Oathkeeper II
39 Daenerys
Notas iniciais
– O exército dos nortenhos estão tão fortes quanto seus Imaculados, Vossa Graça. — Disse Varys, a Aranha. — Falta poucos metros para chegar até a Fortaleza Vermelha. Até agora, muitas casas foram queimadas, muitas mulheres estupradas e muitas crianças foram mortas. Uma tragédia!
Daenerys apertou seu punho no gelado Trono de Ferro. Uma fúria cresceu dentro dela.
– Esses nortenhos não passam de... Selvagens. — Eu já fui uma selvagem também, pensou, se lembrando da época em que era a esposa de Khal Drogo.
– Minha Rainha, ponha uma espada na mão de um homem e você verá uma fera saindo de dentro do mesmo. — Disse Daario.
Daenerys o olhou de relance. Ainda não havia mandado Daario e seus Corvos Tormentosos para a batalha, estava esperando o momento certo. Pensou que quatro mil Imaculados bastariam, mas estava errada.
– Os nortenhos estão endurecidos pelas batalhas que já vivenciaram, Vossa Graça. — Continuou a Aranha. — Não cairão fácil, eu temo.
– Muito bem. — Disse Daenerys, tomando uma decisão. Respirou fundo, sem tentar transparecer como doía dizer os próximos comandos. — Daario, leve seus Corvos Tormentosos para a batalha, junto com os Segundos Filhos.
– Como desejar, minha Rainha. Essa noite, lutarei por você. — Disse, por fim, o seu mercenário, abrindo um sorriso malicioso ao mesmo tempo que acariciava sua espada esculpida com mulheres nuas no cabo. Não morra, Daenerys quis dizer. Sua garganta estava apertada.
– Tyrion. — Disse Daenerys, e o anão, que até agora estava calado, sentado na cadeira ao lado do Trono de Ferro, a olhou. — Vá até a Torre da Espada Branca, encontre alguns dos meus Imaculados que não foram para a batalha e diga à eles que Daenerys Targaryen ordenou que soltassem Drogo, Viserion e Rhaegal.
– Tem certeza, Vossa Graça? — Perguntou Tyrion, uma sombra de ansiedade passou pelos seus olhos desiguais.
– Tenho. — Disse Daenerys. — Vá.
Varys continuava parado à frente dela, esperando alguma ordem. Seu semblante indecifrável.
– Obrigada pelas informações, Varys. — Disse, por fim, a Mãe dos Dragões. — Irei para meus aposentos por um momento. Logo voltarei aqui para mais notícias.
– Bom descanso, Minha Rainha. — Disse o espião, fez uma reverência e saiu.
Daenerys esperou alguns segundos ainda sentada, fitando o Grande Salão vazio. Fechou os olhos, sabendo o que queria fazer em seguida. Preciso libertá-lo. Só assim poderei perdoá-lo.
Abriu os olhos e se levantou do Trono de Ferro, indo, decidida, em direção à um quarto modesto, na chamada Arcada das Donzelas. Na época de Baelor I, ela era usada para deixar suas irmãs presas, para que as mesmas não tivessem pensamentos carnais e se mantessem puras. Agora, ela era usada para confinar um homem, um traidor. Mas havia uma cama, uma latrina e uma banheira, para que o mesmo usufluisse de suas necessidades pessoais e de sono. Mas continuava sendo um homem preso.
Daenerys usou as passagens secretas que Varys havia mostrado à ela para chegar até a Arcada das Donzelas. Pensou que assim seria mais seguro, uma vez que fora do castelo da Fortaleza Vermelha havia uma batalha no auge.
Abriu as duas portas altas e esculpidas do quarto, encontrando Jorah Mormont na cama. Quando ele ouviu o barulho das portas, se levantou rapidamente para encarar sua Rainha.
Ficou de joelhos rapidamente, abaixando a cabeça, sem ser capaz de olhá-la nos olhos.
– Minha Rainha. A que devo a honra?
– Você jurou que lutaria por mim. — Disse Daenerys. — Chegou a hora. Foi bem alimentado?
– Lutarei por você. — Disse Jorah, agora olhando-a nos olhos. Sua aparência estava melhor do que da última vez que viu, mas parecia à Daenerys que o homem estava envelhecendo cada vez mais rápido. — Fui bem alimentado. Estou pronto.
– Ótimo. Vá até a Torre da Espada Branca, lá encontrará alguma armadura do seu tamanho.
Dito isso, saiu do quarto. Não era capaz de olhá-lo nos olhos por mais tempo sem chorar. E não poderia deixar chegar à esse ponto, não na frente dele.
Voltou até o Grande Salão pelas passagens secretas, e sentou-se novamente em seu Trono de Ferro, esperando novas informações.
Agora temo pela vida de meu mercenário e de meu urso, pensou entristecida.
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