Sorri sincera. – Por quê?
– Tá sendo carinhosa demais. O que você fez? – Brincou
– Que absurdo, não posso ser fofa com meu namorado? – Eu juro que quase vomitei ao falar isso.

Não foi um quase vômito porque eu não gosto dele, mas porque ainda não me acostumei com “namorado”.

– Clara, vamos para o hospital agora ou você quer esperar até mais tarde?
– Ai tá bom – Ri. – Então, vamos beber!
– Aí sim!

Começamos a beber muito e a dançar loucamente como se tivéssemos todo tempo do mundo, de repente o pessoal que antes estava sendo civilizado agora era um bando de animais se agarrando enquanto pulavam ao som das músicas eletrônicas. Algumas pessoas estavam vomitando, outras se pegando loucamente na areia, Daniel estava em cima de Crystal na canga enquanto os outros poucos que eu conhecia estavam conversando ao mesmo tempo em que choravam ou gritavam.

– Eu te amo porra! – Dylan que estava mais feliz que o normal gritou em meu ouvido
– Eu também! – Ri – Vamos se casar!
– Caralho, vamos! – Riu e me puxou para um beijo meio desajeitado.
– Eu vou pegar mais bebida pra gente! – Sorriu e novamente me deu um beijo.
– Vai lá gatão – Abri um sorriso maior que minha cara.

Assim que ele saiu desengonçado atrás de mais álcool, caí sentada na areia e comecei a rir feito uma idiota, talvez eu tenha passado dos limites, mas eu estava me divertindo tanto, acho que era a primeira vez eu me dava tão bem com o Dylan, sem discussões ou ciúmes bobos. Único problema é que de repente tudo começou a girar e aquela famosa dor de cabeça me atingiu com força fazendo-me colocar as mãos em meu rosto, estava tudo dormente.

Ferrou. Não, não ferrou. Fodeu mesmo.

– Você tá bem? – Escutei uma voz se dirigir a mim.
– Acho que não – Disse lentamente sentindo meu estômago embrulhar.
– Quer uma carona pra casa? – Novamente a voz se pronunciou.
– Quem é você? – Forcei a vista. Além de bêbada, estava cega.
– Tyler – Abaixou para ficar na mesma altura que eu.
– Acho que vou aceitar a sua ajuda sim – Disse segurando em seus ombros.
– Tudo bem – Ele deu um meio sorriso acolhedor. – Mas cadê o Dylan para cuidar de você?
– Ele tá tão mal quanto eu – Soltei uma risada abafada.

Ele apenas balançou a cabeça como se reprendesse a atitude dele e me ajudou a levantar.
– Quer que eu o avise que estou te levando pra casa?- Disse preocupado.
– Sim, sim, por favor – Disse meio enrolada.
– Tudo bem, fica calma.

Para ser sincera depois disso não me lembro de muita coisa, sei que entrei no carro e apaguei. Acho que estava deitada quando escutei uma gritaria vindo de outro cômodo da casa.

– Cadê ela? – Dylan gritou
– Calma cara, ela tá no quarto descansando.
– O que tu fez com ela? – Disse bravo
– Eu? – Riu sarcástico. – Você enche sua namorada de vodka e eu que faço algo contra ela?
– Para de falar merda cara até parece que eu a embebedei de propósito! — disse chateado – Estávamos bem, se divertindo ela só passou dos limites.
– Você devia tê-la controlado – Tyler disse sério enquanto sentava no sofá.
– Ter controlado ela? – Falou perplexo – Cara, eu não sou o dono dela pra ficar controlando o quanto que ela pode ou não beber, tá louco?
– Então pelo menos quando você vê que está está mal seja homem suficiente pra ficar do lado dela – Cruzou os braços.
– Cara – Disse impaciente. – Por que você ainda tá aqui?
– Porque ela pediu. – Deu de ombros.
– Ela pediu?
– Quando eu fui a deitar, ela pediu pra eu não ir embora...
– Que? – Dylan sentiu o sangue subir para cabeça. – Ok, eu vou perguntar só uma vez, o que você tem com ela?
– Como assim? – Disse confuso
– Qual a sua com ela? Tu gosta dela, é isso? – Disse irritado – Porque ultimamente todo mundo “gosta” dela, quer ficar com ela, então manda a real, você é a fim dela? – o encarou sério.
– Eu acho melhor ir embora – Desconversou.
– Não, agora você me responde.

Percebi que a situação estava saindo do controle, logo resolvi que era melhor dar as caras e lidar com o problema. Aliás, eu nunca tinha contado para Dylan que fiquei com o Tyler.

Talvez seja a hora de contar, er.

– Ei... – Disse enquanto saia do quarto. – O que tá acontecendo aqui?
– Ah Clara, você tá melhor? – Tyler mostrou-se ansioso.
– To, to – Confirmei. – Dylan, vem pro quarto – chamei-o.
– Mas... – Disse claramente ainda querendo discutir.
– Vem. – Falei séria.
– Ok, ok – Abaixou a cabeça e entrou para o quarto.
– Já volto. – Me dirigi a ele e fechei a porta.

Tirei o casaco com qual estava vestida, pois era do Tyler e aparentemente eu devo ter sentido frio, portanto ele como um bom cavaleiro me deu o dele.

– Aqui. – Entreguei o moletom – Obrigado por ter me trazido em casa e cuidado de mim enquanto o Dylan não estava aqui, mas acho melhor você ir – Sorri sem graça. – Eu vou tentar resolver as coisas, mas obrigada mesmo. – Dei um beijo em sua bochecha.
– Ah – Ele disse surpreso. – tem certeza?
– Tenho. – Disse firme.

Ele continuou parado como se quisesse falar alguma coisa, mas acabou desistindo e foi embora. Suspirei pesado tentando tomar coragem para enfrentar a reação de Dylan com toda aquela história.
Já estava extremamente tarde, mas meu sono já havia ido embora há muito tempo.

Entrei novamente em meu quarto e me deparei com ele sentado na beira da cama com as mãos na cabeça.
– Você tá bem? – Disse com cautela.
– To e você? – Disse ainda olhando para o chão.
– Eu to sim – Suspirei.
– Clara, eu não sei mais o que fazer – Falou cansado. – Eu sinto que toda vez que eu tento fazer a gente dar certo nós damos errado, sempre tem alguém ou alguma coisa que impede da gente sobreviver um dia sem brigar, eu não quero mais brigar, nós só estamos junto há um mês e essa merda ainda não estabilizou, entende? – Continuou falando. – Eu sei que na maioria das vezes a culpa foi minha da gente ter discutido, na verdade, a culpa é sempre é minha.
– Nem sempre...
– Me diz uma vez que nos desentendemos e a culpa foi sua? – Levantou a cabeça para me olhar.
– Cara, às vezes eu acabo descontando em você minha raiva, a culpa nem sempre é sua – Falei sentando-me ao seu lado. – Eu também tenho algo para te contar.
– O quê? – Avaliou minha expressão.
– Antes da gente se resolver e ficar junto... – Hesitei – Eu fiquei com o Tyler.

Ele apenas continuou em silêncio me encarando com um olhar inexpressivo.

– Fala alguma coisa! – Disse nervosa.
– Tudo bem. – Falou calmo. –Nós não estávamos juntos, né?
– É. – Disse incerta.
– Ok, você ainda sente alguma coisa por ele? – Perguntou sincero.
– Não – Disse séria.
– Então tá. – Bocejou. – Vamos dormir?

A minha cara de idiota devia estar sensacional, eu não tinha entendido nada do que tinha acabado de acontecer, eu estava esperando gritos, xingamentos e ele simplesmente diz
“ok”, não que isso seja ruim, ele foi racional e lógico.

Eu deveria estar feliz por ele ter compreendido e ter me poupado do drama e do show que ele sempre faz questão de criar, mas eu sou a Clara e se eu não criasse uma teoria de conspiração para explicar essa reação ‘’normal’’ dele, eu não seria a maluca que conversa com vocês.

– Vamos... — Concordei, mesmo que no fundo eu quisesse contrariar sua ideia.

Deitamos na cama, cada um virado para um lado, podíamos ter nos resolvido, quer dizer, acho que nos resolvemos né?

– Clara, acorda, a gente tem que estar no estúdio às 10h – Dylan me cutucou enquanto eu dormia.
– Oi? – Soltei um gemido em protesto.
– Você tem meia hora pra se arrumar – Disse calmo.

Levantei da cama com pressa.
– Meia hora? – Gritei – Como você me acorda faltando meia hora? Quem é que em santa consciência se arruma em meia hora?
– Ah – Ele soltou uma risada baixa – se vira.

Saí correndo para o banheiro e liguei o chuveiro, peguei o celular para ver se tinha alguma mensagem importante, Header tinha me ligado inúmeras vezes. Sinto que quando eu atender vou ser uma pessoa morta. Antes que eu mandasse uma mensagem a respondendo, o celular começou a tocar e era a própria atrás de mim.
– Oi! Desculpa não ter te atendido antes, acabou a bateria do celular enquanto eu estava no luau – Disse antes que ela começasse a gritar.
– Não perdoo não! – Gritou brava.

Tarde demais.

Sabendo que nossa conversa não ia acabar tão cedo coloquei no viva voz e entrei no chuveiro.
– Onde você tá? – Continuou – Tu tá mijando enquanto fala comigo? É isso mesmo?
– Olha os modos Header, primeiro que se eu tivesse fazendo xixi teria que ir ao médico pelo tamanho do jato saindo de dentro de mim – Brinquei – e segundo estou entrando no banho nesse exato momento já que estou super atrasada para a gravação.
– Vou ser breve então – Disse séria. – Peguei o Ryan de novo.
– Você o que? – Gritei tomando um susto e quase caindo dentro do box.
– É isso mesmo que você escutou!

– O que tá acontecendo aqui? – Dylan abriu a porta do banheiro e viu a cena.

Acho que estou destinada a ser sacaneada pela vida, eu juro que tento não pagar mico, mas acho que minha existência é o suficiente para ser humilhada.