Obsession
6 Domínio
Domínio
Hermione não sabia como reagir, ela ficou parada onde estava, sendo de vez em quando empurrada por um ou outro bruxo que queria passar pelo caminho. Cada célula dela estava fervendo por causa da raiva que ela estava sentindo ao fitar o bruxo à sua frente. Ela não tinha a mínima ideia de como ele havia a reconhecido e se lembrado dela.
Scabior apenas esperava a reação da garota, mas seus olhos poderosos já haviam percorrido todo o corpo dela, relembrando cada pedaço que ele havia esquecido, e o snatcher ficou agradavelmente surpreso ao constatar que ela estava ainda mais bonita.
Suas suspeitas foram confirmadas quando ele observou a garota ficar corada devido à raiva que ela estava sentindo. Ele havia detectado o leve cheiro dela, era realmente ela, e era o mesmo maldito cheiro de baunilha.
Ele já havia visto algumas fotos da bruxa prodígio no Profeta Diário, mas não fazia ideia de que ela conseguia ser mais atraente ao vivo do que nas fotografias móveis. Scabior continuou a fitá-la e sorriu.
- O que uma bruxa como você faz em um bar como esse?
Hermione respirou fundo, tentando buscar a calma que havia lhe abandonado completamente. O maldito estava olhando-a com diversão, e parecia mais satisfeito à medida que o tempo passava e ela não respondia a sua pergunta. Ela fechou as mãos em punhos.
- Algo me diz que você não tem nada a ver com minha vida.
Respondeu em um só fôlego e Scabior sentiu um pequeno prazer ao perceber que ela continuava petulante e atrevida. Ele sorriu, mas ela não ficou parada por muito tempo. Alguns já reclamavam que ela estava atrapalhando a passagem, e sinceramente, ela queria sair de perto dele.
Virou-se rapidamente e começou a andar, ignorando ao perceber que ele estava a acompanhando com os olhos. Hermione se xingava mentalmente a cada dez segundos. Ela sabia que não tinha muitas opções, mas infelizmente, antes mesmo de entrar no bar estranho, ela sabia que estava arriscando-se.
Ela só não fazia ideia de que iria encontrar justamenteeleali dentro.
Claro que se soubesse nunca teria entrado, mas não poderia ir embora, não agora. Se saísse pela porta naquele momento, ela tinha certeza de que ele acharia que ela estava com medo, e Hermione nunca iria dar tal prazer a ele. Não mais.
Respirou fundo e sentou-se no último banco do balcão, perto da parede, o lugar vago mais escondido que ela havia achado. Infelizmente de onde estava ela conseguia vê-lo, mas reuniu forças de todos os lugares para não fazê-lo. O balcão era em formato de "L", e ela evitava contato visual com todos os bruxos presentes. Para a sua sorte o bruxo ao seu lado estava mais interessado em um saco sujo e negro que levava às mãos.
Hermione engoliu em seco quando um homem se aproximou, um pano imundo estava jogado em seu ombro direito e ela evitou a todo custo pensar que era o mesmo pano que ele limpava os copos.
- Vai querer algo?
Ele perguntou rudemente e ela lembrou-se de que estava em um bar, então teria que consumir algo para que ninguém suspeitasse, já não bastava destoar do restante do lugar.
- Uma cerveja amanteigada.
O homem sorriu para ela, mostrando os dentes amarelados, e passou a mão suja no bigode.
- Não temos isso aqui. Se quiser uma bebida assim, vá ao Três Vassouras.
Hermione não acreditou em sua falta de sorte. Cerveja amanteigada era uma bebida que ela consumia aos treze anos em Hogsmeade, é claro que ele não teria nada daquilo por perto.
- Pode me trazer uma dose de Hidromel?
Perguntou sem muitos rodeios e o homem arqueou as sobrancelhas, surpreso. Nunca ninguém havia pedido a bebida para ele. Mas ele já sabia o motivo, Uísque de Fogo era de longe a bebida mais forte do bar, quem iria se preocupar em beber Hidromel, que era mais fraca e mais cara? O homem apenas assentiu, saindo do campo de visão dela.
Ela esperou pela bebida, apreensiva ao perceber que alguns bruxos a olhavam, mas parecia que não haviam a reconhecido. Todos eles tinham um aspecto sujo, e ela se perguntava mentalmente o motivo disso; poderia ser paranoia da cabeça dela, o lugar era escuro o suficiente para deixar todos assim.
Pensou que muitos amigos daqueles bruxos foram colocados em Azkaban por causa dela e estremeceu, mas a sensação foi cortada quando viu o garçom se aproximar e entregar a bebida, colocando-a em frente a ela, no balcão.
Ela não queria beber, havia pedido apenas por fachada; ela estava preocupada demais em analisar todos os presentes. A ideia de que algum bruxo no recinto era o que ela estava procurando não lhe deixava a mente. Poderia ser o bruxo que estava ao seu lado com cara de tédio, poderia ser a bruxa com verruga, poderia ser até mesmo o garçom que a olhava de canto de olho.
Hermione levou o pequeno copo à boca e engoliu um pouco da bebida. O líquido desceu facilmente pela garganta, deixando-a com uma sensação falsa de conforto. Mas ela estava longe de querer beber tudo, precisava a todo custo ficar sóbria.
Scabior a observava de longe; a garota parecia um fantasma em meios aos bruxos, destacando-se. Estava com os cabelos soltos, uma jaqueta preta aberta mostrando o decote pouco ousado, e mordia os lábios a todo o momento, o que estava deixando-o louco. Ela estava pensativa, e parecia bem confusa, como se não soubesse como havia parado naquele lugar. Ele sorriu maliciosamente.
Hermione olhava para o copo de Hidromel, que já estava perigosamente pela metade. Não se lembrava do momento que havia tomado tudo aquilo, e poderia jurar que estava cheio alguns segundos atrás. Ela respirou fundo, perguntando-se mentalmente o que estava fazendo naquele lugar, tinha que ir embora, tinha que trabalhar.
Pensou em Ginny, a amiga viraria um dragão norueguês se soubesse que ela estava ali, e lhe daria um sermão de quase cinco horas. A ruiva lembrava Molly em muitas ocasiões quando se tratava de responsabilidade. E responsabilidade era a última coisa que Hermione estava tendo no momento. E ela sentiu um pequeno prazer com tal conclusão.
Respirou fundo novamente, um cheiro de Uísque de Fogo lhe chegou ao nariz, mas ela ignorou tal aroma, sabendo que estava cercada pela bebida. Mas algo estava lhe incomodando, era um cheiro peculiar, um cheiro que ela havia sentido antes.
Virou-se para trás e se assustou ao perceber que o snatcher estava perto dela,perigosamenteperto. Hermione descobriu a origem do cheiro no momento que Scabior passou ao lado dela, sentando-se no banco desocupado. Ela perguntou-se mentalmente há quanto tempo o bruxo que estava sentado ali havia ido embora.
Ele permaneceu calado, e ela evitava a todo custo olhar para o homem. Sabia que quando fitasse aqueles malditos olhos azuis escuros, se lembraria do que ele havia feito a ela cinco anos atrás; o modo como ele a tocou, o beijo lascivo que ele havia dado nela, a respiração quente batendo contra sua pele. Hermione travou o maxilar ao se lembrar de tais momentos, não queria aquilo.
Ela olhou para frente, tentando buscar algum controle. Sua mão apertou fortemente o copo de Hidromel, e depois ela percebeu que ele poderia quebrar a qualquer momento, o que não seria bom. Ela se perguntava como um homem igual a ele, sem expectativa nenhuma e sem nenhum poder, conseguia deixá-la daquela forma, sem ação.
Não conseguiu achar a resposta.
Scabior percebeu que a garota evitava olhá-lo, e aproveitou-se disso para analisá-la melhor de perto. Os lábios eram rosados, no mesmo tom que ele se lembrava; estavam relaxados, mesmo que o bruxo soubesse que ela estava nervosa. Ela segurava o copo de bebida tão fortemente, que a qualquer momento ele se espatifaria.
Seus olhos azuis percorreram o restante do corpo dela, ele percebeu que o cabelo havia crescido um pouco, e que agora ela usava roupas mais femininas. O rosto tinha leves sardas, mas a pele era perfeita, e parecia sedosa ao toque. Claro que Scabior não se atreveria a experimentar tal sensação naquele momento.
Era de longe a mesma pessoa que ele havia confrontado anos atrás, porém melhor, mais mulher, mais bonita. Hermione respirou fundo, fazendo seu peito subir e descer. Scabior cravou seus olhos ali, e se lamentou por não conseguir ver muita coisa. Infelizmente cinco anos não foram o suficiente para que ela ficasse mais ousada.
Ela levou o copo à boca novamente, tentando por meio desse gesto ocupar sua mente com algo. Scabior percebeu a garota tomar um longo gole da bebida. Ao levantar o braço, o cheiro peculiar de baunilha chegou ao seu nariz, e ele respirou fundo discretamente. Ele sabia que não era o cheiro de nenhum perfume, era o cheiro dela, só dela.
- Você continua cheirosa...
Hermione sentiu o hálito quente dele bater fracamente de encontro a sua pele e fechou os olhos, travando o maxilar. Ela não conseguia acreditar que ele ainda tinha coragem de lhe dizer tais palavras. Ela sentiu seu rosto esquentar, e pela primeira vez não sabia se era de raiva ou de vergonha.
- Pena que intercepta muitos tapetes... – ele completou.
Ela não conseguia raciocinar nada no momento, ou entender de imediato o que ele queria lhe dizer com aquilo. Sem pensar muito nas consequências, virou-se e o olhou diretamente nos olhos pela primeira vez. Os poços azuis profundos a fitavam intensamente, e ela sentiu um leve arrepio percorrer sua espinha ao constatar que o dono dos olhos a fitava do mesmo jeito que a fitou há cinco anos, com a mesma fome.
A voz da sua consciência lhe gritava para sair daquele lugar, algo estava lhe dizendo que não era certo, não era seguro, e se ficasse, ela teria que arcar com as consequências. Consequências que não seriam boas.
Ele se aproximou dela e o cheiro peculiar dele invadiu os sentidos dela; Uísque de Fogo, folhas molhadas e suor masculino, o mesmo cheiro que ela sentira há anos. Incrivelmente, ela conseguia se lembrar do aroma perfeitamente, como se tivesse o sentido apenas alguns segundos atrás.
Seu corpo travou, ficando alerta a qualquer gesto por parte dele. De repente a consciência de Hermione voltou a funcionar e ela percebeu a situação em que estava. Sem pensar muito, afastou-se com rapidez e pegou a bolsa, saindo do banco e caminhando em direção à porta. Não olhou para trás.
Ao sair do bar, o cheiro de rua mal cuidada chegou ao seu nariz, não era melhor do que o cheiro do bar, mas aliviou-a rapidamente. Ela respirou profundamente e começou a percorrer o mesmo caminho que havia percorrido ao entrar na Travessa do Tranco, precisava sair daquele lugar, precisava de sua casa, precisava pensar.
As pernas estavam levemente trêmulas, e ela se amaldiçoava a cada passo dado, não devia ter ido tão longe, devia ter escapado de um possível diálogo no primeiro momento. Ela relaxou o corpo ao perceber que havia saído da Travessa, e que estava novamente no Beco Diagonal. Agora só precisava achar uma lareira e voltar para sua casa, para sua área de segurança.
No bar, um homem estava sorrindo por causa da atitude da garota. Nunca havia visto alguém sair de um lugar tão rapidamente igual ela. O cheiro adocicado de baunilha havia ficado onde antes estava seu corpo. Scabior sorriu ao lembrar-se do nervosismo dela, pegando o copo que ela havia deixado sobre o balcão e tomando o restante da bebida. Fez uma careta ao constatar que a bebida era fraca e doce, algo que ele não apreciava muito.
Mas voltou a sorrir. Quando acordou naquela tarde, não imaginava que sua noite seria tão... intrigante. Mas o que estava deixando-o mais animado era o seu sexto sentido lhe dizendo que de alguma forma, a garota ia voltar para aquele mesmo lugar. Scabior apenas ia esperar que aquilo acontecesse. Era uma questão de tempo.
Sim... era uma questão de tempo.
Fale com o autor