Oblivion

12 Banheira de Porcelana


Pequenos demônios dançam no teto do quarto,

E irritam com sua alegria inoportuna.

Sintomas de uma doença crônica,

Meu corpo inerte, adormecido e inebriado.

A progressão de um ato pagão,

Se concretiza com sangue pela cozinha,

Só enxergo palmos à escuridão,

E a dor não existe sozinha.

Tenho ossos escondidos no armário,

Próximos da minha escrivaninha vertical.

Pequenos demônios sarcásticos,

Chistosos em sua armadilha mortal.

Vivendo em uma banheira de gelo,

Perdendo a sensibilidade do corpo aos poucos.

Almas em mim gritam em desespero,

Que é engraçado invejar os tolos.

Sabor metálico subindo ao paladar,

Torneira pingando no banheiro.

É quase hora de me molhar,

E sinto que é confortável me banhar primeiro.

A cama impregnada de pesadelos,

Suja de todos esses problemas.

Posso reacender desesperança e medos,

Enquanto preso a velhos dilemas.

Posso decidir acordar do coma,

E enxergar branco e verde-claro inebriante.

Queria poder decidir levantar da cama,

E enxergar silhuetas brilhantes.

Queria poder ir embora,

Mas não dizer adeus.

Queria poder ir agora,

Mas não dizer adeus.

~Gabriel.