Tá, tudo bem, admito que meu surto foi um pouco desnecessário e sinceramente não me vem à mente uma desculpa boa suficiente para eu ter agido daquela maneira, então...

– Você deu um ataque de que? – Header me encarava incrédula.
– Um ataque de fã girl, sabe?
– Não
– Eu não esperava que ele ficasse tão próximo de mim, entende? Sem necessidade daquilo, ele ficou brincando com o fato de eu estar nervosa – bufei
– Até agora você não me deu nenhum argumento bom – Riu
– Tá, que seja – Rolei os olhos
– E porque você não vai mesmo na festa hoje à noite? – Disse, enquanto lixava as unhas.
– Depois do mico que eu passei na frente dele?
– Qual é o problema? Talvez seja até uma boa se desculpar – Deu de ombros
– Me desculpar? – olhei-a – Falando o que? Ah Dylan, desculpa pelo meu "piti’’ mais cedo, é que eu tenho uma paixão secreta por você e assim, sonho contigo todas as noites – Disse séria.
– Ah Clara, corta essa – Largou a lixa em cima da cama. – Você tá reclamando de barriga cheia!
– Barriga cheia? – Disse chocada – Tenta bater com a cabeça na parede e parecer normal depois, não dá!
– Ah Deus – Rolou os olhos e soltou uma risada fraca.
– Qual é a graça?
– Você
– Nossa, não sei porquê isso não me surpreende – Ri.
– Vamos lá, pensamento positivo, você vai bem gata nessa festa – Sorriu – Vai pegar o Colton de novo e talvez faça até ciúmes no Dylan, quem sabe? E se nada disso acontecer, você ainda vai estar em uma festa foda – Piscou
– É – Falei quase convencida – Odeio quando você faz isso
– Faço o que? – Disse se fazendo de desentendida.
– Me convence de algo que eu não quero – ri
– Talvez só esteja fazendo isso porque quero ficar de bobeira na sua casa, de novo, com o Ryan – Riu e mordeu os lábios.
– Interesseira! – Gritei e arremessei o travesseiro.
– Te amo! – riu
– Vai pro inferno! – Entrei no banheiro.

Saí do banho com uma toalha amarrada na cabeça e com roupas de ficar em casa.

– Mas você não ia para festa? – falou olhando para o teto.
– Vou – Suspirei – Só não sei qual roupa usar...
– Como assim? – Virou de bruços.
– Eu não sei se é o tipo de festa que você usa um daqueles vestidos colados e salto ou uma coisa mais... calça jeans e blusa.
– Como é que eu vou saber? — Riu — Você que tem que se acostumar com esses tipo de eventos agora.
– Obrigada, ajudou muito — Disse sarcástica.

Header abriu meu armário e começou a arrancar tudo de dentro

– Só pra deixar claro, você que vai arrumar isso – disse séria

– Pode deixar – Rolou os olhos

Depois de uns minutos revirando minhas roupas, ela jogou uma saia preta e um top cropped cinza em cima de mim, e disse:

– Usa com aquela sua unckle boot preta e tá tudo certo – Voltou a se deitar na minha cama.

Preciso arranjar um amiga menos folgada.


– Boa ideia – Sorri – Até que você serve para alguma coisa!
– Ahm, obrigada? – Disse em um tom divertido.

Arrumei-me e mandei uma mensagem para Tyler dizendo que ia à festa, tinha aproveitado mais cedo para pegar seu número com Daniel caso revolvesse ir.

’’ Então, eu vou hahaha, tem problema? ‘’
’’ Claro que não! Quanto mais gente melhor! Hahahahahahah Chega maaaais lindaa!’’

Vejo que alguém já está um pouco alterado.

’’ Tranquilo, to indo :) ‘’

Peguei um táxi que me deixou em frente a uma casa gigante. G-I-G-A-N-T-E, que tinha no mínimo quatro andares, dava até para escutar a música a quilômetros de distancia e os raios de luzes coloridas, que saiam pelas janelas, refletiam nas plantas do lado de fora. Subi os degraus e parei em frente à porta onde dois seguranças tinham um caderno com os nomes dos convidados.

– Nome, por favor?
– Clara Delduque – Disse, ainda em estado de choque
– Pode entrar – Abriu a porta.

O lugar parecia uma balada, como aquilo era possível? Havia um bar lotado de tudo quanto é tipo de bebida, tequila, whisky, vodka, cerveja, champanhe, sidra, vinho, tudo o que você pode imaginar. O DJ encontrava-se em um lugar alto da onde provavelmente dava para ver todo mundo da festa. Devia ter o que? Quatrocentas pessoas lá dentro? Difícil dizer. Fui em busca de alguém conhecido, apesar dos rostos de todos lá serem familiares, mas você entendeu o que quis dizer.

Depois de uma eternidade procurando Tyler ou quem quer que fosse, achei Daniel rodeado de mulheres e um coquetel na mão.

– Clara! – Gritou assim que me viu, espantando todas as outras garotas.
– Daniel! – Ri
– Que bom que veio – Disse, ainda gritando devido a musica.
– É – Dei um meio sorriso – Aliás, onde tá todo mundo? Quer dizer, esse lugar é gigante!
– Eu sei, Tyler dá as melhores festas e Dylan sempre fica encarregado de ajudar, eles devem estar dançando ou fazendo algo do tipo – Disse sem importância.
– Ah, entendi – concordei
– Como assim não tem nenhuma bebida na sua mão? – Riu – Vem, vamos pegar alguma coisa pra você!
– Tudo bem, se você insiste!

Fomos até o bar e pedi uma vodka tônica com limão. Fiquei conversando por um bom tempo com Daniel até Colton aparecer a minha frente, no meio do nada e me beijar. Dava para sentir o bafo de álcool misturado com bala de menta ao longe. Eca.

– Me solta – Tentei o empurrar
– Ei, ei – Daniel se direcionou a Colton – Solta ela
– Saí daqui, ela é minha garota – Disse embriagado.

Ai, que ótimo.

– Eu sou o que? – O encarei brava
– Cara, solta ela – Disse calmo – Você já bebeu demais, dá um tempo...
– O que está acontecendo? – Tyler apareceu junto com Dylan

Enquanto isso Colton insistia em passar as mãos em lugares inapropriados e a beijar meu pescoço.

– Sai! – Gritei o empurrando com força – Tá achando que eu sou sua puta para ficar passando a mão onde bem entender?

Todos me encararam. Que foi? Nunca viram uma garota se defender?

– Vamos Colton – Tyler o puxou – Já está na hora de você ir embora
– Vai se foder! – O empurrou de volta e veio até mim – Sim, eu acho que você é minha puta – riu

AH NÃO.

O puxei pelo pescoço e disse:

– Se eu sou sua puta, você é meu cachorrinho – E chutei suas partes intimas.

Os garotos em volta se contorceram por ele e logo o ajudaram a levantar. Eles o levaram para fora e a medida que Tyler tentava disfarçar o ocorrido, as pessoas voltavam a dançar fingindo que nada tinha acontecido.

– Você tá legal? – Dylan me encarou preocupado
– Aonde é o banheiro? – Disse, olhando para o chão
– Vem, eu te levo lá – Segurou em minhas mãos.
– Obrigada – Tentei sorrir


Caminhamos até o banheiro em silêncio e ele me deixou na porta. Entrei sem falar nada e encarei-me no espelho, minha maquiagem estava um pouco borrada e meu cabelo desajeitado. Arrumei-me e peguei dentro da bolsa um batom vermelho. Ninguém nunca me humilhou daquela forma e por mais que eu tenha tentado sair por cima, estava morrendo de vergonha.

– Ah, você ainda tá aqui – Tomei um leve susto ao sair do banheiro e ver Dylan encostado à parede.
– Sim... – Se aproximou
– Obrigada por... – Procurei a palavra certa. – se preocupar.
– Que isso – Sorriu – Qualquer coisa que precisar to aqui

Fiquei sem saber o que dizer por um momento, tudo bem, ele só está sendo fofo por eu ter quase sido estuprada, isso não quer dizer nada.

– Eu sei que sou nova aqui e tal – Disse, caminhando em direção ao corredor – Mas se você precisar de alguma coisa, também... – Hesitei – vou estar aqui.

Parei por um segundo para olhá-lo e notei que ele havia parado no meio do caminho.

– Tá tudo bem? – Disse insegura. Eu falei alguma coisa errada? Porque até onde eu sei só estava retribuindo a simpatia.
– Não, não – Sorriu – Só estava pensando...
– Em que? – O encarei suspeita.
– Em você.

Ele me observou atentamente, provavelmente esperando uma reação minha mas eu tinha congelado completamente. Deu um sorriso fraco e puxou-me pelas mãos, estávamos mais próximos do que o recomendado e eu sabia que não teria forças para sair dali tão cedo. Tenho que dizer, aquele corredor mal iluminado e a música lenta que tocava ao fundo não estavam ajudando nem um pouco. Suas costas estavam contra a parede e sua respiração acelerada, duvido que a minha estivesse diferente. Ele soltou uma das mãos para puxar-me pela cintura fazendo com que eu me apoiasse em seus ombros. Que merda está acontecendo? Eu podia sentir todo o meu corpo tremer de ansiedade e nervosismo ao mesmo tempo, mordi os lábios com força na intenção de aliviar a tensão, sendo que na verdade, apenas piorou a situação pois ele sorriu e fez o mesmo.

’’ DESGRAÇADO VOCÊ TEM NAMORADA, PARA COM ISSO’’

Hesitei em falar algo, mas ele passou os dedos pelo meu rosto fazendo com que logo esquecesse como respirar, isso não está dando certo.
Arrepiei-me da cabeça aos pés enquanto ele lentamente pressionava seu corpo ao meu, fazendo com que balançássemos de um lado para o outro. A gente estava... Dançando?
Não conseguia mais desviar meu olhar ao dele até que...

– Dylan?

Soltei-me rapidamente ao escutar a voz de Britt, merda.

– Oi amor, to aqui

Sai às pressas daquele maldito corredor e fui direto para o bar.

– Vai querer o que? – Barman me olhou sem muita paciência.
– O que você tiver de mais forte – Suspirei frustrada.
– Tem certeza?
– Tenho moço, por favor – O encarei.
– Tudo bem.

Passou uns 5 minutos e ele trouxe a bebida, dei um gole fazendo careta.

– O que é isso?
– Devil Springs, vodka – Riu – Teor alcoólico 80%
– Ótimo! – Brindei ao vento e fui para a pista de dança.

Comecei a dançar animadamente ao som de uma musica eletrônica qualquer, Crystal e Holland juntaram-se a mim e ficamos nós três dançando loucamente. Na verdade, elas não sabiam dançar só pulavam e gritavam mas ninguém estava sóbrio mesmo, qual era a diferença? Vi Dylan agarrado em Britt e me deu vontade de vomitar, não sei se isso tem a ver com a bebida ou o fato de ver eles dois juntos. Na quinta música, Crystal já havia se entrelaçado nos braços de Daniel e ambos dançavam juntos em meio de beijos e abraços desengonçados. Não demorou muito para que Holland acabasse nos braços de outro garoto também, portanto, como já estava cansada e sozinha, resolvi ir até o jardim onde tinha uma fonte de água colorida. Esse garoto é podre de rico, não é possível. Sentei no banco e fiquei observando as estrelas, já estava pronta para começar a filosofar e fazer uma retrospectiva da minha vida quando escutei chamarem meu nome.

Que foi agora?

– Que?
– Não fica chateada....
– Chateada? – O encarei – Dylan, eu não tenho motivos para estar chateada
– Sempre achei algo muito interessante sobre você...
– Hm... – Virei o rosto. Não estava a fim de escutar o que ele tinha para dizer, não agora.
– Pensei que não estivesse chateada – Sorriu, um pouco sem graça.
– Já acabou?
– Desculpa... – Suspirou – Sobre o que aconteceu no corredor...

Apenas o observei, ele estava claramente arrependido, dava para ver em seus olhos o sentimento de culpa que o corroía.

– Fui impulsivo, eu não estava pensando...
– Tudo bem. – O cortei na intenção de fazê-lo calar a boca. – Não aconteceu nada no corredor.
– Você é uma garota legal, bonita e tudo mais...
– Já entendi – Por favor, cala a boca.
– Mas eu amo a Britt e as coisas apenas saíram do controle
– Dylan, não precisa se explicar – Disse séria. – Não quero atrapalhar vocês dois –Disse com um sorriso fraco.
– Sem problemas mesmo? – Falou surpreso
– Sim, tá tudo bem – Sorri, por mais que fosse o sorriso mais falso que já havia dado.
– Obrigada, por entender – Me abraçou
– De nada – Continuei sorrindo – Vai lá com a sua garota agora – Ri. Falsamente, mas ri.

Assim que ele saiu do jardim peguei minhas coisas e fui embora, eu definitivamente não ia ficar naquela festa depois de tudo, não mesmo.

– Mensagem de Tyler -

’’ Já foi embora? "
’’ Sim... haha, super cansada! "
’’ ah, tudo bem Te vejo amanhã no set?’’
’’ Claro, aliás, ótima festa!’’
’’ Valeu! Até amanhã’’
’’Até!’’

Cheguei em casa às 4 da manhã e mesmo assim Header me obrigou a contar todos os detalhes de tudo que havia acontecido, apesar de não querer falar sobre o assunto não consegui resisti muito tempo e acabei falando tudo.

– Não acredito – Disse pasma
– É.
– Como você tá?
– Bem
– Bem?
– Não posso ficar mal
– Por que não? Ele foi completamente babaca!
– Mas eu sempre soube que ele tinha namorada, cara, esquece isso – rolei os olhos – Posso ir dormir agora?
– Tem certeza que você ta bem?
– Tenho – bufei
– Ok, boa noite – Disse ainda preocupada.
– Boa noite. – Fechei a porta e apaguei as luzes.


Segundo dia no set e já tinha a impressão que o diretor ia enfiar minha cabeça na parede, de novo.

– Clara, qual é o problema agora? – Disse irritado.
– Eu apenas não sei pronunciar essa palavra " MÁRH' ABA’’ – Disse enrolada fazendo todos rirem. – Viu?
– Fala de qualquer forma – bufou – Só faça parecer sério!
– Ok, ok

Depois da minha cena, Dylan e Holland entraram para fazer a deles... Em que eles se beijam, sim, eles são um casal na série ou pelo menos era para ser. Não, eu não to com inveja. Saí para tomar um copo d’água e escutei meu celular vibrar dentro do bolso.

– Oi?
– Clara?
– Sim... – Estranhei. — Quem é?
– Colton.