Obscure Destination
8 07
Notas iniciais
07
_Finalmente chegaram – exclamou meu pai quando atravessamos o grande portão de madeira de Winterfell.
_Perdoem-nos pela demora – falo descendo do cavalo – Que assunto urgente é esse?
_O assunto pode esperar até o jantar – respondeu lorde Stark.
_Como quiserem – disse me retirando sem direcionar o olhar para ninguém presente.
Depois de banhar-me e aprontar-me, sai do castelo e andei pela neve até que duas mãos macias cobrem meus olhos, impedindo-me de identificar o ser.
_Advinha quem é? – perguntou uma voz feminina.
_Sansa – respondi rindo e ela destampou meus olhos.
_Caminhando sozinha?
_Pois é. Quer se juntar a mim?
Voltamos a caminhar por entre o jardim do palácio.
_Então, como vão as coisas entre você e Joffrey? – perguntei fitando-a.
_Bem, eu não sei. Não depende de mim – respondeu corada.
_Quem sabe um dia não viremos cunhadas? – ri e ela acompanhou-me ainda com as bochechas rubras.
_De qual das partes? Eu me casando com Joffrey ou você com Robb? – perguntou sorrindo.
_Somente o tempo nos dirá – respondi parando de andar e fitando o céu nublado.
Passos sobre a neve surgem à nosso lado, mesmo assim continuei a fitar o céu sem dar importância ao ser que se aproximava. Meus pensamentos ainda estavam bagunçados sobre o que havia acontecido mais tarde. Eu queria poder esquecer tudo e ser livre. Cavalgar pelos campos e pensar sobre tudo o que me incomodava e atordoava. Queria ter um momento para mim.
_Sansa, pode nos dar licença? – perguntou o ser que se aproximara. Me virei em sua direção mesmo reconhecendo a voz. E ali estava Jon vestindo uma pesada capa de peles sobre suas vestimentas.
Sansa olhou-me buscando uma resposta e eu afirmei, assim ela saiu e nos deixou à sós.
Eu não conseguia fitar Jon sem que a lembrança de seu olhar me viesse à mente. Com o silêncio que pairava sobre nós, pus-me a continuar a caminhar por entre o jardim e ele seguiu-me, mantendo-se sempre um passo atrás. Parei de caminhar quando cheguei ao centro do jardim, um círculo composto de rosas brancas com a estátua de um lobo gigante esculpido no centro.
_O que foi aquilo mais cedo? Aquele olhar? – perguntei fitando-o com os olhos marejados.
Ele se aproximou e se postou diante de mim.
_Foi o único modo que achei de reagir sobre aquela cena – respondeu fitando o chão.
_Aquela cena? Ah, o beijo – murmurei.
_Aquela conversa que não tivéssemos a chance de terminar. Eu te dou a resposta de suas perguntas sobre minha futura ida e permanência na Muralha – disse voltando a fitar-me.
Meu olhar pedia uma resposta mais objetiva e clara, e assim ele o fez. Colou nossos lábios. Fechei meus olhos enquanto ele segurava meu rosto entre suas mãos. Eu estava sem reação. Segundos depois ele se separou e fitou-me. Abri meus olhos e fitei-o também.
_Lorenna? – chama uma voz ao lado.
Imediatamente me viro e vejo a última pessoa que queria ver naquele momento. Robb.
Ele nos olha com desdêm e sai pisando firme. Me desvencilho de Jon e corro atrás de Robb.
_Robb, por favor, pare – digo seguindo-o.
Ele para bruscamente e fita-me. Seus olhar estava preenchido de raiva e mágoa.
_Nosso beijo não significou nada para você? – perguntou ainda desdenhoso.
_Robb, eu posso explicar – falei com os olhos marejados.
_Você não precisa explicar nada, Lorenna. Agora eu entendi que nada nem ninguém importam para você. Você fez com que eu me apaixonasse por você e depois se agarra à meu irmão bastardo? – ele continua, deixando sua raiva e ira aparecerem.
_Robb, por favor – lágrimas já escorriam por minha face.
_Não. Obrigado por me fazer de tolo, agora sei que as pessoas que King's Landing não prestam mesmo. Agora sei que você não presta. Se me dá licença, alteza – disse e se retirou.
Lágrimas e mais lágrimas escorriam por minha face. O que eu fizera? Meu coração fora quebrado por suas palavras. Corri até os estábulos ainda em prantos e peguei o primeiro cavalo que vi. Sai às pressas para fora de Winterfell ignorando os chamados dos guardas e cavaleiros. Levei o cavalo em direção da floresta e o deixei andar por si próprio enquanto eu segurava as rédeas e deixava o choro reprimido sair. Quando dou por mim, estou diante de um rio congelado. Eu não sabia onde estava, mas isso não importava. A neve começou a cair e o tempo esfriou de repente. Meu cabelo e roupas estavam brancos por causa dos flocos de neve. O cavalo começou a andar novamente, afastávamos do rio e adentrávamos na densa floresta novamente. Meus dentes rangiam por causa do frio e eu tremia mas mesmo assim continuei a cavalgada. Cavalguei até o ponto de minhas mãos não aguentarem mais segurar as rédeas e meu corpo ficar pesado. E assim eu cai sobre a neve fofa do chão. Eu via os flocos de neve caindo lentamente, e assim, encontrei a escuridão e desmaiei.
Fale com o autor