Oak

6 Capítulo 6


Vӏ

Ricardo ficou cabisbaixo e começou a explicar.

– Foram meus pais... Quando decidi ser médico, ninguém gostou da idéia. Para ser homem de verdade precisa lutar... Medicina era para os fracos. Eu não passei há três anos na Foke.

– Então essa é sua quarta vez que faz a Foke? – Matheus perguntou sentido tristeza.

– Sim. Sempre eu era o mais fraco que só servia para ajudar... Sem lutar... Só ajudar. Durante todo esse tempo... Eu... Eu treinei e faço o meu melhor. Acham que só porque quero ser médico não posso lutar ou tenho que ficar em segurança, e todas às vezes perderam por esta causa. Meu pai sabendo da primeira vez que não passei, me castigou com isso.

– Cedendo sua vida? – Matheus já estava um pouco nervoso pelo que acabara de ouvir. – Esse selo de maldição suga toda sua expectativa de vida! Sua vitalidade! O que seu pai tem na cabeça?

– Não conte para ninguém. Isso é um problema meu. – E se virou de frente para Matheus. – Eu vou conseguir.

– Claro que vai! Estamos juntos e vamos até o fim.

Trocaram o olhar de confiança e foram de volta para o salão.

Andrew os observava perto das arvores que estavam no jardim quando chegou um homem alto e forte atrás, de cape cinza e sua cabeça coberta com o capuz que não dava para identificar quem era:

– Ele tem que fazer isso logo. – Uma voz grossa dizia.

– Temos que esperar passarem na Foke... Se não fizerem durante ela mesma. Darei as coisas para eles amanhã.

– Petrié precisa o mais rápido possível. – E num movimento rápido, o homem saiu como um vulto.

***

Era véspera da Foke, quando todos já iam para o alto rochedo a pé, lugar perto da mansão onde Andrew havia pedido para estarem à tarde. Matheus olhava para Ricardo ressentido pelo que o pai dele havia feito. Saber que aquilo acabaria o matando causava agonia, pois já eram amigos.

Quando todos chegaram, Andrew já os esperava. Enquanto todos caminhavam Andrew já se pôs a falar.

– Técnica de grupo. — Fez um movimento com a mão para o lado e surgiu um corpo humano todo de madeira de dentro da arvore, que ficou parado. – É só destruir.

– É só quebrar isso? – Johny perguntou e num movimento rápido um fiapo de madeira, que o boneco soltara, fez um arranhão em seu braço que fez sangrar. – Merda!

– Só conseguirão se trabalharem em grupo.

O boneco tinha a mesma forma de um homem, com uma altura média de dois metros; deu um salto e criou uma chuva agulhas de madeira. Num movimento ligeiro Matheus ergueu as mãos e criou um escudo transparente que protegeu todo o grupo de ser atingido.

– Vai! – Matheus falou para Beatriz.

Ela pulou por uma abertura do escudo e foi em direção ao boneco, deu-lhe um chute que fez cair do alto, mas logo que caiu retornou para cima dando um soco nela.

Beatriz caiu em pé.

– Que merda! Ele é rápido.

O boneco estava no chão e criava uma espada em sua mão, tinha a habilidade de criar objetos com sua própria matéria. Logo em seguida foi na direção deles, Johny foi para cima. Começaram um duelo de espadas. Logo os outros já foram para cima do boneco, era muito rápido e rebatia todos os golpes deles, então Matheus colocou as mãos no chão, mas as plantas que iria segurar logo foram fatiadas pelo boneco que pulou em sua direção. Matheus ia ser atingido, mas Ricardo o protegeu com uma espada e fez um empurrão que colocou o boneco a distancia. Beatriz estava atrás do boneco, e deu um soco que o boneco foi atingido.

– É isso! Enquanto uns o desvia a atenção, outros se preparam. – Johny falou olhando para eles.

– Ok! Já sei o que fazer! – Matheus apontou para o boneco e logo em seguida todos entenderam.

Beatriz e Johny correram para os lados e o boneco ficou indeciso em quem acertar. Ricardo pulou e o boneco foi para cima em seu rumo.

– Agora! – Beatriz falou para Johny.

Os dois agarram os pés do boneco e o puxaram para baixo com uma força bruta que fez um buraco na grama, logo Ricardo desceu com os dois pés atribuiu mais um golpe ao boneco, Beatriz o ajudou sair do local. Matheus estava com as mãos esticadas para frente, logo se viu um dragão de fogo reluzente que subiu e desceu brutalmente onde o boneco estava. Ouvi-se um barulho grande de explosão, o fogo ia se espalhando quando Matheus o retraiu para o centro do boneco e por uns segundos, jogou a retração para o alto.

Todos olharam para Andrew, mas o boneco saiu de lá, só que dessa vez em pedra.

– O que é isso? – Perguntou Beatriz e todos ficaram surpresos.

– O chamo de elementar. Alta capacidade de transformação. – Andrew estava encostado na arvore enquanto falava. – Boa sorte!

O boneco se levantou e todos estavam frenéticos pelo que acabara de acontecer. O boneco não se fez por esperar e já foi para cima deles. Ricardo foi atingido pela investida e caiu para trás, e o boneco já iniciava um ataque aéreo quando Beatriz o jogou para baixo.

– Você está bem? – Matheus perguntou para Ricardo.

– Sim. – Ricardo se levantava.

O boneco vem carregando um soco, mas Matheus o conteve segurando-o pelas mãos, a força foi tamanha que os dois se afastaram para trás. Com uma velocidade e agilidade Matheus apoio as mãos e o corpo no chão e o chutou para cima.

– Vai ter que ser corpo a corpo.

Johny com um soco o colocou para baixou. Não deu tempo nem de o boneco se levantar, Beatriz havia o acertado com um chute e Ricardo já ia a sua direção e o chutava de volta. Johny deu umas seqüências de golpe. Matheus agachado e dobrando uma perna juntou as mãos e fez surgiu uma espécie de caixa, parecida com uma tumba só que de madeira e retangular, e Johny o jogou para dentro quando a caixa se fechou. Matheus colocando as mãos para os lados fez o caixão ir para o solo de onde tinha surgido. Levantou-se e secou o suor que escoria em um lado do rosto.

– Muito bem!- Andrew havia desencostado da árvore e caminhava na direção deles. – Espero vocês amanhã. E boa sorte! Ah... Isso aqui é para vocês. – Entregou uns pergaminhos para eles e saiu.

Todos estavam cansados e voltavam para a mansão. Matheus reparou que Ricardo estava muito fadigado, mais do que todo mundo. Devia ser por causa do Frige

– Quem diria que um boneco desses daria tanto trabalho. – Disse Johny.

– Pra quem falou que era só quebrar. – Respondeu Beatriz com um sorriso de sarcasmo.

– Você se ferrou toda também.

Todos já estavam na mansão, os silêncios ocupava tudo. Matheus estava deitado de lado e olhando para fora da janela, pegou o pergaminho que Andrew havia lhe dado. Havia a anatomia do corpo humano, selos e algumas coisas escritas como curar, retirar, acrescentar ou fazer. Achou que era só uma revisão do que já havia aprendido. Começou a pensar mais um pouco e caiu no sono.