Obsession
12 Capítulo 12
– Isso é jeito de me receber? – Brincou
– Ahm, foi mal, mas eu meio que não estava te esperando – Cocei a cabeça constrangida.
Alguém me diz o que Colton está fazendo na minha casa?
– É. Imaginei que você fosse ficar um pouco confusa – Deu de ombros – Mas, eu queria conversar...
– Conversar? – O encarei.
– Olha, – suspirou – eu sei que já te dei um milhão de motivos para não confiar em mim e talvez você realmente não devesse, mas juro que só quero conversar.
– Tá, mas quer conversar sobre o que? – Aquilo estava muito estranho.
– Colocar o papo em dia.
– Papo em dia?
– É.
– Ok. Entra. – Dei espaço para que ele entrasse
– Eu senti sua falta.
Viu só? Minha primeira teoria.
– Minha falta?
– É Clara, será que tem como você parar de repetir tudo que eu falo?
– Foi mal – Dei um meio sorriso.
– Mas sério, eu até sonhei com você esses dias...
– Sonhou? – Parei – Quer dizer, sério?
– Sim – riu
– Me poupe dos detalhes – Disse antes mesmo que ele os mencionasse.
– Ok – Riu – Pode deixar.
Soltei uma risada fraca e passei pelo balcão da cozinha indo preparar um café.
– Mas... E como andam as coisas com o Dylan?
Hesitei por um minuto.
– Hã? – fingi não entender – O que tem ele?
– Vocês não estavam meio que juntos?
– Nossa você realmente deve estar por fora de tudo, né? – Ri
– Aconteceu alguma coisa? – Disse perdido.
– Você não sabe, mesmo?
– Faço a mínima ideia – Deu de ombros – Vamos dizer que na reabilitação não nos deixam ler revista de fofocas sobre famosos, eles acham que pode atrapalhar nosso “desempenho’’ – riu.
– Ok – Sorri – Sente-se porque essa vai ser uma longa história – Ri trazendo as duas xícaras de café e sentando ao seu lado.
Após contar toda desgraçada ocorrida no ultimo ano, Colton me avaliava com um olhar preocupado.
– Eu sinto muito – Disse
– Você sente? – Perguntei curiosa.
– Digo, eu sei que eu também não ajudei tornar seu ano passado melhor – deu de ombros
– Ah sim, relaxa, já passou – Falei sincera.
– Se realmente passou, porque parece que você ainda remói muito isso?
– Parece que remôo? – O olhei divertida
– Sim. – Se aproximou segurando em minhas mãos – Sabe como eu sei disso?
– Como?
– Você mudou.
– Eu mudei?
– Mudou – Confirmou. – Quando eu te conheci você tinha um brilho nos olhos, era mais aberta a se decepcionar, você não se preocupava se o mundo desabasse ao seu redor porque sabia que no final, conseguiria fazer uma ótima piada com todo o desastre a sua volta. Essa foi a garota que me deixou louco, literalmente – Riu
– É, foi mal – Ri sentindo minha garganta fechar.
– Eu tenho que te agradecer, isso sim. Se não fosse por você, sabe se lá quantas garotas eu iria machucar, quantas eu iria decepcionar... Mas do fundo do meu coração, eu sinto muito que tive que te desapontar para aprender a deixar de ser babaca. – Passou a mão pelos meu cabelos.
A única coisa que consegui fazer foi abrir um pequeno sorriso e o abraçar, talvez eu estivesse de TPM, não sei, mas estava me sentindo extremamente frágil naquele momento.
– Eu precisava escutar isso, brigada – Suspirei, limpando uma lágrima que havia escapado
– Se precisar de mim, a qualquer momento, pode contar – Deu um beijo em minha bochecha – Tamo junto – riu
– Tamo junto – Soltei uma risada.
Assim que Colton foi embora, me encontrei encarando a porta fechada e pensando ‘’ Mas que porra acabou de acontecer? ”Antes mesmo que eu pudesse pensar em uma resposta meu telefone tocou.
– Alô?
– Oi Clara, é Crystal!
– Que Crystal? Não conheço nenhuma Crystal – Brinquei
– Há há muito engraçada
– Fala – Ri
– Então, acontece que vou dar uma segunda festa, meio que uma continuação dessa sabe?
– Cara, você pode fazer isso? – Disse confusa – Continuar uma festa no outro dia? – Ri
– Claro que pode! Bom, eu posso! – Riu – Então, amanha às 22h espero você aqui em casa para a continuação da melhor festa do ano. – Continuou rindo.
Dei uma olhada no relógio e já era 03h30 da manhã, isso explica sua voz de bêbada.
– Tudo bem, até amanhã! – Imitei sua animação.
– Tchau – Cantarolou.
Acordei as 7:00 da manhã, me xingando mentalmente por não ter ido dormir mais cedo na noite anterior. Aliás, talvez eu tenha esquecido de mencionar que eu não consegui o papel naquele seriado "Turn the lights off”, é, aparentemente eles queriam uma garota mais espontânea, sem comentários.
Portanto, estava me arrumando para outro teste em um seriado que nem me dei o trabalho de decorar o nome, já que era complicado e sem graça.
– Qual seu nome? – O cara careca, que também não me dei o trabalho de nomear, perguntou.
– Clara Delduque – Disse desanimada. Talvez isso sirva para o meu papel, já que minha personagem é gótica. Sim, gótica e rebelde.
– Quando estiver pronta... – Sua assistente, vamos chama-la de “loira falsa”, disse sorridente
“ Eu não entendo a vida, não entendo as pessoas que acordam todos os dias com um sorriso no rosto esperando encontrar seu amor perdido. Sabia que menos da metade das pessoas no mundo encontram sua “alma gêmea”? Isso é ridículo. Minha querida alma gêmea, aonde quer que você esteja, espero que se foda (...) ”
Ah sim, era um monólogo.
A loira falsa cochichava no ouvido do cara careca que fazia algumas anotações em seu caderno, assim que acabei ela abriu mais um sorriso, que era tão falso quanto a cor de seu cabelo, e disse que entrariam em contato em breve.
Como havia prometido a Header, assim que saí da audição fui para sua casa ajuda-la a escolher a roupa da festa.
– Hey love! – Abriu um sorriso ao me ver.
– E aí gata? — Ri
– Vamos logo nos arrumar porque não temos tempo a perder – Disse me puxando pelo braço até seu quarto.
– Cara, ainda tá cedo. – Soltei uma risada alta – Tipo, muito cedo mesmo para se arrumar.
– Não tem problema, porque vamos demorar uma eternidade até acharmos o vestido perfeito para eu usar – Deu de ombros.
E não é que ela estava certa? Quando finalmente ficamos prontas já eram 20h. Como o tempo passou tão rápido?
– Header, eu esqueci de perguntar – Disse enquanto ajeitava a maquiagem – você e o Ryan fizeram as pazes?
– Não quero falar sobre isso. – Disse grossa.
Parei no mesmo instante e vire-me para olhá-la.
– Ah cara... – Suspirei – Vocês não fizeram as pazes, né?
– Não exatamente... – Fitou o chão.
– Mas porque vocês brigaram afinal?
– Ele estava com ciúmes de um cara do trabalho...
– Do restaurante?
– Sim
– O Ted? Porque se for o Ted eu entendo completamente. Sinceramente, tinham que proibir caras gatos e sarados de serem garçons, isso atrapalha muito meu desempenho ou melhor, o desempenho das garçonetes. – Disse brincando.
– Nem fala... – Riu – O único problema é que o Ryan surtou quando viu uma foto minha com o Ted, tudo bem que nós éramos namorados na época da foto, mas hoje em dia não quer dizer nada.
– Olha, acho que se fosse eu no lugar dele também ficaria com um pouco de ciúmes – Dei de ombros
– Eu sei, por isso quando ele reclamou eu entendi completamente, até que alguns dias depois ele me aparece com a foto de uma puta no celular! – Disse nervosa
– Puta? Tipo puta mesmo ou uma garota que parece com uma puta? – Perguntei divertida
Fui acertada por um travesseiro.
– Animal. – Resmungou – Posso continuar?
– Pode – Sorri.
– Então, no momento em que vi a foto fui falar com ele e exigir explicações. Sabe o que ele me disse?
– O que?
– Que ela era prima dele! Prima! Acredita nisso?
– Eu não entendi – Disse confusa – Se ela era a prima dele qual o problema?
– Todo mundo sabe, isso chega a ser uma lei do mundo masculino, se existir uma prima gata eles devem, por honra, "dar uns pega".
– Você tá dizendo que o lerdo do Ryan deu “uns pega” na prima dele?
– Sim. – Bufou
– Ele te disse isso?
– Não exatamente...
– Header... – A olhei brava – O que ele disse?
– Que ela era uma prima distante, uma pessoa muito legal – Rolou os olhos
– E você não acredita nele por quê...?
– Porque eu aposto que ele já comeu ela!
– Você é doida. – Ri – Agora sério, se ele diz que nada rolou entre eles dois, você como uma boa e nem um pouco paranoica namorada deveria confiar em sua palavra.
– Tá.
– Tá?
– Chega. Eu não quero mais falar sobre isso – Disse emburrada.
– Você que sabe, mas aproveitando para mudar de assunto, eu tenho que te contar uma parada. – Disse séria.
– Parada? Que parada? O que você fez dessa vez Clara?
– Calma, não foi nada demais... – Ri sem graça.
– Foi com qual dos bofes?
– Ah, deixa eu ver aqui na minha lista – Disse sarcástica. – Enfim, eu peguei o Tyler, mas antes que você fale alguma coisa eu estava bêbada e não significou absolutamente nada.
– Tudo bem – Me avaliou – e a outra coisa?
– Que outra coisa?
– Você manda a notícia mais leve primeiro, porém sempre deixa a bomba pro final, o que aconteceu?
– Colton apareceu lá em casa dizendo que estava com saudades de mim.
– Sério? – Disse assustada – Ele tentou alguma coisa? Eu juro que se ele tiver encostado um dedo que seja em você, eu vou arrancar o pinto dele.
– Relaxa – Ri. – A gente só conversou, ele se desculpou e até que foi muito legal comigo.
– Ah não.
– Que?
– Você ainda sente alguma coisa por ele. – Afirmou
– Hã? Oi? Tá louca? – Ri – Óbvio que não
– Para Clara, para que tá até feio.
Fiquei em silêncio.
– Eu vou fingir que não sei de nada e não vamos nem falar sobre isso, ok? – Disse séria.
– Mas...
– Não, eu não vou deixar você ir por esse caminho de novo, então nem vem falar comigo sobre isso porque eu não quero saber.
– Nossa não precisava dessa grosseria toda – Disse enquanto refletia se ela tinha razão.
– Enfim, vamos para festa? – Me ignorou.
– Vamos. — Disse pensativa.
Entramos no táxi e a única coisa que passava pela minha cabeça era se Header tinha argumentos bons o suficiente para ter sido tão fria comigo, quer dizer, eu entendo que deve ser ruim ver uma amiga cometer o mesmo erro duas vezes e pensar em uma terceira, mas não é como se eu fosse sair correndo para os braços do Colton. Eu sei que em nosso relacionamento nos tivemos momentos desagradáveis, mas também tivemos momentos bons, sabe? Será que era tão errado querer reviver as coisas boas?
– Chegamos – O taxista disse enquanto estacionava perto do local da festa.
Não chegava a ser uma mansão, mas a casa de Crystal tinha no mínimo dois andares e ainda um jardim gigante na parte de trás. Nada mal.
– Nomes? – O segurança perguntou.
– Clara Delduque e acompanhante – Disse.
– Tudo bem.
A música estava alta e a iluminação variava de acordo com os cômodos da casa, logo que entramos Header me despachou para pegar alguns drinks, acho que não posso culpa-la por ter ligado o foda-se hoje, ela havia brigado com Ryan nas últimas vezes que o viu então todo esse drama era uma simples falta de...
– Oi Clara! – Crystal surpreendeu com um abraço.
– Oi! – A abracei de volta.
– Tá gostando da festa?
– Na verdade eu acabei de chegar – Disse envergonhada
– Ah entendi – Sorriu – Por que você não vai conversar com o Tyler? Ele tá ali. – Apontou para o bar.
– Tudo bem, vou lá então – Estranhei.
Caminhei até o bar, mas não com o objetivo de falar com Tyler e sim de tomar uma vodka tônica com limão.
– Um shot de tequila, por favor – É. Mudei de ideia.
– Tudo bem? – Tyler me deu um beijo na bochecha.
– Tranquilo, e aí? – Sorri.
– Bem, na verdade, melhor agora que você chegou – Disse galanteador.
Apenas ri e virei o shot.
– Então, eu andei pensando — Nunca um bom sinal. – em nós dois.
– O que tem a gente? – O olhei curiosa
– Você é uma garota especial – Sorriu enquanto colocava uma mexa de cabelo atrás de minha orelha.
– Você já bebeu quanto? – Ri.
– Não bebi nada. – Disse sério, mas sutil.
– Por quê? – Sorri.
– Eu queria estar completamente sóbrio para fazer isso.
Antes que eu pudesse o interromper, ele me puxou pela cintura e me beijou.
Droga.
De início eu correspondi o beijo, mas assim que meu cérebro registrou o que estava acontecendo me separei dele.
Pena que meus neurônios foram meio lerdos.
– Que foi?
– Nada. – Disse rígida. – Eu preciso tomar um ar – Fui para o jardim.
Assim que cheguei ao ar livre, resolvi sentar na grama e avaliar a situação. Ok, ele me beijou. Isso não é algo ruim, mas também não é algo bom já que eu não quero nada sério com ele. Eu não quero nada com ele. Bufei irritada e comecei a jogar pedras em um pequeno lago que tinha a minha frente. Por que Crystal tem um lago em casa? Eu prefiro nem saber.
Eu até procuraria Header agora, mas acredito que ela esteja afogando as lágrimas em álcool então melhor nem atrapalhar.
– Oi.
– Oi – Pensei em me tacar no rio. Será que era fundo o suficiente para me afogar?
– Posso sentar aqui?
Não. Não pode.
– Claro. – Soltei um leve suspiro.
– Tá tudo bem?
– Sim.
– Não, eu sei que não tá.
– Tá sim.
– Eu tô vendo que você não tá bem Clara – Disse com um tom suave.
– Será que eu ainda não deixei claro que não quero falar sobre isso, Dylan?
– Você deixou claro que não queria falar comigo – Deu de ombros
Ficamos em silêncio, juro que pensei em alguns foras épicos para dar só que estava completamente acabada emocionalmente, eu já estava de saco cheio.
– Foi mal. – Disse arrependida – Às vezes é muita coisa, muita bobeira com que eu me preocupo e acabo descontando nas pessoas.
– Acontece com todo mundo – Ele sorriu e segurou em uma das minhas mãos.
Ficamos em silencio novamente.
– Por que você sempre fica me olhando assim? – Disse percebendo que ele me observava.
– Porque acho engraçado como você nunca me olha de volta. Você nunca sustenta o olhar, desde quando eu te conheci, a única coisa que você fazia era me olhar por dois segundos e depois fingir que nada aconteceu.
– Eu achava que estava vendo o que queria ver. – Deitei na grama.
– Como assim? – Deitou ao meu lado.
– Eu sempre tive uma quedinha por você, daí quando você me olhava sem dizer nada eu achava que aquilo era coisa da minha cabeça, sei lá – Dei uma leve risada
– Não era. – Sorriu
– Bom saber que eu não estava tão paranoica assim – Ri.
Antes que o silêncio retornar-se pela terceira vez, escutei Header gritando meu nome que nem uma louca.
– O que houve? — Disse preocupada
– O Ryan não retorna minhas ligações! – Disse chorando.
– Calma, ele deve estar ocupado ou alguma coisa – A abracei.
– Não! Você não tá entendendo!
– Que foi então? – Disse confusa
– Ele foi pra casa ontem? – Disse fungando.
– Claro que... – Parei para pensar. – Eu não sei.
– Ai meu Deus! – Começou a chorar ainda mais.
– Header, não deve ser nada de mais.... – Meu celular começou a tocar.
Pedi para Dylan a acalmar enquanto saia de perto para atender a ligação.
– Alô?
– Sra.Clara?
– Sim, ela que fala.
– Estamos ligando para lhe informar que o Sr. Ryan sofreu um terrível acidente. Precisamos que a Sra. venha até aqui no hospital Santa Bárbara agora.
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