Notas iniciais
Olá! Estou de volta. Falei que ia postar um por semana, mas não resisti e aqui estou eu. UHAUHAUH

Estou muito feliz, filha.– Brienne se lembrava de ouvir seu pai dizer. Estava orgulhoso, seus olhos deixavam isso evidente. - Você está esperando o herdeiro ou herdeira de Tarth, sabe disso.

Eu sei, pai.– Respondeu Brienne, dando um sorriso. Estava com lágrimas nos olhos, emocionada pelo seu pai, por estar casada e feliz com o homem que amava e, acima de tudo, por estar grávida. Isso está mesmo acontecendo?, se perguntava de tempos e tempos. Por toda sua vida, pensava que seu destino seriam apenas espadas e lutas. Nunca imaginou que um dia se casaria. Colocou a mão na barriga, a mesma já estava um pouco saliente, pois já havia se passado três meses. — Suponho que isso seja um adeus, então?

Uma despedida, minha querida.– Respondeu seu pai, e ambos se abraçaram por longos minutos, antes que seu amado pai subisse no navio, indo em direção à Ilha da Safira.

Seus primeiros cinco meses com Jaime estavam sendo perfeitos. Todos sabem que agora, quem governava os Sete Reinos, era uma garota Targaryen chamada Daenerys. Rezava a lenda que a mesma tinha três dragões. Brienne ouvia cochichos de que a Rainha de Prata um dia se vingaria por seu pai, exigindo a cabeça de Jaime. Ao lembrar disso, a mão da dama de Tarth coçava, querendo uma espada para segurar. Se esse dia chegar, estarei pronta para impedir de levar a cabeça do homem que eu amo. O pai do meu filho, ou filha.

Mas então, agora tudo havia desmoronado. Brienne estava a quase cinco horas em uma cama ensanguentada, chorando. Jaime estava ao seu lado, sentado e imóvel, apoiando sua mão esquerda no ombro da mulher.

Eu falhei, ela pensava enquanto soluçava. Seus pensamentos estavam a mil, e sua cabeça parecia a ponto de explodir. Eu falhei com Renly, com a Senhora Catelyn, e até com Jaime. Agora, falhei novamente. A dama não conseguia acreditar que havia tido um aborto espontâneo. Acordou, no meio da noite, com muita dor e, quando puxou suas cobertas, viu uma poça de sangue. Desde aquele momento, começou a chorar, sem conseguir parar mais.

Será que isso é uma maldição que os deuses jogaram em mim por ter me casado com o homem que copulava com a irmã?, ousou a se perguntar. Uma maldição por amar o Regicida? Não, é claro que não. Estou culpando os deuses, quando a única culpada sou eu.

Lembrou de suas irmãs, todas morreram quando bebês. E então, quando sua última irmã nasceu, sua mãe morreu no parto. Ela era fraca, eu também sou.

– Brienne... — O leão cortou o silêncio.

– Eu... — Começou a garota, enquanto soluçava. — Eu falhei. Eu não sirvo para nada. Não sirvo para... — Segurou o choro para poder continuar. — Para ser um cavalheiro, nem para ser uma mãe.

– Não diga isso. — Respondeu Jaime imediatamente.

– Eu preferia estar morta. — Concluiu Brienne, sem olhar nos olhos do homem.

– Não diga isso! — Gritou Jaime, se afastando da cama.

Brienne levantou seus olhos para vê-lo se relance. O mesmo andava de um lado para o outro do quarto, sem poder encará-la. Ele me odeia, percebeu a moça, entrando em desespero. Seu peito se apertou, e a mesma perdeu o ar por alguns instantes, começando a chorar novamente.

E então, sentiu um toque suave em seu queixo, obrigando-a a olhá-lo. Seus olhos de esmeraldas também estavam vermelhos, e o leão parecia acabado.

– Prefiro que você esteja viva do que nosso filho. Nunca mais diga uma besteira dessas. — Disse Jaime, agora sua voz estava mais suave. Com o polegar esquerdo, limpou as lágrimas dos olhos de safiras da dama de Tarth. — Está na hora de sair dessa cama ensanguentada. Tomar um banho e... Seguir em frente. — Disse, conseguindo dar um sorriso fraco, antes de selar seus lábios aos dela, demoradamente.

Brienne se afastou dos lábios do leão e assentiu, se levantando com cuidado. Tudo estava doendo, mas o Meistre já a havia examinado e se certificou de que nenhum dano fora causado na mulher.

Após as aias colocarem lençóis novos em sua cama de casal e trazerem uma banheira com água quente, Brienne as dispensou. A maioria das mulheres nobres aceitavam ajuda para tirar a roupa, mas a dama de Tarth preferia fazer sozinha.

Arrancou sua roupa ensanguentada e entrou na banheira, se acostumando aos poucos com a temperatura da água quente em sua pele gelada.

Olhou seu reflexo na banheira. Seus cabelos loiros estavam na altura do ombro e embaraçados. Seus olhos azuis estavam levemente vermelhos, assim como seu nariz. Tinha olheiras e algumas rugas de preocupação próximas à sua sobrancelha.

E então, sem conseguir se conter, começou a chorar novamente.

Quando saiu do banho e se enfiou em seu vestido de linho branco de dormir, e se deitou em sua cama limpa.

Fechou os olhos. Sua cabeça latejava de tanto chorar, e prometeu a si mesma que não derramaria mais nenhuma lágrima. Embora soubesse que logo iria quebrar esse juramento também.

Ouviu uma batida na porta.

– Brienne?

Reconheceu a voz do leão. Fechou seus olhos e fingiu estar dormindo. Não quero vê-lo, pensou a garota. Não posso suportar olhá-lo. Ele pode dizer que está bem, mas seus olhos entregarão a verdade. E a verdade é que ele está desapontado e decepcionado comigo. Está arrependido de ter se casado comigo, tenho certeza.

O Lannister abriu a porta do quarto e entrou suavemente no mesmo. Brienne continuou com os olhos fechados.

Sentiu a mão do leão deslizando pelo seu rosto, e sentiu vontade de chorar. É tudo falsidade, eu sei que é. Ele quer me confortar, mas eu sei que ele me detesta, pensou Brienne enquanto fingia que dormia.

Sentiu a boca de Jaime pressionando em sua bochecha carinhosamente. Logo em seguida, o homem se ajeitou para se deitar de seu lado, e Brienne abriu os olhos e disse rapidamente:

– Eu quero ficar sozinha. — Sua voz saiu mais dura do que gostaria.

O Lannister, que estava quase se deitando ao seu lado, parou, incrédulo. Em seus olhos, havia desapontamento. Brienne manteve seu olhar. Preciso me acostumar com a decepção em seus olhos. É só assim que ele vai me olhar daqui por diante, tenho certeza. Preciso me afastar, caso contrário sofrerei ainda mais.

Jaime abriu levemente a boca por alguns instantes, antes de fechá-la novamente. Se queria dizer algo, desistiu. Abaixou seus olhos de esmeraldas e saiu do quarto em silêncio, batendo a porta atrás de si.

Notas finais
Espero que tenham gostado! :3 Não vou postar todos os dias, mas farei o máximo pra postar pelo menos um por semana. Beijos!