Obsession
22 Capítulo 22
Notas iniciais
— Dylan! – Taquei a toalha em seu rosto.
— Até parece que eu nunca vi isso ai antes – Disse rindo.
— Sai! – Falei nervosa
— Ih gente, to atrapalhando alguma coisa? – Header riu ao telefone.
— Não, o Dylan que tá! – Continuei gritando – Rala cara.
— Ok, ok... – Suspirou ainda rindo – Você sabe que tem agora uns 20 minutos só pra se arrumar, né?
— Sei, sei – Disse impaciente.
Ele fechou a porta e eu saí do banho, não deu nem muito tempo para me enxaguar. Peguei o celular e fui para o quarto.
— Continua! – Disse enquanto escolhia uma calcinha e sutiã decente.
— Cara, ele basicamente veio aqui em casa para “conversar” – Disse incerta – e acabamos relembrando os velhos tempos...
— Então, vocês vão voltar? – Perguntei curiosa.
— Não.
— Como não Header, tá louca? – Disse pulando para entrar no jeans.
— Não cara, foi só uma recaída. – Disse séria.
— Recaída? – Ri – Até parece, sei que você ainda é louca por ele.
— Nem sou.
— Para que tá feio. – Disse séria. – Olha, se você realmente não quiser voltar, super te apoio porque apoio o que te faz feliz, mas agora se isso ai for aquele famoso doce e orgulho, tenho que te mandar pro inferno!
— Foi só tu começar a namorar pra virar especialista no amor, né? – Brincou.
— Ai cala a boca, to tentando ajudar. – Rolei os olhos. – Bom, você que sabe, mas não seja burra.
— Não estou sendo. – Insistiu.
— Não, não, imagina – Resmunguei.
— Disse alguma coisa?
— Esquece. Eu tenho que ir gata, depois a gente se fala, ok?
— Ok, beijinhos.
Fui à sala de calça e sutiã, já que não conseguia achar minha blusa preferida.
— Opa! – Dylan brincou. – Isso é pra mim?
— Tá muito engraçadinho hoje, hein – O encarei.
— E você tá muito gostosa. – Piscou.
— Há quanto tempo tu não transa cara? – brinquei.
— Pergunte a si mesma. – Riu.
— Ué... – Parei alguns segundos para refletir e percebi que, de fato, fazia muito tempo. – Caraca.
— Pois é. – Assentiu com a cabeça.
— Isso é uma reclamação?
— Não, não... – Disse claramente mentindo.
— Acho que a gente passou tanto tempo brigando e discutindo que, sei lá, acabamos esquecendo da suposta parte boa de um relacionamento.
— Hm – pensei – Talvez você tenha razão. – Sorri maliciosa.
Ele se aproximou e me puxou para um beijo.
— Mas agora eu to atrasada – Ri, me desviando do seu beijo.
— Claro que agora você se preocupa com isso – Resmungou pegando as chaves do carro.
Achei a blusa jogada no chão da sala e mesmo estando amarrotada, coloquei-a e saí de casa.
Chegamos ao estúdio 30 minutos atrasados e saímos correndo que nem dois loucos pelo corredor, esperando que ninguém tivesse sentido nossa falta nesse meio tempo.
— Onde vocês estavam? – O diretor nos parou no meio do caminho.
— Ahm estávamos... – Dylan me olhou, esperando que eu o ajudasse a criar uma desculpa.
— Trânsito. – Disse impulsiva.
— Essa hora? – Ele nos encarou sério.
— Teve um acidente... – Comecei a criar uma tragédia horrível – duas pessoas morreram devido a uma batida do caminhão e – continuei a falar e fingir desespero.
O desesperou devia ser do meu medo de ser demitida.
— Clara...? – Dylan sussurrou baixinho, como quem quer dizer “ Cala a boca você só tá piorando tudo’’
— Não! – Gritei – Não vou superar, eles morreram de mãos dadas! – Sai correndo para meu camarim, enquanto o choro falso escorria pelo meu rosto.
É. Eu surtei.
Entrei no camarim bufante enquanto a maquiadora me encarava estranho.
— Tá tudo bem com você? – Perguntou preocupada.
— Sim... – Ri sem graça. – Coisas do dia a dia.
— Ok. – Estranhou, mas resolveu que seria melhor não pedir mais detalhes.
Após 5 horas de gravação, sim, 5 horas. Fomos liberados pela equipe de filmagem e enquanto caminhávamos em direção ao carro, chamei Dylan.
— Ei!
— Oi – Virou em minha direção enquanto falava ao celular – Só um minuto – Sussurrou.
De começo, nem liguei e mal prestei a atenção no que estavam falando, até que ele começou a aumentar o tom de voz.
“Não, não, já falei que não dá! Não me interessa se não tem outro horário, eu preciso dormir, tenho uma vida também... ”
Olhei-o preocupada sem entender muito bem o que se passava, realmente ele andava com os horários completamente malucos, ás vezes virava a noite dando entrevistas para revistas ou gravando cenas para séries em que participava como convidado especial, além de obviamente estar ajudando nosso diretor na gravação do filme.
“ Como assim não tem outro horário? Que?’’
Ficou em silêncio por um tempo, até que se rendeu a pessoa com quem falava.
“ Tá, tá, tá bom. ”
E desligou.
— Tá tudo bem? – Perguntei curiosa.
— Na verdade, não – Suspirou – Vou te dar uma carona, mas não vou poder ficar contigo hoje...
— Ah, tranquilo – Dei de ombros.
— Sinto muito – Disse claramente chateado.
— Relaxa, eu entendo perfeitamente. É seu trabalho.
Dylan me deixou em casa e seguiu seu caminho para a entrevista, que daria mais tarde. Fui direto ao meu quarto para tomar um banho e deitei na cama logo em seguida.
Sei que vocês devem estar com saudades dos meus monólogos e teorias, mas estou tentando não dar muita atenção, porque descobri que elas me deixam mais surtadas do que o normal.
“ Oh Clara, jura?” Shiu vocês.
Já estava quase pegando no sono, quando meu celular tocou.
— Alô? – Disse sonolenta.
— Oi Clara! – Uma voz animada respondeu.
Como já estava tarde não tinha parado para ler o decodificar de chamada.
— Quem é? – Falei enquanto bocejava
— É o Tyler, queria falar uma coisa contigo, tá podendo falar? – Disse claramente bêbado.
— Ah – De repente, fiquei mais atenta na conversa – pode falar.
— Então, sei que você está em um relacionamento sério agora e tudo mais – Suspirou – Talvez essa seja a pior hora para falar com você sobre isso, mas eu preciso de uma resposta.
— Tudo bem – Disse séria e com medo de qual seria a pergunta.
— Você sente algo por mim? Se você falar que não tem mais nenhum pingo de sentimento, te deixo em paz para sempre... – Hesitou por alguns segundos – Mas se tiver, mesmo que esteja confusa, me fala.
A resposta era simples, né? Não. Estou apaixonada pelo o Dylan, o amo.
Então porque eu não disse nada?
— Er... – Pensei. Por que estou pensando? – Você tá bêbado e eu tenho que acordar cedo amanhã, preciso dormir.
— Só me responde. – Disse quase implorando.
— Eu tenho que ir... – Disse já entrando em desespero. – Boa noite, durma com os anjos.
“Durma com os anjos” que?
Desliguei.
Não me pergunte o que aconteceu, não sei o que aconteceu, só sei que eu não poderia dizer para ele que meus sentimentos estavam cristalinos como um cristal porque eles, na verdade, estavam tão bagunçados quanto meu quarto.
“Ah Clara, você é uma puta!”
Gente, que isso. Primeiro sou feminista, então não me venha com essa de “puta” e segundo, a culpa não é minha se meus sentimentos são muitos inconstantes. Não deixei de gostar do Dylan, obviamente, mas também depois da noite do luau, comecei a me sentir de forma estranha em relação a Tyler, aliás, desde então já me peguei pensando mais nele do que é realmente recomendado.
— Clara qual o problema agora? – O diretor gritou comigo pela décima vez.
— Ah, a culpa é do Colton! – Menti. A verdade é que eu não estava conseguindo me concentrar direito.
— Minha?! – Disse indignado. – Em minha defesa, posso ser um filho da puta, mas sou um ótimo ator.
— Você tá me desconcentrando – Dei a primeira desculpa que veio a mente.
— É por que eu to sem camisa, né? – Disse malicioso.
— Hã?
Vi Dylan rolar os olhos.
— Não tem a ver com isso. – Continuei – Dá para gente dar uma pausa?
— E tenho escolha? — O diretor disse irritado. – Você tem 10 minutos para se recompor.
— Mal começou a estrear um filme e já tá dando show de estrelinha? – Colton provocou – Calma que você ainda não é tudo isso não.
— Ah, cala a boca que todo mundo sabe que você ainda me ama. – Disse irritada e saí andando.
Também não sei da onde tirei isso, mas pelo menos o deixei sem reação.
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