Obra do Destino
4 Complicações e amizade
Notas iniciais
Violetta Narrando
Cheguei em casa e meus pais estava tomando café. Assim que me viu papai se levantou, porém fui mais rápida e subi as pressas para o meu quarto.
Tranquei-me la dentro e comecei a retirar minha roupa, ficando apenas de lingerie. Amarrei meu cabelo em um coque mal feito e entrei no banheiro.
Liguei o chuveiro e sob as águas mornas que pingavam. Uma lagrima caiu. E depois outra. E mais outra. E outra...
Merda!
Minha vida, definitivamente, é uma merda.
Sou namorada de um garoto porque é bom pro meu pai. Estudo moda porque é o gosto da minha mãe. Danço balé porque meus pais acham adequado. Estudo em uma faculdade extremamente cara e lotada de gente estupida. Sou prevenida de tudo e de todos para que a impressa pegue uma imagem de "família perfeita".
Eu não tenho vida própria. E minha mãe ainda quer me mandar para um internato.
Porra, o que eu fiz para merecer isso?
A única coisa que eu quero é poder fazer minhas próprias escolhas, sem ninguém para me atormentar ou dizer que eu estou errada.
Eu apenas quero ser feliz! É pedir muito?
— Violetta? — ouvi minha irmã gritar do outro lado da porta. — Você tem visita — anunciou, abaixando o tom de voz — É o Tomás — disse baixo dessa vez.
Suspirei frustrada e passei minhas mãos pelo meu rosto. A água caia sobre mim e isso me relaxava um pouco, mas não era o suficiente. Eu precisava de algo a mais do que isso. Mas, infelizmente, eu não sei o que é.
— Manda ele ir pro inferno — pedi, gritando — Aproveita e pede para ele levar meus problemas também — murmurei baixinho, e creio eu que ela não tenha escutado.
Voltei aos meus pensamentos.... e as minhas lagrimas.
****
Acordei sentindo uma enorme dor de cabeça. Parecia que eu tinha levado uma surra.
Lá fora não havia mais vestígio de claridade, e isso indicava que eu havia dormido demais. Levantei de vagar por conta da dor que eu estava sentindo, peguei meu celular que estava sobre a pequena mesa branca e olhei as horas.
20:33
Arregalei os olhos ao ver as horas. Dormi, praticamente, por onze horas seguidas. Isso, definitivamente, não é normal.
Olhei novamente para a tela do meu celular e vi que havia uma mensagem. Minha expressão tornou-se extremamente confusa e surpresa ao ver que era uma mensagem do Leon.
"Hey, Vilu! Queria saber se está tudo bem. Se está melhor.
E quando você tive um tempo livre, poderíamos sair novamente. O que acha?"
Leon, 14:23 hs
Um sorriso quase imediato surgiu em meu rosto.
Ele estava mesmo preocupado comigo?
Sem ao menos pensar direito, já estava digitando a mensagem e a enviando.
"Oi, Leon! Desculpe a demora em responder.
Sim, estou melhor. Obrigada pela preocupação. E eu adoraria sair com você novamente."
Violetta, 20:37 hs
Sentei na pequena cadeira que havia atrás da escrevaninha e, novamente, olhei meu celular. Havia uma mensagem também do Tomas. Soltei um suspiro e a abri.
"Amor, o que está acontecendo? Estou te ligando o dia todo e você não atende.
Quando lê a mensagem, me responda.
Te amo."
Tomás, 16:14 hs
Meu coração sempre se afundava quando Tomás dizia que me amava. E eu não era capaz de corresponder esse sentimento assim, tão verdadeiramente.
Quando eramos crianças eu era apaixonada por ele, mas ele não dava a mínima. Até que crescemos mais, viramos amigos, e eu superei a paixão. Mas então ele acabou confundindo nossa amizade. Um abraço virou beijo, e no outro dia ele já se declarava para mim.
Eu tentei ao máximo ser gentil, e dizer que já não gostava mais dele daquele jeito. Porém, então, meu pai acabou tendo um desfalque na empresa e estava prestes a perder tudo, e a única solução seria se eu namorasse um filho de um dos seus amigos. Uma vez que nesse ramo de engenharia eles são extremamente acostumados a negociar a relação dos filhos.
Uma garota rica + um garoto rico = união de empresas. Que é igual a: demasiado dinheiro.
Mas eu tenho que aceitar meu destino. Eu nasci para ser um fantoche dos meus pais. Infelizmente eu não sou igual a Ludmila e não consigo dizer não ou enfrentar German Castilho e Angeles Castilho. Por mais que meu pai sempre foi bom para mim, ele jamais aceitaria uma desordem cometida pelos seus soberanos. Muito menos da filha dele.
Meus pensamentos foram interrompidos com o barulho do meu celular.
O peguei em minhas mãos, e era uma mensagem de texto do Leon.
"Fico feliz com isso.
Bom, podemos dar uma volta? Prometo deixar você em casa depois"
Leon, 20:45 hs
Estranhei o fato de ele querer sair agora, mas talvez fosse bom para mim. O Leon estava causando em mim sensações diferentes. Pela primeira vez em tempos, eu estava com vontade de sair para conversar com um amigo que se preocupa mesmo comigo. Nos conhecemos a um dia, mas parece que eu já o conhecia antes. E com poucas horas de conversa entre nós eu afirmo: eu confio nele. Isso pode ser um erro, mas eu confio.
"Tudo bem.
Te encontro em meia hora"
Violetta, 20:47 hs
Em poucos segundos recebi a sua resposta, concordando.
Rapidamente me levantei e fui até o closet. Peguei uma saia branca e uma camiseta na cor azul — bem clarinha — e uma sapatilha, também azul.
Como esta noite, preferi deixar meus cabelos soltos. Passei uma maquiagem bem levinha, apenas para esconder as marcas que evidenciam que eu havia chorado — muito — e depois dormido a tarde inteira. Não queria que se preocupassem comigo.
Sentindo-me um pouco melhor, desci as escadas, encontrando apenas Ludmila sentada, enquanto folheava uma revista de moda.
— Essa revista é velha — avisei, enquanto descia as escadas — Não se usa mais chapéu assim — falei ao ver o que minha irmã observava.
— Nossa! — exclamou, surpresa, ao olhar o numero da edição da revista. — Estava distraída — confessou, em meio a um sorriso. — Preocupada com você — continuou, colocando a revista de lado e se levantando.
Soltei um suspiro e fui até a minha loira preferida. A abracei apertado e ela não hesitou em corresponder, e senti que algumas lagrimas saíam dos seus olhos.
— Não suporto vê você sofrer, maninha — confidenciou, com o tom um tanto falho.
— Está tudo bem — sorri, mesmo ela não vendo. — Eu estou bem.
Nos separamos do abraço e limpei as lagrimas que saiam de suas iris. Lancei-a um sorriso tranquilizador, e a mesma retribuiu um tanto triste.
— Eu vou sair, okay? — Ludmila me olhou confusa. — E não adianta perguntar aonde vou. Apenas saiba que não vou demorar — falei, calmamente.
A loira a minha frente cruzou os braços e tive que ri da sua expressão.
— Tchau, Luh — A saudei, enquanto ia até a porta.
— Tchau, Vilu — a ouvir dizer, antes de fechar a porta e me deparar com a escuridão, que era iluminada apenas pelas estrelas e pela magnifica lua.
Fale com o autor