Entrega

Scabior finalmente se levantou da cadeira, dando passagem para que Hermione fizesse o mesmo. Ela pegou sua blusa e sua bolsa de cima da mesa e se levantou da cadeira, olhando para trás e percebendo que o copo do snatcher, que antes era preenchido com Uísque de Fogo, estava vazio.

Ela o seguiu, sua cabeça trabalhando rapidamente e tentando achar uma resposta sensata para o que ela se perguntava a todo o momento. Por que ela havia aceitado o convite dele? Ela se arrependera no mesmo segundo, e mesmo assim já saía do bar e andava pelas ruas da Travessa do Tranco, ao lado dele.

Scabior não dizia nada, seu corpo estava formigando com a sensação de ter beijado tal garota e de estar seguindo seus planos fielmente, obtendo sucesso com isso. Ele sorriu, mas ela não viu o gesto dele dessa vez, ela parecia pensar em algo, mas ele não tentou descobrir o que era.

Hermione puxava o casaco para mais próximo do corpo, como se com esse gesto ela conseguisse preservar sua identidade dos outros bruxos que passavam por perto, mas as pessoas que perambulavam pelas ruas sujas não estavam muito atentas ao que se passava a sua volta, e ela agradeceu mentalmente a Merlin por isso.

Depois de pensar incansavelmente durante o trajeto, ela chegou à conclusão de que o que estava fazendo era o mais correto — precisavaconversar com ele. Ela ainda não havia conseguido nada que estava planejando desde que decidira extorquir algo dele, e aquela poderia ser a oportunidade perfeita, um lugar mais calmo.

Ela tentava se convencer disso.

Scabior virou em uma rua, chegando a um beco ligeiramente ermo e escuro, e ela pôde fitar um prédio de muitos andares. Seus olhos castanhos correram rapidamente pelo edifício e ela concluiu que o prédio era um hotel bruxo, surpreendendo-se de que a Travessa do Tranco pudesse ter tal coisa.

Ele se dirigiu à porta maior e entrou no hotel, sendo seguido por ela. Ela correu os olhos rapidamente pelo saguão, percebendo que ela era a bruxa mais bem arrumada e limpa presente ali. Ela começou a ficar receosa por estar em um lugar como aquele, e pensou pela primeira vez em voltar para o Beco Diagonal, ou para seu apartamento, que era totalmente seguro, ao contrário de onde estava.

Ele passou diretamente pela recepção do hotel e entrou em um elevador parecido com o do Ministério, se não fosse pelas grades enferrujadas e pela velocidade dez vezes mais lenta. Ele não falou nada durante o trajeto, e Hermione estava ficando nervosa com aquilo. Não sabia se tal atitude poderia ser interpretada como algo bom ou ruim.

O elevador estacou e ela quase se desequilibrou, mas ele não pareceu ter notado a parada brusca. As grades enferrujadas se abriram, fazendo um barulho anormal e revelando um andar com inúmeras portas puídas. Felizmente este estava vazio.

Scabior enfiou a mão no bolso e pegou uma chave grande e dourada, seguindo pelo lado esquerdo do corredor e parando em uma porta específica, ao fundo. Hermione engoliu em seco quando o snatcher girou a maçaneta e entrou no quarto. Não teve alternativa senão segui-lo.

A porta se fechou e os olhos castanhos correram livremente pelo aposento. Não era um quarto pequeno; de onde estava, ela podia ver um sofá escuro e uma mesinha pequena de centro, que estava abarrotada de pergaminhos e copos vazios. Havia uma lareira acesa, mas a madeira era escassa, o que deixava o lugar mais escuro do que o normal. Em cima da lareira, ela pôde ver uma placa enferrujada.

"Proibido o uso de Pó de Flu. Lareira interceptada por meio de magia."

Havia uma porta encostada no fundo do aposento, e ela concluiu que deveria ser o quarto. Depois de dois minutos analisando tudo, percebeu que aquele não era um quarto qualquer, mas o local onde ele morava.

Havia algumas roupas jogadas de forma displicente em alguns móveis baratos. O cheiro dele estava impregnado em cada canto daquele lugar. Ela respirou fundo e percebeu que não era uma boa ideia ficar onde estava. Ela se virou a fim de sair dali o mais rápido possível, mas Scabior apenas a olhou enquanto trancava o quarto e acenava com a varinha. A chave sumiu no mesmo instante, como se nunca tivesse existido. Hermione travou o maxilar.

Ele sorriu. O mesmo sorriso malicioso que dava quando percebia que ela estava sem alternativas e ele estava comandando a situação. Isso fez com que a raiva dela começasse a aflorar, mas o snatcher não deu atenção a isso, passando diretamente por ela e retirando o casaco pesado do corpo, jogando-o em uma cadeira baixa que estava no canto esquerdo da lareira.

Por mais que ela tentasse, ela não conseguia tirar os olhos de cada movimento dele. Ela parecia hipnotizada. Ele estava vestindo uma blusa preta e surrada, e de tecido grosseiro. A calça era da mesma cor, mas parecia de couro. Porém, o que chamou a atenção de Hermione foi o lenço que estava amarrado no braço dele. Ela sabia que todos os snatchers usavam tal adereço na época da guerra, mas naturalmente nenhum sustentava mais o costume.

Ela ficou olhando para o lenço por alguns momentos, e depois percebeu que ele não era de tecido vermelho, símbolo dos snatchers. Era o seu lenço que estava amarrado ao braço dele, o lenço que ele havia roubado cinco anos atrás, e que a denunciara de forma idiota. Hermione se perguntou o porquê dele usá-lo daquela forma, mas não colocou seus pensamentos em voz alta. Não conseguiu, ele a cortou.

- Aceita uma bebida?

Ela negou rapidamente com a cabeça e ele sorriu. A garota nunca iria confiar nele, e ele sabia que seria mais fácil ele ser o dono da Varinha das Varinhas do que ela aceitar uma bebida preparada em seu quarto. Ele se sentou no sofá de forma relaxada, e ela finalmente saiu de seus devaneios e lembrou-se do motivo de estar ali. Ela precisava conseguir algo dele.

- Pode me dar nomes?

Perguntou de forma direta, já sabendo que esse era o jeito certo de iniciar uma conversa com ele. Ele coçou a garganta, imitando uma pessoa que está pensando profundamente em algo, mas Scabior apenas a olhou novamente e sorriu, não respondendo nada. E ela sabia que a resposta seria negativa. Aproximou-se com cautela e se sentou ao lado dele no sofá, porém em uma distância segura.

- Se me passar alguns nomes, posso adiar sua ida a Azkaban.

Um blefe. Já era a segunda vez que Hermione o ameaçava de forma indireta, mas ela sabia que o homem era mais esperto do que aparentava ser. Scabior desabotoou um pouco a blusa que usava e cruzou os braços atrás da cabeça. Ela percebeu que ela estava de boca aberta segundos mais tarde.

Ele sorriu incrédulo, mas não a respondeu. Ela estava começando a ficar inquieta com a falta de respostas dele. Ele sabia que ela não tinha provas nem motivos para mandá-lo para Azkaban, mas isso não anulava o fato dela ter seus meios para fazê-lo. Ele a temia, não pelo fato dela ser do Ministério e ter um cargo superior, mas pelo fato dela ser inteligente e ter um ódio particular por ele.

Isso fez Scabior se lembrar do propósito de levá-la para seu quarto.

Endireitou-se no sofá e olhou para ela, aproximando-se. Ela recuou o corpo instintivamente, apoiando-se no encosto duro do sofá. Mas ele não a tocou, apenas permaneceu ao seu lado.

Hermione prendeu a respiração, percebendo de imediato a situação sem saída em que havia se enfiado. Ela estava em um quarto, presa, com um homem que antes tentara estuprá-la, e que tinha um controle estranho sobre ela. A situação não era nada boa, comparada à que ela traçara antes de sair do trabalho.

Scabior percebeu que ela estava nervosa.

- Você prendeu muitos homens meus.

Ele disse a ela, quebrando o silêncio inquietante que havia pesado no lugar. Ela sentiu alívio ao escutar a voz dele. Estranhamente, o preferia falando a olhando de forma faminta. Infelizmente o que ele lhe disse em seguida não a deixou tranquila.

- Acho que é você que terá que me recompensar de alguma forma.

Ele estava sério, mas sorriu ao perceber a raiva que ela emanava. Hermione não conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Olhou ironicamente para ele e tentou se levantar, ia sair daquele quarto de qualquer maneira, nem que tivesse que explodir a parede. Mas ele a impediu novamente com o braço.

A atitude dela incomodou Scabior, ele nunca tinha visto a bruxa olhá-lo daquela forma. Sem pensar duas vezes, ele terminou com a distância entre eles e a beijou de forma mais violenta. Estava com raiva, e teria que descontar a raiva em alguém. Teria que descontar a raiva nela.

Hermione se surpreendeu quando o snatcher a beijou novamente. Não entendeu o motivo daquilo, e sabia que as circunstâncias eram totalmente diferentes agora. Estavam sós, e em um lugar onde apenas ele tinha acesso livre. Os lábios se entreabriram de forma automática e a língua dele invadiu sua boca pela segunda vez só naquela noite, e ela gemeu ao sentir o calor que ele emanava.

Odiava sentir-se assim, odiava quando sentia prazer ao encontrar a boca dele. Odiava-se por gostar tanto do beijo daquele homem imundo e ruim.

Parte dela queria estar ali, mas a sua parte mais sensata lhe pedia para se afastar a todo momento. Ela tentou se desvencilhar, mexendo-se de forma inquieta no sofá. Ele percebeu o que ela pretendia e jogou o peso do seu corpo em cima dela, prensando-a no sofá. Ele pôde sentir o contorno suave do corpo dela ao seu.

Hermione ainda tentava sair da situação, e cada vez que se mexia, sentia o corpo dele prensando-a com mais determinação, sentia a excitação evidente do homem prensar-lhe a barriga.

- Fique quieta.

Scabior murmurou dentro da boca dela. A garota se mexendo estava deixando-o excitado de uma forma incomum. Ele levantou a blusa dela o suficiente para enfiar as mãos por dentro do tecido e sentir a pele sedosa dela deslizar pela palma. Ele apertou a cintura delicada.

Hermione sentiu as mãos quentes e ásperas dele lhe apertar a cintura e fechou os olhos com mais força. O coração começou a bater de forma rápida e ela já sabia o motivo. Ela se lembrara de como ele manuseou suas mãos há cinco anos. Sentir as mãos dele novamente em seu corpo desencadeou uma carreira de pensamentos que ela tentara evitar a todo custo por anos. O pensamento do que ele havia feito a ela, e oprazerque ele havia proporcionado a ela.

Ela gemeu dentro da boca do snatcher e finalmente parou de se mexer, cedendo ao beijo completamente. Sabia que seria inútil relembrar o passado, e sabia que se continuasse fazendo tal coisa, seria pior. Ela não iria ficar com raiva dele, apenas ansiar para que ele fizesse o mesmo que havia feito.

Scabior percebeu que ela relaxou por completo e se excitou com isso. Ela estava entregue, ela finalmente havia cedido ao desejo.

A deitou completamente no sofá, os lábios ainda estavam grudados aos dela quando as mãos masculinas desabotoaram os pequenos botões da blusa social dela, expondo a roupa íntima preta e rendada. Ele salivou e parou o beijo para fitar o que havia descoberto, passando o dedo suavemente pelo contorno que os seios faziam.

Os olhos azuis escuros estavam quase negros, e Hermione não sabia se era devido à escuridão do lugar ou ao desejo que ele estava sentindo. Ele retirou as botas dela e puxou a calça com rapidez, sem se preocupar se isso lhe causaria algum tipo de desconforto.

Ela abriu as pernas em um gesto automático e ele se encaixou ali, ainda vestido. A excitação pressionava a parte sensível dela e isso estava colocando-a a beira da loucura. Queria senti-lo por completo, estava cansada de mentir para si mesma. Ela o desejava, sempre desejou; ele tinha um poder sobre ela que era inexplicável, e que estava deixando-a irresponsável naquele momento.

Scabior a beijou novamente, seus pensamentos girando em torno do seu plano e de como ela conseguia excitá-lo. Sabia que desejava de forma anormal o corpo daquela bruxa porque não havia o tomado completamente há cinco anos, e se dependesse dele, terminaria naquele momento o que havia começado há tanto tempo.

As mãos femininas correram pelo peito viril de forma contida, procurando os botões da blusa. Scabior não esperou a garota achá-los, abriu a blusa ele mesmo, jogando-a no chão de qualquer jeito. Hermione fitou pela primeira vez o físico dele. Ele não era forte como Krum, mas o peito era delineado, as linhas ao lado do quadril chamaram sua atenção e ela percorreu com os dedos ali. Ele fechou os olhos, a sentia acariciá-lo de forma perigosa, e sabia que ela estava fazendo mais por curiosidade do que por provocação.

Ele deitou-se novamente em cima dela, fazendo Hermione sentir o corpo quente dele ao seu. As mãos dela foram em direção à calça dele e os dedos fizeram o trabalho de desabotoá-la, no mesmo momento que ela sentia o sutiã deixar seu corpo. Os lábios de Scabior começaram a provar de forma sedutora o corpo dela, sentindo o gosto adocicado que a pele dela possuía, deixando um rastro quente por onde passavam. Ela fechou os olhos quando a boca dele envolveu seu mamilo, sugando-o lentamente.

As mãos dela correram pelas costas dele, sentindo algumas cicatrizes que ele possuía naquela parte do corpo, ela fincou as unhas grandes ali quando sentiu Scabior morder seu seio. Ele soltou uma risada fraca e abafada, se afastando e ficando de frente para ela. Os olhos castanhos de Hermione não conseguiam deixar o homem enquanto ele retirava o restante das roupas. Ele a olhou intensamente quando suas mãos foram em direção a ultima peça de roupa que ela vestia, descendo-a pelo corpo jovem.

Ela não conseguia acreditar que estava fazendo aquilo, e se surpreendeu quando sentiu sua roupa íntima lhe deixar e seu sexo palpitar, pedindo por ele. Pelo homem que ela odiava, pelo homem que ela queria mandar para Azkaban, pelo homem que iria tomá-la naquele mesmo momento.

Scabior olhou para ela novamente, no mesmo momento que direcionava seu membro na entrada dela e a penetrava. Os olhos azuis do snatcher fecharam-se momentaneamente com o prazer. Ela gemeu ao senti-lo invadir seu corpo pela primeira vez, e quando ele abriu os olhos, ela percebeu que ele sabia que estava no comando, e que ela era dele no momento.

Completamente dele.

Scabior pegou-a no colo com facilidade sem deixá-la. Hermione sentia o membro duro dele dentro de si e estava impaciente por mais enquanto ele caminhava para o quarto, deitando-a na cama de qualquer forma, cobrindo o seu corpo com o dele.

Ele afastou o quadril e estocou com mais força. Ela envolveu suas pernas na cintura dele e o puxou de encontro ao seu corpo, tentando senti-lo mais. Ele percebeu o que ela queria e estocou com mais violência. Ela gemeu e o snatcher jogou totalmente o seu peso nela, enfiando o nariz na curva do pescoço da garota, sentindo o cheiro de baunilha que tanto o inebriava no mesmo momento que a penetrava sem pudor.

Era o paraíso.

As mãos trêmulas dela correram pelo corpo dele, subindo pelas costas e abraçando o pescoço dele, sentindo a textura dos fios compridos, amarrados a uma trança, do mesmo jeito que era há cinco anos. Suas pernas ainda o prendiam, como se ela estivesse com medo de que ele a deixasse. Não queria de forma alguma aquilo, queria senti-lo de todas as maneiras.

Ele não estava com planos de deixá-la, o prazer que estava sentindo ao finalmente invadir e provar o corpo quente dela era impossível de ignorar. As estocadas começaram a ficar mais profundas à medida que os dois corpos pediam por mais prazer. Ela fechou os olhos ao sentir as sensações de um orgasmo forte invadir seus sentidos. Suas pernas travaram-se onde estavam, seu corpo se arqueou e seus lábios se abriram automaticamente para deixar escapar um gemido de prazer completo.

Foi o suficiente para Scabior.

Derramou-se dentro dela e fechou os olhos com a sensação forte que estava sentindo. Nunca havia sentido aquilo, e pela respiração da garota, ela não estava diferente. Ambos estavam exaustos, mas fisicamente satisfeitos, os corpos estavam em um torpor absurdo. Scabior deitou-se ao lado dela, ofegante.

Hermione permanecia de olhos fechados, não queria pensar, queria apenas sentir o que seu corpo estava sentindo, o que seu corpo buscava há tantos anos, o que ela já estava pensando que não existia: a sensação de prazer completo, o prazer que esgota cada gota de energia da pessoa.

Ela sabia perfeitamente que o homem que estava ao seu lado não era como os homens que ela estava acostumada, e não relutou antes de se virar de costas. A sensação de cansaço lhe tomava e ela já pensava no que havia feito, não acreditando que teve a coragem de continuar com aquela insanidade. Sabia que colheria as consequências cedo ou tarde.

Ela percebeu que sua única alternativa seria esperá-lo dormir para sair daquele lugar. Sabia que a chave devia estar em algum canto do quarto, ele não a faria sumir para um lugar longe. Antes que pudesse pensar em possíveis esconderijos, ela sentiu seu corpo flutuar, e então o sono lhe tomou.

Scabior sorriu ao perceber a garota deitada ao seu lado. Sabia que ela já havia dormido, ela parecia exausta, e ele não estava diferente. Ele estava achando estranho o fato de não se sentir incomodado com a presença dela em sua cama; não gostava quando as mulheres dormiam junto a ele. Mas ela não o deixava inquieto, seu perfume de baunilha estava fresco em todo o lençol e ele sorriu ao perceber que o seu plano havia dado certo.

No mesmo momento que Hermione suspirava entregue a um sono profundo, Scabior olhava para o teto descascado, bolando planos novos e arquitetando os próximos passos.