Obsession
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Levantei-me furiosa do sofá e fui direto para o camarim escutando Dylan pedir para esperá-lo, apenas o ignorei e segui em frente para porta onde estava escrito meu nome.
– Tá tudo bem querida? – A maquiadora me perguntou assustada.
– Na verdade não...
– Clara, abre a porta! Deixa eu falar com você – Dylan gritou
– Uh... Quer que eu invente alguma desculpa? – A moça me perguntou preocupada.
– Fala que eu to trocando de roupas ou qualquer coisa. – Murmurei.
– Sr. Dylan desculpa, mas a Sra. Clara está trocando de roupa no momento, você não pode entrar.
Escutei uma risada irônica atrás da porta.
– Nada que eu nunca tenha visto antes! – Ele não pensou duas vezes antes de abrir a porta com toda força e me encarar sério. – Nossa não sabia que você trocava de roupa tão rápido.
– Eu vou deixar vocês dois sozinhos – Ela disse sem graça enquanto se retirava do local.
– Que foi? – Suspirei.
– Bom, eu te pedi em namoro e você não me deu uma resposta.
– Você meio que podia ter me dado um aviso antes de resolver que era uma boa ideia fazer isso em rede nacional para milhões de pessoas assistirem. – Disse séria.
– Ah claro, um “aviso”. Clara, to pensando aqui em te pedir em namoro, só que é pra ser surpresa, né? Porque, aliás, eu não consigo parar de pensar em você e eu talvez te ame, mas o que você acha de eu fazer isso naquela sua entrevista? – Disse irritado.
Congelei por alguns minutos sem saber o que dizer. Eu também o amo, né? Eu acho que sim. Acho que ninguém começa um namoro com 100% de certeza que ama seu parceiro, né? Quer dizer, eu sofri muito por ele. Então, eu o amo. Certo?
– Dylan, eu não sei. – Falei sem pensar em algo melhor para dizer.
– Não sabe?
– Não.
– Como não sabe?
– Será que eu posso pensar sobre isso antes de te responder? – Falei incerta.
– Clara, é uma pergunta simples. Você quer namorar comigo? Sim ou não? – Disse claramente chateado.
– Eu não sei... – Disse mordendo os lábios. – Eu nunca namorei. Já me falaram que não sou o tipo de garota para namorar – Dei de ombros.
– Você me ama? – Se aproximou.
Amo? Amar é uma palavra muito forte...
– Amo. – Merda.
– Então, você não precisa de um tempo para pensar. – Segurou em minhas mãos e me deu um beijo na bochecha. – Bom, vamos voltar ao ar, te encontro lá. – Disse carinhosamente e saiu do camarim.
Clara. Clara Delduque. O que é que você está fazendo de sua vida? Você nunca namorou, suas maiores experiências de relacionamento sério foram com animais de estimação ou aquele do fundamental que durou, literalmente, um dia. E agora, você resolveu que seria uma ótima ideia namorar com o cara que te fez sofrer, te sacaneou inúmeras vezes, mas que no final das contas até que de vez em quando dá uma dentro.
Nem percebi que enquanto surtava dentro da minha cabeça, já estava sentada naquele maldito sofá esperando entrarmos ao ar novamente. Em 3...2...1!
– Voltamos América com o maior bafo que esse programa já se envolveu, o que será que nossa estrela irá responder para nosso galã que está se declarando ao vivo?
Tentei evitar rolar os olhos para toda babaquice de “Galã se declarando, ai coitadinho dele, seu coração está em jogo.” Ok. Talvez eu ainda não tenha superado todas as mancadas que ele deu. O que posso fazer? Sou rancorosa.
– Então Clara? – Dylan me encarou. Difícil dizer se ele realmente estava preocupado com a minha resposta ou se era tudo apenas atuação. Bom, se fosse isso, eu também sabia ser uma boa atriz.
– Claro meu amor! – Pulei em cima dele. Nem ferrando que eu iria sair mais uma vez como a vilã da história. – Eu aceito namorar com você, eu te amo! – O beijei.
A plateia começou a gritar e bater palma como se aquilo fosse um caso de amor tão profundo quanto o Jack e Rose em Titanic.
– Viu gente! Não é só nos filmes de Hollywood que finais felizes acontecem – Brincou Jake.
– É Jake. – Sorri tentando parecer o mais sincera possível – Finais felizes acontecem – Entrelacei minhas mãos com as de Dylan que parecia estar confuso e feliz ao mesmo tempo.
Depois de algumas outras perguntas inúteis sobre minha vida pessoal a entrevista finalmente acabou e eu pude seguir para o carro de Dylan, que tinha me oferecido carona para casa.
– Clara?
– Hm?
– Tá tudo bem entre a gente? – Disse olhando para o chão.
– Não tem porque não estar. – Dei de ombros
– Você realmente quer ser minha namorada ou só aceitou por estarmos na televisão? – Me parou no estacionamento.
– Eu quero. – Suspirei – Só to um pouco cansada dessa vida.
– Vida? Vida de famosa? – Riu
– Vida que tem gente se metendo nela – Ri cabisbaixa
– Ei – Puxou meu rosto gentilmente para cima – não fica assim, eu te amo e vai dar tudo certo, ok?
"Eu te amo’’ mas novamente, amar é uma palavra muito forte.
Entramos no carro e seguimos para minha casa.
– Quer subir? – Disse distraída.
– Você quer que eu suba? – Disse malicioso.
Não.
– Ah, você que sabe – Ri – Mas nem estava falando nesse sentido.
– Então não quero – Brincou. – Mentira. Quero sim.
Assim que cheguei em casa, coloquei minha bolsa em cima do sofá e tirei os sapatos e por um minuto esqueci que Dylan estava comigo e estávamos “namorando”.
As aspas no namorando é porque eu ainda não aceitei a ideia, não adianta.
– Então – Puxou-me pela cintura – Vamos dormir, amor?
– Nossa. – Disse involuntariamente.
– Nossa? – Disse confuso.
– Não me chama de amor, nunca, não, pelo amor de Deus – Disse rígida.
– Hm, ok. Quer que eu te chame de que? – Disse impaciente.
– Prazer, Clara – Sorri sarcástica e fui para o quarto.
– Porra Clara! – Gritou – Por que você tá sendo tão babaca?
– Eu não sei tá? – O encarei – Eu vou dormir e se você quiser vem junto, se não fica no sofá e boa noite. – fechei a porta.
Não pensei duas vezes antes de deitar na cama e me enrolar no cobertor. Estava exausta. Não estava a fim de discutir, não estava a fim de namorar, não estava a fim de viver. Acho que estou de tpm, talvez, foda-se. Boa noite.
Depois de alguns minutos, senti alguém deitar ao meu lado e apaguei.
Acordei com um feixe de sol em meu rosto que havia passado pela cortina. Virei-me para o olhar e percebi o quão bonito ele estava.
– Bom dia – Disse baixo.
Dylan se mexeu lentamente entre os lençóis e abriu um sorriso leve que por pouco fez meu coração parar.
– Bom dia – Respondeu. – Você tá melhor?
– To. – Disse um pouco sem graça pelo drama de ontem.
– Que bom – Passou os dedos em meu rosto.
– Desculpa por ter surtado... – Disse colocando minha mão sobre a dele
– Relaxa, eu não deveria ter forçado a barra. – Sorriu sincero – Sei que você só estava nervosa com a entrevista.
– Sim – Concordei enquanto levantava da cama. – Hoje começam as gravações do filme, né?
– É – Levantou enquanto se espreguiçava. – Quer carona para o estúdio?
– Claro. – Sorri
– Aqui Dylan, seu cappuccino! – Uma menina, que não deveria ter mais do que 20 anos, correu em nossa direção entregando-o o café.
– Brigada...- Hesitou – Desculpa, qual o seu nome mesmo?
– Amélia – Suas bochechas coraram.
– Prazer. – Sorriu simpático. – Essa é minha namorada, Clara e também a atriz principal – Me cutucou brincalhão.
– Oi – Ri – Prazer.
– O prazer é todo meu! – Disse animada – Você é muito bonita
– Ah, brigada – Disse tímida.
– É, eu dei muita sorte – Dylan beijou minha bochecha – Bom, eu vou ver as coisas com o Patrick sobre o roteiro, te vejo daqui a pouco – Despediu-se.
– Ele é um amor, né? – Disse a menina com os olhos brilhando.
– É... – Confirmei. – Por acaso você sabe onde fica o camarim?
– Claro, só me seguir.
Já estava pronta para gravar quando vi Dylan conversando seriamente com Colton que esboçava um sorriso irônico, o clima não parecia estar bom.
– Oi amor – Ouvi uma voz conhecida vindo atrás de mim e congelei.
– Oi linda – Colton respondeu.
Virei-me rezando para que minha audição estivesse muito errada e que tudo aquilo fosse apenas um mal entendido.
– Clara – Britt me cumprimentou.
– Britt – Hesitei. – Como vai?
– Eu estou ótima – Disse indo em direção a Colton e o beijando.
Que porra...?
– Ah, vocês estão juntos – Disse confusa.
– Claro fofa! – Britt riu.
– Você só pode tá de brincadeira – Dylan rolou os olhos impaciente. – Sério?
– Sério – Colton deu de ombros – Algum problema?
– Não, imagina. – Riu sarcástico.
– Não mesmo. – Disse séria. – Por que Dylan, você tem algum problema com eles juntos? – Disse com um tom um pouco ameaçador.
– Não... – Me encarou – Nenhum.
– Vamos gravar então? – Sorri falsa.
– Vamos! – Colton sorriu.
Vou guardar meu surto para mais tarde.
–------ Cena 1 ------
Jessica (Clara) : — Oi Amor – Sorri – Como foi o trabalho hoje?
David (Colton) : — Ah, você sabe, muitos relatórios e reuniões – Diz enquanto senta-se no sofá.
Jessica: — Sério? Então será que meu amor não gostaria de uma massagem?
Jessica levanta-se da mesa e abre o roupão mostrando sua camisola vermelha.
David: — Você sabe que eu nunca nego uma massagem. — Diz com um sorriso malicioso no rosto.
A puxa para o sofá e a beija intensamente.
–---- Fim da cena 1 -----
– Corta! Corta! – Dylan gritou nervoso e puxou Colton, que ainda insistia em me beijar, pela camisa. – Eu disse corta!
– Calma cara, é só atuação – Riu – Não precisa se sentir ameaçado.
– Ameaçado? Ah vai se foder! – Disse irritado – Porque eu estaria me sentindo ameaçado com um merda que nem você?
– Hm, vejamos, porque eu to pegando a sua ex e já peguei sua atual – Disse rindo.
Dylan balançou a cabeça negativamente como se estivesse tentando se convencer de algo, mas desistiu ao dar um soco em Colton.
Legal.
Britt apenas rolava aos olhos com toda a confusão e parecia estar pouco ligando para o que acontecia. Os câmeras e figurantes tentavam separar os dois que se xingavam aos montes ainda tentavam se bater.
– Ah, eu to muito velha pra isso – Disse suspirando. – Eu vou embora, não preciso desse drama também não – Resmunguei sozinha enquanto voltava para o camarim para pegar minhas coisas.
Peguei o primeiro táxi que apareceu e fui para casa. Não estava nem ai se eles iam arranjar outra atriz para me substituir, que seja. Eles pareciam duas crianças idiotas brigando, um provocando o outro e quer saber? Por que ele ficou tão incomodado com o fato dos dois estarem namorando? E dai se Britt e Colton viraram um casal? Eu não ligo. Por que ele liga? A última coisa que eu preciso é ela de volta na minha vida e o Dylan a querendo novamente.
Cheguei em casa e deparei-me com Ryan sentando na bancada da cozinha.
– Que susto! – Disse confusa – O que você tá fazendo aqui?
– Eu preciso de ajuda – Disse apreensivo
– O que você fez? – Falei preocupada.
– Eu nunca devia ter terminado com a Header.
O que deu nas pessoas que resolveram voltar de repente para minha vida? Até parece que tudo esta voltando a ser como era antes. As coisas não podem voltar a ser como antes.
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